quarta-feira, 2 de março de 2011

OPS! OS CRENTES VÃO COMPARECER ANTE O TRIBUNAL DE CRISTO?

“Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo” (Rm 14.10).
Após o arrebatamento, a Igreja será conduzida ao Tribunal de Cristo (gr. Bema). Todos os crentes que forem achados dignos estarão reunidos para o solene dia de prestação de contas. Tendo sido a Igreja levada ao céu, ainda nos ares haverá o julgamento do Tribunal de Cristo (eu disse: julgamento?).
O tribunal de Cristo, portanto, será o lugar onde todos hão de prestar contas daquilo que receberam da parte do Senhor (Lc 16.2 ARA). Será o dia em iremos apresentar ao Senhor o nosso “relatório”, a nossa prestação de contas.
Deve-se distinguir o julgamento do Tribunal de Cristo do julgamento do Grande Trono Branco. Um acontecerá antes do Milênio, o outro após. Um julgará as obras dos crentes (1Co 5.10), o outro julgará as obras dos ímpios (Ap 20.15). Os ímpios, ao comparecerem no julgamento do Grande Trono Branco, serão condenados eternamente porque desprezaram a mensagem de salvação em Cristo Jesus, sendo, portanto, dignos, de sofrimento eterno devido suas iniquidades. Os justos alcançarão gozo eterno pelo fato de terem em Cristo Jesus alcançado salvação, por isso no Tribunal de Cristo (Bema), receberão recompensas maiores ou menores, em proporção à fidelidade de cada um (Lc 19.11-27).
O Tribunal de Cristo (Bema), não tem como objetivo determinar se somos crentes de fato, desse tribunal só participará salvos, nele não haverá condenação (Rm 8.1). Ali não será tratado o problema do pecado, pois este já foi julgado na cruz, quando Jesus derramou por nós seu sangue (2Co 5.21). Só os crentes comparecerão perante o tribunal de Cristo (2Co 5.10). Todos estarão lá, pois, este não é um julgamento opcional, mas obrigatório e inevitável.
O Juiz que julgará será o próprio Senhor Jesus. A Ele foi dada toda autoridade para julgar (Jo 5.27). Da mesma forma que Ele, como sacerdote foi capaz de compadecer-se de nossas fraquezas (Hb 4.15), certamente como juiz agirá justamente, pois julgará com justiça.
O julgamento das obras dos crentes no Tribunal de Cristo será o cumprimento da Parábola dos Talentos, conforme o que está escrito no evangelho de Jesus Cristo segundo escreveu Mateus capitulo 25.14-19.
Alguns aspectos da vida cristã devem ser observados. No referido julgamento, o trabalho que cada crente realiza para Deus será julgado. Cada crente será aqui, avaliado diante do seu Senhor e receberá o que lhe é devido, segundo o que tiver feito por meio do corpo. As obras dos santos serão julgadas diante do Senhor como “boas” (agathos), ou “más” (phaulos).
Horton explica que neste julgamento tudo será julgado até mesmo os segredos dos homens: “Não há nenhum segredo que não venha a ser revelado (Rm 2.16). Tudo será julgado: nossas palavras, nossos atos, nossos motivos, nossas atitudes, nosso caráter, nossos sofrimentos, o uso dos dons espirituais, e a utilização dos bens materiais e do dinheiro (Mt 5.22; 12.36-37; Mc 4.22; Rm 2.5-11,16; 1Co 3.13; 4.5; 13.3; Ef 6.8). Entre esses itens, nossos motivos (sobretudo o amor) e a nossa fidelidade parecem ser os mais importantes (Mt 25.21,23; Lc 12.43; 1Co 13.3; Cl 3.23,24; Hb 6.10).
Em outras palavras, o julgamento encerra a possibilidade tanto de “detrimento”, “perda”, “dano” (1Co 3.15), como de “prêmio”, “recompensa”, “galardão” (Rm 2.10; 1Co 3.12-14; Fp 3.14; 2Tm 4.8; 2Jo 8). Devemos permanecer “nele [em Cristo] para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele na sua vinda” (1Jo 2.28). Do contrário, há o perigo de termos todas as nossas obras queimadas (1Co 3.13-15).
Vemos ser necessário um cuidado especial em tudo o que fazemos para Deus no seu Reino. Muito do que fazemos e a maneira como vivemos e administramos as coisas aqui será submetido a julgamento no Bema: Nossa conduta pessoal (2Co 5.10); nosso testemunho mútuo (Rm 14.10; Hb 6.10); nossas obras (Rm 14.10); nosso tratamento com os pastores (Hb 13.17); nosso uso do dinheiro (1Tm 6.17,19; 2Co 9.6,7; 1Co 16.2; como está sendo usado o dinheiro dos dízimos e ofertas que entram no caixa da igreja local. Lembre-se: são contribuições de pessoas fiéis, aposentados, pedreiros, serviçais, funcionários púbicos. Trate de administrar com cuidado, Deus vai pedir conta de tudo); nossa reação diante das tentações (Tg 1.2,3; Ap 2.10); nosso sofrimento (Mt 5.11,12; 1Pe 4.12,13; Mc 10.29,30; 2Co 4.16); nosso uso do tempo (Ef 5.16; Cl 4.5; 1Pe 1.17; Sl 90.12); nossas atividades na obra de evangelização (Pv 11.30; 1Ts 2.19,20; Dn 12.3). Tudo o que fizemos através do nosso corpo, será submetido a julgamento no Tribunal de Cristo.
Então, que fique claro, se as nossas obras não forem edificadas em Cristo, ou se houver o envolvimento de orgulho, egoísmo, vingança, teimosia ou inveja, serão imediatamente queimadas pelo fogo (1Co 3.12-15).
