quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Portas que se abrem portas que se fecham


Por Nonato Souza

“Porque se abriu para mim uma porta ampla e promissora; mas os inimigos são muitos” (1 Co 16.9; BKJ).

“[...] Eis que tenho colocado diante de ti uma porta aberta que ninguém consegue fechar [...]” (Ap 3.8; BKJ).

“[...] O que ele abre e ninguém consegue fechar, e o que ele fecha ninguém pode abrir” (Ap 3.7; BKJ).

Na vida o cristão passa por momentos adversos, situações complicadas e certas experiências que certamente o levará a maior maturidade. Isto, certamente, poderá acontecer quando nos deparamos com portas grandes de bênçãos abertas para nós e que repentinamente, sem nenhuma explicação se fecham diante dos nossos olhos sem que saibamos o que está acontecendo e o porquê está acontecendo.

Imagine quando tudo em nossa vida vai bem. Nossas decisões estão dando certo. Os conselhos que nos foram dados por pessoas com maior maturidade que nós, se encaixou perfeitamente. Orações e mais orações a sós com Deus, o coração está disposto e pronto a avançar, a alma se eleva e estamos quase alcançando o objetivo principal. De repente... A porta se fecha.

Já passou por esta situação alguma vez?

Já seguiu algo que pensou ser a direção de Deus, e repentinamente viu seus planos irem por água abaixo, passando a entender que o que estava seguindo e que estava indo tão bem simplesmente não era orientação de Deus? Experiências assim atingem muitos irmãos em Cristo pelo mundo afora. Fique certo que isto acontece todos os dias na vida de muitos santos e quase sempre são situações inexplicáveis.

Muitos fatos acontecem na vida do povo de Deus todos os dias que não entendemos porque acontecem. Tudo ia bem, tudo dando certo, as coisas estavam indo de vento em popa, de repente, pow! A porta se fecha e momentaneamente passa a dar tudo errado. O que houve? Por quê?

Ora, a resposta está em que simplesmente portas se abrem e se fecham regularmente. Por mais que se busque a Deus em oração, que se busque sua boa direção estou certo que existem ocasiões em que Deus tem uma resposta diferente para cada um de nós. Há momentos em que Ele quer fechar uma porta que está aberta ou quer abrir uma porta que está fechada.

Já vivi situações difíceis em que tentei forçar a abertura de portas que repentinamente se fecharam e eu não entendia o por que. Não queria abrir mão daquilo que havia alcançado e não foi fácil aceitar a porta se fechar sem que esboçasse uma reação para vê-la permanecer aberta.

Vamos a um exemplo bíblico sobre o assunto. Em sua segunda viagem missionária, apóstolo Paulo e seus companheiros passando pela Frígia e província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a Palavra na Ásia (At 16.6). Avançaram até Mísia com a intenção de ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não lhos permitiu. (At 16.7).

O que temos aqui? Portas que se fecharam. Mas estas portas estavam abertas, e as igreja eram confirmadas na fé e cada dia crescia o seu número (At 16.5). Sim, mas agora o Espírito Santo as fechara, então, eles chegaram a Trôade (At 16.8). Eu fico pensando na frustração que devem ter tido por serem impedidos pelo Espírito Santo de pregar a tantas vidas que necessitavam de salvação, tendo que se dirigirem a outros lugares mais distantes. Era algo inexplicável.

Em Trôade eles foram revelados (At 16.9) que deveriam anunciar a Palavra na Macedônia. O Espírito Santo os queria levar a outro continente para outra cultura a anunciar o evangelho (At 16.10). O texto sagrado registra salvação de almas e fundação de várias igrejas como Filipos, Tessalônica, Coríntios, naquela distante região. Era a orientação do Espírito Santo.

Em todas as situações da vida, esteja certo de uma coisa, Deus tem o controle de tudo e assume a responsabilidade pelos resultados. Não foi Ele que disse: "[Eu sou] o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e ninguém abre?" (Ap 3.7). Retrucar ou ficar embravecido com certas situações que acontecem não nos levará a lugar algum, pelo contrário, com nossa estupidez acabamos perdendo a oportunidade de ser agradecidos a Deus por sua intervenção e cuidados em nossa vida.

Se estiveres no fim da tua resistência, tuas forças se esvaíram e não sabes mais o que fazer, é hora de acreditar no Senhor entregando a Ele o seu caminho (Sl 37.5). Ele pode cuidar de nossas vidas, cuidados e ansiedades, cada momento (1Pe 5.7).

Se estiveres diante de uma porta outrora aberta e que agora, por quaisquer que sejam os motivos se encontra fechada, não adianta tentar forçar a mesma para abri-la ou lançar a culpar em alguém por tal situação. Vá ao Senhor com cuidado, perseverança e sabedoria, peça que lhe dê paz e nova direção. Esteja aberto às determinações do Senhor. Não pense que é o fim. O Senhor tem sempre uma porta aberta para orientar os seus no caminho certo. O importante é estar na vontade soberana de Deus, mesmo quando temos nossos sonhos frustrados e não vemos cumprido em nós aquilo que tanto queríamos ou esperávamos.


O melhor a fazer é aceitar a vontade de Deus, mesmo que seja uma porta momentaneamente fechada. Sim, mesmo que Sua decisão seja permanecer com as portas fechadas. Deixe tudo como estar, espere, acalme-se, fique em paz, e aguarde que o Espírito Santo lhe dirija sobre que caminho tomar. Afinal Ele, melhor do que nós entende, perfeitamente, o que faz. Pense nisto.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O PODER DA LÍNGUA PARA O BEM OU PARA O MAL


Por Nonato Souza

Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo.
Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo.
Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo.
Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa.
Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia.
A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno.
Porque toda a natureza, tanto de bestas feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana;
Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal.
Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.
De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim.
Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa?
Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas, ou a videira figos? Assim tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce (Tg 3.1-12; BKJ Atualizada).




O cuidado com o uso da língua.

Nos capítulos iniciais de sua epístola Tiago menciona que o crente amadurecido é capaz de pacientemente suportar tribulação e viver na prática da verdade. Nesta mesma linha de ensino ele trata de mais uma característica do cristão amadurecido: o controle da língua.

