sábado, 8 de maio de 2010

AS DISPENSAÇÕES DA BÍBLIA



Uma Dispensação é definida como um período de tempo em que o homem é experimentado em relação à sua obediência a uma determinada revelação da vontade de Deus. Na Bíblia podemos encontrar sete Dispensações: 1) Da Inocência; 2) Da Consciência; 3) Do Governo Humano; 4) Da Promessa; 5) Da Lei; 6) Da Graça; 7) Do Reino. Quando fazemos um estudo sistemático das Dispensações, observamos os vários métodos utilizados por Deus em relação a três classes de povos bíblicos (judeus, gregos, igreja de Deus), pelos vários períodos determinados por ele para o cumprimento de seus propósitos. O vocábulo dispensação aparece apenas quatro vezes no original da Bíblia. Destacamos aqui os textos nos quais aparece a expressão: 1Co 9.17; Ef 1.10; 3.2; Cl 1.25. A palavra vem do latim dispenso, que significa “pesar” ou “administração,” como um mordomo, indicando a maneira pela qual Deus administra ou revela seu modo de agir na execução de sua vontade.

Os Grandes Períodos de Tempo na História da Humanidade

Para que possamos entender melhor o assunto, é importante que falemos, ainda que de maneira resumida, sobre os cinco grandes períodos de tempo mencionados pelas Escrituras Sagradas: 1) O primeiro período vai de Adão a Abraão e é caracterizado pela presença de um só povo habitando na terra, os gentios, ou seja, uma nação em geral sem qualquer distinção de povos da parte de Deus. Este período, segundo estudiosos, abrange dois mil anos; 2) O segundo período inicia-se com Abraão e a vai até Cristo. Este período já é marcado na terra pela presença de dois grupos de povos: Judeus e gentios. A revelação de Deus é dada aos judeus, usando-os como bênçãos em benefício dos demais povos. Este período também abrange dois mil anos; 3) Aqui vamos chegar ao terceiro período, este, está relacionado diretamente com a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. Esse período começa com o nascimento de Cristo e vai até a sua segunda vinda. Aqui nós vamos encontrar três tipos de povos na terra: os gentios, judeus e um novo grupo denominado de igreja de Deus. Esse período já ultrapassa agora de dois mil anos; 4) O quarto é o período do Milênio, onde será restaurado o trono de Davi, por Jesus Cristo, seu descendente segundo a carne (Mt 1.1;Lc 1.32;Ap 20.1-6). Esse tempo será marcado pelo arrependimento de Israel que aceitará o Messias, após sofrer os dissabores do período tribulacional. A duração deste quarto período será de mil anos; 5) Este quinto período seguir-se-á ao Milênio. Será um período em que o tempo como elemento humano terminará, unindo a eternidade passada com a futura. A Bíblia se refere a esse tempo como o fim (1Co 15.24-28), fim no sentido de última etapa no plano de Deus para com o homem criado por Ele.

As Dispensações da Bíblia

A maioria dos estudiosos apresenta sete dispensações no ciclo da história da humanidade. Em cada uma das dispensações podemos contemplar o grande amor de Deus levando o homem a conhecê-lo por sua misericórdia. A história bíblica revela que dentre todas as provas pelas quais, Deus tem feito passar o homem, este tem falhado, por isso Deus enviou seu próprio Filho objetivando a redenção do homem de todos os seus pecados. As dispensações são na verdade, lições, de como Deus, se relaciona com o homem. Nós precisamos entender o que Deus quer de nós. Aqui neste artigo vamos, ainda que de maneira sucinta, considerar as diversas dispensações.

I – Dispensação da Inocência

Palavra chave aqui é: inocência (Gn 1-3). Deus criou o homem em estado de inocência como coroa e glória de toda a criação. Estava no início num lugar perfeito, sujeito a uma lei simples, tendo sido advertido das conseqüências caso desobedecesse. O homem ao ser criado foi dotado de personalidade. Essa personalidade do homem resulta numa tríplice capacidade: a) capacidade de pensar (intelecto); b)capacidade de sentir (emoção); c) capacidade de escolher (livre arbítrio) Esta dispensação estende-se desde a criação do homem até a expulsão do casal do Jardim do Édem. Nesta dispensação o casal deveria encher a terra, comer do fruto da terra, guardar o jardim e abster-se de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Quando comeram do fruto que Deus lhes tinha determinado não comer, desobedecendo a ordem do Senhor, caíram e foram expulsos do Jardim de Édem (Gn 3.1-6; 3.24), tendo como conseqüência maldição e morte sobre si (Gn 3.7-19).

