quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Administrando as tensões no lar – Um Breve Guia Para Uma Família Saudável e Equilibrada


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Por Pr. Nonato Souza, para o blog Desafiando Limites!
“E chamou o Senhor Deus a Adão e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? Então, disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi. E disse o Senhor Deus à mulher: Porque fizeste isso? E disse a mulher: A serpente me enganou e eu comi” (Gn 3.9-13).

Administrando as tensões no lar – Um Breve Guia Para Uma Família Saudável e Equilibrada

A família é uma instituição criada por Deus, cujo objetivo é glorificá-lo. Sabe-se que ao estabelecer a família, Deus objetivava um projeto que fosse capaz de gerar felicidade e sucesso. Ao primeiro casal Deus deu o Jardim do Éden, um lugar perfeito, lindo e completo, onde eles poderiam viver sob a proteção e bênção de Deus (Gn 2.8,15). Observa-se o cuidado de Deus em dar desde o princípio à família um lugar específico onde esta pudesse viver junta. Isto vem evidenciar que não importa quão simples seja o lar, contanto, que seja cuidado, limpo atraente e que a família se sinta bem em está ali.
O lar cristão é um projeto de Deus, e o mais importante é que o Criador deste projeto deseja estar sempre presente. Uma família orientada por Deus deve ter por norma seguir determinações estabelecidas por Deus em Sua Palavra, posicionando-se de acordo com princípios cristãos. Assim, no âmbito do lar é possível se compartilhar planos, problemas, necessidades e questões de administração financeira ou da casa em geral, sempre com objetivo primeiro de ver a unidade da família, bem como glorificar a Deus.
Tensões no lar é assunto que tem sido debatido em vários trabalhos realizados com casais e famílias. Não obstante a frequência com que são ministrados tais assuntos, o que se vê é muita dificuldade na família, entre seus membros. Há entre os casais um grande abismo entre o que se diz viver e o que, de fato, se vive. Embora os membros da família, em especial os casais, estejam em busca da almejada felicidade e paz no lar, observa-se que há muito conflito e grande dificuldade de relacionamento no lar, faltando, portanto, ajustamento em várias áreas da vida.
A questão dos conflitos conjugais teve início em Adão e Eva. O rompimento, através do pecado, do perfeito plano de Deus trouxe à humanidade maldição divina. Houve um rompimento da perfeita comunhão, do relacionamento perfeito entre as criaturas de Deus, inclusive do casamento, que foi totalmente atrofiado sob a terrível maldição do pecado. Observe que o homem, após a queda, ao ser confrontado com seu pecado, respondeu a Deus culpando a mulher: “A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi” (Gn 3.12). A mulher, por sua vez, saiu culpando todos que estavam à sua volta. Observa-se que o pecado tem trazido este mal terrível ao coração do ser humano. Ora, o que temos aqui são duas pessoas que pecam contra Deus e, de forma egoísta, tentam esquivar-se culpando um ao outro do seu pecado. O marido culpa a esposa e Deus e a esposa culpa todos à sua volta. Uma lástima! Desde então nunca mais as coisas funcionaram conforme Deus havia planejado.
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Ajustando para viver bem.

Penso que o companheirismo é o objetivo primário do casamento. O que se busca neste assunto é uma unidade harmônica e criativa de alma e corpo. Entende-se o casamento como uma associação de duas vidas, com um só ideal que devem ser iguais em valores e que busquem como alvo maior se completar uma à outra. Para que isto aconteça é necessário que o casal busque o ajustamento.
O casal deve adaptar-se ao modo de viver um do outro, levando sempre em consideração a felicidade do lar o que, na verdade, é uma busca que deve ser constante por parte de cada cônjuge. A busca por um ajustamento no lar, para que se possa chegar ao nível necessário no seio da família, deve ser objeto de desejo de todos, mesmo que para isso abdiquemos do que gostamos de fazer ou ter. O amor no seio da família deve ser altruísta, buscando sempre o interesse e o bem estar de todos do lar.
Um casal é formado por duas pessoas que costumeiramente viveram sós e estão acostumados a pensar apenas em si mesmos e nos seus próprios interesses, sendo assim, precisam, a partir do casamento, pensar na vida a dois. As opiniões pessoais não devem mais prevalecer e sim aquilo que for bom para ambos. Tudo agora deve ser trabalhado objetivando satisfazer os dois, de sorte que a opinião de cada um deve ser: “Isto é bom para nós?”.

Comunicando para entender bem.

