segunda-feira, 30 de março de 2015

O EVANGELHO PREGADO A CORNÉLIO; ... PREGADO AOS GENTIOS


Por Nonato Souza.

“Diante disto, Pedro começou a compartilhar: Agora sim, percebo verdadeiramente que Deus não trata as pessoas com qualquer tipo de parcialidade, antes, porém, de todas as nacionalidades, recebe todo aquele que o teme e pratica a justiça” (At 10.34,35).

Fico a pensar na grande dificuldade que teve apóstolo Pedro, em se deslocar de Jope, onde estava hospedado para se dirigir a Cesaréia à casa de um centurião Romano a pregar-lhe o evangelho. Sei que para o apóstolo não foi tão simples assim. Apegado às tradições da lei, se viu numa situação difícil ao ser revelado pelo próprio Deus: “Não faças tu comum ao que Deus purificou” (10.15).

Enquanto orava ao Senhor, Pedro é instado pelo Espírito Santo a acompanhar uma comitiva enviada por Cornélio que o levaria a Cesaréia. Pedro, então, vai ao encontro de Cornélio, preocupado, é claro, com o sentimento de que jamais deveria juntar-se ou entrar na casa de estrangeiros (10.28), acentuando ainda que esse gentio, em particular, é um centurião romano. Sabe-se que entre os judeus mais piedosos era costume afastar-se o máximo dos romanos, pois, estes tinham à época, conquistado praticamente todo o mundo conhecido e agradeciam este feito aos seus deuses. Os judeus debaixo do jugo romano, às vezes eram instados a mesclar as religiões, o que os levava a manterem-se distantes.

Tendo sido advertido por Deus a não tratar Cornélio e os seus, de impuros em uma revelação, ainda que de forma obscura, Pedro viaja atendendo a recomendação divina e chega à casa do centurião onde é recebido. Depois de alguns acontecimentos inusitados e a exposição da revelação de Cornélio sobre o porquê mandou chamá-lo, lhes prega o evangelho e é surpreendido pelo inesperado: Deus derrama o Espírito Santo, assim, como derramara sobre eles no princípio. Pedro, então, surpreso lhes diz: “Pode alguém, porventura, recusar a água, para que não sejam batizados estes que também receberam, como nós, o Espírito Santo?” (10.47).

Entendo que a conversão de Cornélio e os seus, foi um porta aberta para que a graça de Deus alcançasse os gentios e consequentemente, o evangelho de Jesus Cristo chegasse até nós (Ef 2.13).  Graças a Deus, fomos alcançados. Somos o povo de Deus, que Ele comprou com o seu próprio sangue. Somos um povo que temos leis, regras, princípios, que independentemente, de quão bons sejam, nunca deve nos impedir de cumprir nossa missão no âmbito do Reino de Deus.

Hoje, não é possível que nos limitemos, quanto à evangelização, a esse comportamento de Pedro,  se entramos ou deixamos de entrar em casa de gentios, visto tratar-se de necessidade urgente em levar vidas a Cristo através da pregação da Palavra. É claro que o assunto deve ser visto à luz da Palavra de Deus, uma vez que muitos agem de forma legalista, e por querer manter a pureza e santidade evitam ir àqueles que estão distantes de Deus por seus atos pecaminosos, e que poderiam ser alcançados pelo evangelho de Cristo Jesus, se houvesse maior disposição em buscá-los onde estão. Justo Gozáles diz que “a fim de salvar essa pureza, com frequência, limitamos nosso círculo de contatos para que sempre estejamos entre cristãos e evitemos conviver com aqueles que não acreditam no que acreditamos”. Ele diz que a vida em comunidade tem o seu importante papel, nos fortalecendo quando estamos fracos e nos ajudando a descobrir a vontade de Deus, mas, que “quando levamos isso a extremos, corremos o risco de nos limitar tanto a essa comunidade que esquecemos que Cristo morreu não só por nós mesmo, mas também por todas aquelas outras pessoas cuja companhia evitamos: o irresponsável, o imoral, o amoral, o descrente e assim por diante” (Justo L. González, Atos o evangelho do Espírito Santo. Ed. Hagnos).

Ora, o próprio apóstolo Pedro asseverou: “Reconheço por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável àquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo” (10.34,35), isto ele diz reconhecendo que Cristo morreu por todos pecadores. Jesus já havia mostrado esta necessidade de se buscar o perdido ao dizer: “O Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10). Eis ai o exemplo do Salvador Jesus.

