quinta-feira, 22 de abril de 2010

DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO MARCA FESTIVIDADES DO JUBILEU DE OURO DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS DE BRASÍLIA

A festividade do Jubileu de Ouro da Assembleia de Deus de Brasília foi marcada pela presença do Espírito Santo. Foram dias abençoados, onde Deus esteve com seu braço estendido para operar maravilhosamente. Salvação de almas, curas divinas e batismos com o Espírito Santo marcaram o referido evento, além de poderosas mensagens que edificaram a vida espiritual do povo de Deus. Um ponto marcante do evento foi a pregação cristocêntrica ministrada pelos que tinha a responsabilidade de falar a Palavra de Deus. Todos de forma objetiva transmitiram a mensagem onde Cristo era o centro da mesma. Houve júbilos de alegria pela presença marcante do Espírito. Este fato foi constante em todos os 10 dias do evento. O último dia da festa foi marcante. Com o templo totalmente lotado, vimos o povo de Deus mais uma vez, exaltar o santo nome do Senhor, com glórias e aleluias, um verdadeiro mover de Deus. Depois de ouvirmos belos hinos pelo coral muito bem acompanhado pela orquestra adoração, louvou ao Senhor o pastor Vitorino Silva (Rio de Janeiro), que com seu louvor trouxe alegria aos corações. Falou ainda o irmão Ronaldo Rodrigues, direto executivo da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), parabenizando toda igreja pelo jubileu. A mensagem da noite ficou a cargo do pastor José Welington Bezerra da Costa, presidente da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil, que conclamou todos a permanecermos com a chama do pentecostes acesa até a volta de Jesus.
Pelo que vi, posso dizer que foram dias abençoados, o nosso jubileu de ouro, e como enfatizado várias vezes por pastor Orcival Pereira Xavier: “foi o Senhor que fez isto e é coisa maravilhosa aos nossos olhos”, ficamos agora com a recordação de tudo o que fez o Senhor neste dias abençoados e ainda com a responsabilidade de conservamos aquilo que durante estes cinquenta anos alcançamos, sempre nos esforçando para não deixarmos apagar o fogo que foi aceso. Esta é a responsabilidade de cada um de nós. Vamos manter acesa a chama pentecostal! Que o Senhor nos ajude! Veja abaixo as fotos do evento.
Pr. Nonato Souza

Pr. José Welington ministrou a Palavra de Deus no encerramento da festa


Pr. José welington líder da CGADB e irmão Wanda Freire líder da UNEMAD presentes ao avento


Irmão Ronaldo Rodrigues diretor da CPAD se fez presente no evento


Cantor Vitorino Silva (RJ) louvando ao Senhor


O povo se fez presente todos os dias do evento


Pr. Ronaldo Fonseca líder ADET pregando a Palavra de Deus

Mais de 200 novos membros desceram às águas




Pr. Lázaro - São Paulo ministrando a Palavra


Momento em que pastor Lázaro orava pelos enfermos


Pr. Cesar Cardoso líder Assembleia de Deus Madureira em Vila Dimas

sexta-feira, 16 de abril de 2010

RESULTADOS DE UM VERDADEIRO PENTECOSTES


A festa de Pentecostes era uma das três grandes festividades anuais do povo israelita, conforme descreve a lei de Moisés, nesta festa deveriam comparecer à presença de Deus todos os varões (Ex..23:14-19).
Podia ser chamada também de "festa da sega dos primeiros frutos" (Ex.23:16), "festa das semanas", e "festa das primícias" (Ex.34:22), porque, nela, deveriam os israelitas trazer os primeiros frutos colhidos durante o ano.
No Antigo Testamento, a Festa de Pentecostes era uma santa celebração em que o adorador oferecia ao Senhor uma oferta voluntária proporcional às bênçãos recebidas do Senhor (Dt 16.10). No contexto profético, ela é uma referência à efusão do Espírito Santo sobre toda a carne (Jo 2.28; At 2.1-13).
Não é, portanto, coincidência que o derramamento do Espírito Santo tenha se iniciado no dia de Pentecostes. É certo que estamos no "ano aceitável do Senhor" (Lc.4:19), tempo este, em o evangelho está sendo pregado em todas as nações. Estudiosos são de acordo que este ano se iniciou com a morte de Jesus Cristo no Calvário, nos abrindo assim, um novo e vivo caminho para o Pai (Hb.10:20).
“Este episódio que inaugura o ano aceitável do Senhor, nada mais é que a Páscoa (I Co.5:7). Tanto é verdade, que no dia seguinte à páscoa, era oferecido um molho das primícias da colheita ao sacerdote (Lv.23:10), que seria movido perante o Senhor. Esta primícia não é outra senão, o primogênito dentre os mortos, aquele que ressuscitou no primeiro dia da semana, Jesus Cristo (I Co.15:20,23; Cl.1:18).”
“Ato seguinte, cinqüenta dias depois, vinha o Pentecostes, festa que indica o início da colheita no ano, ou seja, o início da salvação de multidões de almas através da pregação do evangelho pela Igreja, o início do movimento do Espírito Santo, baseado no sacrifício de Cristo, algo que perdurará até a festa da colheita final, até o final do ano aceitável do Senhor, que se dará com a terceira festa, a Festa das Trombetas ou Festa dos Tabernáculos, que representa a volta de Cristo, o arrebatamento da Igreja.”
Observe que, após a ressurreição, Jesus esteve 40 dias com os seus discípulos, então, foi assunto ao céu, passaram-se mais 10 dias, estando os discípulos em oração no cenáculo para que recebessem a promessa do Pai que cumpriu-se exatamente na festa de Pentecostes (At 2.33). As verdades bíblicas são maravilhosas e têm significados especiais para a nossa salvação.
A verdade gloriosa do Pentecostes, a respeito do batismo no Espírito Santo, não é menos importante. Esta é uma promessa real para todos. Pra mim e pra você. Somos o movimento do Espírito Santo. E Uma Igreja que se autodenomina de pentecostal, precisa viver na plenitude do Espírito Santo.
De que adianta ser chamado de pentecostal ou de pertencer a uma igreja dita pentecostal, se não temos sobre nós a tocha de fogo pentecostal na vida? O pentecostes é uma festa de poder. Poder para todos. Ninguém precisa ter uma vida sem o poder do alto. Jesus disse: “Recebereis a virtude do Espírito Santo...” (At 1.8). Por isso observemos os resultados do Verdadeiro Pentecostes.