Os cristãos para os quais Tiago escreveu, parece que estavam tendo problema com o controle da língua. É exatamente para eles que o apóstolo escreve no princípio de sua carta advertindo-os: “todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tiago 1.19), isto, porque no entendimento de Tiago todo cristão que não refreia a sua língua, não deve ser considerado legitimamente um autêntico religioso (Tiago 1.26). A língua é de um poder terapêutico impressionante. Através dela, pessoas foram levantadas, curadas, estimuladas a continuar caminhando, avançando, tudo através de uma boa palavra, de bons conselhos. Se uma pessoa está enferma, doente, abatida, triste, desanimada, e alguém vêm ao seu encontro lhe trazendo uma palavra animadora, oportuna, apropriada, certamente, aquela palavra como bálsamo a estimulará, trazendo-lhe alento imediato. No entanto, o oposto também é verdadeiro. Já testemunhei casos de pessoas que foram destruídas por palavras insanas. Há palavras que ferem mais que espada afiada. Se usada de forma torcida, diabólica, falsa e tendenciosa, a língua será sempre um instrumento de destruição.


Salomão, em Provérbios 6.16-19 lista uma seleção de várias atitudes pecaminosas que devem ser detestadas pelo cristão por serem abomináveis ao Senhor. Observa-se que destes sete pecados mencionados três estão relacionados ao pecado da língua: “língua mentirosa”, “testemunha falsa que espalha difamação” e “aquele que provoca contendas entre irmão”. Ora, Deus detesta tais comportamentos porque “violam a decência humana, vida em comunidade, e a base da vida como estava nos propósitos de Deus”. O cristão deve ser cuidadoso no uso da língua, com ela pode-se destruir vidas.


Os mestres e o cuidado em usar a língua para edificar. 

Os que lidavam com o ensino da Palavra de Deus, eram detentores de maior responsabilidade, pois, deveriam cuidadosamente usar a língua para compartilhar as verdades de Deus. Sendo conhecedores da facilidade que se tem em pecar com a língua, os mestres devem ter maior cuidado em praticar o que ensinam, para não se tornarem verdadeiros hipócritas. Imagine o tamanho do dano que poderá causar um mestre despreparado, por sua vida não condizer com os seus ensinamentos. Além disso, a orientação bíblica é de que o mestre terá um juízo maior. Quanto maior conhecimento for detentor o mestre, mais responsabilidade tem diante de Deus e dos homens. O critério do juízo será mais rigoroso. Não tenha dúvida.

Este cuidado, porém, não é apenas dos mestres. Todo cristão precisa está consciente que “todos tropeçamos em muitas coisas” (Tiago 3.2). O apóstolo está dizendo claramente que todos nós podemos tropeçar, principalmente quando se trata da fala. Por termos esta tendência terrível para cometer tais erros, precisamos ter ainda mais cuidado, sendo vigilantes ao ponto de permitirmos que Deus controle o que falamos. Deus é capaz de orientar as nossas motivações, os nossos pensamentos, escolha de palavras e ainda o impacto que poderá causar as nossas palavras sobre outros. Para alcançarmos este nível espiritual, precisamos maior comunhão com Deus através da meditação constante na Palavra de Deus e oração o que certamente trará ao cristão maior maturidade e consequentemente controle da língua (Tiago 1.19).

Em confronto direto com os fariseus, religiosos da sua época, Jesus mencionou que a boca fala do que o coração está cheio (Mateus 12.34), objetivando mostrar que aquilo que há dentro de uma pessoa afeta o que ela faz com as suas palavras. Somos informados pela Palavra de Deus que o homem mal tem um mau tesouro em seu coração e, deste procedem as más palavras que desonram a Deus e ferem o próximo.


Tiago mostra que se disciplinarmos a nossa língua conseguimos também controlar o nosso corpo, o que é um sinal de maturidade. Quando se busca a sabedoria divina e o autocontrole dado pelo Espírito Santo, é possível alcançar tal estágio se tornando um cristão amadurecido (Provérbios 15.1-4).


A língua tem o poder de dirigir.

Ao apresentar o exemplo do freio e do leme, Tiago mostra quão pequenos são, mas o poder que tem, à semelhança da língua. Com um pequeno freio se controla um grande cavalo e com um pequeno leme o timoneiro controla um navio enorme. Assim também a língua, um pequeno órgão no corpo, mas tem o poder de realizar grandes coisas. Nossa velha natureza por muitas vezes quer nos levar a dizer coisas indevidas trazendo prejuízos ao Reino de Deus ao nosso próximo e a nós mesmos. A solução é nos deixar dominar pela mão forte do nosso Criador que é capaz de controlar os impulsos, por maiores que sejam. Ninguém se engane, “a morte e a vida estão no poder da língua” (Provérbios 18.21), e o cristão sábio evitará andar por este caminho. O salmista Davi preocupado com o péssimo resultado na vida dos difamadores orou: “Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios. Não inclines o meu coração para o mal, nem para se ocupar de coisas más com aqueles que praticam a iniquidade; e não coma eu das suas delícias” (Salmos 141.3,4). Não deveríamos seguir o exemplo do salmista neste quesito?

O freio na boca dos cavalos o leme nas grandes embarcações tem como objetivo, dirigi-los. Assim também as palavras tem grande importância para orientar pessoas a fazer escolhas certas e levá-los ao bom caminho. O livro de Provérbios está recheado de bons conselhos, especialmente na forma correta de usar a língua. A citação de alguns textos é importante aqui:

“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra ríspida desperta a violência” (Pr 15.1);

“O Senhor tem ódio mortal da boca mentirosa; mas se compraz imensamente com os que falam a verdade” (Pv 12.22);

“Quando se fala demais é certo que o pecado está presente, mas quem sabe controlar a língua é prudente” (Pv 10.19);


A língua pode construir e destruir relacionamentos.


Se não houver um controle da língua, o risco que se corre de destruir relacionamentos, em especial, com pessoas que nos cercam, é muito grande. Isto porque com a língua orientamos tanto para o bem como para o mal.