Vejo que o segredo de um casamento feliz é o sucesso na comunicação saudável. O companheirismo e a comunicação entre o casal é necessário se ambos buscam alcançar um bom relacionamento. O silêncio sepulcral e gelado não deve prevalecer em um casamento, a fim de que o mesmo não agonize. É, pois, de bom alvitre, haver entre os cônjuges confiança mútua, respeito ao ponto de vista um do outro, ambiente arejado com bom entendimento, para que não haja divisão, contenda, discursos sem nexo e egoísta. Hernandes Dias Lopes diz que
onde prospera a crítica impiedosa, o romantismo acaba. Onde abundam as acusações veladas, o relacionamento conjugal adoece. Sem comunicação harmoniosa, a vida conjugal se torna uma prisão, e não um campo de liberdade” [1].
Estou certo que a boa comunicação vai muito além da transmissão verbal de informação e, se eu desejo criar um diálogo eficiente, tenho que ir além de simples conversação. Existem obstáculos que podem bloquear a minha comunicação, dentre alguns posso citar a grande quantidade de compromissos existente na agenda do casal. Ora, sabe-se que esse ativismo exagerado demanda tempo, desgaste de energia e emoções, trazendo sérios prejuízos, inclusive à comunicação básica.
Os filhos, que sabemos serem grandes bênçãos ao casamento, trazem também enorme responsabilidade ao casal, além de certa dificuldade na separação de tempo para a intimidade e comunicação. Aqui, o casal precisa ser cuidadoso para não causar nenhum prejuízo a qualquer das partes. Diálogo afinado entre os cônjuges é algo imprescindível. Porque viver debaixo do mesmo teto e tornar-se incapaz de comunicar-se para chegar a um acordo? Casais devem conversar profundamente sobre quaisquer problemas, questões ou ainda sobre seus sentimentos, objetivo e propósitos. Esse diálogo deve, sem sombra de dúvida, fazer parte da vida dos membros que compõem a família, como prova da maturidade existente entre os mesmos.
Não são muitos os casais que se dispõem abrir o coração um para o outro e tratar de suas intimidades, assuntos diversos do dia a dia e outros. Existem os que estão presos a fatos e acontecimentos que se deram em suas vidas, sem conseguir derrubar essas muralhas, abrindo caminho para o diálogo e a comunicação. Nesse ponto se faz necessário o conhecimento um do outro, além de boa compreensão. Conhecer e ser conhecido, ouvir e compartilhar, compreender e ser compreendido, fazer tudo para não esconder nada do seu companheiro, sendo honesto, franco e aberto, são quesitos importantes no relacionamento conjugal com boa comunicação.
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Respeitando para viver em paz.