Quais os resultados de um verdadeiro pentecostes?

1. Todos foram cheios do Espírito Santo (At 2.1-4)

1.1. Este fato foi o início do cumprimento da promessa de Jl 2.28,29: “E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, ...”;
1.2. No dia de Pentecostes, os discípulos foram revestidos do poder do alto, que os capacitou a testemunhar de Jesus e falar das suas grandezas. “... e cretenses e árabes, todos os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus” (At 2.11);
1.3. Quando uma pessoa experimenta o revestimento de poder, ele passa a falar das coisas que são de cima (Cl 3.1-5);
1.4. Começando no dia de Pentecostes e adiante, observamos sempre os crentes cheios:

a) Cheios quando estavam orando. “E, tendo eles orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam a Palavra de Deus” (At 4.31);
b) Os diáconos deveriam ser cheios. “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio” (At 6.3);
c) Estevão cheio do Espírito, quando pregava aos filhos de Israel viu a glória de Deus e Jesus, que estava à direita de Deus” (At 7.55);
d) Aos efésios e aos crentes contemporâneos manda o apóstolo Paulo: “Enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18); Não ser cheio do Espírito é negligência, e negligência é pecado. Não ser cheio do Espírito é pecado. A ordem é esta: “Enchei-vos do Espírito”.
e) Quando estamos cheios do Espírito Santo, começamos a falar das grandezas de Deus. Pois se cumpre em nós o que disse Jesus: “Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” (Mt 12.34).

2. As multidões foram influenciadas pelo poder de Deus (At 2.6)

2.1. Observe que em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. Quando aquela multidão ouviu aquele barulho de línguas, pasmaram e ficaram confusos, pois, os ouviam falar em sua própria língua, e se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns aos outros: Que quer isto dizer? (At 2.5-13);
2.2. Não foi exatamente isso que aconteceu na rua Azuza em Los Angeles? Quando o pastor Seymour se punha a pregar acerca da promessa do batismo no Espírito Santo com a evidência inicial de falar em línguas estranhas e muitas pessoas sinceras vinham a Azuza Stret para observar e testemunhar os fatos, e ali eram batizados no Espírito Santo, levando a mensagem pentecostal a outros países e igrejas?
2.3. Porventura, não foi exatamente isso que aconteceu com os nossos pioneiros Gunnar Vingren e Daniel Berg? Que cheios do Espírito Santo trouxeram a mensagem pentecostal a Belém do Pará e dali, espalharam estas verdades em todo o solo brasileiro, sendo hoje a Assembléia de Deus o maior movimento pentecostal do mundo?
2.4. Não será este derramamento do Espírito que fará a diferença hoje em nossas igrejas? Quando pregarmos a verdade acerca de tão gloriosa experiência pentecostal e dermos lugar para o Espírito Santo operar com liberdade em nosso meio?
2.5. Será que não estamos precisando ouvir a voz do Espírito nas congregações, para que aquelas que estão vazias, sem freqüência e sem movimento, voltem a sentir o agir do Espírito de Deus?
2.6. Será que não era isso que acontecia com João Batista, ao pregar no deserto da Judéia cheio do Espírito Santo? “Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão” (Mt 3.5);
2.7. E acerca de Jesus, o que está escrito? “..., e soube-se que estava em casa. E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta eles cabiam; e anunciava-lhes a palavra” (Mc 2.1,2);
2.8. Se na igreja tiverem pregadores, cantores, professores de escola dominical e membros em geral, cheios do Espírito Santo, para lá acorrerão as multidões para se encontrarem com Jesus.
2.9. Será que não estamos precisando de um derramamento do Espírito sobre nós agora? Se isto acontece, os resultados serão grandes para o Reino dos céus.

3. Tinham ousadia para prega a Palavra (At 2.14-17)

3.1. Estas são as primeiras palavras de Pedro no dia de Pentecostes. Prova cabal de que este era um Pedro diferente daquele que havia negado Jesus três vezes diante de uma criada;
3.2. Antes do pentecostes, temos um Pedro medroso, tímido, escondido com os discípulos com medo dos judeus;
3.3.Depois do pentecostes, temos um Pedro corajoso, destemido, que se apresenta diante de uma multidão, e com voz forte e penetrante fala aos judeus convencendo-os de pecado;
3.4. Diante da pergunta feita por aqueles que lhe ouvia: “Que faremos varões irmãos?” Pedro corajosamente lhes responde: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2.38);
3.5. O Espírito Santo nos dar ousadia para anunciarmos a Palavra mesmo em situações complicadas como foi o caso de Estevão diante da ameaça de morte dos seus algozes (At 7.54-60);
3.6. Oh Deus, nos enche do teu Espírito e de ousadia para que possamos testificar com ousadia da tua Palavra (At 4.31).