Dentre as várias figuras que Tiago lança mão para ilustrar o mal devastador da língua, ainda encontramos a figura do fogo e do veneno.  Ele diz que um bosque imenso pode ser incendiado apenas por uma fagulha. Imagine como começa um incêndio de proporções gigantescas. Uma simples e pequena centelha prestes a se apagar de tão pequena que é, vai crescendo, e de um vislumbre, aumenta tanto que é capaz de destruir uma cidade inteira ou grandes extensões de florestas virgens. Assim também as palavras; podem começar e chegar a incêndios. Um comentário maledicente se espalha como uma labareda de fogo; por onde passa vai provocando destruição. Assim como o fogo cresce, espalha, fere, destrói e trás sofrimento e destruição, assim é também o poder da língua.

Tenho tido a infelicidade de ver pessoas magoadas e tristes, atingidas por palavras irrefletidas, mal colocadas proferidas por pessoas do seu círculo de amizade ou não, que lhes deixaram em grande aperto e em situação de total constrangimento. “É fácil dizer o que sabe, sem saber o que diz, levando pelos ares a reputação de pessoas, mesmos as mais íntegras. É fácil até receber o perdão de um santo ofendido pela língua ferina. O que não é fácil ou não é possível é reparar os danos sofridos pela vítima do difamador”. Estêvam Ângelo de Souza, profundo ensinador das Escrituras Sagradas, gostava de contar certa história acerca de um homem de Deus que fora atingido por um bombardeio de calúnias atirado por um difamador, vindo a se prostrar mortalmente. O ofensor foi induzido a pedir perdão ao moribundo. Esse respondeu: “Perdoo-lhe de todo o meu coração, mas lhe faço dois pedidos antes de morrer. O senhor me atende?” a resposta foi: “Atenderei”. O homem enfermo tirou de sob a cabeça um travesseiro cheio de plumas e disse: “Vá àquele alto à frente, suba numa árvore, abra este travesseiro e solte ao vento todas as plumas até esvaziá-lo totalmente, depois traga o saco vazio”. Esta etapa foi cumprida com facilidade. Ao retornar, foi feito o segundo pedido: “Volte, apanhe todas as plumas de onde caíram, coloque-as nos lugares onde estavam e traga-me o travesseiro como estava”. O falador injusto empalideceu e disse: “Isso é impossível, pois não sei aonde foram levadas pelo vento”. Em suas últimas palavras, o ofendido disse: “A lição é esta: eu lhe perdoo, mas você jamais poderá reparar os prejuízos que me causou com as suas difamações e calúnias”.

É exatamente assim que acontece. O difamador com suas acusações, fere, machucam e dilacera a vida moral das pessoas trazendo prejuízos irreparáveis ao seu próximo e Reino de Deus, sabendo que nunca irá reparar o mau que causou. Neste tempo de pastorado tenho visto línguas venenosas causar estragos irreparáveis a indivíduos, famílias, e igrejas locais inteiras. Chego a ficar impressionado com o tamanho do estrago que provoca tais comportamentos. Somente uma língua incontida é capaz de produzir resultados tão drásticos.

Estando envolvido no serviço do Reino de Deus, o cristão deve ser cauteloso em vigiar com a sua língua. Não sair por ai amaldiçoando, criticando a tudo a todos e a todas as coisas. Tiago faz a seguinte observação sobre comportamentos incoerentes que se dar à língua: “Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus: de uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmão, não convém que isto se faça assim” (Tiago 3.9-10). Como entender tal atitude? Como pode alguém usar sua língua em oração e louvor a Deus e em seguida usá-la para amaldiçoar, caluniar ou fazer algo parecido! A língua que dirige-se para Deus com a maior reverência, como se dirigirá agora de forma tão incoerente para o seu semelhante com gritos e insultos, amaldiçoando-os? Com este comportamento, certamente, não estamos honrando o Criador. “...não convém que isto se faça assim”.   


A língua pode tornar a vida prazerosa.

Nos versículos 11 e 12, Tiago chama atenção para a natureza e indaga seus leitores se há alguma possibilidade de, porventura, uma fonte lançar de si ao mesmo tempo água doce e água amargosa e, se também a figueira pode produzir azeitonas ou a videira, figos?

No texto, temos uma condição desnatural. Tiago, claro, esperava como resposta daqueles cristãos, exatamente um “não”. Ninguém, que porventura, vá visitar uma fonte espera encontrar água salgada e água doce vindo de uma mesma origem ou uma árvore dar dois tipos de frutos. Pelo menos o que se sabe é que a natureza reproduz-se segundo a sua espécie.


De um verdadeiro cristão não se admite contradições em suas palavras ou ações. Certamente, seríamos poupados de muitos dissabores se fossemos coerentes em nossas palavras e atitudes. A incoerência da língua revela que há algo errado com o coração. É fácil ter amarga inveja e sentimento faccioso no coração (Tiago 3.14), sendo que o que sai do coração é o que contamina o homem (Mt 15.18). Ter o coração cheio da Palavra de Deus e viver na sujeição do Espírito Santo fará toda diferença na vida do cristão, para isto, oração e meditação constante trará a este, vida aprazível qual fontes revigorantes e árvores produtivas. Aqui cabe a recomendação do sábio: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida” (Provérbios 4.23). 

Que o Eterno Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude sempre! 





sexta-feira, 31 de outubro de 2014

ÓDIO, UMA ARMA DESTRUIDORA


Por Nonato Souza.

“[...] porque perseguiu a seu irmão à espada e baniu toda a misericórdia; e a sua ira despedaça eternamente, e retém a sua indignação para sempre” (Amós 1.11).


O ódio é destruidor. Odiar é aborrecer, detestar. Na Bíblia temos exemplos negativos de pessoas que se odiavam:  Esaú odiou a Jacó (Gênesis 27.41); Absalão odiava a Amnom (2 Samuel 13.22); odiaram a Jesus (João 7.7). Nesta pequena reflexão vou me reportar ao caso de Esaú e Jacó que eram irmãos.

O ódio entre os dois começou quando Esaú em sua insensatez vendeu o seu direito de primogenitura a Jacó (Gênesis 25.29-34). Com este ato Jacó foi obrigado a fugir, indo para Harã morar com seu tio, escapando assim do ódio do seu irmão e de seus planos homicidas. O tempo passou e os descendentes de Esaú (edomitas) tornaram-se príncipes poderosos, enquanto que os filhos de Jacó fundaram as doze tribos de Israel, sendo este o povo escolhido por Deus para realizar os seus planos.

