quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Semeando com lágrimas, ceifando com alegria



Por Nonato Souza

“Os que com lágrimas semeiam, em júbilo ceifarão! Aquele que parte chorando, enquanto lança a semente, retornará entoando cânticos de louvor, trazendo seus feixes” (Sl 126.5,6; BKJ).

Depreende-se do texto que o tempo de semear é sempre, em qualquer empreendimento, um tempo de muita labuta, trabalho árduo e ansiedade. Quem semeia, o faz para cumprir o seu dever, fazendo sempre em estado de aflição.

As dores, o cansaço, e a fadiga do sol causticante, que produzirá em nós o choro, não devem, no entanto, atrapalhar a nossa semeadura, isto pela capacidade que temos de fazer o bem, mesmo em épocas de aflição e por que a colheita abundante que advirá da semeadura, irá compensar todo o esforço despendido.

Lembre-se da expressão e exemplo do Senhor Jesus que para alcançar a salvação dos pecadores deu sua própria vida em resgate de muitos. Ele disse: “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12.24). Uma semente não produzirá nada, a menos que seja sepultada. Jesus poderia, depois de ter assumido sua natureza humana, entrado sozinho no céu, por sua justiça perfeita, sem sofrimento e sem morte, porém, nenhum pecador da raça humana poderia ser salvo. Desde sua morte sacrificial até o presente momento e daqui por diante, a salvação deve-se à morte desta semente de trigo, Cristo.

Os cristãos, à semelhança de Cristo, não se prendem à vida com feição apaixonada. Este tipo de morte não gera vida, é na verdade, improdutiva. Ele, ainda que pelo seu sofrimento e em detrimento de sua própria vida, despreza as coisas deste mundo e apega-se ao evangelho de Cristo, proclamando a salvação, cumprindo o IDE do Senhor Jesus.



Estamos sendo convocados ao trabalho espiritual, à responsabilidade missionária. Jesus após ressuscitar apresentou-se aos discípulos dizendo-lhes: “Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (Jo 2.21). Assim como Jesus recebeu da parte do Pai uma missão nos seus aspectos eternos (apesthaken), também seus discípulos, nós, recebemos no tempo presente (pempo) de Jesus a sua missão para prosseguir e desempenhar. Não se trata de uma nova missão, mas a missão Dele.

O que quero focalizar aqui é a urgente necessidade de realizar o trabalho mais importante que existe. Ter atitude para com o trabalho do Senhor. Este trabalho foi confiado a homens e mulheres que tiveram a experiência da salvação na pessoa bendita de Jesus Cristo, e que entendem que Deus aguarda que cada um de nós cumpra a parte que nos cabe na seara do Mestre. É lamentável vermos tantas pessoas buscando seus próprios interesses, enquanto o do Senhor e sua obra ser relegado a segundo plano.

Temos visto e ouvido a alegação de muitos que ficam apenas no desejo de fazer, mas que não move uma palha sequer para ver o trabalho missionário avançar. Muitos alegam falta de tempo disponível para dedicar-se ao serviço do Mestre. Outros, envolvidos em seus afazeres e preocupados apenas em adquirir bens materiais, embaraçados com os negócios desta vida, nenhuma preocupação tem com o trabalho missionário, que está além de um investimento meramente terreno.

Em algum tempo atrás, Deus tratou com seu povo exatamente por causa deste descaso com os interesses do Reino. Observe o que diz o profeta: “Acaso é tempo de habitardes nas vossas casas forradas, enquanto esta casa fica desolada? Ora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: considerai os vossos caminhos. Subi ao monte, e trazei madeira, e edificai a casa, e edificai a casa; e dela me deleitarei, e serei glorificado, diz o Senhor. Esperastes o muito, mas eis que veio a ser pouco; e esse pouco, quando o trouxeste para casa, eu o dissipei com um assopro. Porque causa? Diz o Senhor dos Exércitos. Por causa da minha casa, que está em ruínas, enquanto correis, cada um de vós, à sua própria casa. Por isso os céus por cima de vós retém o orvalho, e a terra retém os seus frutos” (Ag 1.4-10).

Esse texto é o retrato fiel do que acontece com muitas igrejas e crentes que deixaram o trabalho do Senhor para desperdiçarem seu tempo, recursos e talentos em seus próprios interesses.



Um retorno ao trabalho espiritual com denodo é sem dúvida a maior urgência destes últimos dias. Cada crente precisa levar a sério o que Deus lhe confiou. Deus tem recompensa a cada um que tem se esmerado em fazer alguma coisa para Deus (Ap 22.12).