II – Dispensação da Consciência

Palavra chave é consciência (Gn 3-8). Significa a faculdade de convicção própria, o conhecimento da natureza moral dos atos pessoais. Com a queda, o homem perdeu a sua inocência, passando a ter o conhecimento pessoal e experimental do bem e do mal. Mediante este conhecimento a sua consciência acorda e, expulso do Édem, é responsabilizado por fazer todo o bem que conhecia e abster de todo o mal que lhe cercava. Era também responsabilidade do homem ensinar aos seus descendentes sobre a queda e a necessidade da obediência ao Criador. Este período probatório vai deste a queda de Adão até o dilúvio. Cerca de 1.656 anos (Gn 7.21,22). Neste período em que Deus prova a fidelidade do homem num ambiente de liberdade segundo os ditames de sua própria consciência, dois homens triunfaram: Enoque e Noé (Gn 5.24; 6.9). Os demais falharam (Gn 6.5). A justiça divina veio sobre a terra através do dilúvio (Gn 6.17) salvando-se apenas Noé e sua família (Gn 6.18).

III – Dispensação do Governo Humano

Palavra chave é Governo Humano (Gn 8-11). Nesta dispensação vemos o homem no exercício da tarefa de governar-se a si próprio como sociedade constituída. Era propósito de Deus, provar a capacidade humana de servir a Deus num sistema de consciência coletiva, isto é, como sociedade adotando o governo humano. Noé, sobrevivente do dilúvio, foi o primeiro governador humano. Embora sendo da décima geração depois de Adão, ele nasceu apenas quatorze anos depois da morte de Sete. No período dessas oito gerações e por mais de trezentos e cinqüenta anos ele viveu entre os homens daquela nova geração depois do dilúvio. Vemos portanto, que o novo mundo teve um pai piedoso. Esta dispensação teve um período de 420 anos, desde o dilúvio até a dispersão em Babel. Foi aqui neste período dispensacional que foi estabelecida a pena capital. O homem fracassou em sua missão de povoar a terra, deixando que o orgulho entrasse em seu coração querendo chegar até Deus (Gn 11.1-4). O juízo de Deus foi a confusão das línguas dos povos (Gn 11.5-9), espalhando-os pela face da terra.

IV – Dispensação da Promessa (Patriarcal)

Palavra chave: Promessa (Gn 11 - Ex 19.8). Nesta dispensação ocorre a chamada, organização religiosa e civil de Israel. Abraão é chamado por Deus dentre um povo politeísta para servir ao Deus único e verdadeiro (monoteísmo). Deixa então sua terra e vai para uma terra desconhecida. Nesta dispensação era propósito de Deus levar Abraão e seus descendentes a terem fé em Deus e obedecê-lO, preparando uma nação que se tornaria precursora do Redentor. Teve esta dispensação uma duração de cerca de 430, desde a chamada de Abraão até a escravidão de Israel na terra do Egito. A grande responsabilidade do homem era morar na terra prometida, no entanto, quando a fome chegou na terra de Canaã os descendentes de Abraão foram para o Egito, onde foram escravizados (Ex 1.8-14).

V – Dispensação Da lei

Palavra chave: Lei (Lc 16.16; Jô 1.17; Mt 11.11,12). Nesta dispensação o povo de Israel devia reger sua vida religiosa e política segundo a Lei dada por Deus a Moisés no Monte Sinai e demais regimentos que lhe sucederam. Quando lhes foi dada a Lei, todos disseram que cumpririam tudo o que o Senhor dissera (Ex 19.1-8). Com a Lei, Deus queria testar a obediência de Israel além, de avaliar sua capacidade de tornar-se uma nação líder na comunidade mundial como instrumento e porta voz da revelação de Deus, numa preparação final para a vinda do Messias. A Lei destinava-se especificamente a Israel; as demais nações conservavam-se debaixo do regime anterior de Governo Humano (Dt 4.7,8). O propósito de Deus era a eleição de Israel para ser um reino sacerdotal (Ex 19.6). O período de duração desta dispensação é de 1430 anos. Do êxodo até a crucificação de Cristo. Para uma maior compreensão acerca desta longa dispensação, os estudiosos a divide em 7 épocas a saber:
1. Época da peregrinação;
2. Época das conquistas;
3. Época dos juízes;
4. Época do reino unido;
5. época do reino dividido;
6. Época do cativeiro e dispersão;
7. época interbíblica.
Nesta dispensação o homem deveria como prometeu, guardar a Lei e jamais se desviar dela (Ex 19.3-8), mas como era de se esperar, a violou e tornou-se incapaz de cumpri-la (2Rs 17.7-20), tendo como conseqüência de seus atos a dispersão pelas nações do mundo até 1948, quando voltou a ser uma nação política e geograficamente organizada.

