segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Recomendação paulina a Evódia e Síntique


Por Nonato Souza.

"Rogo a Evódia, e rogo a Síntique que sintam o mesmo no Senhor" (Fp 4.2).

Em um mundo onde tudo se distancia cada momento, pessoas vivem sua própria vida sem se preocupar com o seu próximo e a ausência de comunhão entre os irmãos é cada vez maior, sente-se que há um egocentrismo exacerbado presente no coração de muitos que estão em busca de alcançar seus objetivos e cuidar simplesmente de si próprio. Na verdade, estamos comprometidos apenas com a satisfação do nosso bem estar.

É interessante Paulo nomear aqui duas senhoras que estão envolvidas em brigas e fortes desentendimentos dentro da igreja. Normalmente ele não faria isso, e esta é uma das poucas ocasiões em que o faz (1 Tm 1.20). Certamente, Paulo se preocupou com o nível de situação em que se encontrava a coisa. Paulo, certamente considerava estas duas mulheres e a igreja de Filipos suficientemente amadurecidas para lidarem com esta situação publicamente.

Essas mulheres desempenharam um papel importante na igreja de Filipos e agora estavam se desentendendo seriamente o que traria certamente, pela força de liderança que tinham, grande prejuízo ao Reino de Deus. Paulo, então, apela a que mostrem unidade em seus pensamentos e atitudes, que procurem viver bem uma com a outra. Precisavam ter uma disposição de espírito, uma unidade moral, independente das diferenças intelectuais que porventura tivessem. Uma vez que amavam a Deus, precisavam também amar as pessoas.

Sabe-se que ao se distanciar da comunhão do Espírito corre-se o risco de também criarmos barreiras em nossa comunhão com aqueles que nos cercam, os nossos irmãos em Cristo. "A natureza da comunhão fica comprometida quando perdemos a consciência de que é o Espírito Santo quem nos auxilia na quebra do egocentrismo e na recepção dos outros em nossa vida" (Brizotti). Estou convicto de que muitos crentes tem grande dificuldade em seus relacionamentos. Muitos à semelhança dos cristãos da Galácia, vivem se mordendo e se devorando uns aos outros (Gl 5.15). Quando se trata de líderes então, é que a coisa vai ficando mais difícil ainda. Perseguições geradas por invejas, ciúmes, egoísmo e outros que acabam trazendo certo distanciamento e arranham aquilo que se tem de mais importante no seio da igreja, a comunhão. Um verdadeiro prejuízo à igreja e ao Reino de Deus, pois, se os líderes que se utilizam do púlpito sagrado para ensinar a boa Palavra de Deus contra tais comportamentos, agem assim, o que dizer daqueles que os seguem?

Creio que somente o Espírito Santo é capaz de operar o milagre de levar os santos a sentir o mesmo no Senhor. Sim, o Espírito é capaz de levar-nos além dos ajuntamentos coletivos, reuniões solenes, liturgias incrementadas. Se deixarmos ser guiados por Ele, teremos o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus. Nada fazendo por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente a ponto de considerarmos os outros superiores a nós mesmos e cuidando não somente dos nossos interesses mas também dos interesses dos outros (Fp 2.3,4; NVI).

Se não for assim, as nossas divergências naturais em nossas reuniões ou encontros humanos se transformarão sempre em guerras carnais e destrutivas, sem nenhum proveito, senão para o escândalo de muitos. Sentir o mesmo no Senhor, é abrir mão do senhorio absoluto dos sentimentos, compartilhando e respeitando os sentimentos alheios. Não foi isto que Jesus fez? "De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo. sendo obediente até a morte e morte de cruz" (Fp 2.5-8). Às Evódias e às Sítiques existentes hoje na igreja, temos o exemplo de Cristo: Sentir o que ele sente. É bom seguir o Seu exemplo. Que o Senhor nos ajude!

Tempos difíceis!


Estamos vivendo o tempo em que os homens não suportam a sã doutrina. Não tenho dúvida nenhuma disso. O conteúdo bíblico doutrinário tem desaparecido dos púlpitos das igrejas. Não se ama mais a doutrina bíblica, busca-se muitas invenções, sermões que agradam os ouvidos que massageiam o ego, que trás satisfação às mais diversas mentes e, para esses fins, infelizmente, há muitos falsos mestres em nosso meio. Lamentável! Até a Palavra "doutrina" (gr. didaskalia) tem se tornado aborrecível a muitos. Tempos difíceis esses! Deus tenha misericórdia do seu povo.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Por que se busca tão pouco o batismo com o Espírito Santo hoje?


Por Nonato Souza

E aconteceu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as regiões altas, e chegando a Éfeso, encontrou ali alguns discípulos e lhes indagou: “Recebestes o Espírito Santo na época em que crestes?” Ao que eles replicaram: “De forma alguma, nem sequer soubemos que existe o Espírito Santo!” Diante disso, Paulo questionou: “Ora, em que tipo de batismo fostes batizados, então?” E eles declararam: “No batismo de João”. Então Paulo lhes explicou: “O batismo realizado por João foi um batismo de arrependimento. Ele ordenava ao povo que cresse naquele que viria depois dele, ou seja, em Jesus!” E, compreendendo isso, eles foram batizados no Nome do Senhor Jesus. Quando Paulo lhes impôs as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo e começaram a falar em línguas e a profetizar (At 19.1-6).

O batismo com o Espírito Santo é um revestimento de poder para o crente salvo (Lc 24.49) objetivando torná-lo uma testemunha poderosa e eficaz de Jesus em toda a terra. Os vários textos bíblicos mostram que a evidência inicial de que o crente foi batizado com o Espírito Santo é o falar em língua desconhecidas pelo poder sobrenatural de Deus (At 2.4; 10.46; At 19.1-6). Hoje, já existem pessoas e até grupos que negam ser a evidência inicial do batismo no Espírito, as línguas desconhecidas.

A Bíblia nos informa ser o batismo no Espírito Santo uma promessa do Pai (Jl 2.28,29), designada a todo o que crê desde o dia de Pentecostes até o fim da presente dispensação. O crente deve não somente esperar receber esta promessa, mas, buscá-la ardentemente de todo coração.