Como conviver com uma pessoa sem que haja entre ambos o respeito? Penso ser impossível querer uma pessoa sem respeitá-la também. Considerar o cônjuge em qualquer circunstância é fundamental para se viver bem. O respeito mútuo tão imprescindível ao casal deve começar com o esforço de ambos no cumprimento dos seus deveres e o papel de cada na família. A esposa deve esforçar-se no cuidado da casa, mantendo-a sempre bem asseada, no preparo de uma boa comida, além do esmerado cuidado com os filhos. O marido deve empreender esforço no suprimento das necessidades do lar, além de exercer sua autoridade como cabeça da família.
Quem não gosta de sentir-se respeitado e ainda saber que suas opiniões e pensamentos têm valor para seu cônjuge? A reverência entre esposo e esposa, estimulada no texto bíblico (Efésios 5), acaba gerando entre ambos honra e respeito, mesmo quando não se tem o mesmo ponto de vista. Ora, esse respeito dá ao cônjuge a capacidade de sujeitar-se um ao outro.
Algo que acho interessante na vida do casal é a disposição que ambos têm para elogiar um ao outro. Como é lindo de ver, quando o casal trata um ao outro com cortesia, consideração e carinho, expressando sempre admiração um pelo outro. É importante observar que o amor não se concentra simplesmente nas falhas da pessoa amada, mas em suas virtudes. Observe o que diz apóstolo Pedro: “… porque o amor cobre uma multidão de pecados” (1Pe 4.8). Hernandes Dias Lopes observa:
“Muitos cônjuges destroem o casamento porque pensam que a sua posição na relação conjugal é exercer o papel de um detetive. O detetive é aquele que busca descobrir as falhas do outro. Ele anda com a lupa na mão em busca do menor vestígio para incriminar a pessoa. Sua função é pegar a vítima no contrapé. Ele age constantemente na surdina, para flagrar alguma cena íntima e comprometedora e revelar isso publicamente. O nosso papel no casamento não é identificar as falhas do nosso cônjuge e lançá-las em seu rosto, mas destacar suas virtudes e torná-las públicas” [2].
Viver criticando o cônjuge perante outras pessoas, e até entre amigos, é destrutivo para a confiança e o respeito mútuo. Tim Lahaye observa: “Nunca comente as faltas, fraquezas ou deficiências de seu companheiro perante outras pessoas. Jamais critique perante seus amigos ou parentes o seu cônjuge“. Esse é o mesmo pensamento de Hernandes Dias Lopes, conceituado escritor e pastor brasileiro:
“Os homens devem ser cuidadosos com o que falam à esposa. A língua tem o poder de dar a vida e matar (Pv 18.21). Com ela, edificamos ou destruímos a relação conjugal. Muitas mulheres perdem o encanto com a relação conjugal porque foram humilhadas com comentários indelicados, palavras ferinas e gestos desairosos de seu marido. Muitos homens são como Nabal, duros no trato” [3].
Hernandes Dias Lopes [4] segue seu argumento citando alguns pontos importantes que o marido sensato, ajuizado, jamais deve fazer:
1. Comparar sua mulher com outras mulheres. Ninguém gosta de ser comparado. Somos uma pessoa única e singular. A comparação humilha e amassa as emoções da pessoa;
2. Criticar a esposa perto de outras pessoas. Há marido tão insensível que, além de tecer críticas à esposa, ainda a expõe ao vexame público;
3. Tratar a esposa com rispidez. A palavra dura suscita a ira e destrói o romantismo. Uma mulher perde o interesse sexual por um homem que a trata com desdém. Nada destrói mais o romantismo do que as palavras duras;
4. Depreciar o corpo da mulher. Nada humilha tanto uma mulher do que ser criticada pelo marido por estar gorda ou magra. Ninguém gosta de ser depreciada. Isso achata a auto-estima e amassa as emoções;
5. Criticar a família da esposa. Um homem sábio jamais critica a família de sua mulher. Mesmo que haja coisas negativas a ser faladas, o marido deve manter-se em silêncio se não pode falar coisas positivas.
As dificuldades no relacionamento a dois seriam muito diferentes (menores e menos graves) se os cônjuges entendessem os problemas que poderiam ser evitados se eles aceitassem que não podem mudar a pessoa com quem se casou. É certo que nunca conseguiremos mudar o nosso cônjuge, manipulando-o a fim de se tornar como eu quero que seja ou, ainda, levando-o a ser conforme minha ideia de perfeição. Não temos a capacidade de mudar as pessoas ao nosso redor, e precisamos nos desvenciliar dessa doce ilusão. Será mais sensato aceitar o marido ou esposa incondicionalmente, deixando que, com oração, tempo e – não raro – lágrimas, Deus trabalhe nas áreas certas para realizar as mudanças necessárias.
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Maturidade emocional necessária.

O relacionamento conjugal pode tornar-se complexo se não houver ajustamento. Se o casal for incapaz de se ajustar socialmente e reagir bem nas várias situações pela quais passam, certamente enfrentarão sérias dificuldades. Isto é fato, porque as crises geradas que não forem resolvidas ocasionarão desentendimentos constantes, podendo culminar no fracasso do casamento. O que se observa claramente é que, quando as dificuldades aparecem, geralmente um dos cônjuges se esforça para melhorar o relacionamento, enquanto o outro reage negativamente, demonstrando certa imaturidade. Infelizmente, alguns casais se comportam como verdadeiras crianças birrentas, ou seja, mimadas, quando a coisa à sua volta não acontece de acordo com sua vontade.
Paul Hoff, conselheiro cristão, pontua alguns sinais de imaturidade que atingem o casal e que acabam gerando sérios problemas no relacionamento:
“ser exigente quanto à satisfação de seus próprios desejos, não levar em conta os sentimentos e desejos do outro cônjuge, dar rédeas soltas a determinadas reações quando as coisas andam mal ou a pessoa não consegue o que deseja: (gritar, chorar, irar-se, ficar de mal humor, calar-se, não aceitar a responsabilidade, culpar o outro, ser desobediente e obstinado, depender excessivamente dos pais, e não ceder em assuntos em que há diferença de opiniões) [5].
O casal deve ter equilíbrio em suas emoções. Lute para adquirir esse equilíbrio, afinal o casamento exige dos cônjuges o máximo de cuidado. Com diálogo e paciência, tente resolver a diferenças existentes de forma pacífica e ponderada, controlando seus sentimentos e dominando seus impulsos. Paul Hoff observa que a pessoa suficientemente madura para casar precisa ter as seguintes características:
“enfrenta a vida com realismo; aceita as situações tais como são; é capaz de tomar decisões; coopera bem com os outros; é capaz de amar a alguém além de si mesmo; aceita bem as frustrações e os contratempos” [6].
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Concordando na administração das finanças.

