terça-feira, 6 de maio de 2014

O homem da iniquidade surge no cenário mundial [3]


Por Nonato Souza

Finalmente chegamos a ultima parte deste estudo sobre este enigmático personagem “o homem do pecado”, “Anticristo”. Vamos considerar alguns pontos sobre o trabalho que o mesmo fará, principalmente nos últimos três anos meio do período Tribulacional.

A Abominação Desoladora.

Na metade da Tribulação o Anticristo, não somente quebrará a aliança com o povo judeu, mas também se colocará como Deus no templo a ser construído em Jerusalém, com o propósito de ser adorado. Uma imagem sua será colocada no templo dos judeus, exigindo destes, adoração. Essa violação é chamada na Bíblia de “abominação desoladora”. Dave Hunt comenta sobre este tempo difícil para Israel:

Paulo conta que o Anticristo “se assentará no templo de Deus” quando declarar ao mundo que ele é Deus. Obviamente, o Templo deve existir nesse futuro não especificado. João nos conta que “o mundo inteiro o adorará” e que toda a humanidade será forçada sob pena de morte, a se curvar perante sua imagem. E não há dúvida de que essa imagem será colocada no Templo em Jerusalém. Uma imagem do ditador mundial, que todas as pessoas deverão adorar, seria certamente exposta no lugar mais sagrado do mundo, o Templo de Salomão, reconstruído e funcionando mais de 1900 após sua destruição.
A pior afronta ao Deus de Israel, que será a intenção dessa imagem de um homem adorado como Deus, só poderia ser concretizada ao colocá-la no Templo o Deus de Israel. A profecia de Daniel sobre a “abominação desoladora” não poderia ser cumprida de outra forma. Nenhuma abominação pior poderia ser imaginada do que profanar o Templo de Deus com uma imagem feita para um homem que tanto é possuído por Satanás quanto afirma ser Deus. [8]

“Ele fará um concerto com muitos por uma semana; e, na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até á consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador” (Dn 9.27; Mt 24.15,16; 2Ts 2.4).


Um Período de Perseguição Extrema aos Judeus.

Uma característica da segunda metade da Grande tribulação será a perseguição extrema contra os judeus, na tentativa de eliminá-los da face da terra. Neste tempo a besta conduzirá os seus exércitos contra Jerusalém, objetivando destruir os judeus. Para se refugiar desta terrível perseguição, eles se refugiarão nos abrigos naturais de Moabe e Edom (Is 16.1-5; Sl 60.9; Ez 2.35-38; Os 2.14; Mt 24.20; AP 12.6,13,14). Sobre esse tempo de fuga da perseguição ferrenha do Anticristo, nos explica Severino Pedro:

“E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus...” (Ap 12.6ª). Este “deserto” conforme designa o termo, é o “...lugar preparado por Deus” durante a Grande Tribulação. No ano 70 d.C. Deus preparou a cidade de Pela, uma das cidades de “refúgio” para os crentes. Semelhantemente, Deus usará novamente este método de proteção; só que desta vez será Petra, no monte Seir, na terra de Moabe (Sela ou Petra, a cidade da Rocha é uma das maravilhas do mundo, localizada no sudeste do Mar Morto), como um possível esconderijo. Pode acomodar 250 mil pessoas. E para lá, Deus enviará o Israel Fiel (a mulher) para que seja preservada da “vista da serpente” (Ec 3.15;Ap 12.14). [9]

É provável que neste tempo os 144 mil judeus que estarão testemunhando acerca da salvação no período Tribulacional sejam martirizados pelas forças do Anticristo. Semelhantemente os gentios que professarem sua fé em Cristo Jesus (Ap 12.1-6; cap. 14).

O Anticristo é Ferido de Morte (Ap 13.3).

O Anticristo é mortalmente ferido. “Então vi uma de suas cabeças como golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou, seguindo a besta” (Ap 13.3). Estudiosos no assunto são da opinião de que, aqui, o Anticristo chegará a morrer mesmo para depois ser ressuscitado em imitação à ressurreição de Cristo. Boyer comenta que haverá uma morte e ressurreição no reinado do Anticristo, sendo que uma cabeça pode simbolizar tanto um reino como um rei. [11]


A Chaga Mortal do Anticristo é Curada (Ap 13.3).

A ferida mortal do Anticristo é curada milagrosamente (Ap 13.3). Estudiosos são da opinião de que o Anticristo ressuscitará da morte, levando a humanidade a crer que tem poder sobre a morte, numa imitação indigna da morte e ressurreição do Senhor Jesus. O comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal acrescenta comentários sobre este acontecimento:

Realizando milagres espetaculares o Anticristo persuadiu o mundo a aceitar os seus falsos ensinos. A besta seduziu o mundo, imitando a ressurreição de Cristo quando se recuperava de uma ferida de morte. As pessoas seguirão a besta porque elas ficarão maravilhadas com o seu poder e com os seus milagres. Paulo tinha escrito: “A esse [iníquo] cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem” (2Ts 2.9,10). [12]

Tim LaHaye comenta que no meio da Tribulação, o Anticristo será morto, jazerá assim brevemente, e depois será habitado pessoalmente por Satanás. Satanás habitará no Anticristo e imitará a ressurreição de Cristo. [13]
Se este ferimento será mortal ou não, ou se ele ressuscitará ou não, não sabemos ao certo, porém, este acontecimento deixará o mundo estupefato para continuar a seguir a Besta e adorá-la.