Estamos vivendo um tempo em que quase não se busca tal promessa, e isto, no meio dos que se dizem pentecostais clássicos. No início da Igreja havia uma preocupação zelosa com o recebimento de poder. Todos os crentes deveriam ser revestidos de poder. Quando aceitei a Jesus, isto tem pouco mais de trinta anos, os pastores perguntavam: já foste batizado com o Espírito Santo? Era uma preocupação que tinham os que estavam à frente da igreja local com os novos conversos. Uma preocupação saudável que gerava frequentes reuniões de oração com objetivo de receber o batismo com Espírito Santo. Hoje não há essa preocupação zelosa por parte dos que lideram a igreja. Verdade é que a preocupação de muitos líderes é outra distante da realidade bíblica e necessidade dos crentes.

As poucas ministrações que há sobre o tema revela o quanto se distanciou de tão importante doutrina bíblica. Raramente se ouve alguém abordar o tema do púlpito de alguma igreja local, em grandes eventos ou até mesmo em pequenas palestras. Pentecostais clássicos estão se distanciando deste importante assunto que sempre foi prioritário em nossas reuniões e igrejas. Por isso, também, temos tão poucos ou quase nenhum batismo em nossas reuniões nas igrejas locais. Estamos mais preocupados em fazer campanhas por alcançar bens materiais e outros que satisfaçam o nosso ego do que em viver na plenitude do Espírito.

O batismo no Espírito Santo solucionou problemas sérios que surgiram na vida dos apóstolos com a morte de Jesus. O medo que se apoderara deles a ponto de evitarem o público, levando-os a ficar atrás das portas fechadas (Jo 20.19,26); a fraqueza que deu lugar a uma coragem surpreendente, para até resistirem às perseguições (At 4.16-21, 33; 5.29-33, 41, 42) e a inatividade que se tornou constante na vida deles. Tudo isso deu lugar a uma vida de atividades com a presença do Espírito, sem precedentes na história.

O batismo com o Espírito Santo leva o crente a este estado de vida plena, alegria espiritual hoje (At 1.8). Tenho visto que há muito movimento em nossas reuniões sem que haja a efusão genuína do Espírito para transformação de vidas e capacitação para fazer testemunhas (gr. martyreo) eficazes dispostas a se possível for sofrer e até morrer pelo evangelho de Jesus Cristo.

Precisamos em nossas igrejas locais de novo mover de Deus com batismos genuínos e não aqueles “batismos” mecânicos, forjados, inventados, ensinados, etc., que nada faz, nada trás e nada muda. O revestimento de poder do alto, se faz necessário hoje, e quando ele acontecer, sempre haverá mudança, transformação. É hora de começar a ensinar nas igrejas locais que os crentes precisam sentir sede, sede, mais sede de está perto de Deus, de comunhão intima, e o batismo com o Espírito Santo gera essa vontade e trás este poder.

Você que ainda não recebeu o batismo com o Espírito Santo com a evidência inicial das línguas estranhas, comece buscar agora, sem perda de tempo, porque “Ele vos batizará com o Espírito Santo” (At 1.5).

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O LÍDER DE JOVENS E SEUS CUIDADOS


Por Nonato Souza

Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque fazendo isto, te salvará, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1 Tm 4.16).



A recomendação de Paulo ao jovem obreiro Timóteo é um belo texto para iniciar esse importante assunto. Isto porque um dedicado servo de Deus pode ocupar-se em excessivas tarefas no dia a dia do seu ministério que se esqueça de cuidar de si mesmo, dos seus e de sua vida espiritual. Há um longo histórico de perdas, decepções e frustrações na vida de muitos líderes porque não tiveram a graça e sabedoria necessária para priorizar a coisa certa no tempo e lugar certo.

O líder jovem precisa antes de cuidar das coisas externas, capaz de consumir todo o seu tempo, ser cuidadoso consigo mesmo. Observa-se que na recomendação de Paulo a Timóteo, “tem cuidado de ti mesmo”, vem antes de “e da doutrina”, o que revela a necessidade que se tem de maior cuidado consigo mesmo e com sua vida espiritual, antes de despender uma ocupação exagerada, sem tempo para mais nada, em ajudar os outros. O assunto é ainda mencionado por Paulo quando vai ter com os presbíteros efésios advertindo-os nos mesmos termos: “Atendei por vós” (At 20.28). Isto, porém não me impede de exercer amor altruísta com o próximo, uma vez que posso beneficiar a outros cuidando também da minha vida cristã.

Somos informados que o grande evangelista do século XIX, Charles Finney tinha por costume pregar neste texto, intitulando o seu sermão de: “Pregador salva-te a ti mesmo!” No sermão procurava mostrar os cuidados na vida espiritual e moral daqueles que se utilizam dos púlpitos para ministrar a Palavra. Hoje, se ver muitos obreiros sendo obrigado a abandonar o ministério por ter vida desregrada, cheia de mau exemplo, distanciados da Palavra de Deus. São os mais variados problemas morais, tipos de conduta vergonhosa, que escandaliza o evangelho de Cristo.

O líder jovem não pode ser negligente aqui, sob a triste sorte de ver sua vida espiritual desmoronar por completo, embora possa até ter levado muitos ao desejado sucesso espiritual. Se não tiver o devido cuidado consigo mesmo poderá amargar a triste situação de fracasso pleno não somente em sua liderança, mas, também na sua vida espiritual com repercussão drástica na vida daqueles que o cerca.

É extremamente angustiante a situação de muitos líderes na atualidade. Há um verdadeiro descaso no cuidado com a vida espiritual, sem dizer que muitos estão envolvidos em situações de escândalos terríveis. Tudo isto porque se esqueceram de cuidar de sua comunhão com Deus, embrenhando-se numa corrida desenfreada em busca de alcançar tudo que satisfaça o seu ego, esquecendo-se totalmente da chamada divina e do cuidado com a vida cristã.

Essa busca desenfreada por reconhecimento e sucesso a qualquer preço, alojada na mente de alguns líderes, os envolveu em um labirinto enorme de dificuldades a tal ponto que, afastados de Deus, muitos se perderam em seus objetivos, sendo levados ao desânimo e frustração, pelo fato de entenderem ter apostado muito em sua vida ministerial e agora não conseguem, segundo suas perspectivas, um retorno à altura do seu investimento. É lamentável que este seja o pensamento de uma grande parte de líderes despreparados cujo objetivo sempre foi arrecadar bens materiais aqui na terra e não investir na vida eterna, Reino de Deus. Decepções nesse nível acontecem exatamente com quem deveria ser o exemplo dentro da igreja local.

