quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O líder de mocidade e o seu papel na Igreja hoje

Por Pr. Nonato Souza
Quando pensava sobre a importância do trabalho que os jovens podem desempenhar na igreja hodierna, me veio à mente, a seguinte indagação: que papel poderá desempenhar o líder de mocidade na igreja hoje?

Fui líder de mocidade durante determinado período na igreja onde servi o Senhor na cidade de Codó – MA. Quando fui chamado pelo pastor da igreja para exercer esta função no corpo de Cristo, tive grande dificuldade, exatamente, porque não sabia qual o meu papel frente esse importante trabalho. Aos poucos fui sendo orientado por meu pastor local, bem como li títulos sobre o tema, além de participar de vários seminários na área de liderança jovem promovido pela Assembleia de Deus em São Luis - MA, através de sua liderança jovem. Todo ano a UNILIDER (União de Líderes) realizava o ELMAD (Encontro de Líderes de Mocidade da Assembleia de Deus), onde eram ministrados seminários objetivando dar formação e preparação a líderes de jovens. Esses seminários foram uma verdadeira força e entusiasmo para minha formação e maturidade, além, de ajudar-me a perseverar em minha caminhada cristã.

Preocupa-me a situação dessa classe de líderes que trabalham com jovens na igreja atual. Observa-se, haver, quase que um descaso com esse importante grupo de líderes que atuam em nossos arraiais. Não há praticamente, investimento nenhum nessa área. Faltam seminários, cursos e palestras que alcance, instrua e forme esses líderes carentes de orientação que os leve ao crescimento.

Sei existir grande dificuldade em todas as áreas de atuação desse grupo de trabalhadores. Ora, sabe-se que o líder de mocidade representa hoje uma alternativa enorme na obra de Deus. Já tivemos uma época em que o movimento jovem representou um avanço muito grande no evangelismo nacional, sabemos disso. Os frutos dessa semeadura são colhidos hoje. Grandes pregadores e mestres da atualidade são frutos dessa semeadura dos anos 60/70/80, que podemos dizer foram tempos áureos dos grandes avivamentos jovens.

Há algum tempo atrás começamos a ver o arrefecimento deste mover de Deus entre os jovens líderes. Parece faltar empenho, dedicação, coragem, amor, propósito, fé, modelo. Quando se trata de liderança jovem, vivemos um momento angustiante e de profundos gemidos. Sinto como que certo distanciamento dos jovens que deveriam colocar-se à disposição de Deus para por Ele ser usado e desempenhar tão importante papel.
Continuo dando ênfase a esta necessidade na Igreja. Deus e a Igreja precisam de jovens que sejam capazes e tenham coragem de resgatar a imagem quase desvanecida de pregadores da atualidade, na sua maioria fracassados ministerialmente devido os sucessivos escândalos e comportamentos que denigrem a mensagem pura e santa do Evangelho de Cristo, trazendo prejuízos irreparáveis ao Reino de Deus.

Temos muitos líderes à frente de grupos jovens, alguns poucos, preparados, outros em sua grande maioria, totalmente despreparados, sem nenhuma qualidade para o exercício da liderança, faltam-lhe quase tudo. Imaturos em suas ações, comportamentos e decisões, o líder de jovens precisa superar sua própria imaturidade. Alguns, o grau de imaturidade é tanto que até se atrevem a tomar decisões contrárias; trabalham na contra mão da liderança maior da igreja; fazem eventos sem a cobertura do seu pastor; não informam, ou prestam relatórios acerca do andamento do departamento; têm dificuldades em concordar com as determinações do seu pastor, e não se portam como exemplo dos fiéis. Além destas coisas, ainda acham que sabem tudo, por isso, tomam decisões ao seu bel prazer, sem orar, consultar seus liderados e seu líder maior, gerando conflitos, devido uma posição soberba e de insubmissão.

O líder de jovens precisa entender que o seu comportamento para com o seu pastor é de um aluno para com o seu mestre, de um filho para com o seu pai, e se completam com a estima, a simpatia e com o estímulo do pastor para com os jovens que se destacam pela dedicação e capacidade de ajudar outros jovens. Outro ponto que há necessidade do líder de mocidade entender, que não há dependência do pastor para com o líder de mocidade, e sim, deste para com o seu pastor.

Têm líderes pensando e achando (esse que vos escreve já viu alguns desses por ai) que para o pastor realizar algum programa com toda a igreja precisa consultar sua liderança. Ora, se isso existe, sabe-se ser puro abuso da parte do líder de jovens. Na verdade, o pastor não precisa consultar o líder de mocidade para elaborar o seu cronograma de trabalho. O líder de mocidade, sim, é que precisa concordar com o seu pastor a respeito de trabalhos que envolvam a igreja, da qual a mocidade é parte integrante. Um exemplo clássico que já vi acontecer foi o seguinte aviso: “O líder da mocidade convoca a igreja para tal trabalho, tal dia”. Ora, se isto não é exceder-se, é o que?.

Um líder de jovens que programa trabalhos que colidem com a liderança do seu pastor, privando-se da palavra do pastor e do contato com a igreja, está simplesmente causando sérias dificuldades.

Finalmente, quero informar ao líder de jovens, que se deseja ter êxito em sua liderança, não deve abrir mão de manter estreita aproximação do seu pastor. O líder de mocidade falhará terrivelmente em sua liderança, se não se considerar dependente do seu pastor.
O líder de mocidade precisa ser um instrumento nas mãos de Deus, para que isto aconteça há necessidade de tempo. Tempo para ser formado, para adquirir maturidade, tempo para entender que o verdadeiro líder espiritual é alguém que está infinitamente mais interessado no serviço que ele pode prestar para Deus e seus semelhantes, do que, nos benefícios e prazeres que ele mesmo poderá extrair da vida para si mesmo.

Um líder de jovens precisa aprender que o exercício da liderança nunca foi fácil. Se não aprender a viver à luz da fé, nunca será um líder bem sucedido. Entendendo este ponto o líder jovem será sempre um eterno aprendiz, dependente de Deus, submisso à sua orientação e cuidado. Foi Jesus que disse acerca desse assunto: “[...] porque sem mim nada podereis fazer” (Jo 15.5). Se há no coração do líder jovem o sentimento de tornar-se eficaz em seu trabalho, deve, então, buscar essa eficiência em Deus, através da oração constante, leitura da Palavra, vida de humildade, estando consciente de sua condição de líder, do significado da liderança e dos princípios que a regem. Tendo tudo isso, não se esqueça de que o líder cristão exerce um papel importantíssimo no contexto do Reino e, portanto, depende de Deus.

Sabe-se que a verdadeira liderança, ainda que exercida por uma pessoa amadurecida, emocionalmente estável, sempre cobra o seu preço. Temos muitos líderes que querem apenas deter o status, não querendo, porém, o ônus de liderar. A excelência na liderança não acontece por acaso, ela vem pela aplicabilidade, esforço e dedicação permanente. Jesus parece que tinha isso em mente quando disse: “Porque qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida a salvará” (Lc 9.24). Jovem, isto lhe diz alguma coisa? Pois é, se queres exercer liderança, saiba que precisa dedicação.
A escassez de liderança comprometida com os negócios do Reino é grande. O texto sagrado mostra que houve momentos em que Deus encontrou Davi, homem segundo o coração de Deus, pronto a cumprir a vontade divina. Observe o que diz o texto: “Achei a Davi, filho de Jessé, varão conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade” (At 13.22). Houve, porém, tempo na história de Israel em que Deus procurou entre os profetas, sacerdotes e príncipes do povo, homens que se supunha está à disposição de Deus, um homem com qualidades específicas, para um momento específico, mas não encontrou. Observe, é o próprio Deus que diz: “E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei” (Ez 22.30). Assim como no passado, ainda hoje Deus está à procura de homens que estejam prontos a se lançar aos seus cuidados e que por Ele queiram ser usados na expansão do Seu Reino na terra. Jovem, líder, Deus pode contar com você?

