segunda-feira, 21 de maio de 2012

A família na época pós-moderna

Por Rev. Hernandes Dias Lopes
A pós-modernidade está firmada sobre o tripé: pluralização, privatização e secularização. A pluralização diz que há muitas ideias, muitos valores, muitas crenças. Não existe uma verdade absoluta, tudo é relativo. A privatização diz que nossas escolhas são soberanas e cada um tem sua própria verdade. A secularização, por sua vez, coloca Deus na lateral da vida e o reduz apenas aos recintos sagrados. A família está nesse fogo cruzado. Caminha nessa estrada juncada de perigos, ouvindo muitas vozes, tendo à sua frente muitas bifurcações morais. Que atitude tomar? Que escolhas fazer para não perder sua identidade? Quero sugerir algumas decisões:

Em primeiro lugar, coloque Deus acima das pessoas. No mundo temos Deus, pessoas e coisas. Vivemos numa sociedade que se esquece de Deus, ama as coisas e usa as pessoas. Devemos, porém, adorar a Deus, amar as pessoas e usar as coisas. A família pós-moderna tem valorizado mais as coisas do que o relacionamento com Deus. Vivemos numa sociedade que valoriza mais o ter do que o ser. Uma sociedade que se prostra diante de Mamom e se esquece do Deus vivo.

Em segundo lugar, coloque seu cônjuge acima de seus filhos. O índice de divórcio cresce espantosamente no Brasil. Enquanto os véus das noivas ficam cada vez mais longos, os casamentos ficam cada vez mais curtos. Um dos grande erros que se comete é colocar os filhos acima do cônjuge. Muitos casais transferem o sentimento que devem dedicar ao cônjuge para os filhos e isso, fragiliza a relação conjugal e ainda afeta profundamente a vida emocional dos filhos. O maior presente que os pais podem dar aos filhos é amar seu cônjuge. Pais estruturados criam filhos saudáveis.

Em terceiro lugar, coloque seus filhos acima de seus amigos. Muitos pais vivem ocupados demais, correm demais e dedicam tempo demais aos amigos e quase nenhum tempo aos filhos. Alguns pais tentam compensar essa ausência com presentes. Mas, nossos filhos não precisam tanto de presentes, mas de presença. Nenhum sucesso profissional ou financeiro compensa o fracasso do relacionamento com os filhos. Nossos filhos são nosso maior tesouro. Eles são herança de Deus. Equivocam-se os pais que pensam que a melhor coisa que podem fazer pelos filhos é deixar-lhes uma rica herança financeira. Muitas vezes, as riquezas materiais têm sido motivo de contendas na hora da distribuição da herança. Nosso maior legado para os filhos é nosso exemplo, nossa amizade e nossa dedicação a eles, criando-os na disciplina e admoestação do Senhor.

Em quarto lugar, coloque os relacionamentos acima das coisas. Vivemos numa ciranda imensa, correndo atrás de coisas. Muitas pessoas acordam cedo e vão dormir tarde, comendo penosamente o pão de cada dia. Pensam que se tiverem mais coisas serão mais felizes. Sacrificam relacionamentos para granjearem coisas. Isso é uma grande tolice. Pessoas valem mais do que coisas. Relacionamentos são mais importantes do que riquezas materiais. É melhor ter uma casa pobre onde reina harmonia e paz do que viver num palacete onde predomina a intriga.

Em quinto lugar, coloque as coisas importantes acima das coisas urgentes. Há uma grande tensão entre o urgente e o importante. Nem tudo o que é urgente é importante. Não poucas vezes, sacrificamos no altar do urgente as coisas importantes. Nosso relacionamento com Deus, com a família e a com a igreja são coisas importantes. Relegar esses relacionamentos a um plano secundário para correr atrás de coisas passageiras é consumada tolice. A Bíblia nos ensina a buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, sabendo que as demais coisas nos serão acrescentadas. Precisamos investir em nosso relacionamento com Deus e em nossos relacionamentos familiares, a fim de não naufragarmos nesse mar profundo da pós-modernidade!

Fonte: hernandesdiaslopes

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O princípio do amor

Por: Rev. Martorelli Dantas
"Mulher, onde estão eles? Não ficou ninguém para te condenar? Nem Eu tampouco te condeno. Vai e não peques mais.”. (João 8.11)

Com estas palavras Jesus despediu uma mulher trazida até a Sua presença por fariseus e mestres da lei no pátio do Templo. Este encontro, registrado no capítulo oito de João, é fonte de muitas lições sobre uma espiritualidade fundamentada no Princípio do Amor, manifesto através de atos de compreensão e misericórdia.

Quando a mulher chegou até a presença de Jesus, já estava sentenciada e praticamente executada. Os homens que a levaram àquela situação queriam apenas usá-la para incriminar Jesus por Suas próprias palavras. E como Ele age?

Primeiro, ignora a chegada dos religiosos, sempre tão prestigiados pela população em geral. É necessário que insistam muito para que Jesus dirija-lhes a palavra. É como se Ele estivesse dizendo que aquele tipo de pessoa não lhe atraía – hodiernamente, correspondem exatamente aos representantes eclesiásticos que nós mais tememos e veneramos, aqueles que têm o poder de arrastar e julgar os pecadores em praça pública - Jesus parecia estar mais interessado num desenho na areia.

