Os que buscam consagração pastoral mesmo sem vocação e chamada


Por Nonato Souza
Ministério AD Minha Esperança - compromisso com a Palavra.


“E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com sinceridade e com inteligência” (Jeremias 3.15).

Inicialmente vou recorrer a Richard Baxter. Ele disse: "O homem que não for totalmente sincero como cristão, não poderá estar apto para ser pastor de Igreja".
Richard Baxter foi um pastor bem a frente da sua época. Era totalmente comprometido com as pessoas do seu tempo, homem de lutas, pastor que cuidava de vidas, o que o levava a conhecer cada ovelha e não apenas ministrar ao grupo que se reunia para ouvi-lo. Baxter tinha o hábito de levar as pessoas a pensar com base nas Escrituras Sagradas onde poderiam desfrutar da suficiente graça de Deus.
 O que disse Richard Baxter acima é uma verdade clara e muito presente nos dias atuais, pois se cumpre literalmente hoje. Não tenho dúvidas que estamos vivendo um tempo onde se vê muitos aproveitadores, homens insinceros que estão em busca de alcançar altas posições, através de consagrações ministeriais, simplesmente, para ter um título e reconhecimento.
O profeta Ezequiel trás uma visão clara a esse respeito ao profetizar contra os líderes infiéis de Israel:
“Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize aos pastores: Assim diz o Senhor Jeová: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer,e a perdida não buscastes; mas dominas sobre elas com rigor e dureza. Assim, se espalharam, por não haver pastor, e ficaram para pasto de todas as feras do campo, porquanto se espalharam. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem as procure, nem quem as busque” (Ez 34.2-6).   
O texto de Ezequiel faz referência aos líderes da nação: reis, sacerdotes, profetas que tosquiavam o rebanho em busca de ganho pessoal. Buscavam o próprio favorecimento para enriquecerem e se tornarem grandes. Ao invés de cuidarem daqueles que foram entregues aos seus cuidados, não davam a mínima atenção ao trabalho determinado por Deus. Estavam, na verdade, preocupados em saciar seus próprios apetites ao tornarem-se grandes, gordos, ricos e tranquilos. O que diz o profeta mostra a realidade presente entre muitos pastores e no ministério atualmente.
É claro que, o que vemos atualmente é basicamente o reflexo de obreiros despreparados que não foram experimentados no campo de trabalho e simplesmente chegam a uma consagração ministerial porque se dão à prática de lisonjear aqueles que os lideram.  Sem vocação, sem chamada, sem disposição nem tempo para o exercício pastoral, querem simplesmente ser chamados de pastores e deter um cargo para se apresentarem  como tais.
Para alcançar os títulos tão almejados os tais obreiros se tornam bajuladores, frequentadores constantes dos trabalhos da igreja local e reuniões ministeriais – após as consagrações eles desaparecem e deixam de ajudar o trabalho –,  coniventes com erros os mais crassos possíveis, estando dispostos até negociar com qualquer um e por qualquer preço, a consagração e as posições que desejam.
Certíssimo Richard Baxter, o serviço pastoral não é para aqueles que vocação nenhuma tem e, muito menos para quem não está disposto a deixar tudo para enfrentar o labor do trabalho pastoral.
Há muitos em busca de um cargo de Ministro do Evangelho, mas será que estão dispostos a cuidar do rebanho do Senhor? Estão eles disposto a deixar o seu bom emprego o alto salário para se dedicar exclusivamente ao labor pastoral de cuidar de vidas que precisam do seu dom? Muitos não tomarão esta decisão, pois querem apenas o título, se aceitarem e não deixarem tudo para cuidar de sua chamada, são simplesmente aproveitadores que buscam apenas o título para dele se ufanar.
Ser pastor dedicado requer abdicação de muitas coisas, haja vista o que Paulo disse: "Ninguém que milita se embaraça com negócio desta vida, a fim de agradar aquele que o alistou para a guerra" (2 Tm 2.4). Não basta ter o título e ficar cada culto sentado em uma tribuna passivamente sem nada fazer em prol do Reino de Deus.  Penso até que esse comportamento depõe contra a chamada pastoral e vocação.
Seria importante se pastores fossem de fato exercer o trabalho pastoral. Alguns reclamam que não tem igreja no campo para pastorear, no entanto, isto é uma objeção vaga, pois quem quer de fato se envolver no trabalho pastoral, cumprir uma missão e tem chamada e vocação, começa, como dizia os pastores antigos, um trabalho até debaixo de uma árvore. O que não falta é onde se começar um trabalho e efetivamente vontade para se ganhar almas para o Reino de Deus.
Na verdade, o que alguns obreiros querem mesmo é púlpito, posição e status e isto não se consegue em um trabalho distante, sem recursos, começando em um lugar rude e com uma quantidade mínima de pessoas.     
O pastor chamado e vocacionado, se lança ao labor pastoral completamente, sabendo que o mesmo tem um alto preço a pagar. Ele o faz com um coração sincero, amoroso e devotado no cumprimento de sua chamada para que ao militar legitimamente seja coroado naquele dia (2Tm 2.5).
O trabalho pastoral é para quem está disposto a se afadigar na Palavra e no labor diário por amor dos escolhidos, sejam eles poucos ou muitos, levando-os a alcançar a salvação que está em Cristo Jesus. Se não estás disposto ao sofrimento, desgastes e às durezas da vida pastoral, que vá cuidar da sua empresa, do seu bom emprego, das suas atividades que te dão regalias, conforto e segurança. Fique simplesmente auxiliando na igreja local em seus trabalhos diários e projetos, mas não se meta a fazer algo para o qual não foi chamado nem vocacionado. Deus ficará satisfeito e é um favor que você presta ao Reino de Deus e a você mesmo.
Fica aqui também minha advertência aos pastores líderes que gostam de bajuladores, de gente que a única função que tem é ficar à volta de tais líderes para lisonjear. Esses que se dão a esse tipo de expediente, normalmente vivem em total desajustes diante de Deus e dos homens, mas, por suas famigeradas bajulações acabam recebendo por recompensa suas tão almejadas consagrações.
Para os líderes que se deixam dominar por tais bajuladores Paulo adverte: "A ninguém imponhas precipitamente as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro” (2 Tm 5.22). O que muitos pastores têm feito neste tempo atual com esta classe de gente neste mister é simplesmente lamentável. Impõe as mãos precipitamente sobre os tais e então, voltam às suas igrejas para nada mais fazerem, senão viver em um estado de letargia e por vezes criar problemas no âmbito da igreja local. Infelizmente.
Concluo minha reflexão dizendo aos que têm vocação e plena convicção da chamada de Deus em sua vida que sigam avante, envolvam-se completamente, prepararem-se para o exercício do ministério, pois, quem deseja o episcopado excelente obra deseja. É do apóstolo Pedro as seguintes palavras:
“Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mais voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coro de glória” (1Pe 5.2-4).   
Aos “apresentados”, mas que não tem chamada, nem vocação, peço-lhes que fiquem nos seus lugares, procurando ajudar a obra de Deus de outra forma. Assim, irão atrapalhar menos. Não são pastores que dão pastores à Igreja, estes (os líderes), quando querem satisfazer suas vontades acabam atrapalhando, o bom andamento da obra.
Atente para uma coisa, é o SENHOR que diz: “E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com sinceridade e com inteligência” (Jr 3.15).
Que Deus tenha misericórdia da sua Igreja. 


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