Tendo, Jesus, vindo salvar os perdidos pecadores, não deve a igreja também cumprir sua missão, buscando os perdidos, independentemente da condição em que estejam? Pedro foi à casa de um centurião romano. E foi ali por ordem de Deus, pois, haviam almas a serem alcançadas. A mente legalista de Pedro teve dificuldade de entender toda aquela situação, mas Deus tinha um propósito de salvação com aquela família, então, resolveu obedecer a Deus. Estamos dispostos a cumprir a ordem de Deus, mesmo quando esta, demanda uma difícil e arriscada missão?

Tenho convicção que a Igreja deve abster-se de todo mundanismo em que está mergulhada essa sociedade apodrecida. Porém, não podemos, agir como se a igreja fosse só para gente da nossa estirpe, nos isentando de nossa responsabilidade evangelística. Justo González mostra que “quando as pessoas são rejeitadas em algumas de nossas igrejas porque elas ‘não são decentes’, ou porque ‘têm vícios’, ou porque não concordam com nossa ideologia política, está na hora de pararmos e refletirmos sobre este episódio de Pedro e Cornélio e nos perguntarmos qual é o sentido para nós hoje quando declaramos que Deus não demonstra parcialidade em relação às pessoas” (Justo L. González, Atos o evangelho do Espírito Santo. Ed. Hagnos).

A responsabilidade de proclamar o evangelho a todos está sobre os ombros de cada cristão, e nessa tarefa não podemos nos esquecer dos que ordinariamente, vivem à margem do reino de Deus. Jesus morreu por eles também, porque não buscá-los e resgatá-los. Esta é a missão da igreja hoje. 

segunda-feira, 23 de março de 2015

O OLEIRO NÃO DESISTE DO VASO, MESMO QUEBRADO


Por Nonato Souza

O texto do profeta Jeremias diz: 

"Levanta-te e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras. E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas. Como o vaso que fazia de barro se quebrou na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos seus olhos fazer" (Jr 18.1-4).

Deus sabe da existência de vasos ruins e danificados com pequenos ou grandes defeitos e trincas que assim, não têm utilidades. Esses vasos, na verdade, foram danificados ou sofreram alguma falha no processo de construção a ponto de se tornarem inúteis para reter vinho ou água.

Em nosso pobre e fraco raciocínio sobre o que fazer a partir de então, achamos que a única coisa a fazer com um vaso com defeito é descarta-lo, jogando-o fora. Observa-se, no entanto, que o oleiro não fez assim. Ele certamente, calmamente, observou o estado do vaso e resolveu trabalhá-lo mais uma vez. Tornou a fazer do vaso defeituoso outro vaso segundo bem lhe pareceu.

É certo que o profeta Jeremias convivia com pessoas que eram tidas como inúteis. A causa deste estado é uma vida pecaminosa, distanciada de Deus. Pessoas que a vida pecaminosa as transformou em recipientes danificados sem nenhuma utilidade. O pecado as transformara completamente e elas e se tornaram trôpegas e porque não dizer, até alienadas.

Ele estava, na verdade diante de uma sociedade que se comportava com rebeldia, envolvida em pecados grosseiros, desviada e que vivia de acordo com sua própria vontade. Diante dessa ilustração que lhe causou perturbação, o profeta pôde conscientizar-se do que Deus é capaz de fazer com o homem.

Deus é simplesmente maravilhoso! Ele jamais joga fora um vaso, ainda que esteja danificado. Ele está sempre arguindo: "Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro?" (Jr 18.8).


Nada, absolutamente nada, é tão ruim que ao sofrer uma interferência da infinita graça divina, não possa ser mudado. Verdade é também que as promessas divinas não nos dão liberdade para uma vida indolente. Deus pode muito bem querer trabalhar na vida de uma pessoa e esta recusar-se perfeitamente a aceitar os modeladores propósitos de Deus.

O profeta insistentemente continua na tentativa de tornar o povo sensível ao Deus que amorosamente tenta moldar suas vidas objetivando torná-los úteis.

Estejamos certos, Deus sempre trabalhará em nosso favor com o objetivo de nós moldar ainda que tal arte nos custe dores e momentos adversos. Ele é o Oleiro que efetivamente trabalha em sua roda divina, pessoas que são como barro em suas mãos.