Tenho convicção que o líder jovem é um vaso, e bom seria que não se preocupasse com a “forma” ou “molde” que o Oleiro lhe quer dar. Só Deus sabe a “forma” ideal para o jovem que está disposto a ser instrumento neste difícil momento da igreja. Precisa-se de jovens dispostos a se colocarem nas mãos de Deus sem reservas e que não sejam “sepulcros caiados” ou “paredes branqueadas”, mas, que tenham exemplo de vida à semelhança de José do Egito, símbolo de fidelidade a Deus – não cedeu ao sexo. Daniel da Babilônia, símbolo de separação do pecado e das coisas contaminadas. Este servo de Deus durante todo o tempo em que esteve naquele poderoso império, sempre se portou decentemente, dando exemplo de vida e mostrando que Deus era com Ele. Posso mencionar também Davi, homem que a Bíblia menciona ser segundo coração de Deus, pelo desejo que tinha de fazer a sua vontade.  Finalmente, faço menção de Paulo que foi símbolo de dedicação e sofrimento.



Posto isto, volto ao assunto que me dispus a discorrer sobre o líder jovem e os seus cuidados. Antes, porém, de tratar especificamente deste assunto, quero abordar algo sobre Moody, considerado o maior pregador leigo do seu tempo. Dr. Torrey foi o único biógrafo autorizado de D. L. Moody. Ele escreveu no seu pequeno livro: Porque Deus usou D. L. Moody? Apresentou ali, sete razões porque Deus usou Moody de forma tão extraordinária. Dr Torrey disse: 

   Moody era homem inteiramente submisso a Deus. Cada grama daqueles 127 quilos pertencia inteiramente ao Senhor;

·         Moody era homem de oração. Tudo que ele empreendia era sustentado pela oração, e em tudo ele dependia de Deus;


·         Moody era um estudante profundo e prático das Escrituras. Apesar de não ser um detentor de excelente formação acadêmica, Moody tinha amor profundo pelas Escrituras;

·         Moody era homem humilde. Ele gostava de citar certas palavras que alguém disse certa vez: “A fé ganha mais, o amor faz mais, porém, a humildade guarda mais”;

·         Moody era homem desprendido do dinheiro. Ele podia ter-se tornado rico, porém para ele a riqueza não tinha nenhuma atração. Recebia dinheiro para a obra de Deus, mas recusou-se a acumulá-lo para si mesmo. Milhões de dólares passaram por suas mãos, mas passaram depressa; não pegaram nos seus dedos;

·         Moody possuía uma paixão ardente pela salvação dos perdidos. O inferno foi despovoado em pelo menos um milhão de almas pela ardente paixão que Moody nutria pelos perdidos;


·         Moody era homem cheio do Espírito Santo. Depois que o Espírito veio sobre ele foi como que comportas de uma represa se abrissem e muitas águas passassem a correr através da vida desse homem. 

Sou conhecedor que a liderança jovem na igreja atual passa por momentos difíceis, isto porque esse tipo de trabalho não é algo tão simples em seus mais diversos aspectos. Objetivando auxiliá-los no exercício deste importante trabalho e acima de tudo sua vida espiritual, passo a pontuar alguns valores que entendo necessários sejam para um caminho bem sucedido.



Líder jovem, que tal cultivar sua vida devocional com Deus?

Não há nada mais importante para o ser humano que manter-se aproximado de Deus. Isso é possível quando cultivamos nosso devocional diário com nosso Criador, numa demonstração clara de dependência. É uma verdadeira lástima quando líderes que se dizem homens de Deus vivem afastados de uma vida prática de oração e leitura devocional diária da Palavra.

Um grande perigo que tem cercado o ministério de muitos líderes espirituais é o profissionalismo. Um líder espiritual pode se tornar competente na realização do seu trabalho, assim como no mundo secular, pode desenvolver certas habilidades que tornarão seu ministério bem sucedido ao olhar de outras pessoas. Quando o profissionalismo alcança um líder, seu coração inevitavelmente começa a ser negligenciado. O fracasso espiritual de muitos se dar pelo fato de não fazer do seu discipulado diário uma prioridade máxima em todo o tempo. A situação de decadência de alguns líderes não começa no dia em que caem, elas têm um histórico de negligências das disciplinas espirituais. As coisas acontecem quando se começa a desprezar a prática da oração e leitura da Palavra diariamente, vigilância, tristeza pelo pecado, controle da lascívia e outros agravantes.

O sucesso espiritual de qualquer líder vai além da boa biblioteca e uma cabeça abastecida que possa possuir. Depende principalmente do seu desenvolvimento espiritual, o que inclui santificação pessoal, separação para Deus e seu serviço.

É fato que a vida espiritual do jovem líder não deve jamais estagnar, tendo este o devido cuidado em manter um nível espiritual satisfatório (2 Tm 1.6). Um cuidadoso estudo do texto Sagrado vai nos mostrar que os dons ministeriais e espirituais são passíveis de progresso. É isso que ensina Paulo: “Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja” (1 Co 14.12; o grifo é meu). Espera-se de cada líder maior esforço em oração constante, leitura meditativa da Palavra de Deus e boa prática do jejum, buscando sempre o progresso espiritual constante. A edificação daqueles que são liderados exigem do seu líder um nível espiritual satisfatório (1 Pe 4.10; Rm 1.11), e seria bom se este não relaxasse nesse ponto.



Líder jovem, não se esqueça de cultivar uma vida exemplar.

Há um adágio antigo que diz: “Façam o que eu digo, mas na façam o que eu faço”. Esse dito popular tem caracterizado a vida de muitos líderes do passado e também do presente. Quando avaliados segundo os padrões da Palavra de Deus, ficam aquém do desejado. Não servem de exemplo ao rebanho. É lamentável o que se vê no cotidiano de muitos líderes em contraste com suas falas ao assumirem a tribuna de uma igreja local para ensinar. Falar e não fazer será sempre um comportamento detestável aos olhos do Senhor.

