quinta-feira, 20 de março de 2014

Rebelião Contra os Líderes


Por pastor Estevam Ângelo de Souza

Estevam Ângelo de Souza (Im memória), foi pastor presidente da Assembleia de Deus em São Luis, MA, e da CEADEMA - Convenção Estadual da Assembleia de Deus no  Maranhão.


Uma palavra inicial.

Nestes dias turbulentos e corridos tive a oportunidades de dar uma olhada em alguns recortes de jornais que guardo. A maioria dos meus recortes são textos do periódico Mensageiro da Paz, jornal mensal da Assembleia de Deus no Brasil, onde tive o privilégio de ler alguns artigos que voltaram a falar forte ao meu coração. Li cuidadosamente, os escritos de homens de Deus que fizeram história. Alguns, destes artigos penso em replicar no blog com objetivo de edificar a vida espiritual do povo de Deus, principalmente daqueles que não tiveram a oportunidade de ler estes belos artigos. Os créditos são dados ao Jornal Mensageiro da Paz, órgão oficial das Assembleias de Deus no Brasil.


Rebelião Contra os Líderes 

Geralmente, os rebeldes são pessoas ávidas por liderança. O que mais lhes fascina é alcançar posições de destaque. Não querem servir. Querem ser servidos. Querem ter nem que seja um pequeno grupo sob seu comando. Isto é mais comum. Entretanto, a história bíblica registra numerosos casos de rebeldia do mais alto escalão, como foram os casos de Coré, Datã e Abirão contra Moisés, e Absalão contra o próprio pai, o rei Davi.

O espírito de rebeldia se manifesta levando o individuo rebelde a colocar-se no lugar de vítima do líder, objeto de sua inveja e ódio. Inveja por não está ocupando o lugar cobiçado do líder. Consideremos:

1.           A tática do rebelde. É a mesma do diabo. Quer parecer melhor e mais generoso do que o líder. Pelas razões que a Bíblia esclarece, Deus proibiu a Adão e Eva de comerem o fruto da “árvore do conhecimento do bem e do mal”. Disse Deus: “Porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17). Satanás, ao contrário, falando pela serpente, disse à mulher: “É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em dele comerdes se vos abrirão os olhos, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.4,5). Satanás fez Eva crer que ele a amava mais do que Deus, pois ele proporcionava benefícios que Deus lhe negara. O mesmo espírito anima os rebeldes a apresentar-se como sendo a melhor solução para o povo. Começam a insinuar que o povo está sendo vítima do líder. Esta foi a estratégia usada por Coré, Datã e Abirão. “Levantaram-se perante Moisés com duzentos e cinquenta homens dos filhos de Israel, príncipes da congregação, eleitos por ela, varões de renome, e se ajuntaram contra Moisés e contra Arão, e lhes disseram: Basta! Pois que toda a congregação é santa, cada um deles é santo, e o Senhor está no meio deles; por que, pois vos exaltais sobre a congregação do Senhor?” (Nm 16.1-3). No verso 4, logo adiante, lemos: “Tendo ouvido isto, Moisés caiu sobre o seu rosto”. Acabavam de acusar Moisés de se exaltar sobre o povo de Deus, mas enquanto se exaltavam contra Moisés, este caia com o rosto em terra. Era isto que Moisés fazia com frequência (vv 22 a 45) quando diante de Deus se humilhava, para obter a bênção da clemência divina em favor dos seus liderados.

A congregação era santa. Os líderes rebeldes foram eleitos para ela e eram homens de renome, mas Deus não lhes havia destinado o alto encargo de libertar o povo e conduzi-lo à terra prometida. Moisés, sim, foi chamado e preparado por Deus para tão alta missão.

