segunda-feira, 20 de abril de 2015

A Influência do Neopentecostalismo no Movimento Pentecostal Clássico [3/4]


Por Nonato Souza

“Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras” (1 Co 15.1-4; ARA; O grifo é meu).



Esta é a terceira parte sobre “a influência do neopentecostalismo no movimento pentecostal clássico”. Abordaremos algumas práticas neopentecostais nocivas ao verdadeiro pentecostalismo.

Não se vê no neopentecostalismo, o perfil do pentecostalismo clássico. O que se observa em algumas igrejas neopentecostais são doutrinas heréticas, movimentos estranhos contrário ao que ensina a Palavra de Deus. Citarei alguns ensinos e práticas do movimento neopentecostal cuja ênfase é incompatível com as escrituras.

Confissão positiva.

Conhecido também como “palavra da fé”, esse ensino aborda que se o cristão crê firmemente em algo e o declara de modo convicto e explícito, aquilo que ele confessa irá acontecer, pelo poder da fé. Esse tipo de ensino declara que a “fé” é um poder que tem eficácia em si mesmo.

Veja por exemplo o que alguns expoentes da referida doutrina ensinam: Robert Schuller declara: “Agora – creia e receberá”. Paul Meyer fala: “Imagine vividamente, creia sinceramente, deseje ardentemente, aja entusiasticamente, e isso tem que acontecer, inevitavelmente”. David Yonggi Cho declara: “Por meio da visualização e do sonho, você pode incubar seu futuro e colher os resultados”.

Que tipo de ensino é este, que ensina que a fé é uma força ou poder que faz as coisas acontecerem se você crê? Se assim for, a fé não é posta em Deus, conforme ensino do Senhor Jesus Cristo (Mc 11.22), mas um poder que é dirigido a Deus e que o força a fazer por nós aquilo que queremos ou que cremos que ele fará.

Esse conceito faz da fé e das palavras de fé algo mágico, supersticioso, como um talismã. Ora, o que aprendemos das Escrituras é que a fé é um dom de Deus e que Deus atua mediante a fé ou, também, independente dela, como soberano que é. Fé não significa força ou poder como pensam alguns, mas uma atitude de confiança e dependência de Deus. A fé não tem poder em si mesmo. O poder pertence a Deus (Sl 62.11).

Pastor Ivan Teixeira [1] é enfático quando comenta sobre o assunto. Ele diz:

“Não devemos ter fé na fé, mas fé em Deus! Não é a fé que tem poder em si, como muitos dizem e pregam “o poder mágico da fé”. Isto é idolatria! A fé tem que está em Deus, pois é Deus, e não a fé, que é Todo Poderoso. A fé é confiar naquilo que Deus tem dito em sua palavra e sumamente em Cristo Jesus”.

Junto a tudo que prega os adeptos da doutrina da Confissão Positiva, ainda encontramos a ideia de “posse” e de “herança”. Certo corinho cantado frequentemente em nossas igrejas diz: “Tudo o que Jesus conquistou na cruz é direito nosso é nossa herança”. Ora, se é direito nosso é nossa herança, então não temos mais que pedir nada, temos, na verdade que exigir de Deus que me dê o que já é meu, cumprindo assim, suas promessas em minha vida. Sendo assim, o relacionamento do crente com Deus deixa de ser baseado na livre e soberana graça de Deus para se concentrar em direitos, exigências e decretos.

Prosperidade financeira e saúde.

O movimento neopentecostal ensina que a vida do crente deve ser livre de qualquer problema. Ele deve morar em mansões, possuir carros caros, ter muito dinheiro e muita saúde. Caso isto não aconteça, fica caracterizado falta de fé, vida pecaminosa ou domínio de Satanás. 

A prosperidade financeira tem se tornado a mola propulsora do movimento neopentecostal. Somos sabedores e acreditamos que à luz das Escrituras não há nenhum erro em o cristão prosperar financeiramente, mas também estamos certos que este não é e nunca foi o ensino central do Senhor Jesus e dos apóstolos. Nunca tivemos nos ensinos e pregações de Jesus ou dos apóstolos destaque algum a tal “teologia”. Hoje esse assunto está presente em todas as reuniões e cultos das igrejas locais.


Os adeptos da teologia da prosperidade insistem na ênfase em bênção materiais em detrimento de uma vida espiritual próspera e perfeito relacionamento com Deus. Essa preocupação exagerada no materialismo individualista tem muito a ver com os interesses desta sociedade consumista, porém, está distante dos ensinos do Senhor Jesus Cristo que nos estimula a ser solidários com os que nada têm, além de nos ensinar a amar a Deus pelo que Ele é independentemente do que possa nos dar.

Eles ainda enfatizam que doenças não fazem parte da vontade de Deus para seus filhos e que os crentes adoecem por pelo menos três motivos:

1. Falta de fé;
2. Por ignorarem seus direitos em Cristo e deixar de reivindicá-los;
3. Por deixarem de expulsar Satanás.