Jesus condenou a atitude dos escribas e fariseus. Disse ao povo para seguir suas orientações acerca da lei, mas não os seus exemplos pessoais, porque eles falam, mas não praticam (Mt 23.3). Todos havemos de prestar contas a Deus por nossas palavras ditas, mas não praticadas (Tg 1.22-27). Os líderes serão muito mais cobrados, o rigor será maior (Tg 3.1). Nas exortações de Paulo a Timóteo e Tito, encontramos a recomendação do apóstolo a que não somente façam exortações, mas, que acima de tudo, sejam exemplos (1 Tm 4.12-16; Tt 2.7).

Cristo é o nosso padrão por excelência. Chegaremos a tal nível quando amadurecermos em integridade à semelhança de Cristo (Fp 1.27-30), tornando-nos reflexo do exemplo moral de Cristo (1 Ts 1.7). Fica claro que cada crente deve ser exemplo, mas, o Novo Testamento mostra com clareza que os líderes têm responsabilidade maior de ser exemplo dos fiéis (1 Tm 4.12). Eles precisam ser modelos morais visíveis para a igreja (ekklesía).

O escritor e teólogo Hernandes Dias Lopes comenta sobre a postura do líder responsável com sua vida diante de Deus e dos homens. Ele diz:

Na Igreja de Deus, precisamos de lideres que tenham o caráter de Cristo, o fruto do Espírito, as marcas de uma vida irrepreensível. A Igreja de Deus precisa de homens que tenham a têmpora espiritual de Estêvão. Homens que sejam impolutos na conduta, que não transijam com os absolutos de Deus. Homens que sejam cheios do Espírito, e não transbordantes de vaidade. Homens que tenham a sabedoria do alto, em vez de blasonarem apenas a arrogante sabedoria terrena. Quando o apóstolo Paulo apresentou as credenciais do presbítero, falou de várias virtudes que devem ornar a vida. Dos quinze atributos listados pelo apóstolo, apenas um fala acerca de sua capacidade intelectual. O presbítero deve ser apto para ensinar (1Tm 3.2). Todos os outros atributos referem-se à vida do líder, sua integridade, seu caráter, sua família (1Tm 3.1-7). A liderança tem exatamente a extensão de sua vida. Seu nome é o seu grande patrimônio. Se ele perder sua dignidade, perde o seu ministério (Mensagens Selecionadas. Hernandes Dias Lopes, pg. 176,7. Ed. Hagnos).

Em suas recomendações ao jovem Timóteo: "[...] torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza" (1 Tm 4.12; ARA), Paulo mostra as diversas áreas onde deveria ser exemplo: “na palavra”, se refere à conversação diária, sempre honesta e amorosa, dizendo sempre a verdade em amor; “no trato” ou “procedimento” (ARA), modo de vida, comportamento coerente com a fé que professa (Ef 4.1); “caridade” ou “amor” (ARA), está relacionado com amor altruísta onde há profundo apego a seus irmãos e preocupação por seu próximo, buscando sempre o bem está de todos; “fé”, confiança plena e fidelidade em Deus. A fé parece ser a raiz de onde brota o amor verdadeiro; “pureza”, implica integridade e coerência na completa conformidade, de pensamentos e atos, com a lei moral de Deus. Mesmo vivendo em Éfeso, centro de impureza sexual, Timóteo deveria ser puro em seu relacionamento com as mulheres da igreja de modo a conservar a pureza de mente, coração e do corpo. Era esta a preocupação de Paulo com o seu jovem líder.



Líder Jovem, você foi designado para uma grande obra.
Uma das coisas importantes e necessárias ao líder é a convicção que deve ter acerca do que faz para Deus. Manter o foco no que Deus determinou o levará ao sucesso no fim de sua empreitada. Quando Neemias concluiu a construção de todo muro e brecha nenhuma havia mais, senão as portas por serem colocadas nos portais (Ne 6.1), os inimigos do povo de Deus enviaram comunicado a Neemias, líder do povo, dizendo: “Vem, e congreguemo-nos juntamente nas aldeias, no vale de Ono” (6.2). O vale de Ono ficava na metade do caminho entre Jerusalém e Samaria. Ao que se possa ver, o convite parecia ser algo cativante, uma reunião da cúpula. Qual seria o motivo? Estavam os inimigos do povo de Deus reconhecendo o trabalho e competência de Neemias e seu povo? Queriam eles fazer algum acordo em reconhecimento à liderança de Neemias, estando dispostos a viver em paz? Queriam porventura, se tornar amigos? Neemias, claro, ouviu atenciosamente seu comunicado, mas não virou a cabeça como mostra o texto com sua réplica ao convite: “Porém intentavam fazer-me mal”. 

É sempre assim, quando não se quer vê o avanço da obra da Deus, procura-se criar distrações e situações negativas para que a obra não seja concluída. Os inimigos do povo de Deus buscaram então, dialogar com os líderes do povo de Deus. Hernandes Dias Lopes mostra o perigo que há em tal assertiva:

O inimigo nunca é tão perigoso como quando parece amigável e chama para um diálogo. A sutileza da serpente é mais perigosa do que o rugido do leão. Os inimigos agora querem conversar. Eles disseram: “Tá bom, agora, sabemos, que Jerusalém é uma cidade construída. Agora vamos sentar. Agora vamos estabelecer um bom relacionamento. Vamos sentar ao redor da mesma mesa e resolver as nossas diferenças de tantos anos”. [...] Neemias não dialogou com o inimigo. Jesus também não dialogou com o Diabo. Jesus não nos mandou dialogar, mas pregar. Identificação é viver onde as outras pessoas vivem. Jesus se identificou, mas não transigiu. O diabo tentou dialogar com Jesus, mas Ele nunca sentou com o diabo numa mesa de conferência (Lopes, Hernandes Dias. Neemias, o líder que restaurou uma nação. Ed. Hagnos, pg. 98,99). 

Observa-se que o complô armado contra Neemias não deu certo. Ele não aceitou o traiçoeiro convite dos inimigos da obra de Deus para um acordo, sabendo que de lá nada de bom sairia. Decididamente, foi capaz de dizer: “Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer” (6.3).