4. Muitas almas alcançam a salvação (At 2.41)

4.1. Desde o dia em que a igreja recebeu o batismo no Espírito Santo, passou a desfrutar de constante crescimento, senão vejamos:
a) No dia de Pentecostes: quase três mil almas (At 2.41);
b) Todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar (At 2.47);
c) E muitos, porém, dos que ouviram a palavra creram, e chegou o número... a quase 5 mil (At 4.4);
d) E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais (At 5.14);
e) “Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos...” (At 6.1);
f) “...e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos...” (At 6.7);
g) “... e eis que encheste Jerusalém dessa vossa doutrina” (At 5.28);
4.2. Este é exatamente o despertamento que precisamos para os dias atuais. O Espírito de Deus fará isto se dermos lugar agora.

Conclusão: A todos que experimentaram o poder do Espírito de Deus em suas vidas, admoesto eu: Não pares não negligencieis o que recebestes do Espírito, não cruzes os braços, pensando que a luta acabou. Ainda existem inimigos que precisam ser vencidos. Precisamos do poder. Porque há muitos crentes que embora batizados com o Espírito Santo, são secos como folha, e vive uma vida pior do que aqueles que não receberam a promessa do alto? O fracasso destes é porque ficam confiando nas promessas já recebidas e não procuram renovação espiritual. Pensam que ainda têm a mesma unção perdida por algum motivo. Esses crentes precisam de renovação espiritual. O batismo no Espírito Santo é uma única vez, mas a renovação deve ser todo dia, diariamente. Estes são os resultados de um Verdadeiro Pentecostes.

Pr. Nonato Souza

Bibliografia
Kastberg, Nils. Sangue e fogo. CPAD. 3ª Edição 1984. Rio de Janeiro
Santos, Nonato Souza. Sementes para o celeiros. Apostila de esboço. 2006

terça-feira, 13 de abril de 2010

JUBILEU DE OURO AD BRASÍLIA NO SETOR VII TEM DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO E MUITA ALEGRIA

Nos dias 12 e 13 de abril de 2010, a Igreja Assembleia de Deus de Brasília em Brazlândia realizou as festividades do Jubileu de Ouro no setor. Os cultos foram realizados em clima festivo de muita alegria e derramamento do Espírito, um verdadeiro pentecostes. No período do referido evento tivemos uma programação muito bonita, relembrando o trabalho pioneiro dos nossos irmãos que batalharam no princípio da obra em Brazlândia. O louvor ficou a cargo dos conjuntos setoriais da cantora Mayra e outros. No primeiro dia do evento, a Palavra foi ministrada pelo pastor Ivan Teixeira, que discorrendo sobre o livro de Atos dos apóstolos, enfatizou veementemente sobre a necessidade de mantermos o fogo do pentecostes aceso. No segundo dia, ministrou a Palavra o pastor Joiade, que deu ênfase a uma vida de oração, meditação na Palavra de Deus e uma vida de santidade, como elementos para mantermos a chama do pentecostes acesa. No domingo, dia 11, à tarde, foi a vez de sairmos às ruas da cidade de Brazlândia para proclamarmos em carreata, que Jesus Cristo Salva, cura, batiza com o Espírito Santo e breve voltará, enfatizando ainda o cinquentenário da AD Brasília. É hora de refletir sobre a nossa história, pois, certamente, queremos manter acesa a chama do pentecostes. Veja as fotos dos cultos e carreata que aconteceram no Setor VII.
Pr. Nonato Souza

Entrada das Bandeiras incluídas na programação






Momento em que o Pr. Ivan Teixeira ministrava a Palavra de Deus


A Igreja se fez presente nos dois dias do Jubileu


Homenagem merecida aos pioneiros da AD Brasília em Brazlândia




Carreata AD Brasília realizada por ocasião do Jubileu de Ouro






JUBILEU DE OURO DA AD BRASÍLIA TEM INÍCIO COM CULTO PENTECOSTAL

Teve início no dia 11 de abril de 2010, à tão esperada festa do Jubileu de Ouro da Assembleia de Deus de Brasília no seu templo sede em Taguatinga. O culto aconteceu debaixo de muita unção e graça de Deus. A presença de Deus fez-se sentir através da manifestação do Espírito contagiando totalmente o ambiente, desde o início ao final do culto. Gratidão a Deus por 50 anos de vitórias, cada momento nos levava a uma explosão de louvores ao santo nome de Jesus. No testemunho de alguns pioneiros, sempre havia a lembrança da mensagem pregada insistentemente por nossos fundadores: “Jesus Cristo salva, cura, batiza com o Espírito Santo e breve voltará”. O pastor Orcival Pereira Xavier (presidente), enfatizava constantemente: “a honra e glória é para Deus”.
O cantor Feliciano Amaral louvou ao Senhor trazendo muita alegria aos corações dos presentes, a Palavra de Deus foi ministrada pelo pastor Antonio dos Santos (Pr. Neco) Maceió - Alagoas. O líder da Assembleia de Deus alagoana enfatizou que assim como nossos pais empregaram esforço objetivando manter acesa a chama pentecostal, também nós devemos mostrar o mesmo empenho. Foi uma bela abertura, e estamos certos que teremos dias abençoados pela frente, enquanto refletimos sobre a necessidade que temos de manter acesa a chama do Pentecostes.Veja fotos do referido evento abaixo.
Pr. Nonato Souza.