Estes ensinos podem ser refutados claramente pelas Escrituras Sagradas em vários textos: 2Rs 13.14; At 7.9-11; 2Co 1.3-11; Fp 2.30; 1Tm 5.23; 2Tm 4.20.

Igrejas há, que todo o seu ensino e atividade gira em torno do trinômio exorcismo-cura-prosperidade, tendo a simonia [2] como uma de suas principais características, onde bênçãos e prosperidade são trocadas por dinheiro. Em seus cultos costumeiramente comercializam tipos de objetos e utensílios mágicos e ungidos, tais como: sal grosso, sabonete do descarrego, vassouras, fitas, colares, pedras, tijolinhos ungidos, água ungida do Rio Jordão, e muitos outros.

Pregadores por sua vez condicionam o recebimento de bênçãos à entrega de ofertas, as maiores possíveis, ou como costumeiramente dizem o “sacrifício” dos fiéis. Ora, sabe-se que este não é o Evangelho da graça de Cristo Jesus. O pentecostalismo clássico prega o evangelho que não se baseia em merecimentos ou conquistas humanas, mas que se fundamenta no amor de Deus, oferecido gratuitamente em Cristo (Mt 10.8).

O ensino de Jesus aos seus discípulos os levou a buscar prioritariamente o Reino de Deus e sua justiça e não as bênçãos materiais (Mt 6.33). É importante, pois, que o cristão priorize o crescer no conhecimento de Deus, sua Palavra, na comunhão do Espírito Santo, servindo ao corpo de Cristo e desenvolvendo intimidade com ele. Não há riqueza maior que esta.

É bom observar que as riquezas materiais quase sempre são apresentadas na Bíblia como uma armadilha para a vida cristã. Observe os seguintes textos:
     
    Mt 19.23 – Será difícil a entrada de um rico no Reino dos céus;
·         Lc 16.13 – As riquezas constituem um senhor a mais na vida da pessoa;
·         Tg 2.5 – Tiago instrui os crentes a serem ricos na fé;
·         Tg 4.3 – Aqui está a motivação legítima de “ter”;
·         1Jo 2.15 – A Bíblia ensina-nos a sermos desapegados das coisas de baixo;
·         1Tm 6.6-12 – Esta é a teologia de Paulo sobre as posses;
·         Lc 3.14 – O conselho de João Batista (cf. Hb 13.5);
·         Lc 10.42 – Segundo Jesus, precisamos de pouca coisa para viver;
·         Mt 13.22 – Os prejuízos que as riquezas podem trazer à fé;
·         Mt 6.21 – As riquezas podem roubar o espaço sagrado do coração;
·         Mt 6.19 -    Jesus ensina-nos a fazermos a troca dos tesouros.

Quebra de maldição.

O ensino sobre a quebra de maldição revela que as adversidades, pecados, enfermidades na vida de pessoas provêm dos pecados de seus antepassados. Usa de forma isolada o texto de êxodo 20.5, onde Deus afirma que castiga a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta gerações, construindo toda uma doutrina falsa a partir daí. Os adeptos de tais ensinos estão embebendo o cristianismo num sincretismo religioso letal.

Paulo Romeiro [3] comenta que “se alguém (isto inclui todos os cristão, mesmo pastores) enfrenta problemas com adultério, álcool, nervosismo, depressão, miséria, divórcio, suicídio, câncer, diabetes, obesidades, alergia ou doenças do coração é porque algum de seus ancestrais independentemente de geração, praticou aquele pecado, sofreu aquela enfermidade ou viveu aquela experiência e a transmitiu a seus descendentes. Tudo o que a pessoa deve fazer é orar para que Deus lhe revele qual geração do passado afeta sua vida hoje, então deve pedir perdão por ela para que o mal seja banido”.

Os pregadores da prosperidade ensinam que a única maneira de um fiel obter libertação desta situação é através de “campanhas de sete dias”, “sessão de descarrego”, “sessão de cura interior” ou ainda o uso de objetos que mais se parecem amuletos que atribuem, direta ou indiretamente, virtude sobrenatural para livrar seu portador de males materiais e espirituais.


Ora, sabe-se que ao aceitar o senhorio de Cristo Jesus, recebemos o Espírito Santo (1Co 6.19; Ef 1.13); nossos pecados são perdoados (At 10.43; Rm 4.6-8); somos filhos de Deus (Jo 1.12) e novas criaturas em Cristo Jesus (2Co 5.17), o diabo não nos toca (Tg 4.7; 1 Jo 5.18), não estamos mais sujeitos às maldições (Jo 8.32,36). A partir de então, somente um retorno voluntário ao pecado poderá alterar essa situação do homem diante de Deus.