Os edomitas, descendentes de Esaú odiaram profundamente os israelitas, descendentes de Jacó. A hostilidade entre estes dois povos foi duradoura. Incidentes profundos entre as duas nações foi aumentando ainda mais essa hostilidade. Quando a nação de Israel avançava para a terra de Canaã guiada por Moisés, foi proibida pelos edomitas de passar por dentro de suas terras tendo que dar uma grande volta para chegar ao seu destino.  Quando Jerusalém estava sendo invadida pelos babilônios, os edomitas instigaram estes e não deram nenhum socorro aos refugiados judeus que tentavam escapar. O ódio era tanto contra os seus irmãos que ajudaram a capturar os fugitivos e se alegravam com a terrível calamidade que se abateu sobre os judeus. Juntaram-se aos babilônios para saquear a cidade dos seus próprios irmãos.



Por causa de toda essa hostilidade contra seus irmãos judeus, Deus não pouparia Edom. O profeta Obadias descreve: “E isto te ocorrerá por causa da impiedosa matança que realizaste contra teu irmão Jacó; serás, pois, coberto de humilhação e vergonha, e exterminado serás para sempre. No dia em que estiveste próximo, mas do lado oposto, quando estranhos levaram os bens dele, e os estrangeiros arrombaram seus portões e lançaram sortes sobre Jerusalém, tu os seguistes e agistes da mesma maneira que eles! No entanto, não devias ter contemplado com satisfação o dia da desgraça do teu irmão; tampouco se alegrado com a destruição do povo de Judá; nem escancarado tua boca para falar com arrogância sobre o dia da aflição do teu próximo! Jamais deverias ter entrado pelas portas do meu povo no dia da sua calamidade; nem devias ter ficado alegre diante do padecimento dessa gente no dia da sua ruína; muito menos ter roubado seus bens e tesouros durante o dia da desgraça do meu povo. Não devias ter feito emboscadas nas encruzilhadas, a fim de liquidar as poucas pessoas que conseguiam escapar da matança; muito menos ter entregado alguns sobreviventes aterrorizados ao inimigo. Eis, portanto, que o Dia de Yahweh está muito próximo! E esse Dia vem sobre todas as nações! Como fizeste ao teu próximo, assim se fará contigo; o teu feito retornará sobre a tua própria cabeça!”  (Abadias 10-15; BKJ).

O próprio Deus ajudaria os babilônios a destruir Edom no tempo determinado (Ezequiel 25.12-14) devido seu ódio contra seus irmãos judeus. “Animosidade dentro de famílias frequentemente são as mais severas e irracionais” e a mensagem de Deus para Edom nos lembra de que brigas dentro das famílias, classes sociais e igrejas têm alto preço e, com frequência, causam dor e tragédias.



A prática do amor cristão não é tão fácil assim, haja vista não se tratar apenas de conversa mas de vida prática constante. Embora dizendo que está na luz, se alguém não ama verdadeiramente seu irmão até agora está em trevas (1 João 2.9). Um cristão que diz amar seu irmão e na prática odeia um cristão, está mentido e a verdade está distante dele. É impossível  está em comunhão com o Pai e ao mesmo tempo viver em guerra com outro cristão. Jesus tratou deste assunto, ele disse: “Portanto se trouxeres a tua oferta ao altar e ai te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com o teu irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta” (Mateus 5.23,24).  Mestre está ensinando claramente que a oferta sobre o altar não tem valor nenhum se o adorador tem alguma contenda mal resolvida com o seu irmão.

Concluo dizendo que assim como o ódio e o desejo de vingança de Edom o levou à sua própria destruição, tal comportamento trará aos que assim se comportam ruína completa, sendo, portanto, mais edificante observar o que ensina o Senhor Jesus: “Amai os vossos inimigos, bendizei aos que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (Mateus 5.44), afinal não é saudável para nossa vida espiritual odiar os nossos irmãos (1 João 2.9; 3.15). Que o Senhor nos ajude!


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Servindo ao Senhor Jesus e Aguardando Sua Iminente Volta



Por Nonato Souza


Sede vós semelhantes aos servos, quando esperam seu SENHOR voltar de um banquete de casamento; para que, assim que chegar e anunciar-se, possais abrir-lhe a porta sem demora (Lucas 12.36).

O Senhor é o nosso Mestre e nós os seus servos; não apenas servos que trabalham que estão em plena atividade envolvidos com o Reino, mas servos que O esperam. Devemos ser como homens que esperam atentamente o seu Senhor enquanto Ele continua fora, pronto para recebê-lo.

O texto faz alusão a Cristo e à Sua vinda para reunir a Ele o seu povo, seja através da morte ou por ocasião do arrebatamento. Não temos a certeza da hora em que Cristo virá; portanto a necessidade de estarmos preparados.

Tem-se por costume um aguçado cuidado em áreas diversas da vida material, secular, saúde, o que não está errado; mas não deveria haver muito mais cuidado com a vida espiritual? A atenção que se dar a tantos afazeres acaba por afastar o homem do essencial, daquilo onde se deveria está mais envolvidos. Na verdade, há um terrível esquecimento do que Jesus considerou ser a “melhor parte” (Lc 10.42); uma vida aproximada e de comunhão com Deus. Portanto, eis a necessidade de está apercebido, vigiando como faria um pai de família, se soubesse a que horas haveria de vir o ladrão.

Sendo, assim, vejo a necessidade de servir vigiando constantemente, o que significa está alerta e preparado, a fim de não ser pego de surpresa. Esta deve ser, sem dúvida alguma, atitude do crente em relação à iminente volta do Senhor Jesus Cristo. Ele virá sem ser anunciado ou esperado.



Servindo e esperando o retorno do Senhor levará o salvo a uma vida em santificação. Este é o ato de separar-se para Deus e seu Reino. A Igreja foi tirada dentre os povos para Deus e para exercer um ministério maravilhoso sobre a terra em santidade. Observe a expressão de Paulo sobre o assunto:

E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo (1 Ts 5.23).

