segunda-feira, 23 de março de 2015

O OLEIRO NÃO DESISTE DO VASO, MESMO QUEBRADO


Por Nonato Souza

O texto do profeta Jeremias diz: 

"Levanta-te e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras. E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas. Como o vaso que fazia de barro se quebrou na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos seus olhos fazer" (Jr 18.1-4).

Deus sabe da existência de vasos ruins e danificados com pequenos ou grandes defeitos e trincas que assim, não têm utilidades. Esses vasos, na verdade, foram danificados ou sofreram alguma falha no processo de construção a ponto de se tornarem inúteis para reter vinho ou água.

Em nosso pobre e fraco raciocínio sobre o que fazer a partir de então, achamos que a única coisa a fazer com um vaso com defeito é descarta-lo, jogando-o fora. Observa-se, no entanto, que o oleiro não fez assim. Ele certamente, calmamente, observou o estado do vaso e resolveu trabalhá-lo mais uma vez. Tornou a fazer do vaso defeituoso outro vaso segundo bem lhe pareceu.

É certo que o profeta Jeremias convivia com pessoas que eram tidas como inúteis. A causa deste estado é uma vida pecaminosa, distanciada de Deus. Pessoas que a vida pecaminosa as transformou em recipientes danificados sem nenhuma utilidade. O pecado as transformara completamente e elas e se tornaram trôpegas e porque não dizer, até alienadas.

Ele estava, na verdade diante de uma sociedade que se comportava com rebeldia, envolvida em pecados grosseiros, desviada e que vivia de acordo com sua própria vontade. Diante dessa ilustração que lhe causou perturbação, o profeta pôde conscientizar-se do que Deus é capaz de fazer com o homem.

Deus é simplesmente maravilhoso! Ele jamais joga fora um vaso, ainda que esteja danificado. Ele está sempre arguindo: "Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro?" (Jr 18.8).


Nada, absolutamente nada, é tão ruim que ao sofrer uma interferência da infinita graça divina, não possa ser mudado. Verdade é também que as promessas divinas não nos dão liberdade para uma vida indolente. Deus pode muito bem querer trabalhar na vida de uma pessoa e esta recusar-se perfeitamente a aceitar os modeladores propósitos de Deus.

O profeta insistentemente continua na tentativa de tornar o povo sensível ao Deus que amorosamente tenta moldar suas vidas objetivando torná-los úteis.

Estejamos certos, Deus sempre trabalhará em nosso favor com o objetivo de nós moldar ainda que tal arte nos custe dores e momentos adversos. Ele é o Oleiro que efetivamente trabalha em sua roda divina, pessoas que são como barro em suas mãos.


A vida de fé que vivemos, por muitas vezes implica em ser colocado na roda do oleiro para sofrermos a transformação plena e completa que precisamos, com o fim de sermos úteis para o Reino.

Fica claro que esse processo de transformar o que é inútil em algo útil é terrivelmente doloroso, mas tenha certeza, Vale a pena.

Não será este, pois, o tempo de sermos conduzidos pelo Oleiro divino à roda para nos moldar segundo o Seu próprio modelo? Fico pensando que, pela maneira como muitos estão vivendo e se comportando, este é o tempo oportuno.

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