terça-feira, 28 de julho de 2015

Por que se busca tão pouco o batismo com o Espírito Santo hoje?


Por Nonato Souza

E aconteceu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as regiões altas, e chegando a Éfeso, encontrou ali alguns discípulos e lhes indagou: “Recebestes o Espírito Santo na época em que crestes?” Ao que eles replicaram: “De forma alguma, nem sequer soubemos que existe o Espírito Santo!” Diante disso, Paulo questionou: “Ora, em que tipo de batismo fostes batizados, então?” E eles declararam: “No batismo de João”. Então Paulo lhes explicou: “O batismo realizado por João foi um batismo de arrependimento. Ele ordenava ao povo que cresse naquele que viria depois dele, ou seja, em Jesus!” E, compreendendo isso, eles foram batizados no Nome do Senhor Jesus. Quando Paulo lhes impôs as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo e começaram a falar em línguas e a profetizar (At 19.1-6).

O batismo com o Espírito Santo é um revestimento de poder para o crente salvo (Lc 24.49) objetivando torná-lo uma testemunha poderosa e eficaz de Jesus em toda a terra. Os vários textos bíblicos mostram que a evidência inicial de que o crente foi batizado com o Espírito Santo é o falar em língua desconhecidas pelo poder sobrenatural de Deus (At 2.4; 10.46; At 19.1-6). Hoje, já existem pessoas e até grupos que negam ser a evidência inicial do batismo no Espírito, as línguas desconhecidas.

A Bíblia nos informa ser o batismo no Espírito Santo uma promessa do Pai (Jl 2.28,29), designada a todo o que crê desde o dia de Pentecostes até o fim da presente dispensação. O crente deve não somente esperar receber esta promessa, mas, buscá-la ardentemente de todo coração.

Estamos vivendo um tempo em que quase não se busca tal promessa, e isto, no meio dos que se dizem pentecostais clássicos. No início da Igreja havia uma preocupação zelosa com o recebimento de poder. Todos os crentes deveriam ser revestidos de poder. Quando aceitei a Jesus, isto tem pouco mais de trinta anos, os pastores perguntavam: já foste batizado com o Espírito Santo? Era uma preocupação que tinham os que estavam à frente da igreja local com os novos conversos. Uma preocupação saudável que gerava frequentes reuniões de oração com objetivo de receber o batismo com Espírito Santo. Hoje não há essa preocupação zelosa por parte dos que lideram a igreja. Verdade é que a preocupação de muitos líderes é outra distante da realidade bíblica e necessidade dos crentes.

As poucas ministrações que há sobre o tema revela o quanto se distanciou de tão importante doutrina bíblica. Raramente se ouve alguém abordar o tema do púlpito de alguma igreja local, em grandes eventos ou até mesmo em pequenas palestras. Pentecostais clássicos estão se distanciando deste importante assunto que sempre foi prioritário em nossas reuniões e igrejas. Por isso, também, temos tão poucos ou quase nenhum batismo em nossas reuniões nas igrejas locais. Estamos mais preocupados em fazer campanhas por alcançar bens materiais e outros que satisfaçam o nosso ego do que em viver na plenitude do Espírito.

O batismo no Espírito Santo solucionou problemas sérios que surgiram na vida dos apóstolos com a morte de Jesus. O medo que se apoderara deles a ponto de evitarem o público, levando-os a ficar atrás das portas fechadas (Jo 20.19,26); a fraqueza que deu lugar a uma coragem surpreendente, para até resistirem às perseguições (At 4.16-21, 33; 5.29-33, 41, 42) e a inatividade que se tornou constante na vida deles. Tudo isso deu lugar a uma vida de atividades com a presença do Espírito, sem precedentes na história.

O batismo com o Espírito Santo leva o crente a este estado de vida plena, alegria espiritual hoje (At 1.8). Tenho visto que há muito movimento em nossas reuniões sem que haja a efusão genuína do Espírito para transformação de vidas e capacitação para fazer testemunhas (gr. martyreo) eficazes dispostas a se possível for sofrer e até morrer pelo evangelho de Jesus Cristo.

