sexta-feira, 21 de abril de 2017

Os males da religiosidade que mata


Por Nonato Souza
Ministério Minha Esperança


“E outra vez entrou na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirradas. E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem. E disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te e vem para o meio. E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem ou fazer mal? Salvar a vida ou matar? E eles calaram-se. E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a mão, sã como a outra. E tendo saído os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele, procurando ver como o matariam” (Mc 3.1-6).


A ênfase do texto está no homem que tinha uma das mãos mirradas e que fora curado por Jesus milagrosamente em um dia de sábado. Ali estavam homens religiosos formalistas que buscavam encontrar Jesus realizando algum milagre em um dia de sábado para prejudicá-lo. Eram eles, os religiosos que estavam ali à espreita reivindicando rigidez e santidade nas mínimas coisas, estando eles mesmos repletos de malícia e de pensamentos iracundo no meio da congregação.
É isso, religiosos fincados em seu sistema moralista nunca estão preocupados com o bem do próximo muito menos com os interesses do Reino de Deus. Sua maior preocupação é com o cumprimento de preceitos, dogmas e instituições. Para eles, tradições estão sempre acima do bem que se pode fazer ao próximo.

Jesus mostrou com clareza de detalhes que tudo isto é um erro. No texto apresentado pelo evangelista Mateus 12.11 o Mestre conta aos que compõem sua audiência uma pequenina história sobre uma ovelha cujo dono procurará salvá-la, se estiver caída numa cova mesmo sendo um dia do sábado. Jesus aplica aqui o princípio da vida, de que mais vale fazer o bem a alguém que guardar preceitos e tradições. Para Jesus, deixar de fazer o bem ao próximo, deixando-o perecer sofrimento só porque é o dia de sábado é um engano. O ensino do Mestre é que tradições e costumes não estão acima do bem e amor que se deve dar e fazer ao próximo.

Observe-se que Jesus curou o homem fazendo a este o bem que tão somente necessitava. Quanto aos religiosos, estavam sim, interessados em tirar a vida de Jesus, simplesmente porque fizera o bem a alguém necessitado. Estavam os religiosos preocupados com a quebra de preceitos e não com o bem que se devia fazer ao próximo. Lamentável isso, não?

É lamentável que neste século pós-moderno ainda haja pessoas agindo debaixo de tamanha religiosidade, capazes de agir igual os religiosos dos tempos de Jesus. Enraizados em suas tradições religiosas, próprias de um sistema religioso morto que massacra e dilacera completamente a alma, pois nenhum refrigério trás a esta, conduzindo o homem para distante da imensurável graça de Deus, muitos líderes estão embrulhado com o cobertor do formalismo religioso prestes a sucumbir completamente.

Estes em nome de uma santidade baseada apenas em tradições, maltratam, dilaceram, ferem e expulsam da igreja local pessoas que a única coisa que querem é servir a Deus, o Senhor, a quem entregaram suas vidas, outrora errantes. Por vezes sem ter a chance de se explicarem são tratadas como se valor nenhum tenham por causa de tradições humanas que a todo custo devem ser obedecidas. Algo simplesmente inexplicável.

Para esses líderes, à semelhança dos religiosos dos tempos de Jesus, é melhor matar, expulsar, vilipendiar a ovelha que curar-lhes as feridas. Para eles é mais importante preservar a instituição, as tradições humanas que regem a mesma, que a vida espiritual da ovelha ferida. Tais religiosos são fariseus, cujo amor e zelo estão simplesmente numa capa de religiosidade, sem apego nenhum a Deus, os princípios da Palavra e amor ao próximo. Importante mesmo é a instituição que defendem a ferro e fogo sem, contudo, amar o Reino de Deus. Sinceramente, não entendo isto como Cristianismo autêntico. 
  
O texto bíblico que estamos apreciando fala da indignação do Senhor Jesus devido dureza de coração daqueles líderes religiosos. Ali estavam líderes religiosos cujos corações estavam dispostos a ver e aceitar o sofrimento de pessoas necessitadas a quebrar paradigmas religiosos. Religiosos maus, hipócritas, sem afeição natural, preferiam continuar vendo a dor do seu próximo a simplesmente quebrar uma tradição. Jesus os censurou, reprovou, pois não concordaria jamais com tais atitudes. Foi adiante, curou o homem sofrido, tendo dele compaixão. O olhar terno e compassivo de Jesus alcançou aquele pobre e necessitado ser humano, coisa que o olhar medíocre de muitos líderes, não consegue alcançar.

Ponho-me a pensar naqueles líderes religiosos presentes naquela reunião. Não conseguiram vislumbrar as necessidades espirituais, físicas e emocionais daquele pobre homem. Estavam prontos a condená-lo por está ali para ser curado num dia de sábado. Jesus, diferentemente dos líderes religiosos, o olhou e com amor terno e o entendeu, curando suas feridas. Quando fez isto, quebrou paradigmas, pois estava preocupado com um ser humano carente de socorro naquele momento.


Penso que é preciso olhar além das tradições meramente humanas e costumes estabelecidos. O amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo está acima de qualquer tradição, Jesus mostrou isto por inúmeras vezes. Paulo também foi cirúrgico nestas questões (Cl 2. 4-23). Precisamos olhar com coração à semelhança de Jesus. Temos o seu exemplo. Foi Ele que nos ensinou: “Misericórdia quero e não sacrifício” (Mt 9.13). Deus nos ajude!