sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

"Salvai-vos desta geração perversa"

Por Pr. Nonato Souza
“E com muitas outras palavras isto testificava e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa” (At 2.40)

O que temos no texto é a conclusão dos acontecimentos do dia de Pentecostes. Depois de ter encerrado seu maravilhoso sermão que culminou com a salvação de quase três mil almas (v. 41), apóstolo Pedro exortava os que o ouviam com outras palavras a que se salvassem desta geração perversa (v. 40).

O vocábulo "perversa" significa literalmente: deformada, aleijada e malígna. O que temos aqui é uma geração de pessoas totalmente envolvida em perversão, rebeldia e depravação. Ora, sabe-se que o mundo em que vivemos é uma geração, aos olhos de Deus, “perversa”. Paulo olha para esta geração e a vê como uma geração de “homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela” (2Tm 3.1-5). Observa-se que Paulo assinala aqui um aumento cada vez maior de iniquidade no mundo, um verdadeiro colapso nos padrões morais e um aumento exorbitante de falsos mestres, falsos crentes e falsas igrejas, isto no contexto do reino de Deus.

Os tempos são verdadeiramente trabalhosos. Isto é enfatizado com bastante veemência pela Palavra de Deus. Estamos cercados por ofertas carnais e malignas que nos vem de todos os lados. São verdadeiros manjares que nos são oferecidos por Satanás e suas hostes, diuturnamente. Advertência aos santos é: “salvai-vos desta geração perversa”.

A responsabilidade é pessoal e nunca deve ser negligenciada ou deixada para segundo plano. O escritor aos hebreus corrobora com este sentimento e nos exorta a estarmos atentos: “Como escaparemos nós, se atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram” (Hb 2.3). Arrependimento sincero motivado pelo Espírito Santo é necessário se queremos escapar desta geração perversa. A Igreja deve continuar a clamar com voz forte: “Salvai-vos”.

Salvai-vos de que?

Desta geração perversa. “E com muitas outras palavras isto testificava e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa” (At 2.40).


Do pecado. “Esta é uma palavra fiel e digna de toda aceitação: que Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores dos quais eu sou o principal” (1Tm 1.15).


Desta geração adúltera. “Mas ele lhes respondeu e disse: Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém não se lhe dará outro sinal, senão o do profeta Jonas” (Mt 12.39).


Desta geração conformada com este século. “E não vos conformeis com este século, mais transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo 2.15; e mais Tg 4.4).

Salvar-se como?

Crendo no Senhor Jesus. “E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e tua casa” (At 16.31). “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24).


Arrependendo-se dos seus pecados. “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos de refrigério pela presença do Senhor” (At 3.19).

Porque salvar-se desta geração?

Porque o pecado entrou no mundo. “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, ...” (Rm 5.12).


Para não sermos condenados. “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito” (Rm 8.1). “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc 16.16).


Para alcançarmos vida eterna. “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens. O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir; e vim para que tenham vida e a tenham com abundância” (Jo 10.9,10).

Meus irmãos, concluo enfatizando sobre a necessidade que temos de abandonar toda sorte de perversidade e estarmos sempre unidos com Cristo. Empregar esforço é necessário para nos distanciarmos ainda desta sociedade corrompida. As palavras de Jesus são atuais. “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lc 13.24). Apóstolo Paulo conclama: “Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo” (Fp 2.15).


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O Que Deus Abomina

Por: Prof. Anísio Renato de Andrade
Nem todo erro é pecado
Nem todo pecado é contravenção
Nem toda contravenção é crime
Todo crime, contravenção e pecado são erros e precisam ser evitados, mas cada um tem efeitos e penalidades diferentes.

Alguns afirmam que todo pecado é igual. A bíblia, porém, não diz tal coisa. Tanto é que existem pecados para morte (IJo.5.16), existe pecado sem perdão (Mt.12.32), mas nem todos se encaixam nestas categorias. A lei de Moisés determinava penas diferentes conforme a gravidade do pecado cometido. Uma das formas de se distinguir um pecado do outro é através das conseqüências de cada um.