A resposta do líder Neemias não foi uma desculpa evasiva, mas a demonstração clara de suas prioridades, a capacidade de dizer não às distrações em favor da grande obra que fazia para Deus. Líderes do povo de Deus, temos agido como Neemias, ou estamos envolvidos em discursos que não nos levarão a lugar nenhum? Ele foi capaz de com sua determinação, coragem, coerência e foco alcançar a total restauração da cidade de Jerusalém. Os muros da cidade foram concluídos em 50 dias (6.15), considerado por ele como uma grande obra. Como você, líder, tem considerado o trabalho que Deus entregou em suas mãos, uma grande obra? Pense nisso.



Líder jovem lembre-se de está devidamente preparado.

Um líder de jovens consciente de suas responsabilidades à frente do seu departamento sabe que precisa está devidamente preparado para desempenhar com êxito sua função. Penso que posso pontuar alguns requisitos exigidos por Deus e considerados importantes para quem exerce liderança no âmbito da igreja:

1) Precisa ter verdadeira conversão. É lamentável dizer que nossas igrejas estão repletas de pessoas que não se converteram ao evangelho. Os prejuízos ao Reino de Deus tem sido irreparáveis. A recomendação bíblica a todos é: “[...] Convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos de refrigério pela presença do Senhor” (At 3.19). Em uma liderança sincera, não há lugar para crentes inconversos e ou neófitos (1 Tm 3.6);

2) É preciso que seja homem de verdade haja vista que seu principal trabalho é proclamar a verdade de Deus. Um homem que não fala a verdade, não anda na verdade e que não ame, sobretudo a verdade, não pode jamais ser líder de verdade. Tais recomendações estão na Palavra de Deus, nosso manual de regras para um viver saudável (3 Jo 4; Ef 4.25);

3) Viver vida de obediência à Palavra. De nada adianta pregar e ensinar aos outros se não se submete aos princípios da Palavra;

4) Deve ainda ter um espírito justo. O líder deve se esforçar para não falhar aqui. A injustiça é algo que muito desagrada a Deus;

5) Finalmente, deve ter coração ardente de amor por aqueles que estão sob seus cuidados. O líder deve se empenhar arduamente para que nenhum daqueles que estão sob sua liderança se perca.

Quem exerce liderança, especialmente na obra de Deus, tem grande responsabilidade em cuidar ativamente de seu preparo espiritual, mas não é só, precisa também ter bom preparo intelectual. Um exemplo claro é o apóstolo Paulo que embora não confiasse no seu preparo intelectual, possuía conhecimentos especiais (At 22.3; 2 Co 2.14) e instruía seu discípulo Timóteo ao estudo das Escrituras (2 Tm 2.15; 3.14,15).

O preparo intelectual depende de esforço e dedicação ao estudo. Sabe-se que o descuido e a negligência são fatores de pobreza, inclusive espiritual (Pv 18.9; 1 Tm 4.15). O líder de jovens precisa ter bom conhecimento da doutrina bíblica. Essa é sua ferramenta de trabalho diário na igreja, frente a seu departamento. Estêvam Ângelo de Sousa define doutrina como “a revelação progressiva do plano salvador de Deus, em Cristo”. Teologicamente analisada, doutrina é “o conteúdo da fé cristã”.

A doutrina é uniforme, a mesma em todos os lugares, para todas as pessoas e para todos os tempos. Ao deixar Timóteo em Éfeso, Paulo tinha por objetivo corrigir heresias destruidoras de falsos mestres que se propagavam entre os irmãos naquela igreja (1 Tm 1.3-11). Não tinha como Timóteo fazer esse trabalho se não fosse um jovem obreiro preparado e bem fundamentado nas Escrituras Sagradas. É inadmissível que alguém que tenha a prerrogativa de ensinar não se preocupe em aprimorar-se buscando amplo conhecimento, em especial da doutrina bíblica. A recomendação Paulina que o bispo deve ser apto para ensinar era tão necessária naqueles dias quanto o é atualmente (1 Tm 3.3). O descuido da leitura bíblica trás paulatinamente, enfraquecimento espiritual da fé e afrouxamento na doutrina e, é o que tem acontecido com muitos.

Na verdade, a lista de cuidados que deve ter o líder é demasiadamente extensa se tornando impossível de continuar pontuando mais algumas neste já tão longo artigo. Devo retornar com o assunto em outros artigos sobre liderança de jovens em meu blog. Encerro este tema te admoestando a ser um líder de jovens envolvido com os negócios do Reino de Deus. Leve os seus liderados a um envolvimento cada vez maior com Deus e sua obra. Seja obediente a seu líder maior e submisso às diretrizes estabelecidas, pois tal comportamento engrandece o nome do Senhor Jesus. Saiba que Deus entregou em tuas mãos uma grande obra. Avance, não vale a pena recuar. Cumpre cabalmente o teu ministério.


Deus tenha misericórdia dos líderes de jovens. 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Amando acima do meramente humano


Por Nonato Souza

Eu, porém, vos digo: amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem (Mt 5.44).

Amar os inimigos, bendizer aos que nos maldizem, fazer bem aos que nos odeiam e orar pelos que nos maltratam e nos perseguem, são atitudes positivas impostas aos que se declaram filhos de Deus. 

Sabe-se que é natural amar os amigos; amar os inimigos, porém, é sobrenatural. Este tipo de comportamento é exigido dos crentes que devem aplicar uma justiça mais elevada, além do "amar o próximo e aborrecer o inimigo" (Mt 5.43). Fica claro que a força necessária para tanto é ter morrido para seus próprios interesses, suas preocupações. Devemos tratar bem as pessoas independente do que elas são, possuem ou tem feito a nós. Jesus ensinou este princípio fundamental ao enviar a chuva e ordenar que o sol brilhe sobre pessoas más e injustas. As colheitas das pessoas más são tão abençoadas quanto a das pessoas de bem. Eles experimentam aquilo que se convencionou chamar de “graça comum”. Deus não os trata em vida conforme o que eles são e o que fazem, mas os governa debaixo do seu amor que é absolutamente desinteressado.