Esse foi o mesmo caminho seguido por Absalão, outro grande exemplo  da história dos rebeldes da Bíblia. Apresentou-se como o “salvador da pátria”, extremamente generoso e compassivo. Depois que Davi compadeceu-se dele, o mandou trazer à sua presença, “Absalão fez aparelhar para si uma carro e cavalos, e cinquenta homens que corressem diante dele. Levantado-se Absalão pela manhã, parava à entrada da porta; e a todo homem que tinha alguma demanda para vir ao rei em juízo, o chamava Absalão a si, e lhe dizia: De que cidade és tu? Ele respondia: De tal tribo de Israel é teu servo. Então Absalão lhe dizia: Olha, a tua causa é boa e reta, porém não tens que te ouça da parte do rei. Dizia mais absalão: Ah! Quem me dera ser juiz na terra! Para que viesse a mim todo homem que tivesse demanda ou questão, para que lhe fizesse justiça. Também quando alguém se chagava para inclinar-se diante dele, ele estendia a mão, pegava a dele, e o beijava. Desta maneira fazia Absalão a todo o Israel que vinha ao rei para juízo, assim El furtava o coração dos homens de Israel” (2 Sm 15.1-6).

Absalão evidencia as qualidades do rebelde – era falso, era um traidor. Sedento pela autoridade de rei, na qual todos se prostrariam diante dele, para furtar o coração do povo, não lhes permitia que se inclinasse perante ele. Usa a mesma senha do traidor Judas – beijava beijos os quais fazem desgraçadas vítimas.

1.           O fim do rebelde. O sonho do rebelde é ilusório. Ele é uma vítima do engano de satanás, que seduz que ilude, mas não assegura a sua presa o bem ou as vantagens a que aspira que ambiciona.
O que aconteceu com Coré, Datã e Abirão? O que eles nunca imaginaram. Moisés não se exaltava sobre o povo do Senhor. Deus o coloca como o guia, como instrutor, como protetor do seu povo. Deus mesmo o exaltou. Moisés sabia cair com o rosto em terra diante de Deus, até que a glória do Senhor se manifestava, assegurando-lhe vitórias (Nm 14.10; 16.19-42).

Coré, Datã e Abirão pensaram que seriam aclamados líderes maiores de Israel, com um povo satisfeito pelas reformas administrativas que iriam implantar no governo daquele povo sofrido, na interminável peregrinação, rumo a uma terra tão distante e difícil de ser conquistada. Jamais imaginaram o que aconteceu. Razões tiveram para assombrar a multidão ali presente, que fugiu ao ouvir o grito desesperado com que encheram o espaço, quando “a terra debaixo deles se fendeu, abriu a sua boca e os tragou com suas casas, como também a todos os homens que pertenciam a Coré, e a todos os seus bens” (NM 16.31,32). E os que seguiram aos líderes rebeldes, “procedentes do Senhor saiu fogo e consumiu os duzentos e cinquenta homens que ofereciam o incenso” (v. 35).

Uma das características dos rebeldes é meter-se em atribuições que não lhes pertencem. A rebeldia era contra Moisés e Arão. Tanto queriam usurpar a liderança de Moisés, como o ofício sacerdotal de Arão, por isso o castigo de Deus atingiu os dois grupos. Deus tem medida para tudo.

Quando o infeliz Absalão, sem dúvida alguma, se antevia no trono de Davi, cercado de honrarias e rodeado de mulheres e no melhor que a sua alma ambiciosa e insensata poderia desejar! Jamais pensara no momento em que se apertaria em redor dele e o cerco formado pelas tropas de Davi, comandados pelo habilidoso guerreiro Joabe, e no momento desesperador, em que esperaria sem tocar com os pés no chão, pendurado pelos cabelos no galho de uma árvore. Não tendo para quem apelar, e não contando com a proteção nem mesmo do diabo, que o induziu ao terrível pecado de rebelião, já previa o que iria acontecer quando viu Joabe aproximar-se dele, trazendo nas mãos os dardos com que o transpassou (2 Sm 18.9-15).

Na história de Davi temos um exemplo e uma revelação de como se deve proceder. Davi já era ungido rei, mas Saul ainda estava no trono. Ainda ocupava o lugar em que Deus o colocara, por isso Davi, mesmo perseguido por Saul, quando fora aconselhado a dar fim à vida de Saul, que estava em seu poder, respondeu: “O Senhor me guarde, de que eu estenda a mão contra o seu ungido” (1 Sm 26.11).

À luz da Bíblia, os que se rebelam já revelam que não estão no plano de Deus, ao contrário, estão entrando pelo caminho que leva ao “beco sem saída”. Estão seguindo o destino de Coré, Absalão e de todos os rebeldes que colheram os amargos frutos de sua rebelião. Paulo se refere a esses e diz: “O fim deles será conforme as suas obras” (2 Co 11.15).