Sendo esta uma necessidade urgente da igreja, é preciso haver investimento nos jovens que já estão envolvidos com liderança e outros que demonstram plena aptidão para tal. Não dar prá continuar com líderes despreparados, desanimados, desprovido de sentimento de compaixão pelos que estão sob os seus cuidados. É preciso investir na formação destes, aproveitando o desejo ardente que há nos seus corações para o exercício da liderança cristã. Observe que Jesus, líder por excelência, fez altíssimo investimento, treinando seus doze discípulos para uma grande obra. Líderes deve concentrar sua atenção em aspirantes à liderança que estão sob sua responsabilidade e cuidado. Na igreja tem sempre alguém com aspiração para liderança que deve ser estimulado ao crescimento.

O líder de jovens para os dias atuais precisa ter algumas características que lhe são importantes. Um líder precisa ser culto, instruído, pacificador, submisso a Deus e está comprometido com a obra de Deus. Poderia acrescentar ainda a fé, coragem, amor, determinação, humildade (tão esquecida por muitos), paciência, entusiasmo, benignidade, competência, confiança, disciplina, integridade, espírito de servo e capacidade administrativa, persistência, objetividade, treinamento, persuasão e lealdade.
Para encerrar esse texto e não torná-lo prolixo trarei algumas recomendações aos líderes de jovens. Certamente num próximo texto, teremos mais informações sobre este riquíssimo assunto.

O líder de jovens deve está atento em desenvolver o máximo o dom que Deus lhe deu. Observe o que diz apóstolo Paulo acerca do assunto: “Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério”. Noutra parte: “Por este motivo, te lembro que despertes o dom de Deus , que existe em ti pela imposição das minhas mãos” (1Tm 4.14; 2Tm 1.6).

O líder de jovens deve ocupar-se com boa leitura e meditação. Paulo recomenda: “Persiste em lê, exortar e ensinar, até que eu vá. Medita estas coisas, ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos” (1Tm 4.13,15).

O líder de jovens deve ser exemplo de boas obras. Paulo ao escrever a Tito diz: “Em tudo, te dá por exemplo de boas obras [...]” (Tt 2.7; veja também Tt 3.8).

O líder de jovens deve aprender a se relacionar com todas as faixas etárias. Observe as recomendações de Paulo ao jovem pastor Timóteo e também a Tito (1Tm 5.1-12; Tt 2.1-10).

O líder de jovens deve exercer, pessoalmente, a piedade. Paulo recomenda a Timóteo o cuidado permanente com a vida espiritual. “[...] e exercita-te a ti mesmo em piedade” (1Tm 4.7).

O líder de jovens deve cuidar em conservar-se puro. Paulo, não aceita que o líder venha transigir com o pecado. “A ninguém imponhas precipitadamente as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro” (1Tm 5.22). Alguém, algures disse: “Quem sacrifica a integridade, perde o seu mandato”.

O líder de jovens deve evitar falatórios inúteis e profanos. Essa é uma recomendação para se evitar conversações vazias, sem nenhum nexo, mundanas. O jovem líder não deve concordar com o erro, os falsos ensinos. “Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade” (2Tm 2.16).

O líder de jovens deve preservar as coisas básicas do ministério: um coração puro, uma boa consciência, e uma fé não fingida. “Ora, o fim do mandamento é a caridade de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida” (1Tm 1.5).

Por fim, o líder de jovens deve cumprir o seu ministério. “Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério” (2Tm 4.5).
Quero encerrar falando ao líder de jovem que se esforce em prol do Reino de Deus, leve a mocidade de sua igreja a cumprir fielmente o seu papel de agente de crescimento do Reino. Seja um líder preocupado com os negócios do Pai e empenhe-se em fazer o melhor objetivando alcançar, junto ao seu grupo, a maior quantidade possível de salvos. Ande ao lado do seu pastor, seja amigo, companheiro e submisso às suas diretrizes, determinações e orientações. Não falhe neste quesito. Uma mocidade cristã bem liderada tornar-se-á forte em prol da igreja local e do Reino de Deus, além, de ter uma nova disposição e visão para buscar a Deus. Enquanto, que se for mal orientada, ensinada, tornar-se-á um grande empecilho, desviando-se dos seus propósitos, compactuando com o mundo, e se entregando à imoralidade e depravação moral. Aqui, tem o líder grande responsabilidade com o que foi entregue em suas mãos. Que o Senhor tenha misericórdia dos líderes de mocidade.





quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Pr. Antônio Gilberto: Os desvios doutrinários e a importância da doutrina bíblica para a igreja