Outras práticas, modismos e heresias inseridas no movimento neopentecostal e que infelizmente estão aportando em nossas igrejas.

O neopentecostalismo tem se envolvido profundamente com práticas místicas que prescinde à Bíblia, baseando-se apenas em experiências, que normalmente não tem nenhuma base no texto sagrado, dando a estas, sua própria interpretação sem nenhum recurso hermenêutico.

Quase sempre os seus ensinos e práticas envolvem a mistura de figuras, objetos e símbolos que representam coisas espirituais. Tomam figuras do Antigo e Novo Testamento e as espiritualizam em objetos de “proteção”, semelhantes à que se usa nos trabalhos de magia.

A partir dessas esquisitices, temos crentes com fitinha no braço, com medalhas e símbolos bíblicos, com vidros de azeite para derramar sobre cidades, ungir casas, portas, colocando sal ao redor de casas, em lugares estratégicos de cidades para impedir entrada de maus espíritos; outros bebem água ungida, demarcam território com urina e outras esquisitices.

Atos proféticos, decretos, declarações, estão sendo feitos também. Hoje não se evangeliza mais, não se ora mais, não se prega a Palavra e consequentemente, também, não se acredita mais em Deus; apenas se “decreta”, “declara”, “profetiza” e “toma posse”. Meu Deus! É de causar espanto esse tipo de evangelho. Na verdade é “outro evangelho” (Gl 1.8), pois, se está anulando a verdadeira fé e a eficácia da obra redentora de Cristo Jesus.

Linguagem estranha.

Pode-se observar que está aportando em muitas igrejas um vocabulário esquisito que acaba desfigurando em muito as referências de uma postura cristã, principalmente no pentecostalismo clássico. Cito alguns chavões como exemplo: “Eu decreto a bênção”, “tome posse”, “eu profetizo”, “se liga”, “se liga no fio que desce”, “fica ligado”, “é mistério”, “entra no mistério”, “vaso”, “abre a boca e profetiza”, “reteté”, “determine sua vitória”, “é só vitória”, “reteté de Jesus”, “olhe para o seu irmão e diga”, “Diabo eu exijo...”, “eu te abençoo”, “eu profetizo prosperidade em tua vida”, “... quantos vieram buscar uma bênção?”, e muitos outros.

Amarrar o inimigo.

Muitos estão enganados quando tentam “amarrar” Satanás e seus demônios com jargões, slogans e gritos. Esse mecanismo foi criado a partir de textos como Marcos 3.27; Mateus 12.29, onde se lê: “Ou, como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? e então lhe saqueará a casa”.

O texto em apreciação mostra sobre amarrar o valente para saquear-lhe a casa. Paulo Romeiro [4] faz a seguinte observação:

Ora, para que alguém possa amarrar o valente, é preciso ser mais forte do que ele. Aí, então, entra Jesus. Quando Jesus salva, liberta e transforma o pecador, está saqueando a casa do valente e Satanás não deixaria que seu reino fosse saqueado por alguém mais fraco do que ele. O propósito do texto é mostrar que Jesus é maior e mais forte do que Satanás e não de ensinar aos crentes que saiam por ai amarrando demônios.

Se, o crente quer amarrar o inimigo que o faça através da sua fé em Cristo (Jo 14.20; 6.69), assumindo sua posição em Cristo (Ef 1.3,20-22; 2.6) e reivindicando sua vitória e autoridade sobre o inimigo (Cl 2.15; 2Co 2.14; Mc 16.17; Fp 3.10). Fica também o conselho bíblico para resisti-lo (Tg 4.7; 1Pe 5.8,9).

Cair no Espírito.

São muitas as novidades que se tem aportado nos púlpitos das igrejas. O fenômeno do cair no Espírito é mais um destes. Observe o que diz Ciro Zibordi [5] sobre o assunto:

Os pregadores da “nova onda”, ao soprar no microfone, girar o paletó sobre a cabeça ou lançá-lo sobre a plateia, para que pessoas “caiam no poder”, querem nos fazer crer que, em questão de segundos, acontecerá na vida desses “caídos” o que os pregadores “antigos” dizem que só pode ocorrer por quebrantamento diário e submissão a Deus.

Os adeptos dessas manifestações escalafobéticas se utilizam de textos como Daniel 10.7-19; Atos 9.4-8; Apocalipse 1.17; Gênesis 2.21, para apoiarem tais ensinos que nada tem a ver com o movimento de “cair no Espírito” dos dias atuais. Com o uso de passagens bíblicas isoladas os defensores dessas heresias enganam os neoconversos que desejosos por ver milagres, abrem mão dos ensinos bíblicos e se apoiam apenas em uma fé sensorial.


