sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Assim, perdoai-vos uns aos outros como Cristo vos perdoou

Por Nonato Souza

A parábola do credor incompassivo registrada no Texto Sagrado de Mateus 18.23-35 nos ensina lições importantes. Observe que na parábola um certo rei foi ajustar contas com os seus servos. No acerto de contas um servo que devia uma quantidade enorme ao rei, seu senhor, não podendo pagar foi perdoado. O servo saindo dali perdoado, encontrou seu conservo que lhe devia uma pequena quantidade ao qual não foi capaz de perdoar, subjugando-o terrivelmente a ponto de lançá-lo na prisão até que quitasse a dívida.

O senhor rico sabendo o que fizera aquele conservo o chamou a si e o repreendeu fortemente dizendo: "Não devias tu, igualmente ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?” Assim, aquele malvado conservo, foi parar nas mãos dos atormentados até que pagasse tudo o que devia.

Penso que o cristão precisa ser cauteloso em administrar o perdão que recebeu do Senhor. Isto porque se fomos perdoados graciosamente quando nos arrependemos, devemos também perdoar. Na parábola aprendemos que assim como fomos perdoados precisamos também ter boa disposição para perdoar a quem nos ofende. Há cristãos cujos corações estão cheios de amargura a ponto de tornarem-se incapazes de perdoar o seu próximo.

Jesus ensinou que para alcançar o perdão de Deus é preciso primeiro perdoar ao próximo as suas ofensas (MT 6.12,13). Vivemos tempo de crise dentro das igrejas, principalmente quando se fala em perdão, isto, pela dificuldade existente nos relacionamentos que estão quebrados. Igrejas locais estão repletas de pessoas com relacionamentos totalmente destruídos, devido amargura profunda, ressentimentos e animosidades. Tais comportamentos são totalmente incompatíveis com uma vida cristã autêntica.

Não temos porque ou como viver um verdadeiro cristianismo, se estamos envolvidos neste cruel labirinto de dificuldades que corrói a nossa alma, destrói nossa vida espiritual e saúde física. O perdão é fundamental para nos libertarmos dessas doenças.

Professando o santo nome de Cristo Jesus, o cristão não tem porque viver com tais animosidades no coração. A forma de tratar os nossos irmãos demonstra claramente a condição do nosso coração. Se o nosso coração é humilde e contrito, não temos dificuldade em perdoar os nossos irmãos, mas se em nós houver orgulho e desejo de vingança, não haverá lugar para arrependimento, o que significa que Deus não poderá, também, nos perdoar.


Sendo assim, não basta receber o perdão de Deus. É preciso experimenta-lo de coração, de sorte que haja em nós mudança total a ponto de sermos clementes e mansos com o nosso próximo. O ensino de Paulo é claro: "Antes, sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo" (Ef 4.32), e ainda: "suportando uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também" (Cl 3.13). Este é um assunto sério, e requer de cada cristão extremo cuidado. Deus nos ajude! 
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