quinta-feira, 29 de maio de 2014

O que o difamador não pode fazer



Por pastor Estevam Ângelo de Souza

Estevam Ângelo de Souza (Im memória), foi pastor presidente da Assembleia de Deus em São Luis, MA, e da CEADEMA - Convenção Estadual da Assembleia de Deus no  Maranhão.


Uma palavra inicial

Nestes dias turbulentos e corridos tive a oportunidades de dar uma olhada em alguns recortes de jornais que guardo. A maioria dos meus recortes são textos do periódico Mensageiro da Paz, jornal mensal da Assembleia de Deus no Brasil, onde tive o privilégio de ler alguns artigos que voltaram a falar forte ao meu coração. Li cuidadosamente, os escritos de homens de Deus que fizeram história. Alguns, destes artigos penso em replicar no blog com objetivo de edificar a vida espiritual do povo de Deus, principalmente daqueles que não tiveram a oportunidade de ler estes belos artigos. Os créditos são dados ao Jornal Mensageiro da Paz, órgão oficial das Assembleias de Deus no Brasil.


O que o difamador não pode fazer


O difamador não faz bem a ninguém, nem a ele próprio, pois expõe-se à desconfiança dos que conhecem os males causados pela sua língua; torna-se objeto de ódio de suas vítimas e expõe a sua alma ao juízo divino predito para os que exercem esse diabólico trabalho: o de denegrir imagens de pessoas inocentes e macular a honra daqueles que, às vezes, a longo prazo  e a alto custo, se tornam credores dos respeito das pessoas capazes de avaliar o comportamento e a vida dos que conquistaram o valoroso prêmio da credibilidade popular.

O que o difamador faz? Talvez com a cultura de Rui Barbosa e a inspiração do apóstolo Paulo, não seja fácil descrever os males que se pode causar ao seu próximo. É bem nesse sentido, estas palavras de Tiago, o irmão do Senhor: “A língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva! Ora, a língua está situada entre os membros de nosso corpo e contamina toda a carreira da existência humana, como é posta ela mesma em chamas pelo inferno...”. “A língua é mal contido, carregado de veneno mortífero. Com ela bendizemos ao Senhor e Pai; também com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus; de uma só boca procede bênção e  maldição. Meus irmãos, não é conveniente que isto seja assim” (Tg 3.5-10).



As leis humanas preveem pesadas penalidades para crimes de difamação. E as leis divinas? O difamador tanto fere pessoas, como também as leis humanas e divinas. A Palavra de Deus recomenda textualmente: “Não difamem a ninguém” (Tt 3.2).

O difamador é o mesmo caluniador. Aproveita-se da ausência das pessoas a quem busca macular para cumprir a sua diabólica missão. Na ausência da pessoa julga está seguro. Ignora esta sentença que pesa contra ele: “Sentaste para falar contra o teu irmão e difamas o filho da tua mãe. Tens feito estas coisas e eu me calei; pensavas que eu era teu igual, mas eu te arguirei e porei tudo à tua vista” (Sl 50.20,21). Por isto, ao certo, diz Salomão: “O que difama é insensato” (Pv 10.18).

O difamador é nocivo à sociedade e à família. No mundo e na igreja. A amizade sincera é fator de segurança e bem estar entre as pessoas em qualquer aspecto do viver humano, e o difamador trabalha para quebrar os laços de amizade que unem as pessoas. O difamador é ambicioso e egoísta. Não procura conquistar amizade por meios lícitos. Tenta roubá-la enquanto cria inimizade. Diz o sábio Salomão: “O homem perverso espalha contentas e o difamador espalhas os melhores amigos” (Pv 15.18). Que missão desgraçada! Como será vista tal coisa infame pelo “juiz de toda a terra?” Quanto custa ao difamador as suas palavras maliciosas?



Especialmente os que conhecem a Deus e à sua Palavra, devem está prevenidos contra tal procedimento anticristão. Como fazê-lo? Observe a concepção do patriarca Jó neste sentido: “Porventura o ouvido não submete a provas as palavras, como o paladar prova as comidas?” (Jó 12.11).

Isaias atribui a Deus a regra para falar e saber ouvir com discernimento nestas palavras: “O Senhor Deus me deu língua de erudito, para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado. Ele desperta-me o ouvido para que eu ouça como os eruditos para saber ouvir” (Is 10.4). Esta é a necessidade de todo o cristão que ama a Deus e ao seu próximo. Ter cuidado no que fala e no que ouve. Não tolero alguém falar de outrem para mim. Creio que o que tenta falar de alguém para mim é capaz de falar de mim para outro. Tudo o que ouvimos especialmente de fonte estranha, deve ser passado nos três crivos.

Certo homem aproximou-se de um cristão sábio e disse: “Tenho uma coisa para lhe contar”. O ouvinte experiente perguntou-lhe: “O senhor já passou nos três crivos o que pretende me contar?” O apressado homem retrucou: “Quais os três crivos?”

“São estes: Primeiro, o senhor tem certeza de que vai me passar fatos verdadeiros?” a resposta foi: “Bem, me contaram”. Disse o inteligente servo de Deus: “Não passou no primeiro crivo”. Segundo, o senhor tem certeza de que o que pretende me contar pode me trazer edificação?”; “Bem, o negócio não é muito bom”. A reposta foi: “Não passou no segundo crivo. Terceiro, o que o senhor quer me contar, se eu passar a outro poderá trazer a esse bons resultados?” Ele respondeu: “Não sei, porque...”. Disse então o homem de Deus: “Não passou em nenhum dos três crivos. Por favor, não me fale nada”.

Se esta fosse a preocupação dos que são assediados pelos difamadores, esses seriam colocados nos seus devidos lugares. Não teriam ouvintes.



É fácil dizer o que sabe, sem saber o que diz, levando pelos ares a reputação de pessoas, mesmos as mais íntegras. É fácil até receber o perdão de um santo ofendido pela língua ferina. O que não é fácil ou não é possível é reparar os danos sofridos pela vítima do difamador.

Conta-se que certo homem de Deus, atingido por um bombardeio de calúnias atiradas por um difamador, veio a se prostrar mortalmente. O ofensor foi induzido a pedir perdão ao moribundo. Esse respondeu: “Perdoo-lhe de todo o meu coração, mas lhe faço dois pedidos antes de morrer. O senhor me atende?” a resposta foi: “Atenderei”. O homem enfermo tirou de sob a cabeça um travesseiro cheio de plumas e disse: “Vá àquele alto à frente, suba numa árvore, abra este travesseiro e solte ao vento todas as plumas até esvaziá-lo totalmente, depois traga o saco vazio”. Esta etapa foi cumprida com facilidade. Ao retornar, foi feito o segundo pedido: “Volte, apanhe todas as plumas de onde caíram, coloque-as nos lugares onde estavam e traga-me o travesseiro como estava”. O falador injusto empalideceu e disse: “Isso é impossível, pois não sei aonde foram levadas pelo vento”. Em suas últimas palavras, o ofendido disse: “A lição é esta: eu lhe perdoo, mas você jamais poderá reparar os prejuízos que me causou com as suas difamações e calúnias”.

É isso que acontece. O difamador causa sofrimentos morais às suas vítimas, pode ser perdoado, pode continuar rindo antes de deparar-se com o juízo de Deus, mas reparar os prejuízos causados às pessoas e consequentemente ao reino de Deus, isto o difamador não pode fazer.

Fonte: Jornal Mensageiro da Paz
Julho/1994

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