O Tribunal de Cristo irá julgar também a maneira como tratamos os nossos irmãos na fé. Eurico Bergstén em sua Introdução à Teologia nos explica sobre este ponto: “Quando o apóstolo Paulo escreveu a respeito do tribunal de Cristo, perguntou no mesmo versículo: “Mas tu, porque julgas teu irmão?” (Rm 14.10). Mas à frente ele continua: “Antes, seja o vosso propósito não por tropeça ou escândalo ao irmão” (Rm 14.13). O bem ou o mal que fazemos a qualquer irmão reflete na pessoa de Jesus (cf. 1Co 8.12; Mt 25.40,45; At 9.4,5). Se isso estivesse bem vivo no coração de todos, muitos crentes de hoje seriam mais amorosos. Ainda que estes, que assim procedem, sejam salvos pelo perdão de Jesus, o procedimento deles influirá no que diz respeito ao galardão.”
Como cristãos, temos liberdade, privilégios (Rm 14.1-2; 1Co 8.4-7). Devemos, porém, usar estes para servir o nosso próximo, nossos irmãos e não a nós mesmo. Alguns crentes e líderes estão mais preocupados em exercer os seus direitos como cristãos do que em ofender o seu próximo, irmão. Usam sua liberdade e privilégios não para servir, mas como uma plataforma para defender os seus direitos, se auto-promoverem e promover os que dele se aproximam com lisonjas. Tem conhecimento de sua liberdade, privilégios, mas não amor para servir, compreender. Somos instados pela Palavra de Deus, a que abramos mão até de nossas vidas para servirmos. Com a liberdade que temos em Cristo, devemos servir a todos que nos cercam. Paulo recomenda: “Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos” (1Co 8.9).
Observemos ainda, que as motivações dos nossos atos serão também submetidas a julgamento no Tribunal de Cristo. Não será contado apenas a quantidade de nossos atos, trabalhos, mas a qualidade e intenção que havia em nossos corações quando os realizamos (2Co 5.10). Somos levados a pensar que nossa recompensa virá pela quantidade de trabalho que fazemos, ou ainda, pelo que fizemos para agradar alguém, para demonstrar que somos os bons, os melhores. Chegamos a pensar, que a recompensa do salvo será de acordo com a grandeza da obra que faz, embora estas não tragam nenhum resultado prático no cotidiano. Se, o que se faz não trás resultados palpáveis na vida, qual o resultado disso? No Tribunal de Cristo haverá julgamento também para estas coisas.
Esteja certo, que haverá julgamento sobre como se aproveita as possibilidades práticas que Deus tem dado a cada um. Aos olhos de Deus, o serviço de todos tem o devido valor. Foi dito ao servo bom pelo Senhor Jesus: “Foste fiel no pouco sobre o muito te colocarei”. O menor membro se torna necessário no corpo, a pedra invisível na construção é tão importante e indispensável quanto à da fachada. Mark Bailey diz sobre o assunto: “A motivação de nossas obras também será revelada no Tribunal de Cristo. Jesus disse: “Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido.” “Porque tudo o que em trevas disserdes à luz será ouvido; e o que falardes ao ouvido no gabinete sobre os telhados será apregoado” (Lc 12.2-3). Propósitos produzem comportamentos. O propósito ou motivação de um coração legitima ou invalida os atos de uma vida.”
As obras dos salvos são identificadas com materiais terrenos. O texto bíblico de 1Corintios 3.12-15, revela as obras dos crentes aparecendo em forma de diferentes materiais, passando pelo fogo para ser provado. Materiais indestrutíveis (ouro, prata, pedras preciosas) e materiais destrutíveis (feno, palha, madeira). O “fogo” pelo qual passarão as obras dos salvos será a manifestação da glória pessoal de Cristo, cujos olhos, é como chamas de fogo (Ap 1.14). Diante da perscrutação desses olhos infinitos que tudo vê (Pv 15.3), surgirão duas palavras solenes: aprovados e reprovados. O resultado final do exame será: ganho ou perda.
Causa-me espanto, a maneira como vivem e se comportam alguns crentes em nossos dias. Vivem como se nunca houvessem de prestar contas dos seus atos, comportamentos, maneira de viver. Praticam as coisas mais absurdas possíveis. Enganam, mentem, fraudam, perseguem, vivem hipocritamente, fingindo ter uma vida espiritual correta, mas as obras que praticam está longe daquilo que professam ser. Pregadores que são verdadeiros malabaristas nos púlpitos das igrejas. Levam o povo ao delírio, mas suas vidas lá fora cheira igual a ossos de mortos. Estes não estão nem um pouco preocupados com a vida espiritual dos crentes. Eles querem apenas satisfazer o seu próprios desejos. O Tribunal de Cristo está chegando, e, se estes chegarem lá, irão se encontrar com aquele que julga retamente. É, preciso, portanto, haver fidelidade, na administração dos talentos recebidos da parte do Senhor. Entretanto é importante que se diga, e que todos compreendam, que prestaremos contas da nossa administração, para desapontamento de uns e alegria de outros.

Bibliografia:
LAHAYE, Tim; HINDSON, Ed. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. RJ, 1.ed. CPAD, 2008.
HORTON, Stanley M. Nosso Destino, o ensino bíblico das últimas coisas. RJ, 1.ed. CPAD, 1998.
BERGSTÉN, Eurico. Introdução à Teologia Sistemática. RJ, 1.ed. CPAD, 1999.

Pr. Nonato Souza.

Um comentário:

  1. Bença de Deus em Pr. Nonato O Senhor tem sido bença de Deus pra vida de muitas pessoas..
    Jonathan Sosi

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