Jesus foi o nosso exemplo maior de trabalho. O profeta Isaias vaticina ser Ele “experimentado nos trabalhos” (Is 53.3) e, Ele mesmo asseverou trabalhar como seu Pai trabalha (Jo 5.17). Devemos seguir-lhe neste modelo. Lembremo-nos que o galardão é para os que laboram na seara do mestre. Dizer que não trabalhamos porque não tivemos oportunidade, não funcionará no Tribunal de Cristo.

Não sei qual a profundidade da comunhão que tens com o Senhor. Mas, pensando nisso, ouso fazer algumas indagações: Que relevância tem o Senhor Jesus Cristo para nós hoje? Que leitura tem-se feito do Seu evangelho? São as palavras de Cristo dignas de nossa inteira apreciação, confiança e obediência hoje? Da resposta que dermos a estas indagações, depende o sucesso ou insucesso da missão da Igreja no mundo.

À Igreja, agente missionária neste mundo, é dada a responsabilidade de não só fazer uma diagnose correta dos males da sociedade. É seu dever indicar alternativas de curas aos males existentes. A igreja é um organismo existente na terra e sua preocupação essencial não é apenas o bem-estar de seus membros. De acordo com as Escrituras a Igreja existe para:

·         ser um lugar de habitação de Deus (1 Co 3.16);
·         testemunhar acerca da verdade (1 Tm 3.15)
·         Evangelizar o mundo através da proclamação do evangelho (Mt 28.18-20);
·         tornar conhecida a multiforme sabedoria de Deus (Ef 3.10), além de outros.

Uma igreja com tão grande responsabilidade não pode se ensimesmar e viver uma eterna introspecção, pelo contrário, tem o sagrado dever de viver e agir como agência de transformação daqueles que ainda não se fizeram súditos do reino de Deus.

A Igreja não tem que inventar uma forma diferente, exclusiva de cumprir a vocação missionária que lhe é dada a cumprir. Por ocasião do seu ministério terreno, Jesus pôs em prática aquilo que Ele queria ser o modelo a ser executado por seus seguidores.

Às vezes, penso não ser necessário enfatizar tanto sobre este assunto, haja vista a seriedade do tema e a forma tão clara sobre a responsabilidade da igreja na Grande Comissão. Todos são conhecedores do trabalho a realizar no Reino de Deus (Mt 28.18-20). Esse texto enfatiza claramente sobre a ordem imperativa e direta do Senhor Jesus à Igreja. Os demais evangelistas a repetem, reforçando a importância e a urgência do assunto porque, então, se omitir desta responsabilidade?



Fazer discípulos é a missão da Igreja. Não temos aqui ordem para a realização de trabalhos paralelos ou de grandes empreendimentos, que tanto nos preocupa hoje. O que há é uma ordem contundente, direta, permanente para missões. “A comissão de Jesus não é apenas para recrutar crentes e encher as igrejas. O discípulo é alguém que está pronto a negar-se a si mesmo, a levar sua cruz e a renunciar tudo, por amor a Cristo. Jesus não quer apenas muitas pessoas na igreja, ele quer discípulos. Não podemos nos impressionar com o crescimento vertiginoso das igrejas evangélicas no Brasil. O Senhor não se satisfaz apenas com quantidade, ele quer qualidade. Ele não se impressiona com números, ele quer gente transformada. Ele não se contenta com multidão, ele quer discípulos. Muitos há que estão indo para as igrejas apenas por causa das vantagens imediatas do evangelho. Querem somente as vantagens terrenas. Desejam apenas os milagres. Foi assim no tempo de Jesus. Inúmeras pessoas vinham a ele apenas por causa do pão ou dos milagres. Elas, porém, não estavam salvas, não haviam nascido de novo” (O melhor de Deus para sua vida. Hernandes Dias Lopes. Vl. 01. Ed. Betânea, pg. 112).

Antes de sua ascensão ao céu, Jesus lembrou aos seus discípulos de sua presença no meio deles. Esta promessa tem sua validade todas as épocas. Enquanto a Igreja existir, e se desincumbir em sua chamada missionária tem a promessa da presença de Jesus ao seu lado.

Concluo este texto lembrando os santos sobre o dever de conscientizar-se que a tarefa evangelística foi imposta à igreja de Cristo. Em todos os tempos o evangelismo sempre foi prioridade número um dos salvos em Cristo Jesus. Cada momento nos aproximamos da iminente volta do Senhor Jesus. É hora de despertar. Não podemos perder a oportunidade de ganhar almas enquanto é dia, a noite vem quando não poderemos mais trabalhar (Jo 9.4). Além disso, devemos olhar com cuidado a recomendação bíblica que nos diz: “[...] o que ganha almas sábio é” (Pv 11.30).

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