Somente o amor verdadeiro é capaz de assim proceder, erguendo-se acima do meramente humano. O amor humano está condicionado pela bondade ou pela simples capacidade de sermos amados por aqueles a quem amamos. O amor ágape, está acima, é incondicional, se dar espontaneamente pelos seus inimigos (Rm 5.8-10).

Amar os inimigos, bendizer aos que nos maldizem, fazer bem aos que nos odeiam e orar pelos que nos maltratam e nos perseguem, repito, é característica dos que são filhos de Deus. É assim, que podemos manifestar o amor de Deus ao nosso semelhante.Você é um filho de Deus? Então, acredito que entendeu.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A IGREJA PASSARÁ PELO PERÍODO TRIBULACIONAL?


Por Nonato Souza

Porque naquele dia haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação que Deus criou, até agora, nem jamais haverá (Mateus 13.19).


Estou certo que o iminente retorno do Senhor Jesus para arrebatar sua Igreja está agora mais perto do que quando no princípio cremos no evangelho. Temos a promessa da iminente volta do Senhor Jesus para tirar os santos desta terra antes do período tribulacional.

O texto bíblico enfatiza que a humanidade  estar prestes a passar por um período de Tribulação, mas Cristo Jesus querendo livrar aqueles que  aceitaram a sua palavra irá arrebatá-los deste mundo antes que qualquer mal lhes  aconteça. Esta é a promessa de Cristo através  do apostolo  Paulo,  livrar os seus  escolhidos  da  ira futura (ITs 1:10). 

Assim  como  Deus arrebatou a Enoque livrando-o dos horrores do dilúvio,  irá livrar a igreja deste período horrendo que se abaterá sobre a terra.

A Tribulação será um período de sofrimento, de proporções ainda desconhecida, que se abaterá sobre o mundo (Ap 7.14), tendo início logo após o arrebatamento da Igreja, especificamente após a assinatura do acordo que o Anticristo fará com Israel. Ninguém imagina um período, que embora breve, trará um sofrimento sem precedentes na história de toda a raça humana. A Bíblia, porém, especifica com clareza de detalhes as aflições desse período. As devastações que Deus desencadeará sobre este mundo durante o período da Grande tribulação serão inimagináveis. Os julgamentos parecerão infindáveis para os que forem apanhados por este acontecimento.

Este será um evento tão terrível que nenhum outro acontecimento, com a exceção da Segunda Vinda de Cristo, é mencionado com tanta freqüência na Bíblia. A Palavra de Deus diz acerca desse tempo: “Aquele dia é um dia de indignação, dia de angústia, e dia de alvoroço e desolação, dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e densas trevas” (Sf 1.15).

O período da Tribulacão terá duração de sete anos conforme se pode depreender do texto do profeta Daniel 9.27, com objetivo de provar Israel e os gentios, além de desestabilizar o império do Anticristo. Não é possível identificar biblicamente a Igreja dentro do período tribulacional. Israel, e não a Igreja está identificado com o período de sete anos da Tribulação, bem como os ímpios de todo o mundo.

Temos garantias no texto bíblico que o arrebatamento da Igreja ocorrerá antes da tribulacão. A passagem bíblica de Apocalipse 3.10, e outras similares, tanto do Antigo com do Novo Testamento indicam que a Igreja do Senhor não passará pela Grande Tribulação. Paulo afirma que neste período de Tribulação, a Igreja já não estará na terra. “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós para que, quer vigiemos ou durmamos, vivamos em união com ele” (1Ts 5.9,10), e mais: “[...] e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber Jesus, que nos livra da ira futura” (1Ts 1.10). Estes textos, que mostram com clareza sobre a Tribulação ou “ira vindoura” corroboram com o que registra João em Apocalipse 3.10. “Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra”. 

Somos admoestados claramente a esperar o Senhor Jesus, que como já citamos acima, nos livrará da ira futura. Nosso objetivo como Igreja é esperar o Senhor Jesus Cristo e não a Grande Tribulação; pelo menos é o que nos ensina as Sagradas Escrituras. Assim como Noé achou graça aos olhos do Senhor e foi salvo do dilúvio antes da Grande Tribulação (Gn.6:8,13,17-22), o mesmo havendo se dado com relação a Ló e sua família, por ocasião do juízo de Sodoma e de Gomorra, quando Deus promoveu a sua saída com toda sua família antes que viesse a destruição, de igual modo, a Igreja também será salva da ira que se derramará sobre este mundo.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

É TEMPO DE DESPERTAR


Por Nonato Souza

“E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (Rm 13.11).



Não tenho dúvidas quanto à iminente volta do Senhor Jesus Cristo. Este acontecimento, que se dará mais rápido do que muitos pensam, deve levar-nos a um despertamento e vida íntima com Cristo. Queremos ser encontrados fiéis quando Ele retornar para buscar os santos. Pelo que está diante dos nossos olhos, não temos dúvidas que o tempo da nossa salvação está próximo e o dia está raiando! É hora de despertarmos do sono e estarmos preparados para o iminente retorno do Senhor Jesus.

Apóstolo Paulo faz algumas observações admoestando os salvos quanto ao assunto. Ele diz: “DESPERTEM!” (Rm 13.11). A recomendação é para um estado de vigilância e cuidado com a vida espiritual, uma vez que se vive em um mundo distanciado de Deus que a qualquer momento será submergido no Dia da ira do Senhor prestes a ser derramada sobre a terra. O crente deve manter-se espiritualmente acordado e moralmente alerta não se deixando levar por este mundanismo avassalador que, infelizmente, está adentrando na igreja com práticas anticristã por aqueles que tendo aparência de piedade negam-lhe, porém, a eficácia (2 Tm 3.5).