Relantando sobre fatos que se deram com alguns servos de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento, Zibordi [6] comenta que Daniel e Paulo mesmo tendo caído prostrados na presença do Senhor, não ficaram inconscientes, gelados ou se esqueceram do que viram e ouviram. Eles, não foram lançados ao chão por um sopro, antes, ficaram sem forças nenhuma em razão de não suportarem a real presença de Deus. Observa-se que nos exemplos citados pelas Escrituras Sagradas, as pessoas caiam sobre o próprio rosto quando maravilhadas pelo que viam e por Quem viam.

Fica claro que não estamos generalizando que todos os exemplos de “cair no Espírito” sejam falsos. No entanto, não temos base bíblica nenhuma para esse estranho movimento, onde crentes caem e ficam, segundo os pregadores da “nova onda”, “anestesiados” para se submeterem a cirurgias espirituais. O livro de Atos não registra nada sobre esse assunto. Infelizmente, não são poucos os pregadores e crentes que em geral crê e busca este estranho movimento, que nenhum fruto produz, não edifica, traz, porém, escândalo, confusão e descrença na igreja.

Zibordi [7] é enfático em suas palavras ao dizer que os que defendem a “queda no poder”, acabam por desprezar o fato de que o culto é racional (Rm 12.1), e que o espírito do profeta está sujeito ao profeta (1Co 14.32). Isso significa que, por mais que sintamos a presença do Senhor, em um culto, devemos ser prudentes em nossas reações. Devemos ser meninos apenas na malícia, e adultos no entendimento (1Co 14.20).

Nova unção, estranha unção para enfermos, unção da gargalhada e outras formas de unções.

Sabe-se pelo texto veterotestamentário que reis, profetas, sacerdotes e coisas eram ungidos (Gn 31.13; Êx 30.26-30; 1 Rs 19.16), e simbolizava a consagração de pessoas e coisas ao Senhor. No Novo Testamento, Jesus ao ser ungido no plano espiritual cumpriu sobre si a unção de profeta, sacerdote e rei (Is 61.1,2; Lc 4.18-21).

No tempo presente não há mais necessidade de unção com azeite para consagração ou confirmação de ministérios. Basta a unção do Espírito Santo (1Jo 2.20,27). Também não há necessidade de unção sobre objetos, para consagrá-los a Deus, haja vista, haver menção no Novo Testamento de unção apenas sobre os enfermos (Mc 6.13), que deve ser aplicada pelos presbíteros da igreja (Tg 5.14). Todos esses rituais eram simplesmente sombra das coisas que haviam de vir (Cl 2.16,17), tendo, portanto, cessado com o sacrifício expiatório de Cristo Jesus (Hb 10.11-14).

Sobre o assunto da “nova unção”, não encontramos na Bíblia apoio para tal modismo. Sabe-se que Deus é poderoso para restaurar a unção dele recebida, isto, porém, não significa “nova unção” à luz do que andam professando os pregadores do movimento neopentecostal. A unção que profere a Palavra de Deus, “fica em vós” (1 Jo 2.27), nos ensina (v. 20,27). É triste o que tem acontecido nos púlpitos de muitas igrejas. Pregadores anunciando novidades dissociadas das Escrituras, porém, afirmando terem o aval de Deus.

É preocupante o que se vê atualmente sobre esse assunto: “unção da loucura de Deus” com base em 1 Coríntios 1.25; “unção da gargalhada ou do riso” também conhecida como “fenômeno de Toronto” (caídas ao chão, estremecimentos, gargalhadas histéricas e descontroladas, rolar no chão, urrar e coisas semelhantes).

Observa-se ainda a “estranha unção para enfermos”, onde os chamados “pregadores de milagres”, utilizam litros cheios de azeite para esfregar no local da enfermidade, de onde extrai objetos que supostamente indicam a ocorrência da enfermidade ou efeito de “trabalhos de bruxaria”. Zibordi [8] nos faz lembrar que hoje a unção para os doentes é apenas simbólica e não deve ser aplicada no local da enfermidade. Ele ainda comenta que extrair pedaços de ossos, pedras, filetes com sangue ou algo parecido do corpo das pessoas – se é que não se trata de fraude – tem muito mais semelhança com as chamadas cirurgias mediúnicas do que com a manifestação de Deus. Conclui dizendo que “não devemos aceitar como sendo da parte de Deus qualquer operação prodigiosa, pois a própria Palavra do Senhor nos manda testar, examinar, julgar, provar o que ouvimos, vemos e sentimos (At 17.11; 1Ts 5.21;1Co 14.29; 1Jo 4.1)”.

O espaço deste pequeno material não me permite avançar tanto abordando e explicando tantos erros doutrinários como estamos vendo atualmente no seio da igreja. Citarei de forma bem resumida mais algumas aberrações.

Cola do Espírito.

O crente fica deitado no chão colado e dando gargalhada e se agitando. Já vi vídeo de crentes colados uns nos outros. Vi recentemente crentes com as mãos coladas e etc.

Sobre cultos e cultos.

