A FALTA DE AVIVAMENTO NA IGREJA GERA CULTOS FORMAIS SEM PRESENÇA DE CRISTO, UM PERIGO PARA A RELIGIOSIDADE VAZIA
Por Nonato Souza
A FALTA DE AVIVAMENTO NA IGREJA GERA
CULTOS FORMAIS SEM PRESENÇA DE CRISTO, UM PERIGO PARA A RELIGIOSIDADE VAZIA
E ao anjo da
igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e
verdadeira, o princípio da criação de Deus. Eu sei as tuas obras, que nem és fio
nem quente. Tomara que foras frio ou quente! Assim, porque é morno e não és
frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou
enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e
miserável, e pobre, e cego, e nu), aconselho-te que de mim compres ouro prova
do no fogo, para que te enriqueças, e vestes brancas, para que te vistas, e não
apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os olhos com colírio para que
vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e
arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir
a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele comigo” (Ap 3.14-20).
Entre todos os sintomas que revelam a
necessidade de um avivamento, nenhum é tão enganoso ou tão solene quanto a
existência de um culto onde a presença manifesta de Deus está ausente. É
possível que uma igreja mantenha suas engrenagens girando perfeitamente: o
cronograma é seguido, a música é executada com precisão, a pregação é
logicamente estruturada e os departamentos funcionam com eficiência
administrativa. No entanto, por trás dessa fachada de vitalidade, pode haver um
vácuo espiritual onde Cristo não ocupa mais o centro. Temos a atividade, mas
perdemos a comunhão.
A carta à igreja
de Laodiceia é o documento bíblico que melhor diagnostica essa condição. O
Senhor Jesus não os repreende por heresias gritantes ou por imoralidade
pública, como fez com outras igrejas, mas por algo que Ele considera
repugnante: a mornidão. "Conheço as tuas obras, que nem és frio nem
quente... Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da
minha boca" (Ap 3.15-16). A mornidão é o estado de quem mantém a forma da
fé, mas perdeu o fogo da paixão. É o cristianismo que se tornou confortável
demais para ser transformador.
O diagnóstico da ilusão espiritual
O que torna o estado de Laodiceia tão
perigoso é a cegueira espiritual produzida pelo formalismo. Eles se viam como
uma igreja próspera e autossuficiente: "Dizes: Rico sou, e estou
enriquecido, e de nada tenho falta". No entanto, a perspectiva de Cristo
era diametralmente oposta: "não sabes que és um desgraçado, miserável,
pobre, cego e nu" (Ap 3.17). Essa dissonância entre a percepção humana e a
realidade divina é a marca de uma igreja que precisa de avivamento.
O formalismo
espiritual acontece quando os ritos substituem a realidade. O profeta Isaías já
havia denunciado esse comportamento séculos antes, afirmando que o povo se
aproximava de Deus com palavras, mas mantinha o coração distante (Is 29.13).
Jesus retomou essa denúncia ao confrontar os religiosos de sua época, mostrando
que a ortodoxia sem amor é apenas uma casca vazia (Mt 15.8-9). Uma igreja pode
cantar sobre o fogo e nunca ser aquecida; pode pregar sobre a água da vida e
continuar morrendo de sede. Quando o culto se torna uma rotina previsível em
vez de um encontro sobrenatural, a religião tomou o lugar da vida.
A tragédia do Cristo do lado de fora
Talvez a imagem mais impactante e irônica
de toda a Bíblia seja a de Jesus parado à porta da Sua própria igreja:
"Eis que estou à porta e bato" (Ap 3.20). Embora esse versículo seja
frequentemente usado em contextos evangelísticos, seu destinatário original era
uma congregação cristã estabelecida. Cristo estava do lado de fora de uma
igreja que levava o Seu nome.
Isso nos alerta
para uma realidade alarmante: é perfeitamente possível realizar cultos "em
nome de Jesus" sem que Ele esteja presente ou seja o centro das atenções.