Pessoas cuja esperança está firmada em outros alvos ou objetivos e que não esperam com sinceridade a iminente vinda do Senhor Jesus, não se sentem incomodadas em viver de forma leviana praticando e envolvidos com toda sorte de pecados, numa permissividade desenfreada que acaba por tirar o brilho do padrão apostólico e manchar a reputação da noiva de Cristo. Ora, somos informados pela Palavra de Deus que ao vir a este mundo, Jesus levará para si os santos que viveram inteiramente para agradá-lo. Não é isto que menciona a Palavra?

E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro (1 Jo 3.3).



Em consolação é que os salvos esperam o Senhor Jesus Cristo. As palavras proferidas por Paulo acerca da vinda de Cristo e da ressurreição dos mortos para encontrar-se com Ele é vista como um consolo aos santos. Ele diz:

Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras (1 Ts 4.18).

 Desde que o pecado entrou no mundo a raça humana é instigada pelo sofrimento. O sofrimento tem estado presente todos os dias e a cada momento na vida das pessoas. Num futuro próximo até mesmo a natureza será liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus (Rm 8.21). Os que alcançaram salvação, o fizeram em esperança, foram salvo em esperança e é nesta esperança que se alegram (Rm 12.12). Quando o salvo olha para o porvir, eternidade, o faz em esperança de que a Igreja estará num lugar onde o sofrimento será extinto. Breve no céu, as lágrimas que hoje rolam serão recompensadas pelo conforto da presença permanente do Senhor.



Para um serviço específico no Reino de Deus com foco na vinda do Senhor Jesus Cristo é preciso haver determinação e dedicação. No Seu ministério terreno Jesus avançava com foco naquilo que deseja alcançar, estando certo de onde queria chegar. São Dele essas palavras:

Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar (Jo 9.4).

Penso que é hora de esquecer as coisas que para trás ficaram e avançar para as que estão à nossa frente. O avivamento tão almejado, precisa vir urgente. O vento do Espírito precisa assoprar forte sobre o vale de ossos que já se mostram secos. É provável, que tenhamos hoje um alto índice de pessoas frequentando igrejas mais com o mais baixo índice de espiritualidade de todos os tempos. E porque isto? Falamos sobre muitos assuntos e coisas e quase nada de Palavra de Deus nos nossos púlpitos. Será que temos outra forma, outro meio, outra solução? Creio que não. Um avivamento vindo do céu é a solução!

Com o que estamos preocupados? Com o Reino de Deus, com a obra do ministério, com as igrejas locais, com as ministrações nos púlpitos das nossas igrejas, que há muito deixaram de edificar, consolar e exortar os membros? Creio que a preocupação de muitos, é outra coisa. Perdoem-me a franqueza. Hoje o que temos são pregadores, ensinadores pragmáticos, mais interessados em falar algo que agrade e suavize os ouvidos do povo que falar com autoridade a Palavra de Deus.

Não nos cansamos ainda desta teologia positivista que cada dia é anunciada, falada, comunicada por pessoas descompromissados com as verdades do evangelho que, infelizmente ainda ocupam as nossas tribunas? Chega!!! Quero Bíblia; quero a Palavra sendo lida, pronunciada, explicada versículo por versículo vagarosamente, sistematicamente, cuidadosamente para edificação da igreja, o corpo de Cristo. Senhores pastores, pregadores e quem porventura, subir à tribuna sagrada para falar. Eu lhes peço em nome de Jesus; voltem literalmente à Palavra de Deus! Voltem à pregação poderosa do evangelho de Cristo.

Isto é possível! Por favor; isto é possível sim. Podemos ver o Reino de Deus diferente, bem diferente da nossa visão medíocre, bitolada, fracassada, despojada de renúncia, abdicação, amor a Deus e ao próximo. Fomos comprados pelo sangue de Jesus para servir a Cristo de todo coração e servindo assim, aguardar o retorno do Senhor Jesus. Maranata!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Semeando com lágrimas, ceifando com alegria



Por Nonato Souza

“Os que com lágrimas semeiam, em júbilo ceifarão! Aquele que parte chorando, enquanto lança a semente, retornará entoando cânticos de louvor, trazendo seus feixes” (Sl 126.5,6; BKJ).

Depreende-se do texto que o tempo de semear é sempre, em qualquer empreendimento, um tempo de muita labuta, trabalho árduo e ansiedade. Quem semeia, o faz para cumprir o seu dever, fazendo sempre em estado de aflição.

As dores, o cansaço, e a fadiga do sol causticante, que produzirá em nós o choro, não devem, no entanto, atrapalhar a nossa semeadura, isto pela capacidade que temos de fazer o bem, mesmo em épocas de aflição e por que a colheita abundante que advirá da semeadura, irá compensar todo o esforço despendido.

Lembre-se da expressão e exemplo do Senhor Jesus que para alcançar a salvação dos pecadores deu sua própria vida em resgate de muitos. Ele disse: “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12.24). Uma semente não produzirá nada, a menos que seja sepultada. Jesus poderia, depois de ter assumido sua natureza humana, entrado sozinho no céu, por sua justiça perfeita, sem sofrimento e sem morte, porém, nenhum pecador da raça humana poderia ser salvo. Desde sua morte sacrificial até o presente momento e daqui por diante, a salvação deve-se à morte desta semente de trigo, Cristo.

Os cristãos, à semelhança de Cristo, não se prendem à vida com feição apaixonada. Este tipo de morte não gera vida, é na verdade, improdutiva. Ele, ainda que pelo seu sofrimento e em detrimento de sua própria vida, despreza as coisas deste mundo e apega-se ao evangelho de Cristo, proclamando a salvação, cumprindo o IDE do Senhor Jesus.



Estamos sendo convocados ao trabalho espiritual, à responsabilidade missionária. Jesus após ressuscitar apresentou-se aos discípulos dizendo-lhes: “Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (Jo 2.21). Assim como Jesus recebeu da parte do Pai uma missão nos seus aspectos eternos (apesthaken), também seus discípulos, nós, recebemos no tempo presente (pempo) de Jesus a sua missão para prosseguir e desempenhar. Não se trata de uma nova missão, mas a missão Dele.