O Templo ficou lotado durante o culto de abertura.



Pioneiros das Assembéias de Deus de Brasília


O cantor Feliciano Amaral louvando ao Senhor por ocasião do Jubileu de Ouro da AD Brasília

sexta-feira, 9 de abril de 2010

J.C. RYLE - SANTIDADE: A NECESSIDADE DE SANTIDADE

Esta é uma mensagem para os nossos dias. A necessidade de vivermos em santidade é um clamor desta última hora. "Seguir a pazs com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor", é recomendação bíblica para o tempo presente. Ryle nos chama a uma vida de santidade. Leia a mensagem abaixo extraída de Voltemosao evangelho.blogspot.com


A NECESSIDADE DE SANTIDADE (1/1)

Em último lugar, devemos ser santos porque sem a santidade na terra nunca estaremos preparados para desfrutar do céu. O céu é um lugar santo. O Senhor do céu é um Ser santo. Os anjos são criaturas santas. A santidade está estampada em tudo quanto existe no céu. O livro de Apocalipse expressa: “Nela nunca jamais penetrará cousa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira!” (Ap 21.27).

Apelo solenemente a todos quantos lêem essas páginas: como poderemos nos sentir felizes e à vontade no céu, se morrermos destituídos de santidade? A morte não opera automaticamente alguma transformação. O sepulcro não impõe qualquer alteração. Cada indivíduo haverá de ressuscitar com o mesmo caráter com que deu seu último suspiro. Onde será o nosso lugar, se vivermos hoje estranhos à santidade?

Suponhamos por um momento que você tivesse a permissão de entrar no céu sem santidade. O que você faria? Qual prazer você poderia usufruir ali? A qual dentre todos os santos você se achegaria; ao lado de quem você se sentaria? Os prazeres dele não seriam seus prazeres, os gostos deles não seriam os seus gostos, o caráter deles não corresponderia ao ser caráter. Como você poderia sentir-se feliz, se não tivesse sido santo neste mundo?

Atualmente, talvez você prefira a companhia dos negligentes e dos descuidados, dos dotados de mente mundana e dos cobiçosos, dos farristas e dos que buscam prazeres, dos ímpios e dos profanos. Porém, não haverá tais tipos de pessoas no céu.

Atualmente, talvez você sinta que os santos de Deus são por demais rigorosos, solenes e sérios. Você prefere evitar a companhia deles. Você prefere evitar a companhia deles. Você não se deleita na sua companhia. Porém, não haverá outro tipo de companhia lá no céu.

Atualmente, talvez pense que a oração, a leitura da Bíblia e o cântico de hinos evangélicos seja algo enfadonho e melancólico, uma atividade estúpida, algo que pode ser tolerado vez por outra, mas não usufruído com satisfação. Talvez você considere o descanso dominical um fardo e uma canseira; você não poderia passar senão uma pequena fração deste tempo adorando a Deus. Lembre-se, entretanto, de que o céu será um interminável descanso dominical. Os seus habitantes descansarão ali, noite e dia, entoando hinos de louvor ao Cordeiro e exclamando: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso”. Como é que um homem profano poderia encontrar prazer numa ocupação como essa?

Você imagina que uma pessoa profana se deleitaria em encontrar-se com Davi, Paulo e João, após uma vida inteira desperdiçada exatamente na prática daquilo contra o que eles falaram? Porventura, ele tomaria um doce conselho com esses personagens e descobriria que tinham muito em comum? Acima de tudo, você imagina que tal pessoa se regozijaria em encontrar-se com Jesus, o Crucificado, face a face, após ter se agarrado aos pecados por causa dos quais Ele morreu; depois de haver amado os seus inimigos e desprezado os seus amigos? Poderia tal pessoa pôr-se de pé diante de Cristo, com toda confiança, unir-se ao coro santo, dizendo: “Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação exultaremos e nos alegraremos” (Is 25.9)? Antes, você não pensa que os lábios de uma pessoa profana se calariam de tanta vergonha, e que o seu único desejo seria ser expulso dali? Tal indivíduo se sentiria um estranho em uma terra desconhecida, uma ovelha negra em meio ao santo rebanho de Cristo. A voz dos querubins e dos serafins comporiam uma linguagem que ele não seria capaz de entender. O próprio ar lhe pareceria uma atmosfera irrespirável.

Não sei dizer o que outros pensariam a esse respeito, mas, para mim, é claro que o céu seria um lugar insuportável para um homem mundano. Não poderia ser de outro modo. As pessoas podem dizer, de maneira vaga: “Eles têm a esperança de chegar ao céu”. Entretanto, eles assim o dizem por não considerarem o que estão dizendo. Deve haver um certo preparo para a “herança dos santos na luz” (Cl 1.12). Nosso coração precisa estar sintonizado com essa herança. Para chegarmos ao descanso da glória, teremos de passar pela escola do treinamento na graça. Teremos de ser dotados de mente celestial, de gostos celestiais na vida que agora é, porquanto, de outro modo, jamais nos encontraremos no céu.




Por J.C. Ryle (1816 - 1900) - primeiro Bispo de Liverpool da Igreja da Inglaterra.