Penso que o casal deve ser cauteloso e ter bom siso na administração daquilo que ganha. Olhando cuidadosamente, sabe-se que todo o dinheiro que se ganha é pouco para tudo que se necessita. Quando se trata do modo como gastá-lo, então, sobram dificuldades e os problemas se avolumam quando não há concordância por parte dos cônjuges. Se um dos cônjuges é desregrado com gastos em coisas suas, logo, logo haverá conflitos entre os dois. Por que não fazer um orçamento e cumpri-lo rigorosamente? Aqui, é importante o domínio próprio, pois é grande investimento se evitar tensões no lar advindo de dívidas ou dinheiro mal administrado.
Essa é uma questão séria e complexa. Hoje, já bem mais consciente e amadurecido, me recordo das grandes dificuldades e enrascadas em que me meti por causa de má administração financeira. Isto me custou muitas noites sem dormir e profundas dores no estômago. Hoje ainda sofro alguns transtornos que estou sanando, devido à loucura em querer fazer as coisas sem calcular e conversar com a esposa.
Sei o quanto isto é difícil. Para termos relacionamento estruturado, buscando mais sua valorização, precisamos investir profundamente em nossa família e em nosso cônjuge. Hernandes Dias Lopes observa o quanto o relacionamento é mais importante que bens materiais. Ele diz:
“Bens não podem ocupar o lugar de pessoas. Relacionamento é mais importante do que bens materiais. O que você precisa para ser feliz não é de uma casa mais espaçosa nem de um carro mais novo, mas de um relacionamento mais cheio de encanto. Equivocam-se aqueles que pensam que a felicidade está no ter, e não no ser. Enganam-se aqueles que sacrificam o casamento para chegar ao topo da pirâmide social. Nenhum sucesso compensa o fracasso da família. A vitória que exige o sacrifício da família é pura perda. Ela tem sabor de derrota amarga”, grifei [7].

Igreja local, trabalho e família, administrando essas questões.

Embora este seja um assunto sempre em pauta, muitos casais e família se descuidam e acabam tropeçando aqui. Ser cauteloso, usar de sabedoria neste quesito é importante. O texto sagrado trata exaustivamente do assunto quando revela claramente que Deus deve sempre estar acima de todas as coisas, além de ocupar o lugar central na vida da família. Vivendo de forma cristocêntrica e bibliocêntrica, o casal enfrentará vitorioso todo e qualquer conflito que possa vir de encontro ao seu relacionamento, seja na vida familiar, na profissional ou mesmo na eclesiástica.
Sobre o trabalho, sabe-se que foi estabelecido por Deus antes da queda. Deus havia determinado ao homem trabalhar (Gn 2.15). Observe o que Jesus disse acerca de seu Pai: “meu Pai trabalha até hoje” (Jo 5.17), e Paulo, o apóstolo para os gentios: “se alguém não quer trabalhar, também não coma!” (2 Ts 3.10). Todos nós precisamos trabalhar, e sendo este um propósito primário que tem por objetivo, especialmente, atender as necessidades básicas da família.
Deve haver amor mútuo entre os membros da família, dedicação de tempo, compreensão e perdão. A família deve se envolver nos trabalhos da igreja, tendo o cuidado para que a igreja não “roube” o tempo que deve ser destinado à família. Outra dica importante: Cuidado com o que se conversa dentro de casa. Alguns pais são despercebidos e tendem a difamar, caluniar pessoas à vista de seus filhos, trazendo exemplos funestos para os que lhe ouvem, o que acaba gerando descrédito na igreja, liderança com enfraquecimento espiritual e fracasso total.
Por outro lado, um cuidado que a igreja deve ter é com a quantidade enorme de trabalhos que acaba assoberbando seus membros com tanta atividade, tirando aquele precioso tempo que deve ser destinado á família, o que acabará dificultando que casais e família cultivem costumes importantes para seu próprio fortalecimento.
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Relacionamento conjugal: pequenas regras para viver bem.