É evidente que todo pecado é maligno e deve ser evitado. Quero, entretanto, chamar a atenção para alguns pecados que se destacam nas Escrituras. O ditado popular diz: “errar é humano”. Isto está correto, mas pode trazer um perigoso sentimento de conformação com o erro. Errar é humano, mas existem erros que são irreparáveis. Por isso, não podemos nos dar ao luxo de cometê-los.

Todo pecado desagrada a Deus, mas alguns são classificados como abominação aos seus olhos.

O que seria abominação?
Imagine que alguém lhe sirva uma refeição com arroz, feijão, carne, e alguns pedaços de fezes por cima, e, como acompanhamento, um copo de vômito. Talvez você tenha dito “eco!” ou “argh!”. Isto é abominação: nojo, repulsa, aversão extrema a ponto de se querer vomitar ou até mesmo agredir quem faz tais coisas (Ex.8.26).

Desculpe-me por escrever coisas tão nojentas, mas é só para dar uma idéia da reação divina diante de alguns pecados.

Você ficou enojado com tudo isso? Deus também fica, quando se faz aquilo que é detestável aos seus olhos.

Vejamos exemplos bíblicos de atitudes ou ações que são consideradas abominações diante do Senhor:

- Ato homossexual e outras devassidões – Lv.18.22-30; Lv.20.13; Dt.22.5; Ez.22.11;
- Incesto – Ez.22.11;
- Idolatria – Lv.26.30; Dt.7.25-26; Dt.12.31; Dt.13.13-14; Dt.27.15; Dt.29.17; Dt.32.16; Jr.16.18; Jr.44.3-4;
- Oferta defeituosa ou fruto de pecado – Dt.17.1; Dt.23.18;
- A oferta e o sacrifício do ímpio - Pv.15.8; Pv.21.27;
- Adivinhação, feitiço e consulta aos mortos – Dt.18.9-12.
- Roubo em transações comerciais - Dt.25.13-16; Pv.11.1; Pv.20.10,23;
- O sanguinário e o fraudulento – Salmo 5.6.
- O perverso – Pv.3.32.
- O arrogante – Pv.16.5;
- O que causa contenda entre os irmãos – Pv.6.16-19.
- A mentira – Pv.12.22;
- Condenar o justo e justificar o ímpio – Pv.17.15.
- A oração do desobediente – Pv.28.9;
- Furto, homicídio, adultério e falso juramento – Jr.7.9-10; Ez.22.11; Ez.33.26;
- A prostituição – Jr.13.27; Ez.16.25;
- O divórcio – Mal.2.16 (foi permitido em algumas situações, mas não é algo normal e agradável a Deus);

Observa-se que as abominações estão geralmente relacionadas a graves injustiças, aberrações sexuais e atos religiosos ofensivos a Deus. Se fôssemos fazer nossa própria lista, talvez não incluíssemos questões religiosas, como oferta, etc, mas a bíblia nos mostra o quanto essas coisas agridem a santidade divina.

Nós, como filhos de Deus, devemos abominar aquilo que ele abomina e amar o que ele ama (Sl.119.163).

Os profetas do Velho Testamento se levantaram para denunciar as abominações praticadas em Israel e Judá. Como não lhes deram ouvidos, o Senhor permitiu que os inimigos viessem e levassem aquele povo para o cativeiro na Assíria e na Babilônia.

“O Senhor não podia por mais tempo suportar a maldade das vossas ações, as abominações que cometestes; pelo que se tornou a vossa terra em desolação, e em espanto, e em maldição, sem habitantes, como hoje se vê” (Jr.44.22).

Toda abominação atrai a ira de Deus (Dt.32.16). “Agora depressa derramarei o meu furor sobre ti, e cumprirei a minha ira contra ti, e te julgarei conforme os teus caminhos; e te punirei por todas as tuas abominações” (Ez.7.8).

Não é de se estranhar que aqueles que não conhecem o Senhor pratiquem abominações (e existem muitos ímpios que não chegam a fazê-las – ICo.5.1). O cristão, entretanto, não pode cometê-las de modo nenhum, pois trará sobre si a ira de Deus, podendo, inclusive cair nas mãos de Satanás (ICo.5.1-5,11), pois a abominação traz consigo o assolador (Dn.9.27).

“Desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo a iniqüidade, fazendo conforme todas as abominações que faz o ímpio, porventura viverá? De todas as suas justiças que tiver feito não se fará memória; pois pela traição que praticou, e pelo pecado que cometeu ele morrerá” (Ez.18.24).

Não estamos debaixo da lei mosaica para que apedrejemos quem pratica abominação, mas isso não diminui a agressão que se faz à santidade de Deus quando se comete tais pecados.

Se houver arrependimento, Deus perdoará as abominações cometidas, mas isto não pode servir como licença para pecar, pois, mesmo havendo perdão, haverá conseqüências terríveis. Davi adulterou, arrependeu-se e foi perdoado. Contudo, o filho do adultério morreu e outras conseqüências vieram sobre o rei.

“Pois a terra que embebe a chuva, que cai muitas vezes sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção da parte de Deus; mas se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada. Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e que acompanham a salvação...” (Heb.6.7-9).

Fonte: estudogospel

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Esperando a promessa

Por Pr. Nonato Souza
“os meus olhos desfaleceram, esperando por tua promessa; entretanto, dizia: Quando me consolarás tu?"  (Sl 119.82)

Dentre as muitas promessas feitas por Deus ao salvo, está a de que Ele vai voltar outra vez para buscar seu povo. Logo mais o veremos, quando descer sobre as nuvens como prometeu. Logo mais receberemos o galardão que tem consigo para dar a cada um segundo suas obras. Jesus está voltando como Juiz para os pecadores, como Messias para o Israel incrédulo, e como Noivo para a Igreja vencedora. Com sua volta, cessarão para a Igreja as lutas, os temores, as tribulações e dores. Com o seu regresso, não mais apertos, não mais agonias, não mais sofrimentos. Com o regresso do Messias, o Milênio às portas, as Bodas do Cordeiro iminente, conforme o plano divino. Com o seu regresso, julgamento das nações, a prisão do adversário. Com o seu regresso, a efervescente inquietação dos que rejeitaram o Senhor, e a doce recepção dos que o receberam por fé. Esta é a grande promessa, a nossa promessa. Estamos nós esperando o Senhor?

As Grandes promessas de Deus.

A promessa da salvação

A Palavra de Deus o anuncia como salvador. “Olhai para mim e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” (Is 45.22);
A Bíblia diz que Jesus nasceu para ser salvador. “E ele dará a luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.21);
A salvação é estendida a todos os homens. “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10);
Somente em Jesus há salvação. “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12).

Promessa de cura divina

Ao morrer na cruz Jesus levou sobre si as nossas enfermidades. “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas pisaduras fostes sarados” (1Pe 2.24);
Durante o seu ministério terreno operou muitos milagres. “E, chegada a tarde, trouxera-lhe muitos endemoninhado, e ele, com a sua palavra, expulsou deles os espíritos e curou todos os que estavam enfermos, para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaias, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidade e levou sobre si as nossas dores” (Mt 8.16,17);
Deus promete curar as nossas enfermidades. “Se ouvires atento à voz do Senhor teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, das que pus sobre o Egito, porque eu sou o Senhor que ti sara” (Ex 15.26).

Promessa do batismo no Espírito Santo

O batismo no Espírito Santo é uma promessa para todos. “Arrependei-vos, e cada u de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe; a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar” (At 2.37,39);
É um revestimento de poder necessário ao crente. “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra” (At 1.8).
Todos podem receber agora. “E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviram a Palavra” (At 10.44).

A maior de todas as promessas

A Segunda Vinda de Jesus é a maior de todas as promessas. É o anelo de Igreja, sua esperança maior. “Porque o que há de vir virá e não tardará” (Hb 10.37).