A vida de fé que vivemos, por muitas vezes implica em ser colocado na roda do oleiro para sofrermos a transformação plena e completa que precisamos, com o fim de sermos úteis para o Reino.

Fica claro que esse processo de transformar o que é inútil em algo útil é terrivelmente doloroso, mas tenha certeza, Vale a pena.

Não será este, pois, o tempo de sermos conduzidos pelo Oleiro divino à roda para nos moldar segundo o Seu próprio modelo? Fico pensando que, pela maneira como muitos estão vivendo e se comportando, este é o tempo oportuno.

terça-feira, 17 de março de 2015

MISSÃO TERAPÊUTICA DA IGREJA, UMA NECESSIDADE URGENTE


Por Nonato Souza


“Livra os que estão destinados à morte e salva os que são levados para a matança, se o puderes retirar. Se disseres: Eis que o não sabemos; porventura, aquele que pondera os corações não o considerará? E aquele que atenta para a tua alma não o saberá? Não pagará ele ao homem conforme a sua obra? (Provérbios 24.11,12).


Ouvi recentemente uma boa palavra de um determinado pregador baseada neste texto bíblico. Com sua bela oratória, observando o texto, o referido pregador pintou um quadro de condenação em que alguém para não chegar à morte precisa urgentemente de ajuda. Uma voz, então, surge no ermo e clama: “Livra os que estão destinados à morte e salva os que são levados para a matança”. A mensagem daquela noite me deixou pensativo sobre nossa responsabilidade como salvos em Cristo Jesus e Igreja de Deus.

Minhas reflexões me conduziram a pensar sobre a missão terapêutica da igreja hoje e ainda a grande responsabilidade que pesa sobre cada cristão. Penso que a igreja deveria achar-se comprometida no processo de amar, perdoar e orar pela cura espiritual desta sociedade moribunda e atolada no pecado. Estou convicto que o ministério de cura, libertação e reconciliação faz parte do sacerdócio de cada membro do corpo de Cristo, a Igreja. O poder terapêutico da igreja é fantástico e só pode ser concretizado quando se submete inteiramente à vontade de Deus, exteriorizando através dos seus atos o Reino de Deus e seus interesses entre os homens.

É importante, no entanto, destacar que como igreja, precisamos valorizar o perdão, reconciliação e a comunhão entre os santos. Creio que este é um assunto que deveria ser trabalhado com maior cuidado em nossos arraiais. Amar a Deus e ao próximo (Jo 13.34,35; 15.12; 1Jo 3.23); orar uns pelos outros (Tg 5.16; Lc 6.20); confissão de pecados uns aos outros (Tg 5.16; 1Jo 1.9), são temas tão essenciais para o sucesso da vida cristã, que não podem ficar distantes dos nossos púlpitos. Precisam ser ensinados com maior veemência por aqueles que têm responsabilidades sobre o rebanho.

As dificuldades vividas por muitos na infância onde pais estavam mais preocupados em transmitir aos filhos as vantagens de “ter”, que as vantagens de “ser”, têm gerado grandes dificuldades em inculcar bons princípios cristãos, principalmente aqueles que levam os salvos a uma vida mais fraterna, de comunhão, de compartilhar com o próximo seus problemas e lutas diárias objetivando a cura para suas dores.

Existem cristãos sendo levados à morte. São muitos os acontecimentos que os conduzem à matança. O convívio na igreja não tem sido fácil para os salvos. Desprezo, indiferença, preconceito, ódio, rejeição e decepção, têm levado alguns ao abandono, lágrimas, mágoas profundas. Aqueles que deveriam ser sarados pelo convívio e comunhão e certeza de dias melhores no âmbito do corpo de Cristo, a igreja, estão depressivos, apreensivos, angustiado com um buraco de incerteza no seu interior. Pasmem os irmãos, há muitos que pela forma como vivem, convivem, nem certeza tem da salvação em Cristo. Uma lástima! Frequentam igrejas, se sentam nos bancos das igrejas, mas não tem convicção acerca do que é uma vida cristã autentica e por isto não podem nem conseguem desfrutar da mesma. Na verdade, não se sentem tratados orientados e cuidados no corpo e espírito pela Igreja, corpo de Cristo, no exercício de sua missão terapêutica. É triste a situação. O que fazer?

