sexta-feira, 20 de junho de 2014

Naamã, grande homem, porém leproso

Por Nonato Souza

“Naamã, comandante do exército do rei da Síria, era grande homem diante do seu senhor e de muito conceito, porque por ele o Senhor dera vitória à Síria; era ele herói da guerra, porém leproso” (2 Reis 5.1; ARA).

Naamã era um vitorioso comandante do exército da Síria, povo inimigo da nação de Israel, homem bem sucedido, de prestígio e autoridade, porém, leproso. Debaixo do seu uniforme de general, escondia-se um corpo debilitado, fragilizado pela temida lepra. Estejamos certos, que a grandeza, honra de um homem não será capaz de isentá-lo das calamidades mais penosas da vida humana. Estamos no mundo, e, portanto, sujeitos aos mais terríveis impropérios e calamidades. Não duvide, no mundo existem pessoas com roupagem ricas e alegres, mas totalmente enfermas de espírito e loucas. Pessoas que precisam urgentemente de um ato da graça imensurável de Deus para libertá-los do terrível mal do pecado.

Em uma terra distante estava uma menina que tinha sido feita cativa pelas tropas da Síria. Era comum nas guerras antigas os poucos que sobrevivessem serem levados cativos e reduzidos à posição de escravos. Por um ato divino, aquela pequena menina foi levada à família de Naamã.

Uma menina da terra de Israel, apesar de ser apenas uma criança, foi capaz de testemunhar na casa do seu senhor acerca do que Deus fazia através do seu profeta. Ela conhecia a reputação e o testemunho de vida de Eliseu, alem, da convicção de que o seu problema poderia ser ali resolvido. Tendo a notícia do que disse a menina se espalhado e chegado ao general Naamã e recebido o devido crédito, foi com embaixada do rei da Síria ao rei de Israel em busca de sua cura. Ao tomar conhecimento que o rei de Israel, recebera carta do rei da Síria e rasgara as suas vestes, mostrando assim a sua indignação quanto ao ato do rei sírio, Eliseu, o profeta, lhe envia mensageiro dizendo: "Deixai-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel". Jorão, rei de Israel, em sua perturbação e mente turvada por sua incredulidade e medo não se lembrava, embora soubesse e conhecesse Eliseu, que de fato havia profeta na terra de Israel que poderia operar o milagre na vida do general Sírio.
Após estes acontecimentos Naamã, vai, então, à casa do profeta Eliseu com todo o seu séquito, parando em frente à porta da casa do profeta. Então, Eliseu, que em nenhum momento ficou impressionado com tão grande pompa e ainda com a grandeza do general Naamã, através de um mensageiro lhe diz: "Vai e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne te tornará e ficarás purificado". Observando os versículos 9 e 10, vê-se a completa ausência de ostentação por parte de Eliseu. Fosse outros, certamente teriam preparado uma grande festa para recepcionar o general do exército Sírio e todo seu séquito, tornando momento extremamente importante. Eliseu, no entanto, totalmente desprovido de qualquer interesse, nem ao menos foi ao encontro de Naamã, não lhe negou, entretanto, o milagre tão necessário.

Diante desse fato, o texto sagrado registra a indignação de Naamã pela maneira como o profeta procedeu, reagindo de maneira espantosa mostrando assim, o seu orgulho oculto. Ele vocifera: "Eis que eu dizia comigo: Certamente ele sairá, pôr-se-á em pé, e invocará o nome do Senhor, seu Deus, e passará a mão sobre o lugar, e restaurará o leproso. Não são, porventura, Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles e ficar purificado? E voltou-se e se foi com indignação" (2 Reis 5.11,12). Parece que o orgulhoso general tinha suas ideias pré-concebidas acerca da maneira como deveria o profeta proceder acerca da sua cura.  Se comportando de tal forma quase perde a bênção do milagre em sua vida, devido seu orgulho, preconceito, bem como por seu falso conceito de patriotismo exacerbado.

Sabe-se que Deus tem sua forma de trabalhar e que o trabalhar de Deus não está atrelado ao comportamento, vontade e formas humanas. Deus é soberano em suas ações, de sorte que faz como quer e no seu tempo. A estranha reação de Naamã demonstra claramente que tinha o desejo de ser o centro das atenções naquele momento.