Na entrevista, com exclusividade para Seara News, o pastor esclarece assuntos polêmicos, do ponto de vista bíblico, doutrinário e teológico, destacando a importância da doutrina bíblica para a igreja. As citações e referências bíblicas são à luz do texto original.
Ex-cientista da NASA, a agência espacial americana, o pastor Antônio Gilberto é consultor doutrinário da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, mestre em Teologia, graduado em Psicologia, Pedagogia e Letras, membro da diretoria da Global University nos Estados Unidos e autor dos livros “Mensagens, Estudos e Explanações em 1 Coríntios”, “O Calendário da Profecia”, “O Fruto do Espírito”, “A Bíblia: o livro, a mensagem e a história”, “A Prática do Evangelismo Pessoal”, “Verdades Pentecostais”, “A Bíblia através de séculos”, “Crescimento em Cristo” e “Manual de Escola Dominical”, sendo este último o seu maior best-seller, com mais de 200 mil exemplares vendidos. Em outubro de 1997, ele recebeu da Abec (Associação Brasileira de Editores Cristãos) o prêmio Personalidade Literária. É uma das maiores personalidades da literatura no Brasil.
Entre os dias 16 e 18 de novembro, o pastor Antônio Gilberto esteve em Vila Velha/ES, ministrando um Seminário de Escatologia Bíblica, realizado pela Assembleia de Deus Praia da Costa. Durante o evento agendamos uma entrevista, que aconteceu numa sala do hotel onde estava hospedado com sua esposa, na orla da Praia da Costa.
Na segunda-feira, 19, pela manhã, chegamos ao hotel, no horário combinado (Natan, Edenin e eu), e enquanto aguardávamos a liberação da sala, combinamos o tempo da entrevista, algo em torno de 15 minutos, devido aos compromissos do pastor. Mas durou um pouco mais, cerca de 50 minutos! No final, ele agradeceu, e pediu, em um tom extrovertido, para editar e colocar em 5 minutos.  Acompanhou a nossa entrevista, o pastor da igreja anfitriã, Marinelshington da Silva, acompanhado do irmão Alvim, que sairiam em seguida com o pastor Antônio Gilberto para Cachoeiro de Itapemirim, no sul do ES.
Durante a entrevista o pastor citou pontos de sua experiência, para ilustrar e facilitar o entendimento às respostas. Alguns não serão publicados, por questões obvias.  Foram momentos de muita reverência e contrição.
Por Paulo Pontes
Seara News - O movimento neo-pentecostal tem levado as pessoas ao entendimento de que a moda agora é ser pentecostal. O que o senhor diz?
Pr. Antônio Gilberto - O ponto principal está na palavra neo-pentecostal, que é um desvio da doutrina. Se alguém é desse movimento não queira me querer mal, mas o movimento neo-pentecostal ou neo-pentecostalismo, é desvio da doutrina da Bíblia.
A Assembléia de Deus vem entrando nesse campo e aceitando porque nossos queridos pastores – (pastor que eu digo não é ter o título, é o homem conduzir o rebanho. Então o irmão venha entender que eu não estou falando do pastor porque tem o título e a carteira de pastor, mas o homem que Deus colocou à frente do rebanho segundo o Novo Testamento) – não ministra a doutrina. Ensinar, não tem tempo. Eu não estou querendo dizer que o pastor faça isso sozinho, é claro que não faz. Uma igreja quando tem dez membros, quinze membros, o pastor consegue fazer muita coisa, mas quando tem cem, quinhentos, mil, dez mil, é claro que Deus dá para ele uma equipe imensa. Agora eu pergunto: “Quem são esses homens e mulheres que estão ajudando o pastor?” Então, o movimento neo-pentecostal é um desvio da doutrina da Bíblia.
Uma coisa que ajuda na resposta: por que eles se desviaram? – Falta de ensino doutrinário na igreja. É só pular, cantar, falar em buscar o batismo, falar em línguas, etc. E a doutrina bíblica que é a doutrina que equilibra? Então oremos para que eles voltem.
Nós estamos entrando pelo mesmo caminho, porque o movimento neo-pentecostal, do dia para a noite, enche os templos. Mas encher de quantidade, não é encher de qualidade! Deus quer o templo cheio! Mas, como é que um templo se enche pela quantidade? Através da conversão! E como é que um templo se enche através da qualidade? Pelo discipulado! Mas vejamos, nós não temos tempo para ministrar discipulado. O rebanho cresce e muita gente pensa que discipulado é ter um grupo de pessoas que se reúnem certos dias, mas discipulado, aquele que Jesus disse “ide e fazei discípulos”, é algo maravilhoso. Então nós temos milhões e milhões de abandonados, crianças abandonadas nas igrejas (criança que digo, é no sentido espiritual). Fala-se tanto, a prefeitura, Vila Velha, o Brasil, “menor abandonado, menor abandonado”, e na igreja menor abandonado é uma coisa horrível (menor abandonado que eu digo, é na fé). Os irmãos se recordam daquele brado do salmista Davi quando disse “ninguém cuidou da minha alma”. Aquilo dói na alma da gente. Como é que Davi escapou? “Ninguém cuidou da minha alma”. Então, do lado de cá nossa culpa é ministrar a doutrina, porque é difícil, é difícil. A doutrina todo mundo sabe que não é fácil. Não existe uma só doutrina organizada, catalogada como de A a Z, mesmo a mais simples, desdobrada, ou seja, é preciso à pessoa com graça, unção e sabedoria, coligir, reunir, orar, jejuar e horas e horas a sós com Deus. Então o resultado está aí, o movimento neo-pentecostal ganhando tempo em nosso meio, e nós da Assembleia de Deus (a Assembleia que eu digo é a igreja ortodoxa) acabamos sofrendo com isso.
Então essa a minha resposta pode ajudar o irmão depois a passar um filtro, mas, neo-pentecostal (nome bonito: neo-pentecostal) movimento pentecostal novo, nada, desvio! Eu inclusive tenho dado aulas lá a pedido deles, pelo menos lá no Rio de Janeiro, ministrando estudos algumas vezes, mas é difícil devido o tempo. São pessoas conhecidas. Mas nós estamos absorvendo, ou seja, no passado, vinte, cinquenta anos atrás, eram eles que vinham a nós pedir ajuda, batistas que eram batizados, presbiterianos que recebiam o batismo, hoje somos nós que vamos beber lá. Deus tenha misericórdia de nós. Os irmãos não pensem que eu estou dizendo que a Assembleia de Deus é a única igreja certa, a Assembleia de Deus não é uma igreja, é uma denominação. Igreja que eu estou falando é a igreja do Novo Testamento, lá de 1 Co 12.
Seara News - Renovação e Inovação são palavras parecidas, mas com significados diferentes dentro da visão pentecostal. Qual a correta definiçãos dos termos, para esclarecimento da nova geração de obreiros, líderes e crentes em geral?
Pr. Antônio Gilberto - Eu confesso, não é correto dizer isso, “dentro da visão pentecostal”, eu sugiro que esse termo seja trocado. Não existe visão pentecostal, existe visão escriturística dentro da visão pentecostal. Irmão Gilberto, por quê? Porque a igreja do Deus vivo, a igreja dos primogênitos, é aquela de Atos capítulos de 1 a 28. Igreja do Senhor.
Por que chamam a gente de pentecostal? Devido o fato de Deus ter despertado a igreja lá pelo século XVIII e XIX, e começou aquele movimento entre os metodistas lá na Inglaterra, depois passou para a América, em 1850, 1870 e foi aumentando, em 1880 eles começaram a jejuar e sentir fome de mais poder e quando o século virou Jesus começou a batizar entre os metodistas. Era coisa nova, batizar, batizar, como é que vamos chamar? Chamaram primeiro de Movimento da Santidade (Holiness Movement) e etc. Até que em 1901 começou a formar um grupo e depois surgiram outros (Apóstolos da Fé). Mas isso é coisa local, em Atos dos Apóstolos é a Igreja como tal.
Prosseguindo, renovação e inovação são termos opostos. Renovação (renovação é claro, espiritual) é a pessoa ser libertada por Deus (Deus usa os instrumentos que Ele quer) e a pessoa buscar o cristianismo bíblico. E onde está esse cristianismo bíblico? No sentido público, de Atos 1 a 28. Graças a Deus pelo livro de Atos. E daí para frente lá se vai principalmente de Romanos até o livro de Judas. Então renovação é algo maravilhoso. Renovação é para quem envelheceu, caiu na rotina, o que é um perigo. Nossos irmãos batistas, presbiterianos, são uma benção de Deus, a gente os ama, mas o que aconteceu com eles, coitados? Rotina, eles caíram na rotina. Quem é que aguenta rotina? Feijão com arroz todo dia, arroz com feijão todo dia, rotina. Não, rotina não minha gente! Então, renovação, todo crente normal precisa viver uma vida renovada. Por que irmão Gilberto? Porque envelhece, espiritualmente falando. E como que acontece isso? O Espírito Santo tendo predominância. E inovação? A inovação, Deus nos guarde! Inovação são modismos descabidos, que surgem na pessoa, passam para a família, passam para a igreja. Por causa de que? Falta de conhecimento doutrinário ungido da parte de Deus. Porque a doutrina é viva, a doutrina tem poder vivo. Então a doutrina é a base fundamental da igreja. Naquela manhã que estivemos junto com os colegas lá no templo, eu li Atos 2.42, bem no princípio do livro de Atos: “e perseveravam na doutrina”. Muita gente pensa que doutrina é conversa fiada, quando o termo que está ali, o termo que o Espírito Santo usou (que às vezes é traduzido diferente) é conteúdo bíblico normativo, conteúdo bíblico normatizador. Pronto, eu estou de parabéns, é isso que eu preciso! Eu preciso, usando uma linguagem secular, de um estatuto, um regimento interno, usando uma linguagem figurada, como é uma empresa, um estado, um país, constituição. Então o que é doutrina? Doutrina é um ensino bíblico normatizador. Nem para a direita nem para a esquerda, sempre permaneciam perseverando na doutrina dos apóstolos. É uma pena que aquilo não continuou. Os irmãos se lembram de que a igreja de Corinto se desviou, inclusive deu problemas, problemas, problemas, e quando chega ao capítulo 15 o que Paulo diz? Muitos de vocês não são salvos. Está lá escrito, infelizmente muitos de vocês não são salvos. Mas não é novidade, porque o Senhor Jesus…, se lembra de João capítulo 2, quando Jesus disse: eu não confio em vocês, vocês estão crendo naquele milagre que aconteceu em Caná, mas não confio. O próprio Jesus não confiava neles, está escrito. E eram crentes. O próprio Jesus não confiava neles, é uma pena! Então, a doutrina é a chave. Agora, é claro, a doutrina não é feito um “b – a – bá”. Mas a doutrina é ungida, a doutrina é inspirada pelo Espírito Santo, tem poder.
Então, renovação, Deus envie sobre nós, busquemos a renovação. Agora inovação, Deus nos guarde. Sim, mas lá, do dia pra noite enche. Encher de quantidade não é encher de qualidade. Deus conta primeiro não é com quantidade. Quantidade é uma benção. Não sou contra! Quem é contra isso? Mas quantidade com qualidade!
Irmão Gilberto, como é que se enche uma igreja de quantidade correta? Conversão, conversão genuína. E como é que uma igreja enche de qualidade? Conversão com discipulado, ou seja, doutrina.
Seara News - Um assunto polêmico, cujo debate já dura por décadas, é o ministério pastoral feminino. Hoje algumas Assembleias de Deus já reconhecem a ordenação de mulheres. Existe respaldo bíblico-doutrinário para isso?