Sabe-se que o propósito principal de um culto é adoração a Deus e edificação do corpo de Cristo. Nas igrejas neopentecostais o culto não tem esta ênfase, pois, ao invés de cultuar a Deus se faz campanhas de cura, prosperidade, revelação, busca constante por coisas que são apenas de interesse pessoal e não de interesses do Reino.

Suas reuniões são transformadas em festivais de ofertas e reuniões de exibições e atos aparentemente sobrenaturais objetivando enganar os incautos. Esequias Soares [9] observa que eles fazem campanhas realçando textos e personagens do Antigo Testamento empregando figuras e símbolos, totalmente fora do contexto bíblico, como ponto de contato para estimular a fé, apelando ainda para práticas ocultistas, animistas, supersticiosa para arrecadar fundo.
Falando sobre o tipo de hermenêutica usada pelos neopentecostais, Paulo Romeiro [10] que é de confissão pentecostal enfatiza:


“As campanhas semanais, os cultos “de libertação”, “da vitória”, “da conquista” e “da prosperidade” se multiplicam na disputa por fiéis. Tudo isso dirigido a um publico despreocupado também com as regras de interpretação bíblica, pouco afinado com a reflexão, mas numa busca constante e intensa de solução”.

Gutierres Siqueira [11] editor do blog Teologia Pentecostal observa sobre a forma como os neopentecostais fazem a interpretação do texto bíblico:

“Em vez de uma exegese, para extrair do texto bíblico o que ele diz, se pratica a eisegese, colocando no texto o seu próprio pensamento, ou seja, se tenta justificar por meio da Bíblia. A Bíblia para o neopentecostalismo é indicativa, ou seja, se recorre a ela como justificadora de suas práticas, mas não normativa, ou seja, determinando as doutrinas e práticas da igreja”.

O editor do blog Teologia Pentecostal [12] observa ainda que a hermenêutica neopentecostal é pragmática e empírica. Ele explica:

Pragmática se entende que a interpretação bíblica do neopentecostalismo busca praticidade ou funcionalidade de sua crença; se algo é prático e dá certo, então é preciso inserir na doutrina neopentecostal. Quando algum apologista critica as experiências e crença do neopentecostalismo, os seus promotores vem com os seguintes argumentos: “mas as pessoas são curadas”, “mas isso tem dado certo”, “explique os milagres do seu ministério?”, etc. Sempre se recorre à funcionalidade de suas doutrinas. A experiência sempre precede a doutrina no pentecostalismo.

Continua...

Notas:


[2] Venda de favores divinos, bênçãos, cargos eclesiásticos, prosperidade material, bens espirituais, coisas sagradas, etc.

[3] Romeiro, Paulo. Decepcionados com a Graça. Editora Mundo Cristão. Pg. 114

[4] Idem, pg 134

[5] Zibordi, Ciro Sanches, Evangelhos que Paulo jamais pregaria. Editora CPAD, pg. 33

[6] Idem, pg. 33

[7] Ibidem, pg. 34

[8] Zibordi, Ciro Sanches, Mais erros que os pregadores devem evitar. Editora CPAD, pg. 52

[9] Soares, Esequias. Heresias e Modismos. 3 ed. CPAD, pg. 319

[10] Romeiro. Paulo. Decepcionados com a Graça. Ed. Mundo Cristão, pg. 123

[11] Siqueira, Gutierres. Neo-pós-pseudo-pentecostalismo. http://www.teologiapentecostal.com/