A Marca da Besta.

O Anticristo estará controlando totalmente o mundo (Ap 13.16-18). O texto diz: “E faz que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na mão direita ou na testa, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, porque é número de homem; e o seu número é seiscentos e sessenta e seis”.

Ele porá sua marca, um número enigmático, “666” na fronte ou na mão direita, conforme narra o texto acima, de todas as pessoas do mundo, ninguém poderá comprar ou vender, a não ser aquele que tiver a marca ou número do seu nome. Receber a marca da besta será a escolha de cada pessoa de forma decidida feita durante o período da Tribulação. Somente serão marcados aqueles que deliberadamente se entregarem ao diabo.

LaHaye, afirma que “a escolha envolve a rejeição do ensino das duas testemunhas, das 144 mil testemunhas judaicas, do derramamento do Espírito Santo (Jl 2.28-32) e do anjo com o evangelho eterno (Ap 14.6,7)” [14]. Todos quantos aceitarem e receberem esta marca, estarão mostrando “sua lealdade para com Satanás, a sua disposição de operar dentro do sistema econômico que ele promovia, e a sua rebelião contra Deus” [15]. Em contrapartida todos quantos recusarem ser marcado, estarão se comprometendo permanecer fiel a Deus, preferindo a morte a fazer concessões sobre sua fé em Cristo. Qualquer pessoa que receber esta marca, o número “666”, na fronte ou na mão direita, não poderá ser salva. LaHaye comenta sobre o objetivo deste número:

O objetivo claro do número é ajudar os crentes do período da Tribulação a identificar o Anticristo durante o tempo em que ele estiver no poder. Se adotarmos a visão pré-tribulacional e futurista do livro de Apocalipse, de modo geral, a identificação do Anticristo é obviamente uma questão de discernimento futuro.

O texto de 2 Tessalonicenses 2.3-8 afirma claramente que a identidade do Anticristo não será revelada até depois da remoção daquele que o detém, supostamente no arrebatamento. A melhor parte da sabedoria, então, deverá satisfazer-se com o fato de que a identidade do Anticristo ainda não é conhecida, mas será revelada quando ele subir ao seu trono do mal. Enquanto isso, qualquer curiosidade humana de nossa parte terá de continuar insatisfeita, até a chegada do momento do cumprimento dos eventos preditos. Dessa maneira, os crentes da era da Igreja são instruídos a continuar vigilantes (Mt 24.42) para a vinda de Jesus, e não para chegada do Anticristo. Somente depois do arrebatamento da Igreja, Satanás estará livre para trazer o “homem de pecado” ao cenário do mundo. [16]

Por ocasião do arrebatamento muitos serão deixados, estes certamente estarão enfrentando os horrores do período Tribulacional. LaHaye diz que estes “terão de preparar-se para fazer uma escolha e que esta escolha uma vez feita, é eterna, irreversível” [17]. Ele continua dizendo que “receber a marca da besta é um pecado imperdoável”.


Adoração ao Anticristo.

Tendo sido a falsa igreja mundial destruída, o único culto permitido será o da adoração à Besta (Ap 13.8). Ela será adorada como Deus. Na verdade, os habitantes da terra estarão adorando Satanás (Ap 13.3,4). A população do mundo estará debaixo do controle total do Anticristo, através da marca da besta, de sorte que, quem não adotar a nova religião, não poderá comprar ou vender. Todos os que não tiverem essa marca serão ferrenhamente perseguidos pelo Anticristo e seu governo até a morte. Será um período extremamente difícil, indescritível, para os que aqui estiverem.

O fim do domínio do Anticristo sobre a terra.

Por ocasião da manifestação de Cristo em glória, o Anticristo e seus exércitos serão esmagados e junto com o Falso Profeta serão lançados no Lago de Fogo. Este acontecimento se dará imediatamente antes da prisão de Satanás (Ap 20.1-3) e a inauguração do Reino Milenar de Cristo sobre a terra. Desta forma, o Anticristo cessará a sua história. Em suas ações o Anticristo será contra Cristo, mas é Cristo quem obterá a vitória final.


Notas Bibliográficas

[1] Tomas Ice e Timothy Demy, A Verdade Sobre o Anticristo e Seu Reino. Atual Edições, pg. 36
[2] Dave Hut. Jerusalém, Um Cálice de Tontear. As Profecias Sobre a Cidade Santa, Atual Edições. pg. 323,4
[3] Severino Pedro da Silva, Escatologia, Doutrina das Últimas Coisas, CPAD, pg. 109,10.
]4] Orlando S. Boyer. Espada Cortante. Vl. 01, pg.268.
[5] Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal, vol. 2, pg. 882.
[5] Notas de rodapé da Bíblia de Estudo Profético de Tim LaHaye, pg. 1187.
[6] Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins. Estamos Vivendo os Últimos Dias? United Press. Pg. 198.
[7] Comentário do Novo Testamento Aplicação Pesssoal, vl. 02. CPAD, pg. 884.
[8] Tim LaHaye e Ed Hindson. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica, CPAD, pg. 418,419.
[9] Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins. Estamos Vivendo os Últimos Dias? United Press, pg. 200

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