Pr. Antônio Gilberto - Não, não e outra vez não! Não existe! Ordenação… Mulheres no Santo Ministério, tanto venham. Inclusive muitas vezes elas fazem o trabalho melhor do que os homens. Mas ordenar para o Santo Ministério, não tem base nas Escrituras. E como é que isso está acontecendo? É a igreja a culpada e a igreja vai prestar conta disso. A igreja que eu digo não é a igreja o prédio, os responsáveis vão prestar conta disso. Jesus nunca ordenou mulheres. O apóstolo Paulo que é um paradigma, não separou, nunca ordenou mulheres. Agora, mulheres trabalharem no Santo Ministério, tanto venham. Cantoras, professoras de escola dominical e etc. Mas irmão Gilberto, e diaconisa? Lá no livro de Romanos o apóstolo Paulo disse que aquela irmã era diaconisa na igreja de Cencréia. Onde está isso no original? Não existe! Sim, mas o comentário que eu li diz que era diaconisa. Conversa! No grego está na forma masculina, ou seja, Paulo deixou aquela mulher ali provisoriamente, ou então o trabalho era novinho e não tinha homem nenhum para exercer o diaconato, ele disse vem cá “fulana” (Febe), faz o trabalho aqui, a obra de Deus não pode parar por causa de problema humano. Está no masculino.
Uma vez um pastor presidente de uma grande e renomada convenção, nós estávamos juntos em Goiânia ministrando, e ele no hotel conversando comigo, disse: “estou agora na presidência, vou incentivar, irmão Gilberto, o diaconato das mulheres que está praticamente parado. O que o irmão diz?”
- Eu prefiro primeiro que o senhor que é o chefe, me dê alguma coisa.
Ele disse: “eu me baseio lá em Rm 16, Febe, aquela irmã que era um tesouro na igreja de Cencréia (inclusive quando os irmãos forem a Grécia visitem as ruínas de Cencréia. Eu fui lá visitar, só tem ruínas, e eu fiquei pensando onde é que ficaria aqui a casa dela, porque tudo indica que era uma mulher de muito dinheiro. Paulo disse: “ela me hospedou muitas vezes, e hospedou a muitos”), que era diaconisa, a Bíblia em português diz: que serve ao Senhor na igreja de Cencréia, outra versão que eu tenho diz que ela servia como diaconisa”. Eu me calei, e ele disse: “uma segunda passagem, irmão Gilberto, que eu tenho em mente é lá em Timóteo quando a Bíblia diz: e as mulheres…”
Eu disse: Pastor, a passagem de Romanos no original está no masculino, pode pegar qualquer manuscrito bíblico. Ou seja, ou o trabalho era novinho e não tinha homens habilitados, e o apóstolo Paulo um homem cheio do Espírito Santo, a obra de Deus não ia parar por causa de problema humano. Vem cá, Febe, exerce aqui enquanto não se prepara um homem, ou então não sei a razão, a Bíblia não explica, mas está no masculino.
“E lá em Timóteo?”
Pode pegar o termo original que a oração no grego pára, e quando diz as mulheres, são as esposas dos obreiros. Ele parou, e parou até hoje.
Voltando a pergunta, o que o irmão diz disso? É anti-bíblico. E o que fazer? Quem estiver fazendo vai prestar conta a Deus. Mas infelizmente não é só ordenação de mulheres, é muita coisa que a igreja decide por ela. Eu podia fazer menção aqui, não vou, não há necessidade. Para ninguém pensar que é só esse fato: São várias coisas que a igreja faz sem ter… Por exemplo, há igrejas que só separam (consagram) obreiros para o diaconato se forem casados, não estou criticando a igreja local, há igreja que só separa (consagra) casados, porque o escândalo está sendo grande de obreiros solteiros. Enfim, a igreja que tomou a decisão, não é a Bíblia.
Batismo em águas: tem igreja que a pessoa se entregou pra Jesus, foi perdoada ali mesmo, foi convertida, batiza na água. Tem igreja que diz: “Não, aqui pra ser batizado tem que fazer um cursinho”. Lá na minha igreja, por exemplo, tem um cursinho de três meses, onde está isso na Bíblia? Lugar nenhum. É a igreja que decide!
Realização de matrimônio, esse caso é mais um, só que este é grave.
Então, em resumo, não tem base na Escritura, nem no Antigo, nem no Novo Testamento. Deus quer a mulher no ministério, quanto mais, melhor, para muita tarefa. Mas ordenação para cuidar do rebanho Deus reservou para o homem. De modo que esse negócio está dando problema. E os que estão na Assembleia de Deus? Vão prestar conta a Deus! Vamos brigar com eles? Deixa pra lá, vão prestar conta a Deus! Esse é que é o problema, a Bíblia diz cada um de nós. Eu vou dar conta e os irmãos vão dar conta também. Se o Tribunal de Cristo fosse coletivo…, mas a Bíblia diz cada um. Então nós temos que pensar nisso.
Seara News - Qual o posicionamento do pastor diante das mudanças dos crentes na conjuntura sociológica na pós-modernidade?
Pr. Antônio Gilberto - Em primeiro lugar, o que é pós-modernidade, no sentido bem popular? É o predomínio do humanismo, (não estou falando de humanitarismo, estou falando de humanismo). E o que é humanismo em filosofia? É o homem ser o centro e Deus jogado fora. É isso que o mundo, inclusive o Brasil vive. E como começou isso? Começou há décadas, logo depois da Segunda Guerra Mundial. Então não é o humanitarismo, porque este é uma coisa maravilhosa, eu estou falando de humanismo. E o que é humanismo, onde está na Bíblia? 2 Timóteo 3, está bem claro isso lá, como sinal da vinda de Cristo. O homem passa a ser o centro de tudo e Deus na periferia jogado fora. E pode ver, a sociedade chegou nesse ponto. Nem na igreja Católica, eles vão à missa só pra marcar ponto, nem sabem quem é o vigário, acabou. A igreja Católica hoje vive somente de forma.
Então qual o posicionamento do pastor diante das mudanças dos crentes na conjuntura sociológica na pós-modernidade? Pós-modernidade é um movimento filosófico de inspiração satânica que começou logo depois da Segunda Guerra Mundial, por volta do ano de 1947.
E qual é a filosofia? O homem é o centro de tudo. Pode-se ver, colégio, faculdade, fábrica e tudo. E Deus? Jogado fora, nem é mencionado.
E no passado? Não, no passado pelo menos em teoria, hoje nem em teoria. E o que é que diz a Bíblia lá nas epístolas? Moralmente o mundo irá de mal a pior. Tecnicamente não. Quem é que não sabe que tecnicamente o mundo está se tornando uma maravilha? São satélites, computadores, é uma benção. Mas moralmente, irmãos queridos, não vai mudar, vai piorar. Mas essa nova geração, e escola, e programas do governo, as associações? Não dá em nada, a Bíblia diz, irá de mal a pior. Em que sentido? Moralmente. Graças a Deus que a igreja está na terra pregando o Evangelho, só que a igreja tem que tomar cuidado pra se manter renovada, e isso custa um preço porque o humanismo, ou seja, o pós-modernismo tomou conta da sociedade e principalmente da juventude. Deus tenha misericórdia da juventude! O irmão Edenin Pontes Neto tem 22 anos, essa idade é difícil. Então um jovem como o irmão, na igreja, devemos levantar as mãos não sei quantas vezes para o céu e louvar a Deus.
Quando eu estive na Escandinávia, pouco tempo em viagem de pesquisa, mas ninguém sabia, os irmãos sabem que foi a Escandinávia que evangelizou a América do Sul, muita gente pensa que foi só o Brasil, na época eles mandaram missionários também para a Argentina, Peru, Chile, Colômbia, nós somos brasileiros destacamos o Brasil. Os irmãos sabem disso, que vieram da Escandinávia, da Suécia, da Finlândia, da Noruega. E vejam, claro que eu estou repartindo isso porque os irmãos são obreiros, se fossem novos convertidos eu não compartilharia isso. Na nossa despedida lá, o pastor da Igreja Filadélfia, pastor Scott, nome bem difícil dele, um pastor ainda bem jovem, disse:
“irmão Antônio Gilberto, eu gostaria de saber como será sua volta”.
Eu disse: “eu tenho que pegar um vôo às 16 horas para Berlim e preciso estar liberado, enfim, até a hora do almoço”.
Ele disse: “Olha, eu vou convocar hoje à noite, domingo, o ministério pra uma despedida, com um café, uma palavra da parte do irmão”.
Eu falo um pouquinho de sueco, era pra falar melhor, mas a gente perde o controle. O sueco é muito parecido com o inglês, o finlandês é mais parecido ainda. Bom, veja só o que aconteceu: no momento certo eu estava numa sala muito bonita, aproximadamente uns 60 homens e mulheres, diáconos, etc. Eu compartilhei um texto bíblico, ele apresentou os obreiros que eram obreiros-chave, logo em seguida ele disse:
“Meus irmãos, o irmão Gilberto ele precisa se organizar para viajar, agradeço os irmãos por terem vindo, tiramos foto, agora eu dispenso os irmãos, por favor, deixem o recinto calmamente”.
Ele chegou pra mim e disse:
“Irmão Gilberto, eu preciso, eu e minha esposa que está aqui, ficar alguns minutos com o irmão antes do irmão ir para o hotel”.
Então os obreiros se despediram, nos abraçamos ali, tiramos fotos e foram embora. Logo que saíram, ele disse:
“Vamos para o meu gabinete”.
E quando chegamos lá no gabinete ele disse:
“Olha irmão Gilberto, fomos nós”. Ele disse isso com os olhos lacrimejando e com a voz embargada.
“Irmão Gilberto, o irmão bem sabe que fomos nós que no século passado, a Escandinávia, principalmente a Suécia, que Deus abalou o país, batizou com o Espírito Santo levantou aquela igreja poderosa e uma das primeiras coisas foi mandar missionários, e missionários para o Brasil, Daniel Berg e Gunnar Vingren e dezenas de outros”.
Deus os abençoou que levantaram aquela obra no Brasil e depois vieram os missionários americanos, enfim. Aquilo me doeu. De fato nós estamos pecando.
Ele disse isso comovido:
“A gente nota irmão Antônio Gilberto, ida e volta de obreiros do Brasil pra América, para o Canadá e nós aqui abandonados”. Então com lágrimas nos olhos ele disse: “Venham nos socorrer!”
Aquilo me doeu, eu não agüentei e chorei também. “Venham nos socorrer!” Mas, meu irmão em que sentido?
Ele disse: “Jejuem por nós, jejuem por nós, morram por nós num certo sentido”.
Está difícil a situação na Escandinávia. Agora o pós-modernismo está uma maravilha lá, entre aspas. Então, irmãos, significa que Jesus está voltando. Isso serve para gente botar as barbas de molho.
Seara News - Há uma afirmação de que a igreja evangélica brasileira está cansada, o que ocasiona mudanças de paradigmas em relação aos modelos tradicionais, e leva muitos crentes ao abandono do convívio fraterno, substituindo-o por um modelo de vida cristã alternativa. Como o senhor avalia essa situação?
Pr. Antônio Gilberto – Falta de um avivamento espiritual de acordo com o livro de Atos. Vamos buscar um avivamento de acordo com John Edward? Não! Vamos buscar um avivamento de acordo com “Fulano de tal”? Não! Um avivamento segundo o Livro de Atos do Apóstolos!. Aonde? Capítulo 2, 8, 13 e 19, o livro de Atos. E aquele avivamento de John Edward? Aquilo foi para aquele tempo. Não vamos copiar modelo dos outros. Então a resposta aqui é uma só: um avivamento! Agora, um avivamento com base na doutrina, se não ele pode descambar para a direita. Os irmãos já notaram que sempre que a Bíblia previne sobre desvio, e não tem nenhum texto contrário, sempre que a Bíblia alerta sobre desvio, cuidado com o desvio para a direita e depois para a esquerda?
A Bíblia nunca diz primeiro para a esquerda. Nós fizemos um levantamento criterioso disso à luz do texto original e só tem 11 vezes na Bíblia. Só tem 11 vezes Deus dizendo: cuidado com o desvio para direita e depois para esquerda. Deus nunca diz primeiro esquerda. Não!
E o que é desvio para direita? Desvio para o lado certo, ou seja, exagero, fanatismo, torcer a verdade bíblica, pegar as escrituras e adulterar. Isso arrasa a igreja. Nós estamos tendo essa dificuldade. Essa igreja que eu fui ministrar lá no RJ, neo-pentecostalista, meu Deus! Desvio total. Eu estava ministrando, já do meio para o fim do estudo bíblico, quando um homem se levantou no auditório, começou a pular e profetizar. O pastor que me convidou disse: “irmão Gilberto, me dê licença”. Pegou o microfone e disse: “irmãos diáconos vão lá e mandem esse homem parar!” Os diáconos correram lá e o homem se revoltou, inclusive pegou uma cadeira, levantou e pulou com a cadeira. Aí uma irmã se levantou e disse: “é o espírito, é o espírito!” O pastor disse: “Mas não é o Espírito do Senhor!”.