Precisamos em nossas igrejas locais de novo mover de Deus com batismos genuínos e não aqueles “batismos” mecânicos, forjados, inventados, ensinados, etc., que nada faz, nada trás e nada muda. O revestimento de poder do alto, se faz necessário hoje, e quando ele acontecer, sempre haverá mudança, transformação. É hora de começar a ensinar nas igrejas locais que os crentes precisam sentir sede, sede, mais sede de está perto de Deus, de comunhão intima, e o batismo com o Espírito Santo gera essa vontade e trás este poder.

Você que ainda não recebeu o batismo com o Espírito Santo com a evidência inicial das línguas estranhas, comece buscar agora, sem perda de tempo, porque “Ele vos batizará com o Espírito Santo” (At 1.5).

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O LÍDER DE JOVENS E SEUS CUIDADOS


Por Nonato Souza

Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque fazendo isto, te salvará, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1 Tm 4.16).



A recomendação de Paulo ao jovem obreiro Timóteo é um belo texto para iniciar esse importante assunto. Isto porque um dedicado servo de Deus pode ocupar-se em excessivas tarefas no dia a dia do seu ministério que se esqueça de cuidar de si mesmo, dos seus e de sua vida espiritual. Há um longo histórico de perdas, decepções e frustrações na vida de muitos líderes porque não tiveram a graça e sabedoria necessária para priorizar a coisa certa no tempo e lugar certo.

O líder jovem precisa antes de cuidar das coisas externas, capaz de consumir todo o seu tempo, ser cuidadoso consigo mesmo. Observa-se que na recomendação de Paulo a Timóteo, “tem cuidado de ti mesmo”, vem antes de “e da doutrina”, o que revela a necessidade que se tem de maior cuidado consigo mesmo e com sua vida espiritual, antes de despender uma ocupação exagerada, sem tempo para mais nada, em ajudar os outros. O assunto é ainda mencionado por Paulo quando vai ter com os presbíteros efésios advertindo-os nos mesmos termos: “Atendei por vós” (At 20.28). Isto, porém não me impede de exercer amor altruísta com o próximo, uma vez que posso beneficiar a outros cuidando também da minha vida cristã.

Somos informados que o grande evangelista do século XIX, Charles Finney tinha por costume pregar neste texto, intitulando o seu sermão de: “Pregador salva-te a ti mesmo!” No sermão procurava mostrar os cuidados na vida espiritual e moral daqueles que se utilizam dos púlpitos para ministrar a Palavra. Hoje, se ver muitos obreiros sendo obrigado a abandonar o ministério por ter vida desregrada, cheia de mau exemplo, distanciados da Palavra de Deus. São os mais variados problemas morais, tipos de conduta vergonhosa, que escandaliza o evangelho de Cristo.

O líder jovem não pode ser negligente aqui, sob a triste sorte de ver sua vida espiritual desmoronar por completo, embora possa até ter levado muitos ao desejado sucesso espiritual. Se não tiver o devido cuidado consigo mesmo poderá amargar a triste situação de fracasso pleno não somente em sua liderança, mas, também na sua vida espiritual com repercussão drástica na vida daqueles que o cerca.

É extremamente angustiante a situação de muitos líderes na atualidade. Há um verdadeiro descaso no cuidado com a vida espiritual, sem dizer que muitos estão envolvidos em situações de escândalos terríveis. Tudo isto porque se esqueceram de cuidar de sua comunhão com Deus, embrenhando-se numa corrida desenfreada em busca de alcançar tudo que satisfaça o seu ego, esquecendo-se totalmente da chamada divina e do cuidado com a vida cristã.

Essa busca desenfreada por reconhecimento e sucesso a qualquer preço, alojada na mente de alguns líderes, os envolveu em um labirinto enorme de dificuldades a tal ponto que, afastados de Deus, muitos se perderam em seus objetivos, sendo levados ao desânimo e frustração, pelo fato de entenderem ter apostado muito em sua vida ministerial e agora não conseguem, segundo suas perspectivas, um retorno à altura do seu investimento. É lamentável que este seja o pensamento de uma grande parte de líderes despreparados cujo objetivo sempre foi arrecadar bens materiais aqui na terra e não investir na vida eterna, Reino de Deus. Decepções nesse nível acontecem exatamente com quem deveria ser o exemplo dentro da igreja local.