Excerto do excelente livro: Santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor

Disponibilizado pela Editora Fiel e iPródigo

O PECADO (1/2)

Aquele que desejar ter pontos de vista corretos sobre a santidade cristã terá de começar examinando o vasto e solene assunto do pecado. Terá de cavar bem fundo, se quiser construir um edifício bem alto. Um equívoco quanto a esse particular é extremamente prejudicial. Conceitos errôneos sobre a santidade geralmente advêm de idéias distorcidas quanto à corrupção humana. Não me desculpo por começar estes estudos acerca da santidade com algumas firmes declarações a respeito do pecado.


A verdade absoluta é que o correto conhecimento do pecado jaz à raiz de todo o cristianismo salvífico. Sem ele, doutrinas como justificação, conversão e santificação serão apenas “palavras e nomes” que não transmitem qualquer sentido à nossa mente. Portanto, a primeira coisa que Deus faz quando quer tornar alguém em uma nova criatura em Cristo é iluminar-lhe o coração, mostrando-lhe que ele é um pecador culpado. A criação material, segundo o livro de Gênesis, começou com a “luz”; isso também acontece no caso da criação espiritual. Deus mesmo “resplandeceu em nosso coração” mediante a obra do Espírito Santo, e então, a vida espiritual teve seu início (2 Co. 4.6). Pontos de vista mal definidos acerca do pecado são a origem da maioria dos erros, das heresias e das doutrinas falsas de nossos dias. Se um homem não percebe a natureza perigosa da doença de sua alma, ninguém poderá admirar-se de que ele se contente com remédios falsos ou imperfeitos. Acredito que uma das principais necessidades da igreja, neste nosso século, tem sido e continua sendo um ensino mais claro e completo sobre o pecado.

1. Começarei o assunto fornecendo uma definição de pecado. Naturalmente, todos estamos familiarizados com os termos “pecado” e “pecadores”. Com freqüência, dizemos que o “pecado” está no mundo e que os homens cometem “pecados”. Porém, o que queremos dizer com essas palavras e frases? Sabemos realmente? Temo que há muita nebulosidade e confusão mental quanto a esse particular. Permita-me tentar suprir a resposta da forma mais breve possível.

Afirmo, pois, que “pecado”, falando de modo geral, conforme declara o artigo nono da confissão de fé da nossa igreja, é “a falha e a corrupção da natureza de cada ser humano, naturalmente produzidas pela natureza de Adão em nós, pelas quais o homem muito se afasta da retidão original, pois faz parte de sua natureza inclinar-se para o erro, de tal modo que a carne sempre milita contra o espírito; e, assim sendo, o pecado merece a ira e a condenação de Deus em cada pessoa que nasce neste mundo”. Em suma, o pecado é aquela vasta enfermidade moral que afeta a raça humana inteira, em todas as classes e níveis, nas nações, povos e línguas — uma enfermidade da qual apenas um único homem nascido de mulher esteve isento. Preciso dizer que esse único Homem foi o Senhor Jesus Cristo?

Digo, ademais, que “um pecado”, falando mais particularmente, consiste em praticar, dizer, pensar ou imaginar qualquer coisa que não esteja em perfeita conformidade com a mente e a lei de Deus. Em resumo, segundo as Escrituras, “o pecado é a transgressão da lei” (1 Jo 3.4). O menor desvio interno ou externo de um absoluto paralelismo matemático com a vontade e o caráter revelados de Deus constitui um pecado e, imediatamente, nos torna culpados aos olhos de Deus.

Naturalmente, não preciso dizer, a qualquer um que lê a sua Bíblia com atenção, que um homem pode quebrar a lei de Deus em seu coração e em seus pensamentos, mesmo quando não há qualquer ato externo e visível de iniqüidade. Nosso Senhor resolveu a questão sem deixar dúvidas, ao proferir o Sermão do Monte (Mt 5.21-28). Até mesmo um de nossos poetas disse, com toda a verdade: “Um homem pode sorrir, sorrir e ainda ser um vilão”.

Novamente, não preciso dizer a um estudante cuidadoso da Bíblia que há pecados de omissão tanto quanto de comissão, e que pecamos, tal como diz o nosso livro de oração, ao “deixarmos de fazer as coisas que deveríamos fazer” tanto quanto ao “fazermos aquilo que não deveríamos”. As solenes palavras do Mestre, no evangelho de Mateus, também deixam a questão sem sombras de dúvidas. Ali se acha escrito: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber” (Mt 25.41-42). Foi uma declaração profunda e bem pensada do santo arcebispo Usher, pouco antes de sua morte: “Senhor, perdoa-me de todos os meus pecados, sobretudo dos meus pecados de omissão”.

Porém, penso que é necessário relembrar aos leitores que um homem pode cometer um pecado e, no entanto, fazê-lo por ignorância, julgando-se inocente, quando na realidade é culpado. Não consigo perceber qualquer garantia bíblica para a moderna afirmativa de que “o pecado não é pecado, enquanto não o percebermos e tomarmos consciência dele”. Pelo contrário, nos capítulos quarto e quinto daquele livro muito negligenciado, Levítico, bem como em Números 15, vejo Israel sendo distintamente instruído de que havia pecados de ignorância que tornavam as pessoas imundas e que precisavam ser expiados (Lv 4.1-35; 5.14-19; Nm. 15.25-29). E também encontro o Senhor ensinando expressamente que o servo que não soube da vontade do seu senhor, e não agiu conforme essa vontade, não será desculpado pela sua ignorância, mas castigado (Lc 12.48). Faríamos bem em relembrar que, ao fazer de nosso conhecimento e de nossa consciência miseravelmente imperfeitos a medida de nossa pecaminosidade, estamos pisando em terreno perigoso. Um estudo mais profundo do livro de Levítico nos faria muito bem.