Fonte: Jornal Mensageiro da Paz. 
abril 1994

sexta-feira, 14 de março de 2014

A Rebelião Contra Deus


Por pastor Estevam Ângelo de Souza

Estevam Ângelo de Souza (Im memória), foi pastor presidente da Assembleia de Deus em São Luis, MA, e da CEADEMA - Convenção Estadual da Assembleia de Deus no  Maranhão.

Uma palavra inicial.

Nestes dias turbulentos e corridos tive a oportunidades de dar uma olhada em alguns recortes de jornais que guardo. A maioria dos meus recortes são textos do periódico Mensageiro da Paz, jornal mensal da Assembleia de Deus no Brasil, onde tive o privilégio de ler alguns artigos que voltaram a falar forte ao meu coração. Li cuidadosamente, os escritos de homens de Deus que fizeram história. Alguns, destes artigos vou replicar no blog com objetivo de edificar a vida espiritual do povo de Deus, principalmente daqueles que não tiveram a oportunidade de ler estes belos artigos. Os créditos são dados ao Jornal Mensageiro da Paz, órgão oficial das Assembleias de Deus no Brasil.


A Rebelião Contra Deus

No rigor de seca de 1932, na região de Longa, interior do Piauí, um fazendeiro, extremamente irritado por no pátio de sua fazendo numerosos gados mortos, blasfemando, disparou em direção ao céu toda carga de seu rifle 44, como pretendendo atingir a Deus, a quem atribuía a culpa pela mortandade. Isto é requintada rebelião, mas são raríssimos os bobo que desta forma revelam sua rebeldia.

A rebelião não consiste apenas em a pessoa se dirigir a Deus com palavras insultuosas ou de revolta contra os seus propósitos. Se satanás escolhesse, de preferência, este meio para envolver os homens no pecado de rebelião, teria relativamente poucas oportunidades. Muitas consciências não aceitariam tal insinuação e muitas pessoas temeriam proceder desta maneira.

O método satânico, desde o Éden, tem sido diferente. A sua tático preferida consiste em induzir os homens a desobedecerem a Palavra de Deus, julgando-se com razão para isto.

Rebelião significa insubmissão, desobediência. Neste sentido Deus se refere a Israel nestes termos: “Se assentaram nas trevas e nas sombras da morte, presos de aflição e em ferros por se terem rebelado contra a Palavra de Deus e houverem desprezados o conselho do Altíssimo, de modo que lhes abateu com trabalhos o coração – caíram e não houve quem os socorresse” (Sl 107.10-12).

A desobediência à Palavra de Deus por insubmissão é a maneira mais comum de rebeldia contra Deus e é vista nas Escrituras desde o princípio. Com frequência, encontramos Moisés reportar-se à desobediência dos filhos de Israel como ato de rebelião, em observações tais como essas: “É a terra boa que nos dar o Senhor nosso Deus. Porém não quisestes subir, mas fostes rebeldes à ordem do Senhor nosso Deus” (Dt 1.25,26). “Quando também o Senhor vos enviou de Cades-Barnéia, dizendo: Subi e possuí a terra que vos dei; rebeldes fostes ao mandato do Senhor vosso Deus e não crestes e não lhe obedecestes a voz” (Dt 9.23).

Por estes textos podemos ver que a rebelião anda sempre acompanhada de incredulidade e da desobediência.

O profeta Ezequiel refere-se às desventuras que sobreviriam a Jerusalém e aponta a causa: “Ela se rebelou contra os meus juízos, praticando o mal mais do que as nações e transgredindo os meus estatutos mais do que as terras que estão ao redor dela; porque rejeitou os meus estatutos, por isso diz o Senhor Deus: Eis que eu, eu mesmo, estou contra ti e executarei juízo no meio de ti, à vista das nações” (Ez 5.6-8).

O que estas palavras encerravam? Quais os juízos preditos? O mesmo Ezequiel responde: “Portanto, os pais comerão os seus filhos no meio de ti, e os filhos comerão os seus pais; executarei em ti juízos e tudo que restar de ti espalharei a todos os ventos” (Ez 5.10).