Tenho convicção que o líder jovem é um vaso, e bom seria que não se preocupasse com a “forma” ou “molde” que o Oleiro lhe quer dar. Só Deus sabe a “forma” ideal para o jovem que está disposto a ser instrumento neste difícil momento da igreja. Precisa-se de jovens dispostos a se colocarem nas mãos de Deus sem reservas e que não sejam “sepulcros caiados” ou “paredes branqueadas”, mas, que tenham exemplo de vida à semelhança de José do Egito, símbolo de fidelidade a Deus – não cedeu ao sexo. Daniel da Babilônia, símbolo de separação do pecado e das coisas contaminadas. Este servo de Deus durante todo o tempo em que esteve naquele poderoso império, sempre se portou decentemente, dando exemplo de vida e mostrando que Deus era com Ele. Posso mencionar também Davi, homem que a Bíblia menciona ser segundo coração de Deus, pelo desejo que tinha de fazer a sua vontade.  Finalmente, faço menção de Paulo que foi símbolo de dedicação e sofrimento.



Posto isto, volto ao assunto que me dispus a discorrer sobre o líder jovem e os seus cuidados. Antes, porém, de tratar especificamente deste assunto, quero abordar algo sobre Moody, considerado o maior pregador leigo do seu tempo. Dr. Torrey foi o único biógrafo autorizado de D. L. Moody. Ele escreveu no seu pequeno livro: Porque Deus usou D. L. Moody? Apresentou ali, sete razões porque Deus usou Moody de forma tão extraordinária. Dr Torrey disse: 

   Moody era homem inteiramente submisso a Deus. Cada grama daqueles 127 quilos pertencia inteiramente ao Senhor;

·         Moody era homem de oração. Tudo que ele empreendia era sustentado pela oração, e em tudo ele dependia de Deus;


·         Moody era um estudante profundo e prático das Escrituras. Apesar de não ser um detentor de excelente formação acadêmica, Moody tinha amor profundo pelas Escrituras;

·         Moody era homem humilde. Ele gostava de citar certas palavras que alguém disse certa vez: “A fé ganha mais, o amor faz mais, porém, a humildade guarda mais”;

·         Moody era homem desprendido do dinheiro. Ele podia ter-se tornado rico, porém para ele a riqueza não tinha nenhuma atração. Recebia dinheiro para a obra de Deus, mas recusou-se a acumulá-lo para si mesmo. Milhões de dólares passaram por suas mãos, mas passaram depressa; não pegaram nos seus dedos;

·         Moody possuía uma paixão ardente pela salvação dos perdidos. O inferno foi despovoado em pelo menos um milhão de almas pela ardente paixão que Moody nutria pelos perdidos;


·         Moody era homem cheio do Espírito Santo. Depois que o Espírito veio sobre ele foi como que comportas de uma represa se abrissem e muitas águas passassem a correr através da vida desse homem. 

Sou conhecedor que a liderança jovem na igreja atual passa por momentos difíceis, isto porque esse tipo de trabalho não é algo tão simples em seus mais diversos aspectos. Objetivando auxiliá-los no exercício deste importante trabalho e acima de tudo sua vida espiritual, passo a pontuar alguns valores que entendo necessários sejam para um caminho bem sucedido.



Líder jovem, que tal cultivar sua vida devocional com Deus?

Não há nada mais importante para o ser humano que manter-se aproximado de Deus. Isso é possível quando cultivamos nosso devocional diário com nosso Criador, numa demonstração clara de dependência. É uma verdadeira lástima quando líderes que se dizem homens de Deus vivem afastados de uma vida prática de oração e leitura devocional diária da Palavra.

Um grande perigo que tem cercado o ministério de muitos líderes espirituais é o profissionalismo. Um líder espiritual pode se tornar competente na realização do seu trabalho, assim como no mundo secular, pode desenvolver certas habilidades que tornarão seu ministério bem sucedido ao olhar de outras pessoas. Quando o profissionalismo alcança um líder, seu coração inevitavelmente começa a ser negligenciado. O fracasso espiritual de muitos se dar pelo fato de não fazer do seu discipulado diário uma prioridade máxima em todo o tempo. A situação de decadência de alguns líderes não começa no dia em que caem, elas têm um histórico de negligências das disciplinas espirituais. As coisas acontecem quando se começa a desprezar a prática da oração e leitura da Palavra diariamente, vigilância, tristeza pelo pecado, controle da lascívia e outros agravantes.

