terça-feira, 17 de março de 2015

MISSÃO TERAPÊUTICA DA IGREJA, UMA NECESSIDADE URGENTE


Por Nonato Souza


“Livra os que estão destinados à morte e salva os que são levados para a matança, se o puderes retirar. Se disseres: Eis que o não sabemos; porventura, aquele que pondera os corações não o considerará? E aquele que atenta para a tua alma não o saberá? Não pagará ele ao homem conforme a sua obra? (Provérbios 24.11,12).


Ouvi recentemente uma boa palavra de um determinado pregador baseada neste texto bíblico. Com sua bela oratória, observando o texto, o referido pregador pintou um quadro de condenação em que alguém para não chegar à morte precisa urgentemente de ajuda. Uma voz, então, surge no ermo e clama: “Livra os que estão destinados à morte e salva os que são levados para a matança”. A mensagem daquela noite me deixou pensativo sobre nossa responsabilidade como salvos em Cristo Jesus e Igreja de Deus.

Minhas reflexões me conduziram a pensar sobre a missão terapêutica da igreja hoje e ainda a grande responsabilidade que pesa sobre cada cristão. Penso que a igreja deveria achar-se comprometida no processo de amar, perdoar e orar pela cura espiritual desta sociedade moribunda e atolada no pecado. Estou convicto que o ministério de cura, libertação e reconciliação faz parte do sacerdócio de cada membro do corpo de Cristo, a Igreja. O poder terapêutico da igreja é fantástico e só pode ser concretizado quando se submete inteiramente à vontade de Deus, exteriorizando através dos seus atos o Reino de Deus e seus interesses entre os homens.

É importante, no entanto, destacar que como igreja, precisamos valorizar o perdão, reconciliação e a comunhão entre os santos. Creio que este é um assunto que deveria ser trabalhado com maior cuidado em nossos arraiais. Amar a Deus e ao próximo (Jo 13.34,35; 15.12; 1Jo 3.23); orar uns pelos outros (Tg 5.16; Lc 6.20); confissão de pecados uns aos outros (Tg 5.16; 1Jo 1.9), são temas tão essenciais para o sucesso da vida cristã, que não podem ficar distantes dos nossos púlpitos. Precisam ser ensinados com maior veemência por aqueles que têm responsabilidades sobre o rebanho.

As dificuldades vividas por muitos na infância onde pais estavam mais preocupados em transmitir aos filhos as vantagens de “ter”, que as vantagens de “ser”, têm gerado grandes dificuldades em inculcar bons princípios cristãos, principalmente aqueles que levam os salvos a uma vida mais fraterna, de comunhão, de compartilhar com o próximo seus problemas e lutas diárias objetivando a cura para suas dores.

Existem cristãos sendo levados à morte. São muitos os acontecimentos que os conduzem à matança. O convívio na igreja não tem sido fácil para os salvos. Desprezo, indiferença, preconceito, ódio, rejeição e decepção, têm levado alguns ao abandono, lágrimas, mágoas profundas. Aqueles que deveriam ser sarados pelo convívio e comunhão e certeza de dias melhores no âmbito do corpo de Cristo, a igreja, estão depressivos, apreensivos, angustiado com um buraco de incerteza no seu interior. Pasmem os irmãos, há muitos que pela forma como vivem, convivem, nem certeza tem da salvação em Cristo. Uma lástima! Frequentam igrejas, se sentam nos bancos das igrejas, mas não tem convicção acerca do que é uma vida cristã autentica e por isto não podem nem conseguem desfrutar da mesma. Na verdade, não se sentem tratados orientados e cuidados no corpo e espírito pela Igreja, corpo de Cristo, no exercício de sua missão terapêutica. É triste a situação. O que fazer?

A missão terapêutica da igreja precisa funcionar para que haja restauração e cura. Só conseguiremos dar a vida uns pelos outros quando o Espírito Santo for capaz de agir em nossos corações com amor altruísta, perdão e comunhão fraternal. Estamos rodeados de pessoas egoístas, altivas, murmuradores insolentes, gente descompromissada com a Palavra de Deus e o Deus da Palavra, totalmente desestruturadas em sua integridade que nunca assumem responsabilidades por suas ações, vivem vidas hipócritas e não tem firmeza em suas convicções. Muitos estão envolvidos em pecados ocultos, embaraçados, não conseguem assumi-los diante da igreja e diante de Deus, pois são incapazes de demonstrar transparência quanto ao que faz e a forma como vivem. Uma verdadeira tristeza! Ora, sabe-se que sempre haverá possibilidade de restauração para qualquer situação quando há confissão diante de Deus e da igreja.

Concluo esta reflexão trazendo à memória dos nobres irmãos, que precisamos de um ambiente no seio da igreja local, onde os que sofrem tenham oportunidade de se relacionar com os irmãos, falar sobre suas dificuldades e serem sarados. Os angustiados sejam capazes de abrir seus corações, fazer confissões e buscarem em Deus a cura de suas dores. Os faltosos desafoguem os seus sentimentos negativos sem ter alguém lhes apontando o dedo. Não tenho dúvida que na igreja precisamos de pessoas que sejam capazes de ouvir atenciosamente, sejam tolerantes, sensíveis e silenciosos com objetivo de mais ajudar a levantar que a desestruturar. Esta é a missão terapêutica da Igreja. Estás disposto a cumpri-la? Se envolva, ainda é tempo.

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