Ele voltará pessoalmente. Ninguém será seu representante. Arcanjos, querubins ou serafins não receberão autoridade para vir em seu nome. Ele mesmo virá pessoalmente. “Esse Jesus há de vir assim como para o céu o vistes ir” (At 1.11). “O mesmo Senhor descerá do céu...” (1Ts 4.16). “E naquele dia estarão os seus pés...” (Zc 14.3,4);
Ele voltará repentinamente. Para aqueles que já se esqueceram, queremos lembrar que Jesus virá e arrebatará os salvos; será um rapto; como o ladrão; será um acontecimento repentino. O mundo inteiro será surpreendido ao constatarem a ausência dos crentes. A Bíblia diz: “Para que, vindo de improviso, não os ache dormindo (Mt 13.36). “Num momento, num abri e fechar de olhos, ante a última trombeta” (1Co 15.52);
Ele virá secretamente. Referimo-nos claro, à primeira fase de sua vinda, quando nenhum pecador deste mundo o verá, pois descerá até as nuvens e simultaneamente a igreja será arrebatada e conduzida à sua presença nas nuvens. “Vós mesmo sabeis que, o dia do Senhor virá como ladrão de noite” (1Ts 5.2). “Até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam” (Mt 24.38,39);
Ele voltará brevemente. É uma loucura imaginar que Jesus tardará sua volta. Não estamos porventura entendendo a linguagem dos sinais que proclamam a iminência de sua volta? Não nos apercebemos dos testemunhos que o Espírito Santo está dando à Igreja em todo o mundo, despertando-a para o grande dia que se aproxima? “Eis que cedo venho...” (Ap 22.12). “Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém!” (Ap 22.20);
Ele vira gloriosamente. Há dois mil anos atrás Jesus veio a esta terra em estado de pobreza e humilhação. Veio para sofrer, para morrer. No entanto ao voltar outra vez, virá com pode e grande glória. “E então verão vir o Filho do Homem numa nuvem, com poder e grande glória” (Lc 21.27).

Conclusão: A promessa da vinda de Cristo á a maior de todas as promessas. A Igreja tem estado durante todo esse tempo, na expectativa do cumprimento de tão grande promessa. Levantemos os nossos olhos para cima, pois, a vinda do Senhor se aproxima. Os tempos difíceis e trabalhosos pelos quais estamos passando são sinais evidentes da proximidade do retorno de Cristo Jesus a esta terra. Amigo, acredite, a volta de Cristo para buscar sua Igreja é iminente. Ele está voltando!



segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Em defesa do culto de passagem de ano

Por Caramuru Afonso Francisco*
Sabemos todos que vivemos dias de apostasia na Igreja, mais um dos muitos sinais que estão a indicar a proximidade do arrebatamento da Igreja e do término da dispensação da graça.

No entanto, as manifestações desta apostasia não podem ser simplesmente ignoradas pelos servos do Senhor Jesus, até porque devemos, como nos ensina Judas, o irmão do Senhor, “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd.3 “in fine”), inclusive reagindo como nos ensina o pastor Natanel Rinaldi, considerado o maior apologista evangélico brasileiro, que afirmou, em entrevista, que “temos de agir amando a verdade como eles [os hereges, observação nossa] se apegam à mentira” (Apologética, ano 2, ed. 9, p.65).

Assim, não podemos nos calar quando vemos movimentos dentro de nossas igrejas locais que são sinais desta apostasia, sendo nosso dever denunciá-los e, no limite de nossas forças, fazer com que sejam neutralizados e retrocedam, “salvando alguns, arrebatando-os do fogo” (Jd.23 “in initio”), para usar, uma vez mais, de uma expressão de Judas.

Temos notado que, de forma crescente, muitas igrejas locais têm banido de suas atividades o “culto da passagem de ano”, aquele culto em que a Igreja se reúne para ver, a um só tempo, o final do ano em curso e o início de mais um ano.

Muitos têm justificado esta retirada com diversos argumentos: são muitos os irmãos que viajam nesta época do ano e, portanto, a frequência de tal culto é diminuta; o horário do culto é sacrificante para os irmãos, máxime nas grandes cidades, onde a violência e criminalidade só fazem aumentar; trata-se de um momento eminentemente familiar e se deve prestigiar a vida familiar dos irmãos.