O sucesso espiritual de qualquer líder vai além da boa biblioteca e uma cabeça abastecida que possa possuir. Depende principalmente do seu desenvolvimento espiritual, o que inclui santificação pessoal, separação para Deus e seu serviço.

É fato que a vida espiritual do jovem líder não deve jamais estagnar, tendo este o devido cuidado em manter um nível espiritual satisfatório (2 Tm 1.6). Um cuidadoso estudo do texto Sagrado vai nos mostrar que os dons ministeriais e espirituais são passíveis de progresso. É isso que ensina Paulo: “Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja” (1 Co 14.12; o grifo é meu). Espera-se de cada líder maior esforço em oração constante, leitura meditativa da Palavra de Deus e boa prática do jejum, buscando sempre o progresso espiritual constante. A edificação daqueles que são liderados exigem do seu líder um nível espiritual satisfatório (1 Pe 4.10; Rm 1.11), e seria bom se este não relaxasse nesse ponto.



Líder jovem, não se esqueça de cultivar uma vida exemplar.

Há um adágio antigo que diz: “Façam o que eu digo, mas na façam o que eu faço”. Esse dito popular tem caracterizado a vida de muitos líderes do passado e também do presente. Quando avaliados segundo os padrões da Palavra de Deus, ficam aquém do desejado. Não servem de exemplo ao rebanho. É lamentável o que se vê no cotidiano de muitos líderes em contraste com suas falas ao assumirem a tribuna de uma igreja local para ensinar. Falar e não fazer será sempre um comportamento detestável aos olhos do Senhor.

Jesus condenou a atitude dos escribas e fariseus. Disse ao povo para seguir suas orientações acerca da lei, mas não os seus exemplos pessoais, porque eles falam, mas não praticam (Mt 23.3). Todos havemos de prestar contas a Deus por nossas palavras ditas, mas não praticadas (Tg 1.22-27). Os líderes serão muito mais cobrados, o rigor será maior (Tg 3.1). Nas exortações de Paulo a Timóteo e Tito, encontramos a recomendação do apóstolo a que não somente façam exortações, mas, que acima de tudo, sejam exemplos (1 Tm 4.12-16; Tt 2.7).

Cristo é o nosso padrão por excelência. Chegaremos a tal nível quando amadurecermos em integridade à semelhança de Cristo (Fp 1.27-30), tornando-nos reflexo do exemplo moral de Cristo (1 Ts 1.7). Fica claro que cada crente deve ser exemplo, mas, o Novo Testamento mostra com clareza que os líderes têm responsabilidade maior de ser exemplo dos fiéis (1 Tm 4.12). Eles precisam ser modelos morais visíveis para a igreja (ekklesía).

O escritor e teólogo Hernandes Dias Lopes comenta sobre a postura do líder responsável com sua vida diante de Deus e dos homens. Ele diz:

Na Igreja de Deus, precisamos de lideres que tenham o caráter de Cristo, o fruto do Espírito, as marcas de uma vida irrepreensível. A Igreja de Deus precisa de homens que tenham a têmpora espiritual de Estêvão. Homens que sejam impolutos na conduta, que não transijam com os absolutos de Deus. Homens que sejam cheios do Espírito, e não transbordantes de vaidade. Homens que tenham a sabedoria do alto, em vez de blasonarem apenas a arrogante sabedoria terrena. Quando o apóstolo Paulo apresentou as credenciais do presbítero, falou de várias virtudes que devem ornar a vida. Dos quinze atributos listados pelo apóstolo, apenas um fala acerca de sua capacidade intelectual. O presbítero deve ser apto para ensinar (1Tm 3.2). Todos os outros atributos referem-se à vida do líder, sua integridade, seu caráter, sua família (1Tm 3.1-7). A liderança tem exatamente a extensão de sua vida. Seu nome é o seu grande patrimônio. Se ele perder sua dignidade, perde o seu ministério (Mensagens Selecionadas. Hernandes Dias Lopes, pg. 176,7. Ed. Hagnos).