2. Concernente à origem e fonte dessa vasta enfermidade moral chamada “pecado” também me sinto na obrigação de dizer algo. Temo que as idéias de muitos crentes professos quanto a esse particular, são tristemente defeituosas e doentias. Não ouso passar adiante sem um comentário a respeito. Portanto, fixemos em nossa mente que a pecaminosidade de um homem não começa pelo lado de fora e sim pelo lado de dentro. Também não resulta de mau treinamento nos primeiros anos de vida. Não se adquire com más companhias e maus exemplos, conforme alguns crentes fracos costumam dizer. Não! Trata-se de uma enfermidade de família, que herdamos dos nossos primeiros pais, Adão e Eva, e com a qual todos já nascemos. Criados “à imagem de Deus” e inocentes a princípio, nossos pais caíram da justiça original e tornaram-se pecaminosos e corruptos. E, desde aquele dia, homens e mulheres nascem segundo a imagem de Adão e Eva decaídos, herdando um coração e uma natureza inclinados ao pecado – “por um só homem entrou o pecado no mundo”; “o que é nascido da carne é carne”; “éramos, por natureza, filhos da ira”; “o pendor da carne é inimizade contra Deus”; “do coração dos homens é que procedem [naturalmente, como de uma fonte] os maus desígnios, a prostituição, os furtos”. (Rm 5.12; Jo 3.6; Ef 2.3; Rm 8.7; Mc 7.21). O mais lindo bebê do mundo, que se tornou o raio-de-sol de uma família, não é, como sua mãe o chama com muito amor, um “anjinho” ou um “inocentinho”, e sim um “pecadorzinho”. Infelizmente, enquanto jaz sorrindo no seu berço, a criaturinha leva em seu coração as sementes de todo tipo de iniqüidade! Basta que a observemos com cuidado, conforme cresce em estatura e sua mente se desenvolve, e descobriremos nela uma incessante tendência para o que é mau, e uma grande hesitação quanto ao que é bom. Poderemos ver nela os botões e os germens do engano, do mau temperamento, do egoísmo, da voluntariedade, da obstinação, da cobiça, da inveja, do ciúme, da paixão – tudo o que, se alimentado e deixado à vontade, prolifera com dolorosa rapidez. Quem ensinou essas coisas à criança? Onde as aprendeu? Só a Bíblia pode responder a essas perguntas! Dentre todas as coisas tolas que os pais dizem sobre seus filhos nenhuma é pior do que a declaração comum: “No fundo, meu filho tem um bom coração. Ele não é o que deveria ser; apenas caiu em más companhias. As escolas são lugares ruins. Os professores negligenciam as crianças. Contudo, no fundo, ele tem um bom coração”. A verdade, infelizmente, é exatamente o contrário. A primeira causa de todo pecado jaz na corrupção natural do próprio coração da criança e não na escola.



Por J.C. Ryle (1816 - 1900) - primeiro Bispo de Liverpool da Igreja da Inglaterra.

Excerto do excelente livro: Santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor

Disponibilizado pela Editora Fiel

O PECADO 1/3

3. No tocante à extensão dessa vasta enfermidade moral do homem, chamada pecado, cuidemos para não errar. A única base segura é aquela dada pelas Escrituras. “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”; “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto” (Gn 6.5; Jr 17.9). O pecado é um mal que permeia e percorre todas as partes de nossa constituição moral, bem como cada faculdade de nossa mente. A compreensão, os afetos, o poder de raciocínio, a vontade; tudo está, em certa medida, infeccionado pelo pecado. A própria consciência está tão cega que dela não se pode depender como guia seguro. Ela tanto pode conduzir o homem para o erro quanto para o que é certo, a menos que seja iluminada pelo Espírito Santo. Em suma, “Desde a planta do pé até à cabeça não há nele cousa sã, senão feridas, contusões e chagas inflamadas” (Is 1.6). O mal pode ser velado sob uma fina cortina de cortesia, polidez, boas maneiras ou decoro exterior; mas jaz profundamente em nossa constituição.

Admito plenamente que o homem tenha ainda qualidades grandes e nobres e que demonstre imensa capacidade nas artes, ciências e literatura. Porém, permanece o fato de que nas coisas espirituais o homem está totalmente “morto”, destituído de qualquer conhecimento, amor ou temor a Deus. As excelências do homem estão de tal modo entremeadas e mescladas com a corrupção que o contraste somente põe em destaque a verdade e a extensão da queda. Que uma e a mesma criatura seja tão elevada em algumas coisas e tão vil em outras; tão grande, mas tão pequena; tão nobre, mas também tão envilecida; tão notável em sua concepção e execução de coisas materiais, mas tão baixa e rasteira em seus afetos; capaz de planejar e erigir edifícios como aqueles de Carnaque e Luxor, no Egito ou o Partenon de Atenas e, no entanto, adorar deuses e deusas imorais, pássaros, feras e répteis; que possa produzir tragédias como as de Ésquilo e Sófocles e histórias como as de Tucídides, e, no entanto, ser escrava de vícios abomináveis como aqueles descritos no primeiro capítulo da epístola aos Romanos. Tudo isso tem servido de profunda perplexidade para aqueles que zombam da “Palavra escrita de Deus”, escarnecendo de nós como “bibliólatras”. Porém, esse é um nó que podemos desatar com a Bíblia na mão. Podemos reconhecer que o homem tem todos os sinais de um templo majestoso em sua pessoa; um templo no qual Deus antes habitou, mas que agora jaz em completa ruína; um templo no qual uma janela despedaçada aqui ou uma entrada acolá, ou uma coluna derrubada ali adiante ainda nos dá uma pálida idéia da magnificência do plano original, embora, de uma extremidade à outra, tenha perdido a sua glória e decaído de seu exaltado estado anterior. De modo que afirmamos que coisa alguma soluciona o complicado problema da condição humana, senão a doutrina do pecado original ou inato e os esmagadores efeitos da queda.

