terça-feira, 7 de abril de 2015

A Influência do Neopentecostalismo no Movimento Pentecostal Clássico [1/4]



Por Nonato Souza.


“Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras” (1 Co 15.1-4; ARA; O grifo é meu).



O assunto, “a influência do neopentecostalismo no movimento pentecostal clássico”, tem sido tema abordado por muitos cristãos na atualidade. Não é de hoje que se têm comentado sobre a influência do neopentecostalismo e seus modismos nos cultos, liturgias, formas e costumes das igrejas pentecostais.

O tempo que se vive é marcado por imitações, inovações, falsificações, misticismo, mudanças injustificáveis dentro das igrejas locais. São elementos e coisas no mínimo estranhos que estão adentrando em muitas igrejas locais em nome da verdadeira adoração, doutrina e louvor a Deus.

Líderes evangélicos, sinceros, há algum tempo, demonstram preocupação com o que está acontecendo de extravagante nos púlpitos das igrejas. Cada dia que passa, surgem práticas anti e extrabíblicas, verdadeiras heresias, que podem ser classificadas como “outro evangelho”, que em grande confusão tem os crentes incautos, trazendo prejuízo irreparável ao Reino de Deus.

Como ministros do Evangelho puro e simples de Nosso Senhor Jesus Cristo, responsáveis por Seu rebanho, os pastores devem está em constante vigilância e cuidado, principalmente com mudanças indevidas que acontecem nas igrejas sob seus cuidados pastorais, que tem trazido resultados funestos à causa do Mestre.




Sufocando e apagando aquilo que a igreja tem de melhor, a ministração da Palavra, o perfeito louvor e a verdadeira adoração, multiplicam-se nos púlpitos das igrejas as luzes, coreografias, encenações inusitadas, objetos ungidos e mágicos, entrevistas com demônios, amuletos e outras mercadorias, utilizadas para satisfação e desvarios dos pregadores e ouvintes.

O verdadeiro pentecostalismo nasceu da ação do Espírito Santo, e conscientes disto, não deve aceitar a ação indevida de homens. Este movimento divino não tem o seu progresso como efeito de ações humanas. Está mais do que evidente que o pentecostalismo clássico não cresceu e se desenvolveu como efeito da ação de esforços humanos senão como uma ação soberana do Espírito de Deus. É Ele que tem impulsionado as igrejas que professam o genuíno pentecostes ao crescimento, à santidade e vida de compromisso com as verdades do Evangelho de Cristo.

O que vê-se atualmente em algumas igrejas, é um comportamento no mínimo bizarro que destoa completamente do som do verdadeiro pentecostes vindo do céu (At 2.2). Há, sem sombra de dúvida, um grande distanciamento do que conhecemos como verdadeiro mover pentecostal que tem suas bases no que ensina a Palavra de Deus, das doutrinas ensinadas pelo movimento denominado neopentecostal.

Longe do equilíbrio doutrinário proposto pela Palavra de Deus, o movimento neopentecostal baseia suas doutrinas e práticas em experiências meramente humanas. Seus ensinos e práticas se tornam chamativos por desprezarem princípios básicos da hermenêutica e da exegese bíblica, aplicando de forma errônea textos bíblicos em benefício próprio. Assim acontece em ensinos que são carro chefe deste movimento, tais como a chamada confissão positiva (Evangelho da Saúde e da Prosperidade, Quebra de Maldição Hereditária, etc), sempre com maior ênfase no TER, do que no SER e ainda, a transformação indevida de fatos e eventos bíblicos em doutrinas.

Pregadores desinformados e desprovidos de conhecimento bíblico-teológico disseminam esses falsos ensinos em acampamentos cristãos, congressos, escolas bíblicas e igrejas que inexplicavelmente facultam seus púlpitos à proclamação de falsos ensinos e heresias de perdição. Infelizmente ministros e obreiros estão se deixando envolver por doutrinas várias, aparentemente corretas e bíblicas, quando na verdade estão sendo levados por um sentimento corrosivo e destrutivo do verdadeiro ensino, ao mesmo tempo, que detonam com a vida espiritual da igreja.



O que se vê hoje é de causar espanto. A impressão que se tem é que o verdadeiro evangelho da forma que foi pregado, ensinado pelos apóstolos, pais da igreja, e os que buscam a ortodoxia bíblica, já não serve para os dias atuais. Falar da obra expiatória de Cristo Jesus, salvação, arrependimento, pecado, perdão, santidade, céu e inferno, se tornou obsoleto, ultrapassado, antiquado. O evangelho que serve para os dias atuais precisa está recheado de entretenimento, atrativos, sendo uma nova atração a cada semana, igual ao que se vê numa sociedade consumista. Isto com objetivo de agradar as pessoas senão estas se ausentam. Me lembro das palavras de um membro que me procurou no gabinete pastoral para dizer-me que se a igreja não desse aos seus membros intretenimento muitos iriam sair da igreja, porque Bíblia e oração não segura crente. É incrível o que se ouve dos lábios de muitos crentes hoje. Para muitos, Cristo já não é mais suficiente.

Ora, o pentecostalismo clássico não pode entregar-se a estas situações, atitudes e comportamentos deixando-se corromper com tanta coisa e erro doutrinário. Muitos há que já perderam a noção do que é ser cristão. Não sabem, sequer, por que Jesus morreu na cruz, estão totalmente perdidos neste labirinto de heresias e modismos que de alguma forma tenta se parecer com a verdade.

Não é hora de se rever conceitos, ensinos e atentar para o aprendizado que se recebeu e alcançou do Senhor, a fim de transmitir o mesmo a homens fiéis que sejam idôneos para também ensinarem a outros? (2Tm 2.2). Penso que sim.

Continua...

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