Todas estas “justificativas”, entretanto, não passam de desculpas para se esconder o que realmente está ocorrendo para que alguns já tenham retirado este culto de suas agendas: a apostasia, o distanciamento de suas vidas do Senhor Jesus.

O “culto da passagem de ano”, por primeiro, não é uma invenção nem tampouco uma “tradição” criada no bojo das igrejas evangélicas e do movimento pentecostal.

Verdade é que, na história das Assembleias de Deus, vemos que se trata de uma prática que já era adotada pelos pioneiros, como, v.g., Gunnar Vingren que retornou aos caminhos do Senhor no culto de vigília de Ano Novo em 1896, quando tinha 17 anos de idade (VINGREN, Ivar. Diário do pioneiro Gunnar Vingren. 5.ed., p.20), prática que instalou nas nascentes Assembleias de Deus, visto que noticia que, no culto de ano novo de 1914, o Senhor usou em profecia a irmã Celina Albuquerque, a primeira pessoa a ser batizada com o Espírito Santo em terras brasileiras (op.cit., p.68).

Entretanto, a ideia de celebração solene diante de Deus da passagem de ano vem-nos da própria lei de Moisés. A “festa das trombetas”, realizada no dia primeiro do mês sétimo (Lv.23:24,25) é o que se denomina de “Ano Novo Judaico”, o conhecido “Rosh Hashanah”, solenidade “…cujo significado e solenidade, para os devotos…”, segundo o estudioso judaico Nathan Ausubel diz que “…só está abaixo do dia de Iom Kipur, o Dia da Expiação…” (Rosh Hashanah”. In: A JUDAICA, v.6, p.732).

Verificamos, pois, que o Senhor desejava que o Seu povo, na passagem de um ano para o outro, fizesse isto de forma solene, a fim de que se lembrasse de que a passagem do tempo é uma dádiva divina, é um momento, um instante em que devemos recordar de nossa dependência de Deus e da circunstância de que o tempo é uma realidade para os homens, o que, entretanto, inexiste para o Senhor.

O judeu francês Émile Durkheim (1858-1917), considerado o primeiro sociólogo moderno, em seus estudos, bem demonstrou que um dos papéis da religião na sociedade é o de dar noções de espaço e de tempo, noções fundamentais para o próprio desenvolvimento do raciocínio humano.

Ao determinar a celebração da passagem do ano (como também o princípio do meses, cf. Nm.10:10), o Senhor queria deixar bem claro a Israel de que Ele é o Senhor do tempo, que Ele é eterno e que tudo o que ocorre no tempo é algo que está diante d’Ele e que devemos ser agradecidos ao Senhor por tudo o que aconteceu, lembrando também que de tudo daremos conta a Ele.

Embora não estejamos debaixo da lei, é evidente que os princípios que norteiam a celebração da passagem de ano permanecem na graça, visto que têm a ver com a soberania divina, a gratidão do povo de Deus e a consciência de que a passagem do tempo é um sinal da dependência do homem em relação ao seu Criador.

A existência de um culto de ano novo, portanto, é uma forma de a Igreja agradecer a Deus pela passagem deste tempo, de recordar a sua responsabilidade pelos atos praticados e de reafirmar a dependência que temos em relação a Deus em tudo o que fazemos.

O calendário, como diz Durkheim, ajuda-nos a organizar a nossa mente, a fazermos uma análise de nossas atitudes e de nossa vida, a fazermos um autoexame, o que é fundamental para que nos mantenhamos em comunhão com o Senhor (cf. I Co.11:28). Não é desarrazoado, aliás, que muitas igrejas locais tenham aproveitado a ocasião para também celebrar a ceia do Senhor, máxime nas denominações que o fazem anualmente.

O culto de ano novo encerra, assim, uma importante mensagem: a admissão de que o período de tempo transcorrido se deve única e exclusivamente ao Senhor e que d’Ele dependemos em tudo, motivo pelo qual sempre iniciamos e terminamos o ano na presença do Senhor.

O culto de ano novo traduz a completa dependência que temos do Senhor, o reconhecimento de que “sem Ele nada podemos fazer” (cf. Jo.15:5 “in fine”), de que Ele ocupa a primazia em nossas vidas, pois Ele é “o princípio e o fim” (AP.1:8; 21:6; 22:13).