VI – Dispensação da Graça

Palavra chave é Graça. O Novo testamento é agora palco de uma nova fase probatória com o homem recebendo a plenitude da graça divina através do próprio Cristo. A graça não dispensa ordenanças, pois há 1050 mandamentos no Novo Testamento. Porém ao contrário da Lei, a graça dar ao homem poder para cumpri-los. A palavra graça aparece 166 vezes na Bíblia. O principal propósito de Deus nesta dispensação é chamar para fora do mundo um povo seu especial, zeloso e de boas obras. È também conhecida como a dispensação da Igreja, porque nela a Igreja é chamada e formada dentre os gentios e judeus; e do Espírito Santo, quando este passou a viver nos crentes dirigindo-os num plano superior de vida. A duração desta dispensação já decorre quase 2000 anos, desde que Jesus foi crucificado e o véu do templo foi rasgado. Nesta dispensação o homem tinha e tem como responsabilidade aceitar o plano da salvação na pessoa de Jesus Cristo pela fé (Jo 1.12; Rm 8.1-14), desde então, muitos o têm aceitado e muitos o têm rejeitado. Para os que o têm rejeitado, recebem como conseqüência a condenação eterna (Jo 3.17,18).

VI – Dispensação do Reino/ Milênio

Palavra chave: Rei (Is 2.11; 24.23; 43.5-7; Zc 8.3-8; Mq 4.1-8; Jr 33.15,16; Ef 1.9,10; Ap 11.15; 20.1-6). Nesta dispensação nosso Senhor Jesus Cristo descerá pessoalmente a esta terra e como rei sentará no trono de Davi estabelecendo o seu governo Teocrático. Cristo governará pessoalmente sobre a face da terra. Neste período acontecerá o aprisionamento de Satanás no abismo, e o homem estará livre da ação direta do tentador. Israel será a nação líder no mundo e não a cauda (Dt 28.13,44; Is 60.10-15; Zc 8.20-23). Os habitantes da terra neste período probatório consistirão de duas classes de pessoas: os que estarão glorificados (crentes do Velho Testamento, crentes do Novo Testamento, os salvos no período da Grande Tribulação) e os homens naturais (judeus que sobreviveram à Grande Tribulação, gentios justificados no julgamento das nações, e os nascidos no governo milenial). O propósito desta dispensação é: consumar todas as alianças que o Senhor fez com o homem no decorrer dos séculos; estabelecer a justiça e a paz na terra; Exaltar a soberania universal de Cristo; restaurar a posição de Israel como cabeça das nações; exaltar os santos de todos os tempos; e subjugar os inimigos do Senhor. Este período terá a duração de 1000 anos, começando desde a Volta de Jesus em glória até a implantação do Juízo do Grande Trono Branco. O homem (não todos) estará sujeito ao governo de Cristo por obrigação e não por amor, o que se constitui numa falsa obediência. Os nomes de muitos não serão encontrados no Livro da vida e estes serão lançados no Lago de Fogo e Enxofre, onde se encontram o Diabo, a Besta e o Falso Profeta (Ap 20.9-15). O julgamento será através de fogo, atingindo basicamente os que tomarem parte da última rebelião contra Cristo, instigada por Satanás após a sua soltura, em Jerusalém (Ap 20.3,7,9).

Conclusão: A dispensação milenial será a última das dispensações, vindo a seguir a instituição do Grande Trono Branco onde comparecerão os rebeldes, caídos, perdidos em geral e certamente os anjos caídos (Ap 20.11-15). Livros serão abertos, e cada ser humano será julgado segundo as suas obras. Aqui se findará a obra da redenção. Uma nova ordem estará estabelecida. Novos céus e nova terra. O tempo dará lugar à eternidade e entraremos na presença do Senhor eternamente. Amém!


BIbliografia

OLSON, Nels Laurence, O Plano Divino através dos Séculos. Estudo das Dispensações. CPAD. RJ
SILVA, Severino Pedro da, Escatologia, Doutrina das Últimas Coisas. CPAD. RJ.
SCOFIELD, C.I. Scofield Reference Bíble. SBB. 4° Ed. 1993
PENTECOSTAL, Bíblia de Referência, Tradução de João Ferreira de Almeida. CPAD.RJ

Pr. Nonato Souza

Um comentário:

  1. Paz do Senhor!

    Gostei muito da explanação desse assunto.

    -Entendo que as disepnsações tem muito a ver como as formas de Deus tratar com aqueles que lhes estão sujeitos,mas especificamente o ser humano.
    -Sou dispensacionalista, mas tenho dificuldade de entender o conceito dispensacional de dipensação: “Uma dispensação é um período de tempo durante o qual o homem é provado no que respeita à obediência a alguma revelação específica da vontade de Deus”.
    Uma dispensação é o ato de Deus distribuir,de administrar,isso segundo a sua soberania e justiça,independente de período ou tempo.
    Por exemplo, a dispensação davídica terá seu cumprimento cabal na dispensação Milenial, sem falar da dispensação da Lei, da promessa que também ali terão seu cumprimento total.
    -As dipensações divinas, não tem como objetivo "provar" o ser humano em relação à obediência a uma revelação específica da vontade de Deus, não.Antes, Deus em cada dispensão outorga normas e responsabilidade ao ser humano para que ele não venha pecar, e sim fazer a sua vontade.


    Deus abençoe ricamente.

    Att. Damião Silva.

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