Quando resolve quebrar o silêncio, dirige-se aos religiosos e diz: "Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher" (v. xx) - e volta a escrever no chão. Estas palavras invertem as posições. De algozes, os religiosos passam a réus de suas próprias consciências, e começando pelos mais velhos até os mais novos, todos, emudecidos, deixam o local. A espiritualidade do amor é aquela que nos faz soltar as pedras, que nos faz voltar para dentro de nós mesmos tomados pela consciência de que também precisamos de perdão e restauração.

Num segundo momento lindíssimo desse texto, Jesus pergunta à mulher onde estavam os seus acusadores, e se alguém a havia condenado.

Vemos nestas questões um ato terapêutico profundo. Jesus se dirige a uma mulher que se sabia pecadora e pergunta-lhe onde estavam os puros que a condenavam e a julgavam. Onde estavam os perfeitos que, diferentemente dela, não cometiam pecados? A mulher responde que eles haviam-se ido embora sem condená-la.

A resposta da pecadora era necessária no processo da cura. Era necessário que ela dissesse com os seus próprios lábios: "Não, ninguém me condenou", para ouvir, em seguida, de Jesus: "Nem Eu tampouco te condeno. Vai e não peques mais".

É isso que o amor faz: dá novas oportunidades, estende a mão para curar a alma, a ferida, revela a semelhança de todos os homens em sua miserabilidade e carência da bendita e surpreendente misericórdia do Pai...

Fonte: estudogospel

terça-feira, 8 de maio de 2012

Meditação em Efésios 5.3-5

Por Pr. Nonato Souza
"Sede imitadores de Deus, [...] andai em amor, como também Cristo vos amou [...]. Mas a prostituição e toda impureza ou avareza nem ainda se nomeiem entre vós, como convém a santos";
"nem torpeza, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convém; mas, antes, ações de graças". Porque bem sabeis que nenhum fornicador, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus" (Ef 5.3,4,5).

Aqui, Paulo cita uma lista de pecados que são graves e prejudiciais á vida cristã. Na verdade Paulo vê nesses pecados a perversão do amor, o inverso do amor de Cristo. É bom definir os termos.

Fornicação (gr. porneia). É todo tipo de imoralidade e perversão sexual, incluindo ainda relações sexuais ilícitas

Impureza (gr. akattharsia). Está em foco aqui a impureza e imundície relacionada à porneia, não apenas em atos, mas também em palavras, pensamentos, intenções do coração, desejos e paixões.

Avareza (gr. pleonexia). Uma referência a desejos excessivos por qualquer coisa. Desejo exagerado por querer conseguir alguma coisa a ponto de sacrificar algo para alcançar tal objetivo. O texto acima está certamente se referindo à questão da imoralidade e o prazer sexual, a ganância de ter aquilo que não se deve ter. Tais desejos podem ser considerados como idolatria. Está relacionado às duas palavras anteriores.

Torpezas (aischrotes) ou conversação torpe. O termo significa “feiura”, “iniquidade” e não apenas o que venha envolver meras palavras. Não estaremos forçando o texto se dissermos que se trata de conversa sujas, palavras indecentes, inclinação para a luxúria, lascívia. Parece que Paulo prossegue aqui no seu ataque a pecados sexuais e à conduta imoral e desavergonhada de alguns.

Parvoíces ( gr. morologia). Trata-se de conversas tolas. “O tipo de conversa que viria de um bêbado” (Beacon). Linguagem imprópria que não deveria ter lugar na vida de um cristão. O termo inclui piadas indecentes, imorais, um tipo de “humor negro”, idiotice, tolice, e até mesmo conversações sem nenhum propósito, inútil, na expressão de Jesus (Mt 12.36).

Chocarrices (gr. eutrapelia). Tipo de conversações que chega às raias da indecência. Comentário jocoso, zombeteiro, desrespeitoso. Pessoa espirituosa para o lado da obscenidade. Pessoas dadas a esse comportamento parece “ter uma mente tipo “lata de lixo”, e cada assunto sério de conversação os faz lembrar de uma pilhéria inconveniente ou anedota. Portanto, a palavra usada em 5.4 chegou a significar gracejos vulgares, habilidade em contar “piadas” grosseiras” (William Handriksen), o que Paulo diz que deve ser evitado pelos crentes.


“Que não convém”. Ao crente, é claro, estas coisas não são apropriadas devendo estes se livrar de tais atitudes e comportamentos.

Não tirar, porém, conclusões de que esta passagem bíblica tira do cristão a alegria espontânea e o senso de humor, mas, entender que a mesma nos ensina a não nos entregar a um comportamento frívolo que nenhuma edificação trás ao salvo.

Apóstolo Paulo exorta a todos dizendo: "Porque bem sabeis isto; que nenhum fornicador, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus" (Ef 5.5; ênfase minha). Que o Senhor tenha misericórdia do seu povo!