Olha, levaram uns 5 minutos para ele acalmar. Arrancaram o homem e o levaram de quatro pés lá para o lado de fora. Avivamento… Levaram o homem de quatro pés, seguram nas duas mãos e nos dois pés. E a irmã? Disse o pastor:“Diaconisas venham depressa!”
As irmãs vieram, seguraram a saia dela, saia muito curtinha, e a levaram de quatro pés lá para não sei aonde.
Avivamento… Devido o que? Desvio para direita. O desvio para direita é pior que desvio para esquerda.
O que é desvio para esquerda? Desvio para pecar. Esquerda é o lado do erro. Deus nunca diz: Cuidado com o desvio para esquerda e depois direita. A Bíblia sempre diz… Se lembram de Josué? Josué, não te desvie nem para direita nem para esquerda. Então nós temos que ter cuidado com isso, avivamento é uma benção de Deus, mas um avivamento bíblico, se não pode desviar para direita.
Seara News - O senhor afirmou, durante o seminário, que a família está fragilizada. Qual a conseqüência disso para a igreja e como revitalizar a família?
Pr. Antônio Gilberto – Os irmãos sabem o que é fragilizada? É uma coisa que se quebra com facilidade. Se não for dado um jeito nisso, ele se fragmenta. A família dentro da igreja – fora da igreja, Deus tenha misericórdia – está fragilizada. E qual é o passo seguinte se não houver uma providência Divina? Fragmentar a família. Sabe o que é fragmentar? Virar pedaços. E o qual é o terceiro passo? Ruína. Onde está isso na Bíblia? Lucas 17, quando Jesus alertou. E onde está mais sobre isso? 2 Timóteo 3, está bem claro isso. Lá no final diz: “proibindo o casamento”. Então a igreja vive este tempo, ou seja, em suma, busquemos a renovação, busquemos o avivamento.
Agora, doutrina é a chave: “permaneciam na doutrina dos apóstolos”. Então, os irmãos sabem que isso dói, porque a família é sagrada. Meu Deus, a família é a chave de tudo. De onde vem o governo? De onde vem o município? De onde vem o operário da fábrica? De onde vem o membro da igreja? De algo maravilhoso chamado família. E quais são os dois esteios da família? O marido e a mulher, a mulher e o marido, são os esteios.
Seara News – O que o senhor diz da igreja brasileira em face da atual política governamental?
Pr. Antônio Gilberto - Voltar ao Livro de Atos dos Apóstolos! Como assim? O livro de Atos está repleto de políticos, mas fora da igreja. Nada de mandar na igreja. Lá está o nome de Cláudio, lá está o nome de Festo, lá está o nome de Herodes, o nome de Agripa. Todos eles eram grandes políticos, mas nada de se meter na igreja, ou seja, não deve haver intervenção, intromissão com político e político na igreja pra mandar. O livro de Atos está repleto de políticos, só que no seu lugar e a igreja no lugar dela. Hoje em muitos lugares estamos vendo a mistura. O livro de Atos é o nosso modelo. Lá está Cláudio, César, está Festo… Inclusive o caso de Festo! Por falar nisso, irmãos, é uma coisa terrível, porque ele veio com Berenice, quando veio para comparecer diante de Paulo. Ele veio com sua esposa Berenice. Os irmãos sabiam que Berenice era irmã carnal dele? Vejam como estava o mundo romano! Berenice era irmã carnal e ele vivia com ela e ela com ele como marido e mulher. É pavoroso! A Bíblia não diz isso porque a Bíblia não tem nada haver. Mas quando o irmão pesquisa nos anais, como eu pesquisei em Roma… Irmãos carnais, ele largou a mulher com quem ele tinha casado e se juntou com a própria irmã e apareceu perante Paulo. Terrível, terrível!
Voltando a pergunta… Políticos na igreja? Bem dito seja Deus. Nos cultos, como membro da igreja, tudo bem, agora se imiscuir, não, não, não!
Para ilustrar isso aqui, eu cheguei a mencionar que eu tive um convite, muito honroso de ministrar para os executivos da grande empresa de cimento, a Votorantim. Os irmãos sabem que a Votorantim é uma potência, aqui no Espírito Santo deve ter sucursal, escritório. A Votorantim é magnata, imaginem o privilégio! Eles mandaram um ofício para a Convenção Geral e caiu nas mãos do Pr. José Wellington, nosso presidente, para ele designar alguém para ministrar numa palestra religiosa de 50 minutos, na reunião nacional dos executivos, numa cidade do Rio de Janeiro chamada Friburgo, onde fica uma das grandes fábricas deles. O irmão Wellington ligou pra mim, eu disse: “irmão Wellington por que o senhor não vai?” Ele disse: “Eu não vou nada. Gilberto, você aceita?” Eu disse: Só se eu receber pormenores e o senhor orar por mim. Ele disse: “A gente ora!” Concluindo, eu aceitei e então o secretário da empresa entrou em contato comigo e disse: “A primeira coisa que pedimos, por obsequio, é o senhor enviar o seu currículo, é norma”.Está bem, eu não gosto de mandar para ninguém, mas eu envio. Eu enviei meu currículo. Ele disse: “Segunda coisa, desde agora o senhor está com motorista e carro a sua disposição, é seu. Se o senhor quiser vir de helicóptero, nós temos, pegamos o senhor, levamos em casa. Mas se o senhor quiser vir de avião, daqueles jatos de dois motores, aqui tem aeroporto, tem tudo. O senhor pode trazer sua família. E outra coisa, o senhor quer hotel de cinco, quatro ou três estrelas?” Eu disse que não faço questão de estrelas, contanto que seja bonzinho. Resultado: fomos lá para a reunião e quando completaram os 50 minutos, o mestre de cerimônia (o MC), me chamou a parte e disse: “O auditório está pedindo se o senhor pode prorrogar meia hora mais?” Eu fiquei surpreso. Ele disse: “O auditório está pedindo se o senhor pode prorrogar a palestra por mais meia hora?” Eu disse: Poder, eu posso. Mas eles não vão se cansar? Ele disse: “São eles que estão pedindo! Segundo, o auditório, os executivos estão perguntando se é o possível o senhor responder perguntas?” Eu disse que perguntas já é fórum, e o convite que eu tenho aqui é uma mensagem religiosa. Ele disse: “Está certo, deixe comigo que eu dou a resposta para eles”. Eu digo então, perguntas já é um fórum, eu não me nego se eu souber, mas misturar… Ele disse: “Está certo, o senhor é pastor, deixe comigo”.
Voltando… A que ponto quero chegar? Quando terminou tudo, foi servido um coquetel. O executivo chefe me chamou num canto e disse: “Isso aqui não é um pagamento, ao contrário, isso aqui é um honorário”. Foi uma benção de Deus, Yolanda pulou de alegria. Porque foi um bom dinheiro e eu estava com alguns problemas de aperto financeiro, inclusive um seminário que eu precisava participar na Alemanha e a coisa estava feia, porque a moeda de lá é o Euro e o Euro não é fácil, dói na gente, pois a gente pega um tanto de Real e quando cambia fica pouquinho… Eu agradeci. Aí ele já veio para o lado de fora, com a cúpula dos executivos e disse: “Senhores executivos, setor do Maranhão, setor gaúcho, etc. Senhores executivos, ouçam bem o que nós vamos dizer agora. O reverendo já está saindo, indo embora. Os senhores se lembram de que até agora quem fazia esse trabalho era padre. Todo ano vinha um monsenhor ou um bispo, só, reverendo, que eles só falavam aqui de política. Só vinham falar de política e filosofia. Chega! Política nós temos, filosofia nós temos. Aqui está o doutor ‘Fulano’ que é catedrático de ‘não sei do que’. Reverendo, não dá! Então nós resolvemos mudar agora e chamar um pastor”. Eu digo, como é que estão as coisas na face da terra? Incrédulo mudando. Eu digo, gente isso é uma lição para nós. A gente às vezes não quer mudar nada quando é hora de mudar. Ele disse: “Resolvemos mudar, porque todo ano é um bispo, um arcebispo, um monsenhor. Só reverendo, que ultimamente eles só vinham falando de Planalto, Brasília, ONU, política, etc. E nós queremos é alguma coisa para nossa alma!” Eu lá dentro de mim eu dei um glória a Jesus e ainda falei algumas línguas em segredo, eles viram os lábios se mexendo, mas eu segurando as línguas ali no espírito. E de fato, este ano o convite foi feito para a igreja presbiteriana e quem foi lá este ano foi o reverendo Estevão. Mas vejam como que está o mundo, o mundo pedindo socorro à igreja. Agora eu pergunto, nós temos o pão pra dar? Graças a Deus!
Seara News - Que mensagem o senhor deixa para os crentes capixabas, diante da crise diante da crise de identidade vivida nos últimos dias?
Pr. Antônio Gilberto - A última mensagem que deixo é que nós precisamos realizar retiros espirituais, realizar reuniões da porta para dentro das igrejas, só para o rebanho do Senhor, para essa finalidade de oração, de estudo da Palavra, de concentração com o fim de buscar de batismo com o Espírito Santo. Mas batismo genuíno! Pois muita gente não busca porque acha que não precisa, quando o batismo com o Espírito Santo, os irmãos sabem, que é uma dádiva tão preciosa que Jesus disse para ficar lá até receber. Mas também quem é batizado, renovar-se, renovar-se, renovar-se! É a nossa mensagem. É a mensagem de Atos. Renovação, renovação espiritual. E concluindo, eu deixaria também para o programa, em Romanos 15.29, onde Paulo disse: “eu vou a vocês, até Roma, só que eu vou pregar o evangelho completo”. Ou seja, que Jesus salva, que Jesus cura, que Jesus batiza, que Jesus renova, que Jesus vem outra vez. Ele disse, “eu vou a Roma sim, só eu vou levar o evangelho pleno”.
Que Deus nos conceda viver o evangelho pleno. Em Romanos 15.29 ele disse: “Eu vou a Roma levando o evangelho pleno”. O evangelho que não é pleno, ele é uma benção, ele abençoa. Mas o evangelho pleno, ele é maravilhoso.
Seara News – Quem é o pastor Antônio Gilberto?
Pr. Antônio Gilberto - Eu sou membro da Igreja Assembleia de Deus no Brasil (em Cordovil/RJ). Pela graça de Deus, salvo por Jesus. Ele por sua graça, além de me salvar, me trouxe para o Santo Ministério e nele tem me usado. Mas toda honra, glória, louvor e mérito é dEle e só dEle. E por sua graça Ele também me deu uma esposa (Irmã Yolanda) paciente, compreensiva, que coloca o ombro debaixo da carga e geme sozinha. Eu chego muitas vezes, às vezes a noite eu venho de certos compromissos, lá está ela sentada ou ajoelhada ou em pé orando, orando, orando. Portanto 75, 80, 85 por cento do que eu faço para Deus, eu devo a Deus através dela. Mas eu sou um servo, os irmãos sabem que duas maravilhas na vida do crente, duas grandes maravilhas, é que o crente primeiramente é filho. Filho de Deus só tem um tipo, ou a pessoa é ou não é. Não existe neto, Deus não tem neto. Deus só tem filhos. E em segundo lugar, servo. Filho de Deus só existe um tipo. Mas tem muito tipo de servo, inclusive tem o servo mal e lá no livro de Isaías 42 tem servo cego. Meu Deus! Está lá escrito. Então Deus tem tido misericórdia e nos tem feito filho e servo.
Algumas outras coisas que são seculares, que qualquer pessoa tem. Algumas faculdades. Alguns idiomas. Mas isso é coisa normal que todo mundo pode fazer. Mas a grande maravilha é que eu sou filho, como os irmãos também são filhos. Não são netos, nem afilhados, filhos de Deus! E a maravilha? Ser servo!
Eu agradeço esse privilégio da entrevista e lhe peço o obsequio do irmão editar e, por favor, coloque isso em cinco minutos. (rs) - “As perguntas são muito bem feitas, muito abrangentes. Cada pergunta dessas merecia uma entrevista à parte”. Pr. Antônio Gilberto
Por Paulo Pontes / Seara News
Obs.: É permitido a copia para republicações, desde que cite o autor e as respectivas fontes principais e intermediárias, inclusive o Seara News informando o link www.searanews.com.br. Mais informações em nossa página: “Jurídico”.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Pornografia é uma das maiores ameaças ao Cristianismo