O que quero focalizar aqui é a urgente necessidade de realizar o trabalho mais importante que existe. Ter atitude para com o trabalho do Senhor. Este trabalho foi confiado a homens e mulheres que tiveram a experiência da salvação na pessoa bendita de Jesus Cristo, e que entendem que Deus aguarda que cada um de nós cumpra a parte que nos cabe na seara do Mestre. É lamentável vermos tantas pessoas buscando seus próprios interesses, enquanto o do Senhor e sua obra ser relegado a segundo plano.

Temos visto e ouvido a alegação de muitos que ficam apenas no desejo de fazer, mas que não move uma palha sequer para ver o trabalho missionário avançar. Muitos alegam falta de tempo disponível para dedicar-se ao serviço do Mestre. Outros, envolvidos em seus afazeres e preocupados apenas em adquirir bens materiais, embaraçados com os negócios desta vida, nenhuma preocupação tem com o trabalho missionário, que está além de um investimento meramente terreno.

Em algum tempo atrás, Deus tratou com seu povo exatamente por causa deste descaso com os interesses do Reino. Observe o que diz o profeta: “Acaso é tempo de habitardes nas vossas casas forradas, enquanto esta casa fica desolada? Ora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: considerai os vossos caminhos. Subi ao monte, e trazei madeira, e edificai a casa, e edificai a casa; e dela me deleitarei, e serei glorificado, diz o Senhor. Esperastes o muito, mas eis que veio a ser pouco; e esse pouco, quando o trouxeste para casa, eu o dissipei com um assopro. Porque causa? Diz o Senhor dos Exércitos. Por causa da minha casa, que está em ruínas, enquanto correis, cada um de vós, à sua própria casa. Por isso os céus por cima de vós retém o orvalho, e a terra retém os seus frutos” (Ag 1.4-10).

Esse texto é o retrato fiel do que acontece com muitas igrejas e crentes que deixaram o trabalho do Senhor para desperdiçarem seu tempo, recursos e talentos em seus próprios interesses.



Um retorno ao trabalho espiritual com denodo é sem dúvida a maior urgência destes últimos dias. Cada crente precisa levar a sério o que Deus lhe confiou. Deus tem recompensa a cada um que tem se esmerado em fazer alguma coisa para Deus (Ap 22.12).

Jesus foi o nosso exemplo maior de trabalho. O profeta Isaias vaticina ser Ele “experimentado nos trabalhos” (Is 53.3) e, Ele mesmo asseverou trabalhar como seu Pai trabalha (Jo 5.17). Devemos seguir-lhe neste modelo. Lembremo-nos que o galardão é para os que laboram na seara do mestre. Dizer que não trabalhamos porque não tivemos oportunidade, não funcionará no Tribunal de Cristo.

Não sei qual a profundidade da comunhão que tens com o Senhor. Mas, pensando nisso, ouso fazer algumas indagações: Que relevância tem o Senhor Jesus Cristo para nós hoje? Que leitura tem-se feito do Seu evangelho? São as palavras de Cristo dignas de nossa inteira apreciação, confiança e obediência hoje? Da resposta que dermos a estas indagações, depende o sucesso ou insucesso da missão da Igreja no mundo.

À Igreja, agente missionária neste mundo, é dada a responsabilidade de não só fazer uma diagnose correta dos males da sociedade. É seu dever indicar alternativas de curas aos males existentes. A igreja é um organismo existente na terra e sua preocupação essencial não é apenas o bem-estar de seus membros. De acordo com as Escrituras a Igreja existe para:

·         ser um lugar de habitação de Deus (1 Co 3.16);
·         testemunhar acerca da verdade (1 Tm 3.15)
·         Evangelizar o mundo através da proclamação do evangelho (Mt 28.18-20);
·         tornar conhecida a multiforme sabedoria de Deus (Ef 3.10), além de outros.

Uma igreja com tão grande responsabilidade não pode se ensimesmar e viver uma eterna introspecção, pelo contrário, tem o sagrado dever de viver e agir como agência de transformação daqueles que ainda não se fizeram súditos do reino de Deus.

A Igreja não tem que inventar uma forma diferente, exclusiva de cumprir a vocação missionária que lhe é dada a cumprir. Por ocasião do seu ministério terreno, Jesus pôs em prática aquilo que Ele queria ser o modelo a ser executado por seus seguidores.

Às vezes, penso não ser necessário enfatizar tanto sobre este assunto, haja vista a seriedade do tema e a forma tão clara sobre a responsabilidade da igreja na Grande Comissão. Todos são conhecedores do trabalho a realizar no Reino de Deus (Mt 28.18-20). Esse texto enfatiza claramente sobre a ordem imperativa e direta do Senhor Jesus à Igreja. Os demais evangelistas a repetem, reforçando a importância e a urgência do assunto porque, então, se omitir desta responsabilidade?



Fazer discípulos é a missão da Igreja. Não temos aqui ordem para a realização de trabalhos paralelos ou de grandes empreendimentos, que tanto nos preocupa hoje. O que há é uma ordem contundente, direta, permanente para missões. “A comissão de Jesus não é apenas para recrutar crentes e encher as igrejas. O discípulo é alguém que está pronto a negar-se a si mesmo, a levar sua cruz e a renunciar tudo, por amor a Cristo. Jesus não quer apenas muitas pessoas na igreja, ele quer discípulos. Não podemos nos impressionar com o crescimento vertiginoso das igrejas evangélicas no Brasil. O Senhor não se satisfaz apenas com quantidade, ele quer qualidade. Ele não se impressiona com números, ele quer gente transformada. Ele não se contenta com multidão, ele quer discípulos. Muitos há que estão indo para as igrejas apenas por causa das vantagens imediatas do evangelho. Querem somente as vantagens terrenas. Desejam apenas os milagres. Foi assim no tempo de Jesus. Inúmeras pessoas vinham a ele apenas por causa do pão ou dos milagres. Elas, porém, não estavam salvas, não haviam nascido de novo” (O melhor de Deus para sua vida. Hernandes Dias Lopes. Vl. 01. Ed. Betânea, pg. 112).

Antes de sua ascensão ao céu, Jesus lembrou aos seus discípulos de sua presença no meio deles. Esta promessa tem sua validade todas as épocas. Enquanto a Igreja existir, e se desincumbir em sua chamada missionária tem a promessa da presença de Jesus ao seu lado.