Laodiceia confiava em seus recursos, em sua organização e em sua estabilidade financeira
a ponto de não sentir mais a necessidade desesperada da presença divina. Seus
sucessos humanos tornaram-se os substitutos da glória de Deus. Como observou
A.W. Tozer, a tragédia moderna é que se o Espírito Santo fosse retirado de
muitas igrejas, 95% do que elas fazem continuaria acontecendo sem que ninguém
notasse a diferença.[1]
A autossuficiência como barreira ao avivamento
A frase "de nada tenho falta" é o
antônimo do avivamento. O despertamento espiritual sempre nasce de um senso
profundo de carência e dependência. A igreja primitiva não possuía grandes
edifícios ou influência política, mas possuía a consciência de que, sem a
presença do Senhor, nada poderia fazer (Jo 15.5). Por isso, a marca de Atos é a
perseverança na oração e a busca constante pela direção do Espírito.
Moisés
compreendeu essa verdade fundamental no deserto. Diante da possibilidade de
herdar a Terra Prometida sem a presença direta de Deus, ele preferiu ficar no
deserto: "Se a tua presença não for conosco, não nos faças subir
daqui" (Êx 33.15). Moisés sabia que as bênçãos de Deus sem a presença de
Deus são vazias. O avivamento ocorre quando a igreja para de buscar apenas o
que Deus pode dar e passa a ansiar por quem Ele é. Onde há orgulho e
autossuficiência, Deus se retira, pois Ele habita apenas com o contrito e
abatido de espírito (Is 57.15).
A presença que define o culto
O propósito final do culto não é o
entretenimento da congregação ou a manutenção de uma tradição cultural, mas a
manifestação da glória de Deus. No Antigo Testamento, o tabernáculo e o templo
só eram validados quando a nuvem da glória (Shekinah) os enchia a ponto de os
sacerdotes não conseguirem ficar de pé (Êx 40.34-35; 1 Rs 8.10-11). No Novo
Testamento, a promessa de Jesus é que Ele se manifestaria onde dois ou três
estivessem reunidos em Seu nome (Mt 18.20).
Um culto sem
presença é como um poço sem água: ele promete alívio, mas entrega apenas pó. O
avivamento restaura o senso de temor e maravilhamento que deve permear a
adoração. Quando a presença de Deus é real, o pecado é confrontado, a santidade
é desejada e a alegria da salvação é restaurada. Leonard Ravenhill, com sua voz
profética, frequentemente alertava que o mundo não está esperando por mais
igrejas organizadas, mas por igrejas que manifestem a presença do Deus vivo.[2]
O chamado ao zelo e ao arrependimento
Apesar do estado deplorável de Laodiceia,
Cristo não a abandonou. Ele ofereceu um conselho: "compra de mim ouro
provado no fogo... sê, pois, zeloso e arrepende-te" (Ap 3.18-19). O
caminho para sair do formalismo não é através de novas estratégias de marketing
ou programas de entretenimento, mas através do arrependimento profundo e do
zelo espiritual. O "ouro provado no fogo" representa a fé genuína que
só é forjada na presença de Deus.
O avivamento
começa quando a igreja reconhece que se tornou morna e decide que não pode mais
viver sem o fogo do Espírito. É o momento em que abrimos a porta, não apenas
para as bênçãos de Cristo, mas para o próprio Cristo. Quando Ele entra e ceia
conosco, o formalismo morre e a vida espiritual renasce.
Assim,
os sintomas de uma igreja que precisa de avivamento são claros, mas muitas
vezes sutis. A falta de sede, a oração debilitada, o pecado tolerado e o culto
formal formam um quadro de anemia espiritual que pode levar à morte de uma
congregação. No entanto, o diagnóstico divino não visa a condenação, mas a
restauração. Deus expõe a doença para que possamos buscar a cura.
O avivamento é, em última análise, a
resposta de Deus à igreja que admite sua própria incapacidade. Ele não vem para
aqueles que acham que estão bem, mas para aqueles que clamam por águas vivas em
terra seca. Se ouvirmos a voz Daquele que bate à porta e respondermos com
arrependimento e fome espiritual, Ele entrará, e a nossa secura será
transformada em um manancial que jorra para a vida eterna.
Deus
em Cristo nos ajude!
Extraído
do meu livro: “Avivamento a Solução de Deus: O retorno da presença de Deus
restaurando a igreja e despertando uma geração.” (publicação breve).
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NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] TOZER, A. W. O Conhecimento do Santo. Tradução de João Basto. São
Paulo: Mundo Cristão, 2006, p. 112.
[2] RAVENHILL, Leonard. Por que tarda o pleno avivamento?.
Belo Horizonte: Betânia, 1989, p. 45.
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