Deus trata com os homens por meio de sua Palavra. A desobediência consciente à Palavra de Deus é a expressão comum de rebelião e tem sido através dos séculos a causa fundamental das terríveis consequências que tem sobrevindo e sobrevirão aos desobedientes, imediatamente, muito depois, ou na eternidade.

O homem, na sua insubmissão propositada, ou alegando razões, pode calcar aos pés os preceitos do Deus Todo-Poderoso e até dormir com aquela “tranquilidade” de Jonas no porão do navio, mas, por fim, será despertado às vezes por estranhos, para vergonha e para o castigo (Jn 1).

Deus observa os que rejeitam a sua Palavra e seguem aos ditamos da própria vontade e conclui: “Tens feito estas coisas e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas te arguirei e porei tudo à tua vista” (Sl 50.16-21). Jesus também adverte: “Se alguém ouvir as minhas palavras e não guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo e, sim, para salvá-lo. Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue: a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia” (Jo 12.47,48).

O profeta Samuel adverte a nação israelita quanto às desastrosas consequências da rebelião que consistiria em não obedecer ao mandato do Senhor dizendo: “Se, porém, não derdes ouvidos à vos do Senhor, mas antes fordes rebeldes ao seu mandado, a mão do Senhor será contra vós outros, como foi contra vossos pais” (1 Sm 12.15).

O homem de Deus, que veio de Judá a Betel, realizou grandes prodígios contra Jeroboão, o rei idolatra, mas logo foi morto por um leão. Deus lhe prevenira: “Não comerás pão, nem beberás água; não voltarás pelo caminho por onde fostes”. O profeta não tinha que temer castigo, pois não havia anúncio de qualquer julgamento contra ele, mas devia temer à Palavra do Senhor, pois esta é a expressa revelação dos soberanos propósitos de Deus. Desobedeceu, voltou, comeu pão, bebeu água, mas após a refeição o mesmo “profeta velho” que o induzira a desobedecer à ordem do Senhor, profetizou: “Porquanto foste rebelde à Palavra do Senhor e não guardaste o mandamento que o Senhor Deus te mandara, antes voltaste e comeste pão e bebeste água no lugar em que dissera não comerás pão e não beberás água; o teu cadáver não entrará no sepulcro de teus pais... foi-se e um leão o encontrou no caminho e o matou” (1 Rs 12.1-24).

Deste fato tão tremendo, a grande lição é: nem mesmo um ministério assinalado por grandes milagres nos autoriza a desobedecer a Palavra de Deus, como não nos isenta das consequências da nossa rebeldia.
Por estes e demais textos citados, o prezado leitor pode observar que a rebelião contra Deus não consiste apenas em rechaçar as suas ordens com palavras de revolta ou insultuosas e, sim, na desobediência propositada à sua Palavra.

A Palavra de Deus, suprema e infalível regra de fé e prática, nos é dada por inspiração do Espírito Santo. Por isto, a desobediência dos que conhecem a revelação divina é considerada rebelião e entristece o espírito Santo. A isso se refere o profeta Isaias, ao escrever: “em toda a angústia deles, foi ele angustiado, e o anjo da sua presença o salvou; pelo seu amor e pela sua compaixão ele os remiu, os tomou e os conduziu todos os dias da antiguidade. Mas eles foram rebeldes e contristaram o Espírito Santo, pelo que se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles” (Is 63.9,10).

É por isto que, com frequência, ocorrem na Bíblia recomendações como estas: “Tende cuidado, não recuseis ao que fala; pois se não escaparam aqueles que recusaram ouvir quem divinamente os advertia sobre a terra, muito mais nós se nos desviarmos daquele que do céu nos adverte” (Hb 12.25). “Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as verdades ouvidas para que em tempo algum nos desviemos delas” (Hb 2.1). Quanto mais conhecimentos temos da Palavra de Deus, tanto maior responsabilidade temos pelas nossas ações, pois, “O servo que conheceu a vontade do seu Senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade, será punido com muitos açoites” (Lc 12.47). 

Fonte: Jornal Mensageiro da Paz. 
Março 1994