A missão terapêutica da igreja precisa funcionar para que haja restauração e cura. Só conseguiremos dar a vida uns pelos outros quando o Espírito Santo for capaz de agir em nossos corações com amor altruísta, perdão e comunhão fraternal. Estamos rodeados de pessoas egoístas, altivas, murmuradores insolentes, gente descompromissada com a Palavra de Deus e o Deus da Palavra, totalmente desestruturadas em sua integridade que nunca assumem responsabilidades por suas ações, vivem vidas hipócritas e não tem firmeza em suas convicções. Muitos estão envolvidos em pecados ocultos, embaraçados, não conseguem assumi-los diante da igreja e diante de Deus, pois são incapazes de demonstrar transparência quanto ao que faz e a forma como vivem. Uma verdadeira tristeza! Ora, sabe-se que sempre haverá possibilidade de restauração para qualquer situação quando há confissão diante de Deus e da igreja.

Concluo esta reflexão trazendo à memória dos nobres irmãos, que precisamos de um ambiente no seio da igreja local, onde os que sofrem tenham oportunidade de se relacionar com os irmãos, falar sobre suas dificuldades e serem sarados. Os angustiados sejam capazes de abrir seus corações, fazer confissões e buscarem em Deus a cura de suas dores. Os faltosos desafoguem os seus sentimentos negativos sem ter alguém lhes apontando o dedo. Não tenho dúvida que na igreja precisamos de pessoas que sejam capazes de ouvir atenciosamente, sejam tolerantes, sensíveis e silenciosos com objetivo de mais ajudar a levantar que a desestruturar. Esta é a missão terapêutica da Igreja. Estás disposto a cumpri-la? Se envolva, ainda é tempo.

terça-feira, 10 de março de 2015

"COM OS OLHOS FITOS NO CÉU"


Nonato Souza

E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco, os quais lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir(At 1.10,11).

O texto acima trás a visão do Cristo ressurreto sendo elevado às alturas. É a Sua ascensão ao céu para está com o Pai. Enquanto Ele subia, a Bíblia registra os discípulos a fitá-lo demoradamente na expectativa, quiçar, de um retorno rápido para está com eles. Estavam tão atentos àquele momento que não se deram conta de que dois seres angelicais se puseram ao lado deles.
Certamente, a ascensão foi um acontecimento que trouxe um misto de tristeza, mas também de espanto, pasmo e alegria aos discípulos. Isto, porque no momento em que Jesus era assunto ao céu, eles ficaram perplexos a ponto de só conseguir despertar, com as palavras dos anjos que se puseram do lado deles a falar-lhes acerca de sua ascensão e retorno do céu à terra.
É importante observar que antes de Sua ascensão ao céu, Jesus deu aos seus discípulos orientações específicas importantes que necessariamente deveriam ser cumpridas integralmente por eles. Precisavam retornar a Jerusalém onde receberiam poder e dali partir em cumprimento à ordem do Senhor Jesus pregando o evangelho da salvação a toda criatura. Jesus tinha sido assunto ao céu, mas a igreja fora deixada aqui para ser cheia do Espírito Santo e cumprir sua missão.
Penso que embora se possa olhar fixamente para Jesus sendo elevado às alturas, os cristãos não podem permanecer o tempo todo olhando para as nuvens, tendo Jesus já sido oculto. É preciso voltar à realidade das coisas aqui em baixo, afinal, na terra ainda estamos.
Fomos postos na terra para aqui cumprir uma missão. Jesus deu ordens para que os discípulos retornassem a Jerusalém para receber poder do alto e cumprir a tarefa evangelizadora no mundo.
Para muitos cristãos, deter-se num fanatismo exacerbado e ficar dentro de suas próprias satisfações tem sido uma tentação comum em muitos arraiais por aí. Pouco se faz em favor de um evangelismo integral que alcance o homem por inteiro.
Muitos estão com os olhos fitos no céu, e assim permanecem por muito tempo, a ponto de se esquecerem que ainda têm responsabilidades neste velho mundo. Jesus foi para o Pai, mas nós, ainda temos muito a fazer por aqui em favor do Reino de Deus. Afinal o arrebatamento da Igreja ainda não aconteceu.
As durezas da vida presente não podem nos desestimular nos afastar e nos levar a abandonar a grande responsabilidade que pesa sobre os nossos ombros como igreja. O que tem de gente se escondendo, abandonando o barco e fugindo, não está escrito. A igreja recebeu poder em Jerusalém, mas em seguida foi pelo mundo anunciando Cristo. É sempre muito bom está no templo, em casa ou outros lugares, orando, cantando, falando línguas estranhas, profetizando, recebendo poder. Mas, não se pode ficar permanentemente ali, "com os olhos fitos no céu", tem muito o que fazer lá fora. Há uma ordem a ser cumprida (Mc 16.15). Há muito trabalho a fazer.
A corrupção generalizada que graça a nossa nação clama por mais da Igreja. É tempo de ir para as ruas tocar a trombeta contra o pecado, corrupção, injustiça social, imoralidade e outros, que como câncer corrói a nossa nação. Deus está olhando tudo isto quase sem paciência. Por muito menos do que estamos vendo, Deus destruiu as cidades imorais de Sodoma e Gomorra. Penso que há muito tempo o sal já deveria está fora do saleiro, exercendo o seu papel que é salgar. Já estamos em estado de putrefação há muito tempo. Pode- se dizer: "já cheira mal". O fiel testemunho dos santos fará muita diferença.
Sei que temos recomendações bíblicas para estarmos olhando para cima, na esperança da Sua Vinda. Jesus virá do céu, buscar a Igreja que comprou com Seu próprio sangue. No entanto, não podemos, a pretexto de aguardarmos a Vinda de Cristo, abandonar tudo que está sob nossa responsabilidade para nos voltarmos apenas para um lado das coisas. Esperemos Jesus sim, mas continuemos firmes no cumprimento do Ide de Cristo Jesus.
É tempo de despertar. Receba poder em Jerusalém, mas em seguida ponha os pés na estrada, vá para as ruas, logradouros públicos, feiras, ônibus, trens, órgãos federais, municipais, escolas, entidades, muitos outros e faça algo em prol do Reino. É isso que o Senhor espera de cada um de nós. 