O texto de 1 Coríntios 7 é resposta do apóstolo Paulo aos cristãos de Corinto acerca do relacionamento conjugal. Vamos considerar três versículos que entendo são regras para se evitar conflitos e consequentemente viver bem.
“O homem deve cumprir seu dever como marido, e a mulher também deve cumprir o seu dever como esposa” (v. 3; NTLH).
Como tendo profundo conhecimento da área, o apóstolo declara com firmeza que tanto marido como esposa devem cumprir seus deveres matrimoniais recíprocos. O texto mostra a obrigação que um tem para com o outro. Kastemak observa que aqui “o marido não deve exigir da esposa, pelo contrário, deve satisfazê-la, bem como ela ao marido” [8]. Ele observa ainda que o termo “cumprir seu dever” citado por Paulo é referência a uma dívida que deve ser paga um ao outro, e que o casamento sem sexo não é somente antinatural como é também expressamente proibido [9].
Eis ai um cuidado que os cônjuges devem tomar, evitando assim conflitos desnecessários e desagradáveis:
“A esposa não manda no seu próprio corpo; quem manda é o seu marido. Assim também o marido não manda no seu próprio corpo; quem manda é a esposa” (v. 4; NTLH).
A questão da autoridade sobre o corpo é abordada aqui. Tanto o marido tem autoridade sobre o corpo da esposa, como a esposa tem autoridade sobre o corpo do marido. Veja que no texto acima, Paulo não traz aquele destaque do marido como “cabeça da mulher”. Este fato se dá porque, em se tratando de sexualidade de marido e mulher, o que existe é uma completa igualdade, ou seja, cada um tem autoridade sobre o corpo de seu cônjuge e ambos se submetem um ao outro. Há uma perfeita reciprocidade.
“Que os dois não se neguem um ao outro, a não ser que concordem em não ter relações por algum tempo a fim de se dedicar à oração. Mas depois devem voltar a ter relações, a fim de não caírem nas tentações de satanás por não poderem se dominar” (v. 5; NTLH).
O texto parece indicar que Paulo está tratando com alguns casais de Corinto que estavam se recusando a dar um ao outro os seus direitos conjugais. No entendimento de Paulo, esse é um direito que cada cônjuge tem. Tirar, portanto, esse “direito” é, literalmente, roubo ou furto de posses pertencentes a uma outra pessoa. O apóstolo, então, lhes emite uma ordem para que parem de proceder assim e não “defraudem o seu cônjuge”. Kistemak faz a seguinte observação:
“Paulo permite abstinência de relações maritais em três casos: primeiro, se tanto o marido como a esposa concorda em fazer isso; depois, se os dois concordam que a abstinência é por um período limitado; e terceiro, se ambos usarem esse tempo para a oração. Paulo permite essa exceção à regra, mas proíbe qualquer pessoa de impor restrições involuntárias sobre seu cônjuge” [10].
Observe que o texto bíblico acima ainda acrescenta que abstinência precisa ser temporária, voltando à vida normal, para que Satanás não os tente por falta de domínio próprio.
Concluo esse texto enfatizando que tensões no lar existirão sempre, é preciso, no entanto, graça e sabedoria para administrá-las com objetivo de não ver desmoronar o lar, o casamento. Não existe nada mais importante para o casal e família do que a fé em que Cristo pode resolver todas as tensões, conflitos e levar-nos ao ajustamento perfeito.
Um conselho antes de encerrar: Estabeleça um altar em seu lar desde o começo da união. Priorize Deus em seu relacionamento, apresentando seus pedidos diante do Trono da Graça. Os ressentimentos e tensões se desfarão quando o casal e família orarem juntos. Desta forma todos encontrarão prazer espiritual e força para continuar caminhando sempre unidos pelos laços do amor em nome de Cristo Jesus, nosso Senhor.

Notas bibliográficas:

[1] Lopes. Hernandes Dias, Casados e Felizes. Ed. Hagnos. 1ª Ed. 2008, SP
[2] Idem, pg. 67
[3] Idem, pg. 17
[4] Idem, pg 17,18
[5] Hoff, Paul. O pastor como conselheiro. Ed. Vida. 1981, SP, pg. 114
[6] Idem, pg. 114
[7] Lopes. Hernandes Dias Lopes, Casados e Felizes. Ed Hagnos. 1ª Ed. 2008, SP. Pg. 21
[8] Kistemak, Simon. Comentário do Novo Testamento 1 Coríntios. Editora Cultura Cristã. 1ª Ed. 2004. SP, pg. 300
[9] Idem, pg. 300
[10] Idem, pg. 302
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Deus te abençoe, em Cristo.

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