Em suas recomendações ao jovem Timóteo: "[...] torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza" (1 Tm 4.12; ARA), Paulo mostra as diversas áreas onde deveria ser exemplo: “na palavra”, se refere à conversação diária, sempre honesta e amorosa, dizendo sempre a verdade em amor; “no trato” ou “procedimento” (ARA), modo de vida, comportamento coerente com a fé que professa (Ef 4.1); “caridade” ou “amor” (ARA), está relacionado com amor altruísta onde há profundo apego a seus irmãos e preocupação por seu próximo, buscando sempre o bem está de todos; “fé”, confiança plena e fidelidade em Deus. A fé parece ser a raiz de onde brota o amor verdadeiro; “pureza”, implica integridade e coerência na completa conformidade, de pensamentos e atos, com a lei moral de Deus. Mesmo vivendo em Éfeso, centro de impureza sexual, Timóteo deveria ser puro em seu relacionamento com as mulheres da igreja de modo a conservar a pureza de mente, coração e do corpo. Era esta a preocupação de Paulo com o seu jovem líder.



Líder Jovem, você foi designado para uma grande obra.
Uma das coisas importantes e necessárias ao líder é a convicção que deve ter acerca do que faz para Deus. Manter o foco no que Deus determinou o levará ao sucesso no fim de sua empreitada. Quando Neemias concluiu a construção de todo muro e brecha nenhuma havia mais, senão as portas por serem colocadas nos portais (Ne 6.1), os inimigos do povo de Deus enviaram comunicado a Neemias, líder do povo, dizendo: “Vem, e congreguemo-nos juntamente nas aldeias, no vale de Ono” (6.2). O vale de Ono ficava na metade do caminho entre Jerusalém e Samaria. Ao que se possa ver, o convite parecia ser algo cativante, uma reunião da cúpula. Qual seria o motivo? Estavam os inimigos do povo de Deus reconhecendo o trabalho e competência de Neemias e seu povo? Queriam eles fazer algum acordo em reconhecimento à liderança de Neemias, estando dispostos a viver em paz? Queriam porventura, se tornar amigos? Neemias, claro, ouviu atenciosamente seu comunicado, mas não virou a cabeça como mostra o texto com sua réplica ao convite: “Porém intentavam fazer-me mal”. 

É sempre assim, quando não se quer vê o avanço da obra da Deus, procura-se criar distrações e situações negativas para que a obra não seja concluída. Os inimigos do povo de Deus buscaram então, dialogar com os líderes do povo de Deus. Hernandes Dias Lopes mostra o perigo que há em tal assertiva:

O inimigo nunca é tão perigoso como quando parece amigável e chama para um diálogo. A sutileza da serpente é mais perigosa do que o rugido do leão. Os inimigos agora querem conversar. Eles disseram: “Tá bom, agora, sabemos, que Jerusalém é uma cidade construída. Agora vamos sentar. Agora vamos estabelecer um bom relacionamento. Vamos sentar ao redor da mesma mesa e resolver as nossas diferenças de tantos anos”. [...] Neemias não dialogou com o inimigo. Jesus também não dialogou com o Diabo. Jesus não nos mandou dialogar, mas pregar. Identificação é viver onde as outras pessoas vivem. Jesus se identificou, mas não transigiu. O diabo tentou dialogar com Jesus, mas Ele nunca sentou com o diabo numa mesa de conferência (Lopes, Hernandes Dias. Neemias, o líder que restaurou uma nação. Ed. Hagnos, pg. 98,99). 

Observa-se que o complô armado contra Neemias não deu certo. Ele não aceitou o traiçoeiro convite dos inimigos da obra de Deus para um acordo, sabendo que de lá nada de bom sairia. Decididamente, foi capaz de dizer: “Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer” (6.3).

A resposta do líder Neemias não foi uma desculpa evasiva, mas a demonstração clara de suas prioridades, a capacidade de dizer não às distrações em favor da grande obra que fazia para Deus. Líderes do povo de Deus, temos agido como Neemias, ou estamos envolvidos em discursos que não nos levarão a lugar nenhum? Ele foi capaz de com sua determinação, coragem, coerência e foco alcançar a total restauração da cidade de Jerusalém. Os muros da cidade foram concluídos em 50 dias (6.15), considerado por ele como uma grande obra. Como você, líder, tem considerado o trabalho que Deus entregou em suas mãos, uma grande obra? Pense nisso.



Líder jovem lembre-se de está devidamente preparado.