Deus nos ajude.

domingo, 1 de março de 2015

CORRENDO A CARREIRA CRISTÃ SEM DESANIMAR


Correndo a carreira cristã sem desanimar
Por Nonato Souza, para o blog Desafiando Limites.

Quem nunca se sentiu desanimado diante de obstáculos que surgem repentinamente? Todos, em algum momento da vida, já enfrentaram o gigante do desânimo. Este que vos escreve estas poucas linhas já foi, algumas vezes, acometido por esse mal. Quando fui pelo desânimo atingido, tive que lutar herculeamente em Deus para levantar-me e continuar em busca do meu alvo. Reconheço não ser fácil lidar com tal inimigo que só pode ser vencido quando recorremos à meditação profunda da Palavra de Deus e oração perseverante.
Sem estes ingredientes, torna-se praticamente quase impossível sairmos deste terrível calabouço. É preciso ter confiança plena e convicção no Senhor que, sempre com os ouvidos atentos ao clamor daqueles que estão sucumbindo de uma forma ou doutra por este terrível gigante, os livrará das garras desafiadoras do desânimo.
Na carreira cristã, sempre iremos nos deparar com obstáculos, e as dificuldades que certamente se apresentarão à nossa frente com o firme propósito de nos desestimular. O exemplo de vitória completa e definitiva sobre as dificuldades e toda espécie de adversidades encontramos em Jesus Cristo.
O escritor aos hebreus descreve o seguinte:
“Portanto, também nós, considerando que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, desembaracemo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, olhando fixamente para o Autor e Consumador da fé: Jesus, o qual, por causa do júbilo que lhe fora proposto, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus. Refleti profundamente sobre Aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra sua própria pessoa para que não vos fatigueis, tampouco desanimeis”(Hb 12.1-3; BKJ).
É possível que o texto citado acima se refira a cristãos vivendo sob acirrada perseguição, e que, provavelmente, pelo fogo das lutas, estavam desistindo de sua fé em Cristo, o que preocupou o escritor aos hebreus. Eis o porquê da ênfase constante do autor da epístola sobre a supremacia de Cristo, objetivando estimular os cristãos a permanecer firmes na fé, tendo Jesus como exemplo supremo.
Não será por isto também, a menção de uma grande quantidade de heróis da fé no capitulo 11? Homens à nossa semelhança, que foram capazes de vencer as piores dificuldades somente pela fé? O estímulo era, pois, necessário, haja vista terem uma carreira cristã que precisava ser realizada com perseverança mesmo diante das dificuldades ali presentes.
Por vezes me ponho a pensar na vida cristã, e esses momentos de meditação me levam a concluir que ela não é mesmo um simples “mar de rosas”. Não, senhor! Na verdade, está cercada de sofrimentos, sendo que alguns deles parecem ter sido colocados num patamar acima das forças humanas.
As dificuldades que os cristãos enfrentam no dia a dia, se tornam um verdadeiro aio que certamente culminará por levar-nos ao aprendizado que todo cristão necessita para o reconhecimento de quão frágil e dependente de Deus ele é.
Quando é acometido pelas lutas e adversidades da vida, o cristão chega mesmo a observar que, pelo aumento dos problemas e todo tipo de tempestades, sua capacidade de suportar vai diminuindo mais e mais até quase a zero. Quando se chega neste estágio, é que se passa a entender, obrigatoriamente ou não, o tamanho de sua dependência de Deus. E é aqui que cuidadosamente vamos aos pés de Cristo Jesus, lançando sobre Ele todos os nossos cuidados (1Pe 5.7).
Correr a carreira cristã é um exercício necessário. Mesmo porque este é um teste de fé que certamente irá permear a vida daqueles que piamente professam o santo nome de Jesus. Não foi isto que disse apóstolo Paulo a Timóteo?