[12] Idem

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Homens de honra


Por Rev. Hernandes Dias Lopes

A família, a igreja e a sociedade precisam de homens de verdade, homens de honra. Esse foi o conselho de Davi a Salomão, seu filho, antes de morrer. Há muitos homens famosos, ricos, cultos, influentes, mas escasseiam os homens de honra. Homem de honra é aquele cuja vida é irrepreensível, cujas palavras são irresistíveis e cujas obras são irrefutáveis. Homem de honra é aquele que teme a Deus, ama a família e serve ao próximo. Homem de honra é aquele que, embora pobre enriquece a muitos; embora anônimo, abençoa a muitos; embora longe dos holofotes, ilumina a muitos.
Precisamos de homens de honra, homens que tenham a coragem de amar a esposa como Cristo amou a igreja. Homens que tenham o compromisso de ensinar os filhos pelo exemplo mais do que pelas palavras. Homens que não terceirizam a liderança de sua casa nem se esquivam do sacerdócio do seu lar. Precisamos de homens como Abraão que levantou altares para adorar a Deus. Precisamos de homens como Josué que disse para sua nação: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. Precisamos de homens como Neemias que teve coragem de chorar e jejuar pelo seu povo e se colocar nas mãos do Altíssimo para erguer do pó a sua cidade. Precisamos de homens como Paulo, que dispôs sua vida para servir a Cristo na saúde e na doença, na riqueza e na escassez. Precisamos de homens que não se dobrem diante da sedução dos prazeres nem das perseguições do mundo. Homens que enaltecem a verdade e combatem a mentira. Homens cuja vida é o avalista de suas palavras.
Precisamos de homens de honra na política, nos tribunais, na educação, na saúde, na igreja, no comércio, na indústria, e sobretudo, na família. Somente homens de honra inspiram os mais jovens à integridade. Chega dos discursos hipócritas daqueles que estadeiam virtude no palco e rasgam todos os códigos da decência nos bastidores. Precisamos de exemplo e não de palavras, pois palavras sem vida são propaganda enganosa, trovão sem chuva, árvores cheias de folhas, mas desprovidas de frutos.
O conselho de Davi a Salomão nos ensina a necessidade de prepararmos nossos sucessores. Davi está morrendo, mas Salomão precisa pegar o bastão e continuar sua obra. Davi está morrendo, mas os princípios que governaram sua vida devem continuar na vida de Salomão, seu sucessor. Os homens de honra do presente precisam se inspirar nos homens de honra do passado, pois a história deve ser nossa pedagoga e não nossa coveira. Os melhores dias do passado podem ser medidas mínimas do que Deus pode fazer no presente.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A Influência do Neopentecostalismo no Movimento Pentecostal Clássico [2/4]


Por Nonato Souza.


“Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras” (1 Co 15.1-4; ARA; O grifo é meu).


Em continuidade ao nosso estudo sobre “a influência do neopentecostalismo no movimento pentecostal clássico”, iremos enfatizar, de forma resumida, sobre o que é o neopentecostalismo e ainda o pentecostalismo clássico.

O que é o movimento Noepentecostal?

O conhecido movimento neopentecostal no Brasil é dissidente das igrejas pentecostais tradicionais, e surgiu a partir da década de 70, multiplicando-se rapidamente devido sua proposta de dinamizar práticas litúrgicas, Cristologia, eclesiologia e ainda práticas hermenêuticas. Com o advento do neopentecostalismo, várias inovações, como o uso da mídia eletrônica e a administração empresarial das igrejas, inovações teológicas e litúrgicas que destoam em muito das práticas do pentecostalismo clássico aportaram em várias igrejas ditas tradicionais.

O teólogo pentecostal Elienai Cabral [1] observa que o neopentecostalismo é um movimento espiritual que absorveu doutrinas e falsos conceitos sobre as ações do Espírito Santo, tendo absorvido conceitos advindo de movimentos místicos sem compromisso com a Palavra de Deus, com raízes no humanismo de Finéias Quimby (1802 – 1866), pai do “Novo Pensamento”, que ensinava que a enfermidade e o sofrimento tem origem no pensamento incorreto. Foi ele o criador da doutrina da “Confissão Positiva” do qual foi discípulo William Kenyon, que desenvolveu a famigerada “Teologia da Prosperidade” e que foi professor de Keneth Hagin, um dos grandes nomes do “Movimento da Fé”.



As práticas neopentecostais estão distantes da realidade bíblica defendida pelos pentecostais clássicos. As igrejas pentecostais têm suas características básicas na doutrina do batismo no Espírito Santo com a evidência física inicial de falar em línguas (glossolalia), e atualidade dos dons espirituais. “Baseia sua crença na ‘doutrina dos apóstolos’, e nunca foi um movimento aparte, segregado ou discriminador, mas foi e ainda é um movimento espiritual dentro da igreja, dando continuidade ao movimento do Dia de Pentecostes”. [2]

O movimento neopentecostal está distante do verdadeiro pentecostalismo. Seus ensinos e práticas chamam atenção pelo desprezo que eles dão a princípios bíblicos básicos da hermenêutica e da exegese bíblica, aplicando de forma errônea textos bíblicos em benefício próprio que os leva a desenvolver um segmento esotérico, místico e sincrético, que foge em muito do verdadeiro cristianismo (Cl 2.8).

Conhecendo o pentecostalismo clássico.

No início do século 20, surge o Movimento Pentecostal, como “movimento espiritual” através de William Seymour, em Los Angeles, Califórnia. O fogo que incendiou o coração dos cristãos da Rua Azuza 312, incendiou também o coração de Daniel Berg e Gunnar Vingren que vieram para o Brasil iniciando uma nova igreja, a principio chamada Missão da Fé Apostólica, posteriormente, em 18 de junho de 1911, com 18 pessoas, deram início a Assembleia de Deus. A partir de então, a igreja tornou-se um movimento do Espírito que permanece vivo. A Assembleia de Deus é, portanto, uma igreja que representa o pentecostalismo clássico, porque mantém os sinais do pentecostes e continua aberta ao mover do Espírito.