Um líder de jovens consciente de suas responsabilidades à frente do seu departamento sabe que precisa está devidamente preparado para desempenhar com êxito sua função. Penso que posso pontuar alguns requisitos exigidos por Deus e considerados importantes para quem exerce liderança no âmbito da igreja:

1) Precisa ter verdadeira conversão. É lamentável dizer que nossas igrejas estão repletas de pessoas que não se converteram ao evangelho. Os prejuízos ao Reino de Deus tem sido irreparáveis. A recomendação bíblica a todos é: “[...] Convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos de refrigério pela presença do Senhor” (At 3.19). Em uma liderança sincera, não há lugar para crentes inconversos e ou neófitos (1 Tm 3.6);

2) É preciso que seja homem de verdade haja vista que seu principal trabalho é proclamar a verdade de Deus. Um homem que não fala a verdade, não anda na verdade e que não ame, sobretudo a verdade, não pode jamais ser líder de verdade. Tais recomendações estão na Palavra de Deus, nosso manual de regras para um viver saudável (3 Jo 4; Ef 4.25);

3) Viver vida de obediência à Palavra. De nada adianta pregar e ensinar aos outros se não se submete aos princípios da Palavra;

4) Deve ainda ter um espírito justo. O líder deve se esforçar para não falhar aqui. A injustiça é algo que muito desagrada a Deus;

5) Finalmente, deve ter coração ardente de amor por aqueles que estão sob seus cuidados. O líder deve se empenhar arduamente para que nenhum daqueles que estão sob sua liderança se perca.

Quem exerce liderança, especialmente na obra de Deus, tem grande responsabilidade em cuidar ativamente de seu preparo espiritual, mas não é só, precisa também ter bom preparo intelectual. Um exemplo claro é o apóstolo Paulo que embora não confiasse no seu preparo intelectual, possuía conhecimentos especiais (At 22.3; 2 Co 2.14) e instruía seu discípulo Timóteo ao estudo das Escrituras (2 Tm 2.15; 3.14,15).

O preparo intelectual depende de esforço e dedicação ao estudo. Sabe-se que o descuido e a negligência são fatores de pobreza, inclusive espiritual (Pv 18.9; 1 Tm 4.15). O líder de jovens precisa ter bom conhecimento da doutrina bíblica. Essa é sua ferramenta de trabalho diário na igreja, frente a seu departamento. Estêvam Ângelo de Sousa define doutrina como “a revelação progressiva do plano salvador de Deus, em Cristo”. Teologicamente analisada, doutrina é “o conteúdo da fé cristã”.

A doutrina é uniforme, a mesma em todos os lugares, para todas as pessoas e para todos os tempos. Ao deixar Timóteo em Éfeso, Paulo tinha por objetivo corrigir heresias destruidoras de falsos mestres que se propagavam entre os irmãos naquela igreja (1 Tm 1.3-11). Não tinha como Timóteo fazer esse trabalho se não fosse um jovem obreiro preparado e bem fundamentado nas Escrituras Sagradas. É inadmissível que alguém que tenha a prerrogativa de ensinar não se preocupe em aprimorar-se buscando amplo conhecimento, em especial da doutrina bíblica. A recomendação Paulina que o bispo deve ser apto para ensinar era tão necessária naqueles dias quanto o é atualmente (1 Tm 3.3). O descuido da leitura bíblica trás paulatinamente, enfraquecimento espiritual da fé e afrouxamento na doutrina e, é o que tem acontecido com muitos.

Na verdade, a lista de cuidados que deve ter o líder é demasiadamente extensa se tornando impossível de continuar pontuando mais algumas neste já tão longo artigo. Devo retornar com o assunto em outros artigos sobre liderança de jovens em meu blog. Encerro este tema te admoestando a ser um líder de jovens envolvido com os negócios do Reino de Deus. Leve os seus liderados a um envolvimento cada vez maior com Deus e sua obra. Seja obediente a seu líder maior e submisso às diretrizes estabelecidas, pois tal comportamento engrandece o nome do Senhor Jesus. Saiba que Deus entregou em tuas mãos uma grande obra. Avance, não vale a pena recuar. Cumpre cabalmente o teu ministério.


Deus tenha misericórdia dos líderes de jovens.