“De fato, todas as pessoas que almejam viver piedosamente em Cristo Jesus, serão perseguidos” 2 Tm 3.12
Não temos que correr a carreira cristã de qualquer maneira. Ela precisa ser desenvolvida com muita paciência e perseverança para que se chegue ao lugar desejado. O exemplo está na vida dos heróis da fé apresentados no capítulo 11 do livro aos hebreus, onde vemos o difícil caminho trilhado por aqueles santos, o qual os levou à perseverante vitória final (Hb 6.11).
Podemos ser acometidos pelo desânimo.
O desânimo é uma arma que poderá nos levar ao fracasso espiritual. Pode ser entendido como: perder o ânimo, a coragem, a força. A expressão no grego (ekakeo), traz o sentido de “tornar-se cansado, exausto, esgotado; desesperar-se, desanimar-se”. Muitos que estão na igreja estão desanimados ao extremo e o problema não é simplesmente a falta de oração, de estudo bíblico, de fé ou dedicação. Existe um problema mais profundo ai.
Algo tem tornado os cristãos tão fracos, mas tão fracos, que eles perderam o apetite pela leitura da Bíblia e oração constante. Eliminou-se deles todo o entusiasmo pelas coisas de Deus. Os nossos cultos estão frios, cheios de desânimo. Os crentes não tem mais entusiasmo, estão frustrados e cansados. Na verdade, muito do que tem sido ministrado nos púlpitos de muitas igrejas tem trazido mais desânimo que vida.
Há um verdadeiro veneno no que é ensinado por muitos que usam o púlpito hoje, tanto pela bela oratória, porém, descompromissada das verdades divinas, como pelo mau exemplo de vida de alguns que se dizem pregar a Palavra de Deus. Muitos crentes estão ingerindo veneno, e veneno mata (2 Rs 4.40).
Quando firmado no poder do Evangelho de Cristo, o cristão caminha adiante sem desistir. Ainda que experimente períodos de escuridão extrema ou chegue a passar pelo vale da sombra da morte, ainda assim, estará firme. O apóstolo Paulo menciona ser necessário o ânimo, ainda que se passe por aflições diversas.
Observe a postura do apóstolo Paulo:
"Portanto, não desanimamos! Ainda que o nosso exterior esteja se desgastando, o nosso interior está em plena renovação dia após dia. Pois as nossas aflições leves e passageiras estão produzindo para nós uma glória incomparável, de valor eterno. Sendo assim, fixamos nossos olhos, não naquilo que se pode enxergar, mas nos elementos que não são vistos; pois os visíveis são temporais, ao passo que os que não se vêem são eternos." 2Co 4.16 – KJA
O texto de hebreus 11 que nos mostra a vida exemplar dos heróis da fé, também nos encoraja a perseverar na corrida da vida cristã.
Olhe para o exemplo de vida e testemunho destes heróis.
“Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas…” (v.1). Há aqui, homens e mulheres que através do seu testemunho foram capazes de impactar a sociedade de seu tempo e servem de exemplo perseverante para os cristãos de hoje.
"O texto não sugere que esses homens e mulheres que hoje se encontram no céu estejam nos observando enquanto participamos da corrida, como a plateia de um estádio. O termo grego traduzido ‘testemunhas’ não se refere a ‘espectadores’, mas dá origem à palavra ‘mártir’. Essas pessoas não testemunham o que fazemos. Antes, testemunham para nós que Deus é capaz de nos sustentar até o fim. Deus deu testemunho delas (Hb 11.2,4,5,39), e, agora elas testemunham para nós" [1].
Olhar para o exemplo destes heróis, que viveram antes de nós e que foram capazes de chegar ao fim da carreira, nos encoraja a perseverarmos em continuar a caminhada proposta e não desanimar. Todo o capítulo 11 do livro aos hebreus aponta exatamente para a nuvem de testemunhas que diante de tantas adversidades foram capazes de permanecer firmes, vencendo pela fé contratempos e dificuldades.