O movimento pentecostal clássico tem sua práxis doutrinária no credo dos apóstolos. Tem a Bíblia como sua única regra de fé e prática, o que o leva a repudiar toda e qualquer ideia, conceito ou ensino que subtraia ou acrescente conceitos de fé ao que está escrito na Palavra de Deus. O pentecostalismo clássico não baseia sua fé em experiências pessoais, textos isolados da Bíblia, pelo contrário tem sua autenticidade doutrinária e fundamenta seus ensinos na Bíblia Sagrada.



O movimento pentecostal clássico tem na evangelização e proclamação do evangelho aos perdidos sua missão principal. Crer na ação poderosa do Espírito Santo como força propulsora que impulsiona a igreja a testemunhar de Cristo a toda criatura (At 1.8).

O movimento pentecostal clássico acredita que Jesus Cristo batiza os crentes com o Espírito Santo com a evidência física do falar em línguas espirituais. Não tem dúvida nenhuma em acreditar na atualidade dos dons espirituais como ação poderosa do Espírito objetivando edificar a igreja e fortalecer os crentes na fé.

O movimento pentecostal clássico é enfático quanto ao zelo doutrinário e bons costumes. O experiente teólogo pentecostal Elienai Cabral [3] comenta sobre o assunto:

A despeito de alguns exageros, não podemos fugir ao papel da igreja na sociedade no sentido de ter um comportamento social sem apelação ao mundano nem ao pietismo farisaico. Devemos manter nossos bons costumes sem transformá-los em doutrinas de salvação ou de perdição. O bom senso ético e costumes que não comprometam a fé são elementos representativos daquilo em que cremos. Por isso, não estigmatizamos costumes temporais, mas velamos pelos bons costumes que façam diferença de estilo de vida mundano.

O movimento pentecostal clássico é cristológico, porque acredita que Jesus Cristo é o ponto central da vida da igreja. Se uma igreja não tem Jesus e seus ensinos como ponto convergente de sua vida, não passa de movimento sem nexo. O seu “evangelho” é totalmente antropocêntrico, voltado para satisfação dos desejos meramente humanos. O movimento pentecostal clássico se preocupa com o homem, no sentido de levá-lo a Cristo, não de tê-lo como o centro.

Poderíamos citar mais alguns pontos sobre o movimento pentecostal clássico, vamos, porém, nos ater a estes e concluir com o que diz José Gonçalves [4] em seu livro Rastros de fogo, ao sintetizar os dez elementos constitutivos que identificam o pentecostalismo clássico:

1.   Ênfase na espiritualidade e poder na vida dos crentes, nos cultos, nos cânticos e nas pregações, expressos pela espontaneidade de falar “glória a Deus”, “aleluia” e “línguas estranhas”; busca da vida espiritual cheia do Espírito e com prática dos dons espirituais;

2.   Resistência ao sistema mundano e afastamento das coisas do mundo, expressos no rigorismo ético e nos usos e costumes;


3.   Mudança social de seus adeptos pela transformação decorrente do evangelho;

4.   Ênfase no derramamento do Espírito Santo sobre a igreja como um revestimento de poder (batismo no Espírito Santo) para a evangelização, diante da iminente volta de Jesus Cristo para arrebatar todos os salvos;

5.   Abominação do pecado e ênfase na santificação do espírito, alma e corpo;

6.   Ênfase no jejum e na oração coletiva em alta voz;

7.   Forte identificação com os pobres, os sofredores e os marginalizados da sociedade, tornando-o um movimento popular;

8.   Ênfase no sobrenatural por meio da cura divina e milagres;

9.   Ênfase no sacerdócio universal dos crentes;

10. Ênfase na centralidade da Bíblia, tendo-a como Palavra escrita de Deus sob inspiração verbal e plenária.

Continua...

Notas:

[1] Cabral, Elienai, Movimento Pentecostal. As doutrinas da nossa fé. CPAD, pg. 68;

[2] Idem, pg. 69;

[3] Ibidem, pg. 75;

[4] Gonçalves, José. Rastros de fogo, Ed. CPAD, pg. 89





terça-feira, 7 de abril de 2015

A Influência do Neopentecostalismo no Movimento Pentecostal Clássico [1/4]



Por Nonato Souza.


“Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras” (1 Co 15.1-4; ARA; O grifo é meu).



O assunto, “a influência do neopentecostalismo no movimento pentecostal clássico”, tem sido tema abordado por muitos cristãos na atualidade. Não é de hoje que se têm comentado sobre a influência do neopentecostalismo e seus modismos nos cultos, liturgias, formas e costumes das igrejas pentecostais.

O tempo que se vive é marcado por imitações, inovações, falsificações, misticismo, mudanças injustificáveis dentro das igrejas locais. São elementos e coisas no mínimo estranhos que estão adentrando em muitas igrejas locais em nome da verdadeira adoração, doutrina e louvor a Deus.