Concluo este texto lembrando os santos sobre o dever de conscientizar-se que a tarefa evangelística foi imposta à igreja de Cristo. Em todos os tempos o evangelismo sempre foi prioridade número um dos salvos em Cristo Jesus. Cada momento nos aproximamos da iminente volta do Senhor Jesus. É hora de despertar. Não podemos perder a oportunidade de ganhar almas enquanto é dia, a noite vem quando não poderemos mais trabalhar (Jo 9.4). Além disso, devemos olhar com cuidado a recomendação bíblica que nos diz: “[...] o que ganha almas sábio é” (Pv 11.30).

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

COMADEBG REALIZARÁ 37ª AGO - 2014 TAGUATINGA SUL - DF



Sub-temas:

Superando as crises na liderança
Pr. Nemias Pereira da Rocha

Vencendo as tentações na liderança
Pr. Douglas Roberto de Almeida Baptista

Formando Líderes Eficazes
Pr. Orcival Pereira Xavier

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Estude a Bíblia com ferramentas úteis



Com o avanço da tecnologia o ato de estudar a Bíblia se tornou muito mais prático. Com uma boa garimpada na internet podemos encontrar inúmeras ferramentas para nos auxiliar no estudo das Escrituras. Sem muita dificuldade podemos encontrar diversas versões bíblicas online para comparação, concordâncias bíblicas exaustivas e temáticas, comentários bíblicos, dicionários e mapas e documentos arqueológicos.

Os sites de língua inglesa estão entre os mais ricos em recursos bíblicos, por isso poder ler em língua inglesa e espanhola aumenta consideravelmente o acesso a estes recursos. Porém com o avanço dos mecanismos de buscas, a maioria dos sites gringos já podem ser traduzidos em um click! Além desta praticidade, muitos sites oferecem opções de materiais diretamente em outros idiomas sem a necessidade de tradução, inclusive em língua portuguesa.

Com o aumento do uso de celulares Tablets, inúmeros aplicativos também foram desenvolvidos para o estudo bíblico. Alguns são pagos, mas com uma boa pesquisa podemos encontrar muitos aplicativos gratuitos que não ficam muito aquém em relação aos pagos.

Nos Estados 41 a 44% dos cristãos acessam a Bíblia através de celular. Isto é uma tendência mundial. Até mesmo em alguns países onde, por décadas, se proibiu a leitura da Bíblia em formato de livro, os smartphones estão iniciando uma nova revolução literária. A Palavra de Deus está sendo amplamente divulgada por meio desta tecnologia. Simplesmente porque Deus tem um interesse especial em proclamar o seu reino na terra e nada pode impedi-lo de realizar isto.

Levando em conta os benefícios da tecnologia, o site Bíblia Sagrada Evangélica reúne em um só local diversos recursos online para ajudar o internauta a economizar tempo em suas pesquisas teológicas. No site podemos encontrar links especializados em bíblias online, bíblias em áudio, bíblia em pdf, Bíblia eletrônica, aplicativos para celular e tablets, mapas bíblicos, concordâncias, dicionários online, hinários online, descrição de bíblias de estudo, aplicativos para celulares e Tablets, etc. 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Naamã, grande homem, porém leproso

Por Nonato Souza

“Naamã, comandante do exército do rei da Síria, era grande homem diante do seu senhor e de muito conceito, porque por ele o Senhor dera vitória à Síria; era ele herói da guerra, porém leproso” (2 Reis 5.1; ARA).

Naamã era um vitorioso comandante do exército da Síria, povo inimigo da nação de Israel, homem bem sucedido, de prestígio e autoridade, porém, leproso. Debaixo do seu uniforme de general, escondia-se um corpo debilitado, fragilizado pela temida lepra. Estejamos certos, que a grandeza, honra de um homem não será capaz de isentá-lo das calamidades mais penosas da vida humana. Estamos no mundo, e, portanto, sujeitos aos mais terríveis impropérios e calamidades. Não duvide, no mundo existem pessoas com roupagem ricas e alegres, mas totalmente enfermas de espírito e loucas. Pessoas que precisam urgentemente de um ato da graça imensurável de Deus para libertá-los do terrível mal do pecado.

Em uma terra distante estava uma menina que tinha sido feita cativa pelas tropas da Síria. Era comum nas guerras antigas os poucos que sobrevivessem serem levados cativos e reduzidos à posição de escravos. Por um ato divino, aquela pequena menina foi levada à família de Naamã.

Uma menina da terra de Israel, apesar de ser apenas uma criança, foi capaz de testemunhar na casa do seu senhor acerca do que Deus fazia através do seu profeta. Ela conhecia a reputação e o testemunho de vida de Eliseu, alem, da convicção de que o seu problema poderia ser ali resolvido. Tendo a notícia do que disse a menina se espalhado e chegado ao general Naamã e recebido o devido crédito, foi com embaixada do rei da Síria ao rei de Israel em busca de sua cura. Ao tomar conhecimento que o rei de Israel, recebera carta do rei da Síria e rasgara as suas vestes, mostrando assim a sua indignação quanto ao ato do rei sírio, Eliseu, o profeta, lhe envia mensageiro dizendo: "Deixai-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel". Jorão, rei de Israel, em sua perturbação e mente turvada por sua incredulidade e medo não se lembrava, embora soubesse e conhecesse Eliseu, que de fato havia profeta na terra de Israel que poderia operar o milagre na vida do general Sírio.
Após estes acontecimentos Naamã, vai, então, à casa do profeta Eliseu com todo o seu séquito, parando em frente à porta da casa do profeta. Então, Eliseu, que em nenhum momento ficou impressionado com tão grande pompa e ainda com a grandeza do general Naamã, através de um mensageiro lhe diz: "Vai e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne te tornará e ficarás purificado". Observando os versículos 9 e 10, vê-se a completa ausência de ostentação por parte de Eliseu. Fosse outros, certamente teriam preparado uma grande festa para recepcionar o general do exército Sírio e todo seu séquito, tornando momento extremamente importante. Eliseu, no entanto, totalmente desprovido de qualquer interesse, nem ao menos foi ao encontro de Naamã, não lhe negou, entretanto, o milagre tão necessário.