Shane Morris
21 de novembro de 2012 (Breakpoint.org) — A pornografia está em toda parte por aí, e não vai desaparecer logo. Por isso, para ajudar seus filhos a se guardarem contra ela, você precisa prepará-los. De acordo com Josh McDowell, autor de livros que incluem “Evidência que Exige um Veredicto” e “Mais que um Carpinteiro”, que voltou sua atenção ultimamente para a devastação da pornografia na nossa cultura e na Igreja, considerando-a entre as maiores ameaças ao Cristianismo que já vimos.
Josh McDowell
Explicando o motivo por que ele decidiu tratar da questão da pornografia, Josh disse numa entrevista para John Stonestreet de Breakpointcomo ele sentiu uma barreira para seu trabalho apologético que nada tinha a ver com a defesa da fé em si.
“Sou um apologeta”, diz Josh. “Apresento razões positivas por que acreditar, a fim de ver jovens virem a Cristo. Mas cerca de cinco ou seis anos atrás, fiquei sentindo que há um problema em toda parte. Quando eu tinha interação com jovens, algo havia se tornado uma barreira. Percebi que era imoralidade sexual e pornografia intrusiva e generalizada na internet. Como apologeta, a única coisa que pode minar tudo o que ensino não está na área da apologética, mas na área da moralidade. Se você não lida com essa questão, você não cumprirá seu papel como um apologeta bíblico”.
Sean McDowell, filho de Josh, é diretor do departamento bíblico da Faculdade Cristã do Vale de Capistrano. Ele também é autor, palestrante e apologeta em seu próprio mérito, e ele trabalha com jovens em tempo integral. Nesse processo, Sean coletou uma lista interminável de casos tristes de rapazes e moças cristãos que na aparência eram modelos, mas que caíram na armadilha armada contra eles por uma cultura saturada de sexo e lascívia.
E esse é exatamente o problema. Os primeiros pontos que Josh e Sean McDowell esperam comunicar aos pais, pastores e professores é que no mundo de hoje, a maioria das crianças e estudantes não está atrás da pornografia. “A pornografia está atrás deles”, diz Josh. “Dos adolescentes que viram pornografia, entre 75% e 91% não estavam em momento algum atrás dela. Pesquisadores mostram que 38% deles ficarão viciados”.
“Esse problema é muito grande para o corpo de Cristo agora?” pergunta John Stonestreet.
“Veja, as estatísticas que documentei”, explica Josh, “mostram que o problema está aumentando sem parar. Cinquenta por cento dos pastores estão lutando para largar do vício da pornografia. Sessenta e dois por cento dos homens que frequentam igrejas evangélicas regularmente estão lutando para largar da pornografia, e entre 65% e 68% dos adolescentes estão nessa situação. Essa é provavelmente a maior ameaça à causa de Cristo em dois mil anos de história da igreja, pois mina sua vida, sua caminhada com Cristo e suas convicções. Meu temor é que muitos pastores não estejam lidando com esse problema pelo simples fato de que eles mesmos estão envolvidos nele. De certo modo, precisamos fazer com que a liderança no corpo de Cristo trate disso”.
“Dê-nos alguns detalhes”, diz John. “Como é que a pornografia mina os cristãos? Como é que ela mina o crescimento cristão? Como é que ela mina os casamentos?”
“Mesmo deixando de fora a vergonha e a solidão”, explica Josh, “a pornografia produz um questionamento sobre a autoridade das Escrituras, de Cristo, da Ressurreição, da Igreja e dos pais. A pornografia começa a entenebrecer a porta do cérebro para considerar as verdades da fé cristã. Logo que você se envolve na pornografia, ela assume o controle dos seus pensamentos, de seus padrões morais e de sua vida. Você precisa entender: a pornografia simplesmente assume o controle da sua vida. A pornografia assume o controle dos seus relacionamentos — o modo como você vê as pessoas, as mulheres e as crianças. E como consequência, a pornografia não deixa espaço para sua caminhada com Cristo. Não dá para você se envolver com a pornografia e ter uma caminhada saudável com Cristo”.
É por isso, diz Josh, que ele lançou “Just 1 Click Away”, um site dedicado à troca de informações, recursos e ajuda entre velhos e jovens. Sean McDowell dá uma palestra nos Ministérios Summit que ecoa a mensagem de “Just 1 Click Away”. Nele, ele se baseia no trabalho do Dr. Joe McIlhaney Jr. e da Dra. Freeda McKissic Bush em seu livro pioneiro “Hooked” (Viciado), em que eles descrevem como a pornografia e a promiscuidade sexual realmente mudam a estrutura física e a química de nossos cérebros, tornando-os mais difíceis de amar, unir e ter relacionamentos sexuais com nossos cônjuges.
Outra questão crítica que os McDowells buscam tratar com essa nova campanha contra a pornografia é a temida tarefa que os pais têm de educar e preparar seus filhos. Tanto Josh quanto Sean desestimulam qualquer esperança de que nossos filhos estarão entre os poucos sortudos que nunca vão se deparar com a pornografia. Falando em termos estatísticos, dizem os McDowells, esse é um grupo que não existe.
“Seus filhos vão se deparar com a pornografia”, diz Josh. “É muito triste, mas é verdade”. Podemos tirar a internet, a televisão e os smartphones de nossos filhos e estudantes, mas essas medidas mal estancarão a maré de imagens e temas pornográficos que os bombardeiam de outras fontes que não podemos controlar, tais como amigos e colegas de classe. Ainda que isolássemos nossos filhos pequenos e adolescentes do mundo lá fora, eles ainda se tornarão adultos e terão de confrontar de repente a cultura sexual que tentamos sufocar. Nossa tarefa como pais e mentores, acredita Josh, deve agora focar em preparar nossos filhos para responder de forma temente a Deus ao se depararem com a pornografia.
É por isso que no site “Just 1 Click Away” os McDowells buscam não somente expor o problema, mas também fornecer recursos e treinamento para pais e adultos sobre como abrir canais de conversação com seus filhos cedo, como armá-los de antemão para enfrentar as batalhas a frente, e como no final das contas e de forma sistemática dizer “não” à influência desumanizadora e degradante do pior vício de nossa cultura.
Traduzido por Julio Severo do artigo de LifeSiteNews: Porn one of the greatest threats to Christianity: Christian apologist