Ademais, lembremo-nos de que cada parte do mundo dá testemunho do fato que o pecado é a enfermidade universal de toda a humanidade. Pesquisemos o globo de leste a oeste e de um pólo ao outro, rebusquemos todas as nações de todos os climas, nos quatro quadrantes da terra, procuremos em cada classe e nível social de nosso próprio país, do mais elevado ao mais humilde, sob cada circunstância e condição; o relatório será sempre o mesmo. As mais remotas ilhas no oceano Pacífico, completamente separadas da Europa, da Ásia, da África e da América, fora do alcance do luxo oriental e da arte e literatura ocidentais; ilhas habitadas por povos que ignoram livros, dinheiro, vapor e eletricidade; não contaminados pelos vícios da civilização moderna – existentes nestas ilhas remotas, quando descobertas, têm sido encontradas as piores formas de concupiscência, de crueldade, de engodo e de superstição. Se seus habitantes não conhecem outra coisa, pelo menos conhecem o pecado! Por toda a parte, o coração humano é enganoso “mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto” (Jr 17.9). Da minha parte, desconheço prova mais decisiva da inspiração do livro de Gênesis e do relato mosaico sobre a origem do homem do que o poder, a extensão e a universalidade do pecado. Se admitirmos que a humanidade inteira deriva-se de um único casal e que esse casal caiu no pecado, conforme nos diz Gênesis 3, o estado da natureza humana por toda parte pode ser facilmente explicado. Mas, se negarmos esse fato, conforme muitos o fazem, imediatamente nos veremos envolvidos com dificuldades inexplicáveis. Em suma, a uniformidade e a universalidade da corrupção humana supre uma das mais incontestáveis instâncias das enormes dificuldades que os
incrédulos têm de enfrentar.

Afinal, estou convencido de que a maior prova da extensão e do poder do pecado é a persistência com que ele se apega ao homem, mesmo depois deste ser convertido e tornar-se alvo das operações do Espírito Santo. Usando a linguagem do artigo nono: “Essa infecção da natureza permanece – sim, mesmo nos regenerados”. Tão profundamente implantadas estão as raízes da corrupção humana que, mesmo depois de termos sido regenerados, renovados, lavados, santificados e justificados, feitos membros vivos de Cristo, essas raízes permanecem vivas no fundo de nosso coração. Tal qual o mofo nas paredes de uma casa, nunca nos livraremos delas, enquanto não for dissolvida esta casa terrestre deste nosso tabernáculo. Sem dúvida, o pecado não mais exerce domínio no coração do crente. Está contido, controlado, mortificado e crucificado pelo poder expulsivo do novo princípio da graça divina. A vida do crente é uma vida de vitória e não de fracasso. Mas os próprios conflitos que continuam em seu peito, a luta na qual ele se vê empenhado a cada dia, a vigilância que ele é forçado a exercer sobre seu homem interior, a guerra entre a carne e o espírito, os “gemidos” íntimos que ninguém conhece, senão aquele que os experimenta – tudo isso testifica da mesma grande verdade, tudo mostra o enorme poder e a vitalidade do pecado. Poderoso, de fato, deve ser o adversário que mesmo depois de crucificado, continua vivo! Feliz é o crente que compreende isso e não tem confiança na carne enquanto se regozija em Cristo Jesus; e ao mesmo tempo em que diz: “Graças a Deus que nos dá a vitória”, nunca se esquece de vigiar e ora para não cair em tentação!