Diante desse fato, o texto sagrado registra a indignação de Naamã pela maneira como o profeta procedeu, reagindo de maneira espantosa mostrando assim, o seu orgulho oculto. Ele vocifera: "Eis que eu dizia comigo: Certamente ele sairá, pôr-se-á em pé, e invocará o nome do Senhor, seu Deus, e passará a mão sobre o lugar, e restaurará o leproso. Não são, porventura, Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles e ficar purificado? E voltou-se e se foi com indignação" (2 Reis 5.11,12). Parece que o orgulhoso general tinha suas ideias pré-concebidas acerca da maneira como deveria o profeta proceder acerca da sua cura.  Se comportando de tal forma quase perde a bênção do milagre em sua vida, devido seu orgulho, preconceito, bem como por seu falso conceito de patriotismo exacerbado.

Sabe-se que Deus tem sua forma de trabalhar e que o trabalhar de Deus não está atrelado ao comportamento, vontade e formas humanas. Deus é soberano em suas ações, de sorte que faz como quer e no seu tempo. A estranha reação de Naamã demonstra claramente que tinha o desejo de ser o centro das atenções naquele momento.

O comportamento de Naamã não nos serve como referencial para a vida cristã. Ele não conhecia o Deus de Israel. Mesmo assim, fico pensando que temos em nossos arraiais, cristãos que se comportam exatamente assim, com este orgulho exacerbado. Os que assim se comportam, demonstram, à semelhança do orgulhoso Naamã, serem altivos, arrogantes e prepotentes. Há muitos que estão mergulhados em uma vida de extrema miséria e pobreza espiritual porque são incapazes de descer um mínimo possível do seu pedestal de orgulho, trazendo prejuízos irreparáveis à sua vida e muitos escândalos por onde passam.
É uma lástima vermos pessoas que não conseguem se sujeitar à vontade de Deus vivendo os nobres princípios do Evangelho salvador para alcançar o céu de glória. Muitos estão preferindo, a preço de suas próprias escolhas, viver à sua própria maneira e alcançar lugar de perdição. Meu Deus! Que tristeza! Sabe-se que "Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça" (1 Pedro 5.5). 

É triste ver a reação deste orgulhoso general. Parece-me que aquela simples ordem feriu o ego de Naamã a tal ponto dele irar-se profundamente. Ora, para quem já tinha viajado de Damasco a Samaria, cerca de 160 quilômetros, viajar mais 50 e poucos quilômetros até o rio Jordão, não era para perturbá-lo tanto. Mas ele se enfureceu, e a causa de sua ira não foi outra coisa, senão o seu orgulho.

Assim como a reação de Naamã foi de causar espanto, causa-me espanto a forma como muitos se comportam hoje. Não aceitam as orientações bíblicas, querem viver ao seu bel prazer, orientar-se por seus próprios conceitos, vivendo de sua maneira. Quando lhes vêm orientações bíblicas corretas, ficam indignados, pois dizem: "isto é atribuição minha, e ninguém deve se meter em minhas particularidades". É incrível! Fico a pensar como cristãos que se declaram comprados pelo sangue de Jesus, vivam tão distantes da Palavra, nossa regra de fé e prática e se comportem desta forma. Pessoas querem alcançar a salvação, através das obras que praticam de rituais religiosos que participam e ainda porque contribuem com seus dízimos e ofertas na Casa do Senhor e outros, ao invés de depositar sua fé em Cristo Jesus, Nosso Senhor (Tito 3.5).

Penso que é hora de mudança, mudança de mente. Não é isto o que ensina apóstolo Paulo? Em suas palavras ele diz: "[...] mas sede transformados pela renovação das vossas mentes [...]" (Rm 12.2). Mente renovada, certamente trará novas atitudes, vida cristã autêntica distante da mediocridade e hipocrisia em que tantos estão atolados. Uma mente renovada, não é controlada pelo sistema mundano pecaminoso. Nem se deixa dominar por comportamentos externos ditados pelo mundo, ainda que por este seja pressionado. O cristão autêntico tem sua mente focada nas coisas espirituais, vivendo sua liberdade em Cristo (João 8.32).

Observando o comportamento altivo do general Naamã, me ponho a pensar sobre alguns que se dizem cristãos; pois vivem como se compromisso nenhuma tenham com a Palavra de Deus. São arrogantes, irados, brigões, incitadores de contendas no seio da igreja, sem caráter mesmo. Algo que me deixa às vezes espantado. Isto mesmo; chego a ficar perplexo com o comportamento de alguns. Além disso, existem os que gostam de ser paparicados, adulados, tratados com mimos. Naamã, porventura, não se comportava assim? Exatamente, assim. Quando não se sentem tratados nestes termos, ficam tristes, abatidos, afastados, desestimulados e alguns deles até abandonam a igreja local. Meus Deus, como é triste tal situação.
Termino esta minha meditação dizendo que por fim, depois de ser aconselhado por seus servos a aceitar a recomendação do profeta Eliseu, Naamã vai ao Jordão e mergulha sete vezes conforme a palavra do homem de Deus, recebendo assim, a cura. Tão simples! Algo que Naamã não conseguia ver por causa do seu terrível orgulho. Meu Deus! Quanta altivez!!

Veja que o homem distante de Deus pode perfeitamente ser atacado pela lepra do pecado, do orgulho, da arrogância e preconceitos levando-o à destruição e fracasso espiritual. Creio que ao ser atacado por tais males, deve-se de forma apressada, desvencilhar-se de quaisquer obstáculos, descer do cavalo e mergulhar fundo, o mais fundo possível na presença do Senhor, buscando a plena e total libertação. A recomendação bíblica é: "humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte" (1 Pedro 5.6). Há remédio para esses males presentes na sociedade atual e ainda, presente na vida de muitos cristãos: o sangue de Jesus. Uma simples fé e uma vida de obediência são requisitos importantes e que agradam muito a Deus. Quando o homem desce à presença do Senhor, afastando de si o orgulho, receberá a provisão da salvação.

Depois de ter alcançado a salvação e cura ao crer na graça imensurável de Deus, Naamã foi despedido pelo profeta Eliseu, que lhe disse: "Vai em paz".