Fonte:  juliosevero

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O que significa a reeleição de Obama

Por Silas Daniel
O resultado da eleição deste ano mostrou um país dividido, mas também muito mais do que isso

Em uma das mais disputadas eleições da história dos Estados Unidos, o liberal radical Barack Hussein Obama venceu o conservador moderado Mitt Romney por 303 a 206 nos colégios eleitorais (com vitórias apertadíssimas nos Estados-chave de Ohio, Virgínia e Flórida) e apenas 2 pontos percentuais de diferença na votação nacional (50,2% contra 48,2% – 59,6 milhões de votos contra 57 milhões de seu adversário). Esse resultado, como já está sendo dito e escrito hoje por muita gente, mostra um país profundamente dividido, é verdade. Dividido como nunca antes em sua história. Mas, mostra também muito mais do que isso. Talvez seja finalmente a chegada do que há alguns anos era chamado de “o mui próximo último suspiro de uma América para a ascendência de outra América”.

Sim, talvez seja “o último suspiro” do que foi chamado nos anos 80 de “maioria moral” nos EUA. Essa “maioria moral”, pela primeira vez, mostrou que não é mais maioria. Tomara que estejamos errados, mas parece que finalmente deu-se o primeiro passo para o cumprimento daquela antiga previsão da Europa sobre os EUA: “Eu sou você amanhã”.