O comportamento de Naamã não nos serve como referencial para a vida cristã. Ele não conhecia o Deus de Israel. Mesmo assim, fico pensando que temos em nossos arraiais, cristãos que se comportam exatamente assim, com este orgulho exacerbado. Os que assim se comportam, demonstram, à semelhança do orgulhoso Naamã, serem altivos, arrogantes e prepotentes. Há muitos que estão mergulhados em uma vida de extrema miséria e pobreza espiritual porque são incapazes de descer um mínimo possível do seu pedestal de orgulho, trazendo prejuízos irreparáveis à sua vida e muitos escândalos por onde passam.
É uma lástima vermos pessoas que não conseguem se sujeitar à vontade de Deus vivendo os nobres princípios do Evangelho salvador para alcançar o céu de glória. Muitos estão preferindo, a preço de suas próprias escolhas, viver à sua própria maneira e alcançar lugar de perdição. Meu Deus! Que tristeza! Sabe-se que "Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça" (1 Pedro 5.5). 

É triste ver a reação deste orgulhoso general. Parece-me que aquela simples ordem feriu o ego de Naamã a tal ponto dele irar-se profundamente. Ora, para quem já tinha viajado de Damasco a Samaria, cerca de 160 quilômetros, viajar mais 50 e poucos quilômetros até o rio Jordão, não era para perturbá-lo tanto. Mas ele se enfureceu, e a causa de sua ira não foi outra coisa, senão o seu orgulho.

Assim como a reação de Naamã foi de causar espanto, causa-me espanto a forma como muitos se comportam hoje. Não aceitam as orientações bíblicas, querem viver ao seu bel prazer, orientar-se por seus próprios conceitos, vivendo de sua maneira. Quando lhes vêm orientações bíblicas corretas, ficam indignados, pois dizem: "isto é atribuição minha, e ninguém deve se meter em minhas particularidades". É incrível! Fico a pensar como cristãos que se declaram comprados pelo sangue de Jesus, vivam tão distantes da Palavra, nossa regra de fé e prática e se comportem desta forma. Pessoas querem alcançar a salvação, através das obras que praticam de rituais religiosos que participam e ainda porque contribuem com seus dízimos e ofertas na Casa do Senhor e outros, ao invés de depositar sua fé em Cristo Jesus, Nosso Senhor (Tito 3.5).

Penso que é hora de mudança, mudança de mente. Não é isto o que ensina apóstolo Paulo? Em suas palavras ele diz: "[...] mas sede transformados pela renovação das vossas mentes [...]" (Rm 12.2). Mente renovada, certamente trará novas atitudes, vida cristã autêntica distante da mediocridade e hipocrisia em que tantos estão atolados. Uma mente renovada, não é controlada pelo sistema mundano pecaminoso. Nem se deixa dominar por comportamentos externos ditados pelo mundo, ainda que por este seja pressionado. O cristão autêntico tem sua mente focada nas coisas espirituais, vivendo sua liberdade em Cristo (João 8.32).

Observando o comportamento altivo do general Naamã, me ponho a pensar sobre alguns que se dizem cristãos; pois vivem como se compromisso nenhuma tenham com a Palavra de Deus. São arrogantes, irados, brigões, incitadores de contendas no seio da igreja, sem caráter mesmo. Algo que me deixa às vezes espantado. Isto mesmo; chego a ficar perplexo com o comportamento de alguns. Além disso, existem os que gostam de ser paparicados, adulados, tratados com mimos. Naamã, porventura, não se comportava assim? Exatamente, assim. Quando não se sentem tratados nestes termos, ficam tristes, abatidos, afastados, desestimulados e alguns deles até abandonam a igreja local. Meus Deus, como é triste tal situação.
Termino esta minha meditação dizendo que por fim, depois de ser aconselhado por seus servos a aceitar a recomendação do profeta Eliseu, Naamã vai ao Jordão e mergulha sete vezes conforme a palavra do homem de Deus, recebendo assim, a cura. Tão simples! Algo que Naamã não conseguia ver por causa do seu terrível orgulho. Meu Deus! Quanta altivez!!

Veja que o homem distante de Deus pode perfeitamente ser atacado pela lepra do pecado, do orgulho, da arrogância e preconceitos levando-o à destruição e fracasso espiritual. Creio que ao ser atacado por tais males, deve-se de forma apressada, desvencilhar-se de quaisquer obstáculos, descer do cavalo e mergulhar fundo, o mais fundo possível na presença do Senhor, buscando a plena e total libertação. A recomendação bíblica é: "humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte" (1 Pedro 5.6). Há remédio para esses males presentes na sociedade atual e ainda, presente na vida de muitos cristãos: o sangue de Jesus. Uma simples fé e uma vida de obediência são requisitos importantes e que agradam muito a Deus. Quando o homem desce à presença do Senhor, afastando de si o orgulho, receberá a provisão da salvação.

Depois de ter alcançado a salvação e cura ao crer na graça imensurável de Deus, Naamã foi despedido pelo profeta Eliseu, que lhe disse: "Vai em paz".