O exemplo de vida deles mostra o cuidado de Deus diante de momentos adversos por eles enfrentados. Olhando para eles somos encorajados a continuar, mesmo diante de gigantes que possam nos trazer desânimo, frustração ou desesperança.
Quero imaginar que todos esses heróis foram capazes de vencer não por seus méritos ou esforço humano. Creio convictamente que o Deus Eterno os levou à vitória pela fé. Na verdade, tiveram êxito em suas batalhas porque Deus era com eles. Da mesma forma, nossa vitória sobre qualquer adversidade, depende da nossa fé em Deus, e assim como eles, completaremos nossa carreira cristã.
O pecado e o embaraço que podem nos atrapalhar na carreira.
“Desembaracemo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve” (v.1). Observe que o escritor aos hebreus admoesta-nos ao desembaraço de tudo que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, não sendo, portanto, possível, avançar na carreira cristã com qualquer tipo de peso que atrapalhe a corrida proposta.
É claro que a exortação do texto bíblico é para que haja abandono do pecado ou de algo que seja para nós impedimento. O pecado atrapalha a vida cristã, pois, afasta o homem de Deus, roubando deste a força necessária para vencer as dificuldades que certamente surgirão.
Nenhum atleta, por mais disciplinado que seja numa longa carreira conseguirá chegar ao final desta sem sentir-se afadigado tendo que enfrentar uma diversidade de obstáculos. Em algum momento da carreira irá se cansar e poderá desanimar, por não conseguir ter forças para continuar. É possível ver no texto sagrado impedimentos que certamente nos atrapalharão na caminhada cristã.
Jesus Cristo diz:
“Tende cuidado de vós mesmos, para que jamais vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as consequências da libertinagem, da embriaguez e das ansiedades desta vida terrena, e para que aquele Dia não se precipite sobre vós, de surpresa, como uma armadilha”Lc 21.34; BKJ
O apóstolo Paulo igualmente instrui os cristãos:
“Mas, agora, livrai-vos de tudo isto: raiva, ódio, maldade, difamação, palavras indecentes do falar” Cl 3.8; BKJ
O que mencionamos acima certamente, se praticado, se tornará terrível embaraço para vida espiritual. Qualquer tipo de obstáculos e/ou pecados devem ser tirado de nossas vidas. A exortação do escritor aos hebreus: “desembaracemo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve”, objetiva levar-nos a concentrar todo nosso esforço e atenção na pessoa bendita de nosso Senhor Jesus Cristo que é o alvo maior da nossa fé.
“Olhando fixamente para o Autor e Consumador da fé”.
“Olhando fixamente para o Autor e Consumador da fé: Jesus, o qual, por causa do júbilo que lhe fora proposto, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus” Hb 12.2
A ênfase do texto está em olhar fixamente para Jesus, tomando-o como exemplo de encorajamento e imitá-lo. Estando empenhado em correr a corrida, o cristão não deve se embaraçar com o que está ao seu redor, procurando tirar-lhe a atenção e foco. Deve manter o equilíbrio, olhar fixado em Jesus, para não perder a direção e alvo proposto, visto que temos o céu como herança, o lugar da nossa habitação, e com Jesus a nos dar a direção necessária e certa, sendo Ele também o maior exemplo de perseverança em momentos adversos.
É muito provável que o cristão venha sofrer esgotamento e enfraquecimento na caminhada pelas constantes provações, levando-o ao estado de desânimo e arrefecimento da fé. Nesse momento em que ventos opostos sopram sobre o barco da nossa vida cristã, é hora de clamar insistentemente Àquele que pode acalmar as borrascas, expulsando o desânimo e trazendo coragem e alento para prosseguirmos com o olhar fixado em Jesus Cristo, nosso Senhor.