Outra recomendação do apóstolo é: “Rejeitem as obras das trevas e vistam-se das armas da luz!” (Rm 13.12). A forma de vida mundana e pecadora é tão presente na vida de muitos, que o Espírito Santo quer tê-los purificados, com roupas novas. Há uma insistência por parte do apóstolo em que se deixe toda prática conhecida como “as obras das trevas”, que certamente denota comportamentos pecaminosos conforme relação resumida no versículo 13 e ainda no texto de Gálatas  5.19-21, denominada “obras da carne”.  Aqui estão vários vícios que os crentes têm por necessidade resistir no tempo presente. A lista de vícios mencionada por Paulo neste texto é a seguinte: glutonarias, bebedeiras, desonestidades, dissoluções, contendas e invejas. Pecados gravíssimos, capaz de destruir a vida espiritual dos que se apegam a tais práticas. É claro que Paulo não está fechando a lista dos pecados que podem destruir a vida dos cristãos que professam o santo nome de Jesus. A lista, certamente é muito longa e o texto sagrado menciona em outras passagens graves vícios perigosos e destruidores.  A provisão dada aos salvos enquanto esperam o retorno do Senhor, são as “armas da luz”, vida comunhão com Cristo. “Embora a batalha decisiva contra o pecado tenha sido ganha na cruz (Rm 3.21-26), e nós estejamos mortos com Cristo para o pecado (Rm 6.2), continuamos a ser influenciados pelas condições pecadoras de nossa era. Neste entretempo, nos engajamos em repetidas escaramuças com o pecado” (Comentário Bíblico Pentecostal, Novo Testamento. CPAD, pg. 902).

Por fim, Paulo admoesta: “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 13.14). “Cresçam!” Tornem-se semelhantes com o Senhor Jesus em suas obras diárias! Para um crescimento saudável, o crente deve alimentar-se de forma saudável. Nada de alimentar-se com as coisas da carne, valorizando-as. Se assim fizermos, seremos fatalmente destruídos. Revestir-se de Cristo Jesus é encher-se de pureza, sobriedade, temperança, sossego, benevolência, amor, etc. É despir-se da carne com as suas concupiscências por completo. Paulo, numa só sentença: “Mas revesti-vos do SENHOR Jesus Cristo e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências”, mostra a plenitude da vida cristã: o que pertenceu ao tempo antigo deve ser deixado completamente e o que pertence à nova vida em Cristo deve ser vestido. Aqui está o significado do que é ser cristão.


É tempo de despertar! É iminente o retorno do Senhor Jesus! Maranata!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A Influência do Neopentecostalismo no Movimento Pentecostal Clássico (4/4)


Por Nonato Souza.

“Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras” (1 Co 15.1-4; ARA; O grifo é meu).

Neopentecostalismo, um modelo que não interessa ao pentecostalismo clássico, portanto, não interessa à Assembleia de Deus.

Esse “cristianismo” estranho professado pelos neopentecostais não deveria nos atrair, embora tenha conhecimento de muitos que estão flertando com o mesmo. Coisas estranhas, igrejas locais despreparadas e totalmente distantes das doutrinas bíblicas é o que se tem visto.

A sociedade está estarrecida com o que os líderes desses movimentos estão fazendo, existe gente envolvida em situações constrangedoras acusados até de enganar o povo. Que cristianismo é esse? Escândalos, os piores possíveis, gerando descrédito e ultrajando o santo nome de Jesus. Não podemos ter esse tipo de movimento como nosso modelo.

Uma liderança que professa ser dona da igreja, que não presta conta prá ninguém de seus atos, age de forma inescrupulosa até modificando a liturgia de seus cultos ao seu bel prazer e conforme lhe convém, não serve para ser nosso modelo.

Esse é, sem duvida, um sistema contrário ao que ensina a Palavra de Deus, pois, na hierarquia bíblica, os que exercem liderança, estão também, debaixo de autoridade. Porque não seguir o exemplo de Jesus (Jo 6.38). Porque não prestam conta a ninguém? Porque a ninguém se submetem? Porque são tão cheios de autoritarismo, introduzindo nos seus cultos as mais esquisitas formas de crenças?

Ora, sabe-se que o pentecostalismo clássico vez por outra se encontra envolvido com algumas práticas próprias do neopentecostalismo, que por afastar-se tanto da pureza e verdade bíblica, não pode considerar-se como detentor do evangelho puro e simples de Cristo Jesus. Cabral [1] observa:

Temos que reconhecer que algumas verdades pentecostais têm sido substituídas por carismas pessoais em vez de unção do Espírito, louvores que fogem à verdadeira adoração e outras invencionices que comprometem o culto pentecostal autêntico. Essas substituições no seio da igreja transformaram nossos templos em locais de entretenimento em vez de adoração, e o aplauso das multidões se tornou mais importante que a presença de Deus nos cultos. Não é preciso ser radical ou extremista para reconhecer que essas mudanças têm roubado a primazia da Palavra de Deus e a ação livre do Espírito Santo no seio da igreja.

A prática com modismos e heresias no seio das Assembleias de Deus chega a preocupar tanto que o órgão maior da igreja, a CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil), chegou a convocar o oitavo ELAD (Encontro de Líderes das Assembleias de Deus), na cidade de Porto Seguro – BA, em outubro de 2002, para reafirmar sua posição contrária aos modismos e heresias do neopentecostalismo. Em parte do relatório do ELAD, encontramos o seguinte:

Sob o esfuziante tema “Não extingais o Espírito” o 8º ELAD trouxe a tona os fenômenos promovidos pelos movimentos neo-pentecostais como: “cair no Espírito”, “sopro do Espírito”, “bênção de Toronto”, “dançar no Espírito”, “dentes de ouro” e outras enxurradas de práticas inovadoras que andavam perturbando o seio da igreja. Nas palestras ministradas pelos pastores Jose Wellington Bezerra da Costa, Antonio Gilberto, Elienai Cabral e Elinaldo Renovato de Lima, os mais de 700 pastores e evangelistas inscritos no encontro, puderam constatar que a Bíblia não oferece nenhum respaldo para tais acontecimentos e reafirmaram que o autêntico mover do Espírito é aquele que traz avivamento espiritual, batismo no Espírito Santo e transformação na vida do homem.

Em seu artigo publicado no Mensageiro da Paz, intitulado “O Evangelho dos Evangélicos” o teólogo João Batista [2] observa que o “evangelho” dos evangélicos é mágico porque promove a infantilização em detrimento da maturidade, a dependência em detrimento da emancipação, e a acomodação em detrimento do trabalho. Ele observa ainda:

Para ser evangélico hoje, não precisa amadurecer, não precisa assumir responsabilidade, não precisa agir. Também não precisa agregar virtudes ao seu caráter ou ao processo de sua vida.