Nesta eleição, não apenas o mais liberal presidente da história dos EUA foi reeleito – um homem que apóia abertamente o aborto até o nono mês e em qualquer caso, bem como seu financiamento pelo Estado; que é o primeiro presidente a apoiar o “casamento” gay e o menos pró-Israel da história do país; que decretou, como primeiro ato como presidente, em 20 de janeiro de 2008, a destruição de embriões para pesquisas; que apóia a criação em seu país das tais leis contra a “homofobia”, que defende a maior dependência do cidadão em relação ao Estado etc. Não, nesta eleição aconteceu muito mais do que isso: simultaneamente, o “casamento” gay foi aprovado em plebiscito em quatro Estados (Maine, Minessota, Maryland e Washington) assim como a legalização da maconha para fins recreativos em Washington e Colorado.

E não é que os evangélicos não saíram às urnas desta vez, como em 2008, quando 30 milhões ficaram em casa desmotivados com McCain, e Obama terminou vencendo por 10 milhões de votos de diferença. Eles foram às urnas neste ano, talvez não tantos quanto poderia ser, mas foram. Sendo que, agora, seu comparecimento não foi suficiente, diferentemente das eleições de 2004, quando os evangélicos, segundo pesquisas da época, e para raiva dos analistas liberais de então, foram o determinante não só para a reeleição do conservador Bush (que naquele período ainda não amargava as primeiras desilusões do seu país com a guerra no Iraque), mas também para a derrota do “casamento” gay e da liberação da maconha em plebiscitos em vários Estados.

Mas, por que, mesmo com os evangélicos mais presentes no pleito presidencial deste ano do que no de 2008, eles não fizeram a diferença? A resposta foi dada um mês antes das eleições.

No início de outubro, saiu uma pesquisa que mostrava que, pela primeira vez na história dos EUA, os evangélicos não eram mais maioria no país. Em 2004, eles ainda eram 53% dos norte-americanos e mais da metade do eleitorado. Oito anos depois, são 48% da população e 47% do eleitorado. É por isso que, mesmo estando, por exemplo, fortemente mais presentes nas urnas da Virgínia neste ano, os evangélicos não evitaram a vitória de Obama ali, assim como aconteceu em Ohio e Flórida, onde também compareceram em bom número e a vitória do democrata também ocorreu, embora tenha sido muito apertada. Uma pesquisa de boca de urna da CNN divulgada ontem à noite mostrava que 49% dos eleitores que foram às urnas na Virgínia ontem eram evangélicos. Nas eleições presidenciais de 2008, apenas 21% dos que foram às urnas naquele Estado eram evangélicos.

O que estava em jogo culturalmente nestas eleições era tão sério que, pela primeira vez em sua vida, o já idoso evangelista Billy Graham decidiu manifestar abertamente o seu apoio a um candidato a presidente. Ele apoiou publicamente Mitt Romney, inclusive publicando um artigo de página inteira no Wall Street Journal e nos principais jornais do Estado-chave de Ohio conclamando os evangélicos, afirmando que a situação era séria e que talvez essa fosse a última chance dos EUA para tentar reverter um quadro que seria acentuado de vez com mais quatro anos do radical liberal Obama. E quando disse isso, Graham não estava se referindo à economia, mas deixou claro que se referia a valores.

Aliás, há algo mais sintomático sobre o que está acontecendo nos EUA do que os conservadores daquele país terem, pela primeira vez, como opção para representá-los, não um evangélico ou católico, mas um mórmon; e não um conservador, mas um conservador moderado, um conservador “mais ou menos”?

Como escrevi em minha coluna no CPAD News mais de uma vez, é óbvio que a vitória de Romney não estancaria o processo de decadência de valores dos EUA, mas apenas o tornaria mais lento, razão pela qual os evangélicos dali, mesmo diante do perfil de Romney, ainda se mobilizaram em seu favor. Entre dois males inevitáveis, escolha-se o menor.

Diante desse quadro, o que será dos EUA, em termos de valores, nos próximos anos? Não sabemos precisamente, mas os sinais deste pleito não são nada animadores. Os republicanos, majoritariamente conservadores, mantiveram a maioria na Câmara dos Representantes. Os conservadores também são fortes na Internet e nas rádios nos EUA. Mas, o que é isso diante do fato de que os liberais não só detêm o Senado e têm mais quatro anos na Presidência com seu favorito, como também continuam dominando esmagadoramente a indústria cultural e do entretenimento nos EUA, e a maioria na imprensa televisiva e impressa? E os evangélicos – grande base conservadora do país – estão diminuindo, enquanto aumenta a cultura de dependência do Estado entre a população, o que seria um contrasenso para aquele país décadas atrás.

Em 1776, ano da Independência dos EUA, 97,6% da população eram evangélicos, sendo 34,2% metodistas, 20,5% batistas, 20,4% congregacionais, 19% presbiterianos e 3,5% episcopais. Os católicos eram 1,8% e 0,6% era a soma de outras religiões e agnósticos. Em 1900, os evangélicos ainda eram 90%. Aí veio a forte imigração para os EUA no início do século 20. Só de 1900 a 1910, foram quase 10 milhões de imigrantes que entraram no país, sobretudo irlandeses e italianos. Vieram, em seguida, também muitos latinos. Isso fez com que a porcentagem de católicos aumentasse consideravelmente, o que não afetou tanto o perfil do país, porque a maioria dos católicos na época era de conservadores. Porém, logo a maioria católica se tornaria liberal e o próprio liberalismo social (e teológico) também ganharia força entre muitos evangélicos.

Em 1990, 60% da população eram evangélicos e 26,2%, católicos. Em 2004, eram 53% a 54% de evangélicos e 29% de católicos. Em 2007, 51,3% de evangélicos e 24% de católicos. Em 2008, 50% de evangélicos. Em 2012, 48%. Em 22 anos, uma queda de 12 pontos percentuais. Esse dado é extremamente significativo, e o resultado das urnas neste ano comprovam isso, bem como as pesquisas de meses atrás que mostraram, pela primeira vez, o apoio ao “casamento” homossexual sendo maioria no país também. A intensificação da guerra cultural entre conservadores e liberais, e do confronto entre a cosmovisão cristã e a naturalista, nos últimos anos, não é à toa. É um sintoma. O país, como um corpo, está com febre. O vírus do liberalismo social o infectou de vez e os “anticorpos” conservadores estão tentando resistir a ele, mas o corpo não mostra muita melhora.

Os EUA estão mudando. E, infelizmente, em muitos sentidos, não para melhor. Pode até se recuperar financeiramente, o que ainda é muito incerto, mas o que está sendo sedimentado naquele país culturalmente é quase irreversível.

Com isso, a referência de valores no Ocidente parece que passará a ser, nos próximos anos, definitivamente, a progressista e super social liberal União Europeia, sintomaticamente eleita neste ano a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz. Há pouco tempo, os EUA ainda mantinham uma boa reserva de conservadorismo social em relação à Europa. Porém, aos poucos, vai se "europeizando", se tornando, como dizem os conservadores nos EUA, mais "francesa": menos filha da Revolução Americana de 1776 e mais imitadora, implicitamente, da tresloucada Revolução Francesa de 1789, tão eufemizada e envernizada ideologicamente pelos historiadores progressistas e estatistas. Obama já havia ganhado o Prêmio Nobel da Paz em 2008 sem ter feito nada ainda como presidente, só por ter sido eleito, ou seja, apenas pelo que representava em termos de valores. E a União Europeia, mesmo tremendamente combalida economicamente, é vista como o grande modelo para o Ocidente. Note: o prêmio não foi para a Europa, mas para a instituição União Europeia, como grande modelo de organização para os outros países.

Ao que parece, neste ano, o tabuleiro do final dos tempos experimentou mais um significativo movimento.

P.S.: Aproveitando, seguem alguns dados curiosos de pesquisa de boca de urna realizada em todos os EUA pela CNN ontem:
Eleitores de 18 a 29 anos: 59% Obama e 37% Romney;
Acima de 65 anos: 57% Romney e 42% Obama;
Mães: 55% Obama e 45% Romney;
Pais: 54% Romney e 43% Obama;
Quem vai semanalmente à igreja: 61% Romney e 37% Obama;
Quem nunca foi à igreja: 62% Obama e 34% Romney;
Conservadores: 84% Romney e 15% Obama;
Liberais: 86% Obama e 11% Romney.

Fonte: cpadnews