Líderes evangélicos, sinceros, há algum tempo, demonstram preocupação com o que está acontecendo de extravagante nos púlpitos das igrejas. Cada dia que passa, surgem práticas anti e extrabíblicas, verdadeiras heresias, que podem ser classificadas como “outro evangelho”, que em grande confusão tem os crentes incautos, trazendo prejuízo irreparável ao Reino de Deus.

Como ministros do Evangelho puro e simples de Nosso Senhor Jesus Cristo, responsáveis por Seu rebanho, os pastores devem está em constante vigilância e cuidado, principalmente com mudanças indevidas que acontecem nas igrejas sob seus cuidados pastorais, que tem trazido resultados funestos à causa do Mestre.




Sufocando e apagando aquilo que a igreja tem de melhor, a ministração da Palavra, o perfeito louvor e a verdadeira adoração, multiplicam-se nos púlpitos das igrejas as luzes, coreografias, encenações inusitadas, objetos ungidos e mágicos, entrevistas com demônios, amuletos e outras mercadorias, utilizadas para satisfação e desvarios dos pregadores e ouvintes.

O verdadeiro pentecostalismo nasceu da ação do Espírito Santo, e conscientes disto, não deve aceitar a ação indevida de homens. Este movimento divino não tem o seu progresso como efeito de ações humanas. Está mais do que evidente que o pentecostalismo clássico não cresceu e se desenvolveu como efeito da ação de esforços humanos senão como uma ação soberana do Espírito de Deus. É Ele que tem impulsionado as igrejas que professam o genuíno pentecostes ao crescimento, à santidade e vida de compromisso com as verdades do Evangelho de Cristo.

O que vê-se atualmente em algumas igrejas, é um comportamento no mínimo bizarro que destoa completamente do som do verdadeiro pentecostes vindo do céu (At 2.2). Há, sem sombra de dúvida, um grande distanciamento do que conhecemos como verdadeiro mover pentecostal que tem suas bases no que ensina a Palavra de Deus, das doutrinas ensinadas pelo movimento denominado neopentecostal.

Longe do equilíbrio doutrinário proposto pela Palavra de Deus, o movimento neopentecostal baseia suas doutrinas e práticas em experiências meramente humanas. Seus ensinos e práticas se tornam chamativos por desprezarem princípios básicos da hermenêutica e da exegese bíblica, aplicando de forma errônea textos bíblicos em benefício próprio. Assim acontece em ensinos que são carro chefe deste movimento, tais como a chamada confissão positiva (Evangelho da Saúde e da Prosperidade, Quebra de Maldição Hereditária, etc), sempre com maior ênfase no TER, do que no SER e ainda, a transformação indevida de fatos e eventos bíblicos em doutrinas.

Pregadores desinformados e desprovidos de conhecimento bíblico-teológico disseminam esses falsos ensinos em acampamentos cristãos, congressos, escolas bíblicas e igrejas que inexplicavelmente facultam seus púlpitos à proclamação de falsos ensinos e heresias de perdição. Infelizmente ministros e obreiros estão se deixando envolver por doutrinas várias, aparentemente corretas e bíblicas, quando na verdade estão sendo levados por um sentimento corrosivo e destrutivo do verdadeiro ensino, ao mesmo tempo, que detonam com a vida espiritual da igreja.



O que se vê hoje é de causar espanto. A impressão que se tem é que o verdadeiro evangelho da forma que foi pregado, ensinado pelos apóstolos, pais da igreja, e os que buscam a ortodoxia bíblica, já não serve para os dias atuais. Falar da obra expiatória de Cristo Jesus, salvação, arrependimento, pecado, perdão, santidade, céu e inferno, se tornou obsoleto, ultrapassado, antiquado. O evangelho que serve para os dias atuais precisa está recheado de entretenimento, atrativos, sendo uma nova atração a cada semana, igual ao que se vê numa sociedade consumista. Isto com objetivo de agradar as pessoas senão estas se ausentam. Me lembro das palavras de um membro que me procurou no gabinete pastoral para dizer-me que se a igreja não desse aos seus membros intretenimento muitos iriam sair da igreja, porque Bíblia e oração não segura crente. É incrível o que se ouve dos lábios de muitos crentes hoje. Para muitos, Cristo já não é mais suficiente.

Ora, o pentecostalismo clássico não pode entregar-se a estas situações, atitudes e comportamentos deixando-se corromper com tanta coisa e erro doutrinário. Muitos há que já perderam a noção do que é ser cristão. Não sabem, sequer, por que Jesus morreu na cruz, estão totalmente perdidos neste labirinto de heresias e modismos que de alguma forma tenta se parecer com a verdade.

Não é hora de se rever conceitos, ensinos e atentar para o aprendizado que se recebeu e alcançou do Senhor, a fim de transmitir o mesmo a homens fiéis que sejam idôneos para também ensinarem a outros? (2Tm 2.2). Penso que sim.

Continua...