E conclui dizendo:

Por causa disso, estamos presenciando um cristianismo banalizado, onde a integridade moral está doente, a fé está à venda e os ideais éticos e os princípios cristãos de vida, ausentes no cotidiano dos nossos fiéis. Nisso cresce cada dia um cristianismo fragilizado, materialista e distanciado do cristocentrismo. A vida cristã é baseada em equívocos e o Evangelho é uma mercadoria. Deus é apenas um detalhe.

Já finalizando esse importante tema, não poderia deixar de citar o que disse o eminente teólogo Douglas Roberto [3] sobre as terríveis distorções na liturgia cristã presentes no culto de muitas igrejas hoje. Ele faz a seguinte observação:

Um novo tipo de liturgia vem sendo ensinada ao povo evangélico brasileiro. Com grande apelo para a prosperidade e a conquista fácil de objetos, muitos cristãos têm sido arrastados para a prática de uma liturgia estranha. São latentes as práticas ritualísticas que, na verdade, não passam de “simpatias” para se obter determinado tipo de bênção ou proteção divina. Nesses costumes enquadram-se água “ungida” sob o rádio ou a televisão para curar as doenças; cordões “consagrados” para “amarrar Satanás”, e outros tipos de “talismãs” que servem de verdadeiras muletas para os deficientes na fé. Em algumas igrejas, músicas e danças judaicas foram inseridas em um retorno insensato às práticas judaizantes. Melodias e ritmos estranhos foram inseridos no culto. Procura-se introduzir coreografias sensuais e expressões corporais de cunho duvidoso durante a ministração do louvor. Em algumas igrejas imprimem em seus cultos elevada dose de emocionalismo falsificado de pentecostalismo. Em tais lugares, o espaço é ocupado pelo louvor pessoal, músicas de origem mundana e letras de conteúdos suspeitos, modismos neopentecostais, ostentação de espiritualidade duvidosa e ministração de mensagens de autoajuda de exegese indefensável em detrimento do genuíno Evangelho do Senhor Jesus Cristo.

Bem, preciso concluir, pois o texto que escrevo já se alongou muito. Estou convicto ser de extrema importância que a igreja se apegue ao ensino bíblico do Senhor até que venha. A Igreja tem o Evangelho, e este é suficiente. Estou ciente que, haverá alguns que sempre estarão dispostos a acrescentar novas experiências, novas exigências, novas cargas, novas bagagens, novas fórmulas àquilo que o evangelho tem de mais puro. Fica claro, porém, que o Evangelho de Cristo não precisa de mais pesos adicionais.

Conclusão:

Encerro esse texto dando ênfase à mensagem que tanto amo e sei o quanto está escassa atualmente nos púlpitos das igrejas brasileiras. Sei, que estar em Cristo a mensagem do amor de Deus (Jo 3.16), que derramou seu sangue na cruz, abrindo para a humanidade um novo e vivo caminho de salvação (Hb 10.20).

Sei também, que esta mensagem nos é suficiente. Não precisamos de mais acréscimos. Na verdade, queremos um retorno à mensagem pura e simples do Evangelho Cristocêntrico.

Estou enfadado, empanturrado de tanta mensagem antibíblica, centrada no homem, cujo objetivo é apenas inflamar o seu ego.  Este tipo de evangelho que se tem pregado em nossas igrejas tem trazido grande prejuízo ao Reino de Deus.

Quero de volta o evangelho da cruz, pois este revela ao homem qual seu verdadeiro estado diante de Deus. Quero o evangelho da cruz porque ele trás paz ao coração aflito (Cl 1.20). Quero o evangelho da cruz, por ele somos curados (Is 53.5). Quero o evangelho da cruz porque “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16). Quero o evangelho da cruz, pois por ele somos santificados (Ef 5.26). Quero o evangelho da cruz, pois nele todas as barreiras da desunião, separação existentes entre nós, são derrubadas (Ef 2.14,16). Quero o evangelho da cruz porque nele eu aprendo que Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras, que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (1Co 15.3,4). Quero o evangelho da cruz, porque proclama, e eu posso acreditar que Jesus voltará outra vez (At 1.11). Quero o evangelho da cruz porque assegura que haverá um dia de prestação de contas tanto para crentes como para descrentes (1Co 3.13; 2Co 5.10; Ap 20.12). Quero o evangelho da cruz porque ele me assegura que na glorificação teremos corpos glorificados e estaremos para sempre com o Senhor (1Ts 4.13-18). Quero o evangelho da cruz, nele todas as promessas bíblicas estão asseguradas para aqueles que um dia entregaram suas vidas ao inteiro domínio e senhorio de Cristo (Mt 7.21; 2Co 1.20).

Porque continuar pregando outro evangelho cujo alvo tem sido, através dos falsos ensinos, afastar os santos da verdadeira doutrina e graça de Cristo. Somos ensinados pela Palavra de Deus que há um só evangelho, “o evangelho de Cristo” (Gl 1.7), evangelho este que nos veio “pela revelação de Jesus Cristo” e pela inspiração do Espírito Santo. Qualquer ensino que se origina em pessoas, igrejas ou tradições que não se baseiam nos princípios da Palavra de Deus, não pode ser tido como conteúdo do verdadeiro evangelho de Cristo.

É hora de voltarmos ao evangelho da cruz. Igrejas estão vivendo crises, as piores possíveis. O liberalismo teológico, negando os postulados da fé cristã abarcou em muitas igrejas. Outras estão envolvidas com misticismo sincrético, movimentos estranhos à Palavra de Deus. O mal do pragmatismo entrou no coração de muitos, que estão em busca de sucesso e resultados a qualquer custo. A mensagem da cruz foi trocada pela pregação da prosperidade, mensagens puramente positivista e triunfalista.

Voltemos à mensagem da cruz. O neopentecostalismo não tem nada a nos oferecer. Não temos outra opção. “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1Co 1.18).

Que o Eterno Deus se compadeça de nós!



Notas:

[1] Cabral, Elienai. Movimento Pentecostal, as doutrinas da nossa fé. CPAD, pg. 77,8.
[2] Mensageiro da paz. CPAD, nº 1528, pg. 16, setembro 2012.
[3] Batista, Douglas Roberto de Almeida. Obreiro Aprovado – Liturgia Cristã Bíblica, pg. 28, CPAD, nº 59.