Jesus nos deu exemplo de sofrimento e também de como reagir diante de tais situações sem desanimar. Ele sofreu terrivelmente muito mais que qualquer ser humano e pode perfeitamente compreender as nossas aflições e nos socorrer em tempo oportuno. A certeza que temos acerca de tudo que passou quando suportou a cruz nos estimula ao ânimo e fortalecimento, principalmente quando passamos por momentos de grande tristeza, incerteza e sofrimento.
“O opróbrio da cruz, sua vergonha e estigma social, estavam se tornando um embaraço para estes cristãos; seu Messias havia morrido em uma odiada cruz romana como criminoso comum. Mas aquele sue sofreu a maior vergonha – o próprio Jesus – desprezou-a por completo. Ser esmagado pela sombra social da cruz era perder a verdadeira perspectiva. Ele foi capaz de suportar e desprezá-la por causa do resultado certo – a alegria que seguiria os sofrimentos. A confiança no amanhã é o sustento para hoje. Esta é a atitude que estes hebreus deveriam ter. Eles deveriam estar muito mais envergonhados da sua fuga da cruz do que do fato de Jesus ter carregado a cruz. Visto que agora Ele é Senhor, assentado à destra do trono de Deus, há um futuro absolutamente seguro, se crerem – mas um julgamento igualmente seguro se eles se tornarem desertores”. [2]
O exemplo de perseverança do Senhor Jesus Cristo em cumprir fielmente sua missão neste mundo deve nos estimular a permanecermos firmes, não enfraquecendo nem desfalecendo em nossos ânimos, pois tudo que passamos por aqui não se compara com o que Ele passou quando “suportou a cruz”.
Não podemos desanimar.
“Refleti profundamente sobre Aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra sua própria pessoa, para que não vos fatigueis, tampouco desanimeis”Hb 12.3
A exortação chega para os crentes recomendando-os a suportar as dificuldades a exemplo de Jesus que suportou a “oposição dos pecadores”, não desfalecendo em seus ânimos. Estou convicto de que até mesmo os melhores estão sujeitos à fadiga e o desfalecimento quando são atingidos por provações e aflições, principalmente quando estas se tornam de longa duração.
Aqueles crentes estavam a ponto de desistir de sua fé. Vivendo no limite, não demorariam a perder a coragem de sustentar sua crença em Cristo Jesus. Eles já não suportavam mais tanta opressão e perseguição, o que resultaria em apostasia, levando-os para longe da fé cristã.
O apóstolo Paulo sofreu várias perseguições por causa de Cristo (1 Co 4.11), quase até à morte, porém nunca desanimava (1 Co 4.16). Somos responsáveis por não aceitarmos jamais o desânimo. Não se pode dar oportunidade ao desânimo e desmaiar diante das provações e dificuldades. A melhor forma de impedir que este gigante nos leve ao fracasso espiritual é fixando o olhar em Cristo Jesus e perseverando diante de todas as formas de provações.
É possível, sim, corrermos a carreira a nós proposta e chegarmos ao nosso alvo. Ainda que obstáculos estejam à nossa frente e esses tenham por objetivo desestimular nossa fé, se o cristão fixar seu olhar em Jesus, com inteira confiança no Autor e Consumador da fé, e não nos obstáculos a sua frente, ele seguirá com confiança até chegar ao alvo proposto.
Que o Senhor nos ajude a ir “em direção ao alvo, a fim de ganharmos o prêmio da convocação celestial de Deus em Cristo Jesus”.
Amém!

Notas Bibliográficas:

[1] Warren W. Wiersbe. Comentario Bíblico Expositivo, Novo Testamento vol. II, pg. 417. Geográfica Editora.
[2] Comentário Bíblico Beacon. pg 115 Hebreus a Apocalipse. vol. 10. CPAD