4. Acerca da culpa, da vileza e da ofensa do pecado aos olhos de Deus, minhas palavras serão poucas. Digo “poucas” prudentemente. Não penso que, devido à natureza dessas coisas, o homem mortal possa perceber toda a imensa pecaminosidade do pecado aos olhos do Deus santo e perfeito, a quem teremos de prestar contas. Por um lado, Deus é o Ser eterno que “aos seus anjos atribui imperfeições”, em cuja vista “nem os céus são puros”. Ele é Aquele que lê os pensamentos e os motivos, e não só as ações, e que requer “a verdade no íntimo” (Jó 4.18; 15.15; Sl 51.6). Nós, por outro lado – criaturas pobres e cegas, hoje aqui e amanhã acolá, nascidos no pecado, cercados de pecadores, vivendo em uma constante atmosfera de fraqueza, enfermidade e imperfeição – não podemos formar senão os mais inadequados conceitos sobre a hediondez do pecado. Não dispomos de prumo para sondá-lo, e nenhuma medida pela qual possamos aquilatá-lo. Um cego não pode ver a diferença entre uma obra prima de Ticiano ou de Rafael e uma efígie de um presidente no verso de uma moeda. Um surdo não pode distinguir entre um apito soprado por uma criança e um órgão de catedral. Os próprios animais, cujo odor é bastante ofensivo, não têm a menor noção de que são tão mau-cheirosos e nem parecem tais uns para com os outros. E o homem, o homem caído, segundo creio, não tem noção do quão vil é o pecado aos olhos de Deus, cujas obras são absolutamente perfeitas – perfeitas sem importar se as examinamos pelo telescópio ou pelo microscópio; perfeitas tanto na formação de um gigantesco planeta como Júpiter, com seus satélites, que marca o tempo em até milésimos de segundo enquanto gira em torno do sol quanto na formação do mais minúsculo inseto que se arrasta pelo chão. Não obstante, fixemos na mente, com firmeza, que o pecado é aquela “coisa abominável” a qual Deus aborrece e que Deus é “tão puro de olhos que não pode ver o mal”; e que qualquer que tropeçar “em um só ponto” da lei de Deus “se torna culpado de todos”; e que “a alma que pecar, essa morrerá“; e que “o salário do pecado é a morte”; e que Deus julgará “os segredos dos homens”; e que há um lugar onde nunca “morre o verme, nem o fogo se apaga”; e que “os perversos serão lançados no inferno”; e que “irão estes para o castigo eterno”, porquanto nos céus “nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira” (Jr 44.4; Ha 1.13; Tg 2.10; Ez 18.4; Rm 6.23; 2.16; Mc 9.44; Sl 9.17; Mt 25.46 e Ap 21.27). Essas são, realmente, palavras tremendas, quando consideramos que foram escritas no Livro do Deus misericordiosíssimo!

Afinal de contas, nenhuma prova da amplidão do pecado é tão avassaladora e incontestável como a cruz da paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, bem como toda a doutrina de sua substituição e expiação. Terrivelmente grave deve ser a culpa que não pode ser satisfeita por coisa alguma, senão pelo sangue do Filho de Deus. Pesadíssima deve ser a carga do pecado humano que fez Jesus gemer e suar gotas de sangue na agonia do Getsêmani, e clamar no Gólgota: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). Estou convencido de que nada nos espantará tanto, quando despertarmos no dia da ressurreição, quanto a visão que teremos do pecado e o retrospecto que nos será dado de nossos próprios incontáveis defeitos e delitos.





Por J.C. Ryle (1816 - 1900) - primeiro Bispo de Liverpool da Igreja da Inglaterra.

Excerto do excelente livro: Santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor

Disponibilizado pela Editora Fiel

terça-feira, 6 de abril de 2010

É O ESPÍRITO SANTO, UMA PESSOA DIVINA? (A Divindade do Espírito Santo)


Objetivando trazer maior esclarecimento sobre tão importante doutrina, desejo comentar um pouco neste período do jubileu da Assembleia de Deus de Brasília, que trás como tema: “Conservando a chama pentecostal”, sobre a doutrina do Espírito Santo. Espero está contribuindo para o crescimento dos irmãos.
É o Espírito Santo uma pessoa divina? Sim. Cremos não haver dúvidas acerca da divindade do Espírito Santo. A Bíblia mostra com clareza de detalhes que o Espírito Santo é uma pessoa divina. Podemos provar sua divindade pelos seguintes aspectos:

O Espírito Santo é chamado Deus. “Então disse Pedro: Ananias, porque encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo? Não mentiste aos homens, mas a Deus” (At 5.3,4). Neste relato bíblico vemos que, mesmo que o Espírito Santo tenha impulsionado Ananias e Safira a tomarem a decisão de vender sua propriedade e generosamente depositar aos pés dos discípulos, tal intento foi logo pervertido pela cobiça do casal, que tentou enganar os apóstolos. Quando assim procederam mentiram ao Espírito Santo e não aos homens, conforme o texto acima citado.

O Espírito Santo é chamado Senhor: “E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito” (2 Co 3.18 NVI). A ênfase aqui no texto é ao Espírito Santo como Senhor. Paulo atribui soberania ao Espírito Santo como o poder transformador, sendo Ele também o Senhor de toda a vida.

O Espírito Santo detém os seguintes atributos divinos.

Eternidade: “Quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” (Hb 9.14). Sendo eterno, o Espírito Santo sempre existiu e esteve presente em todo momento da história e ato criativo de Deus. Confirmo, ele é eterno.

Onipresença: “Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face ?” (Sl 139.7-10). Isto significa que Ele está presente em todos os lugares. È certo que jamais poderemos ficar fora do alcance, cuidados, direção daquele que está em todos os lugares.

Onipotência: “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). O Espírito Santo detém sobre si todo poder e autoridade sobre todas as coisas e criaturas.

Onisciência: “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus” (1Co 2.10). Onisciência significa: ciência absoluta, conhecimento total e pleno. Só Deus é onisciente.

O Espírito Santo ainda realiza obras divinas como:

Criação. O Espírito Santo comunicou vida à criação. “E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas” (Gn 1.2). Paulo falando sobre o assunto da criação e acerca do Filho diz: “Pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste” (Cl 1.16,17. NVI). Entendemos, então, que tanto Deus Pai, quanto Deus Filho, quanto o Deus Espírito Santo, estavam juntos criando o mundo.

Regeneração. É o Espírito Santo quem opera no homem o novo nascimento.
“Jesus respondeu e disse-lhe: na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3) e, “não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5).

Ressurreição. Foi o Espírito Santo quem levantou Jesus da morte pela ressurreição. “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm 8.11). Concluimos,portanto, afirmando pelos textos acima, ser o Espírito Santo a terceira pessoa da santíssima Trindade.

Pr. Nonato Souza.