Ao começarmos e terminarmos um ano na presença do Senhor, reunidos em Seu nome, na igreja local, estamos declarando a todos que o Senhor é a razão de ser de nossas vidas, de que não mais vivemos para nós mesmos, mas para Ele (Gl.2:20).

Quando, porém, pomos outros interesses acima desta celebração, estamos, simplesmente, admitindo que a reunião coletiva da Igreja, o culto a Deus na igreja local é algo que ocupa apenas o “tempo de sobra”, algo que é secundário.

Dizer que a frequência da igreja é diminuta nesta época do ano, o que justificaria a retirada deste culto da agenda é uma falácia, pois o Senhor diz que estará presente onde estiverem dois ou três reunidos em Seu nome (Mt.18:20) e esta diminuta frequência, ademais, não retira da agenda outras reuniões, como as do meio de semana, cada vez mais vazias.

Dizer que o horário do culto é sacrificante para os irmãos é também outra falácia, pois, em outras reuniões (e algumas nada edificantes), não se verifica a questão de horário, quando isto convém, e em períodos onde não há uma intensa movimentação, como ocorre nos finais de ano, onde há uma tradição da espera do novo ano e um intenso e anormal movimento nas ruas, inclusive nas grandes cidades, apesar do horário.

A propósito, muitos que “não querem se sacrificar” ficando até meia noite nas igrejas locais, são os mesmos que, “livres do compromisso do culto de ano novo”, vão se somar a multidões à espera do ano novo nas ruas, em ambientes e circunstâncias muito mais perigosos, como são as concentrações de “réveillon” tradicionalmente organizadas nas cidades. Deixa-se de realizar os cultos de ano novo e os crentes vão para os foguetórios, para os “shows de virada” e tantas coisas nada edificantes do ponto-de-vista espiritual…

Dizer que se trata de um “momento familiar” e de que o culto de ano novo prejudicaria a vida familiar dos irmãos é outro raciocínio enganoso, visto que o culto de ano novo é, precisamente, o momento em que a família pode estar diante de Deus para agradecer ao ano que termina e pedir as bênçãos de Deus para o ano que começa. Caso o salvo não tenha seus familiares na casa do Senhor, isto não o impede de convidá-los para ir ao culto ou de, primeiro, adorar a Deus e, em seguida, dirigir-se até onde estão seus familiares para com eles compartilharem o momento festivo.

Estes crentes que querem ter “um momento familiar”, por acaso, na passagem do ano, realizam “culto doméstico” em suas casas? Evidentemente que não, até porque não o fazem o ano inteiro, por que o fariam agora? Que “preocupação com o momento familiar” é esta se não há sequer comunicação entre os membros da casa durante o ano? Tudo não passa de uma artimanha para se fugir da presença do Senhor.

A propósito, estes mesmos que se dizem “preocupados com a vida familiar”, montam agendas durante o ano que, na prática, inviabilizam a vida familiar de seus membros, a indicar que não é este o real motivo para o banimento do culto de ano novo.

O que temos, pois, na verdade, para esta prática que se tem intensificado é um sentimento de distanciamento do Senhor. As pessoas, apesar de se dizerem cristãs, estão cada vez mais deixando Deus de lado, não se sentem dependentes do Senhor, não põem Deus em primeiro plano, não têm mais a consciência de que sem Ele nada pode ser feito.

Por isso, querem aproveitar os momentos festivos para se divertirem, para o entretenimento, não tendo mais uma vida compromissada com Deus. É este o verdadeiro espírito que está por detrás de medidas como estas, que traduzem apenas um desvio espiritual crescente e preocupante.

Entendamos, pois, a importância e o significado do culto de ano novo e que, com esta celebração, assumamos, a cada mudança de ano, o compromisso de viver cada vez mais na dependência do Senhor, que nos quer dar a vida eterna, o instante em que estaremos, para sempre, livres da barreira do tempo.

* Evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém – sede e colaborador do Portal Escola Dominical.

Fonte: portalebd