sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Vencendo as obras da carne

Por Pr. Nonato Souza
"Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus" (Rm 8.8)

Estou convicto não ser fácil lograr êxito sobre as obras da carne. Do grego sarx., o termo significa “tendo a natureza da carne”, o que mostra tratar-se de sensualidade, quando se é controlado pelos apetites animais, governado pela natureza humana, ao invés de ser guiado pelo Espírito de Deus (Gl 5.16-18).

Aconselhamos o leitor a recorrer ao texto de Gálatas 5.19-21, onde consta a lista mencionando as obras da carne, para maior compreensão da matéria.

O texto de Romanos 8.5-14 dá ênfase a um grupo de pessoas que se deixam guiar pela carne, bem como outros que se beneficiam de serem guiados pelo Espírito. Todos quantos se deixam dominar pelos desejos da carne não podem agradar a Deus (Rm 8.8).

Apóstolo Paulo faz um contraste entre os que vivem na carne e os que vivem no Espírito (v. 5). Parece que ele está tratando aqui de duas classes de pessoas, uma antes de viver com Cristo e outra que vive em Cristo. Na verdade, Paulo quer que os cristãos romanos vejam nesses dois quadros o que eles eram antes e no que eles se tornaram. O objetivo é levá-los a adotar estilo de vida diferente do que viviam antes de crê em Cristo (Rm 8. 12,13).

A Bíblia de Estudo Pentecostal [1] descreve o que é um ‘viver segundo a carne’: “É desejar a satisfação dos desejos corrompidos da natureza humana pecaminosa; ter prazer e ocupar-se com eles. Trata-se não somente da fornicação, do adultério, do ódio, da ambição egoísta, das crises de raiva, etc., mas também da obscenidade de ser viciado em pornografia e em drogas, do prazer mental e emocional em cenas de sexo, em peças teatrais, livros, vídeo, cinema e assim por diante”.

No Novo Testamento a palavra “carne” é uma das palavras mais comuns usada para identificar a natureza depravada e caída do homem. Mark I. Bubeck [2] comenta sobre a natureza depravada do homem: “A natureza pecadora do homem resultou do seu afastamento de Deus em um ato de consciência pessoal e violação deliberada e voluntária da santa lei de Deus, o que resultou em uma natureza pecadora, uma disposição íntima da qual brotam as ações do pecado (Mt 15.19; Mc 7.21-23)”.

No texto sagrado, nem sempre significa a natureza decaída do homem, o contexto, no qual a palavra “carne” aparece, geralmente tornará inconfundivelmente claro o seu uso ou significado.
Não tenhamos dúvidas, o conflito com a nossa carne é uma guerra que teremos que travar durante toda a nossa vida. Ao chegarmos a um grau elevado de maturidade eles se tornarão mais definidos e intensos. Todo cristão, ou pelo menos uma grande maioria admitem ter uma batalha travada contra os pecados oriundos da carne. É uma verdadeira batalha.

É certo que uma grande quantidade de crentes tem a carne como seu maior problema. Se isto é fato, não adianta ficar escondendo, o melhor é enfrentar de frente esse gigante. Muitos para desculpar os seus fracassos, jogam a culpa em Satanás, no mundo ou qualquer bode expiatório. Bubeck [3] diz que “se não soubermos a fonte da tentação, não saberemos que remédio espiritual de Deus devemos aplicar”. Nesse caso, é tentarmos identificar as maneiras particulares, pelas quais a nossa carne luta contra nós.

Na Bíblia, vamos sempre encontra listas sobre o tema relacionado à carne que são dignas de um estudo cuidadoso. Havendo um conflito espiritual em andamento, é de bom alvitre que o cristão se familiarize com essas listas com objetivo de identificar a área de sua tentação e, consequentemente aplicar o remédio bíblico prescrito por Deus. Deixo aqui para que meditemos sobre o assunto texto importantes (Gl 5.19-21; Mt 5.19; Mc 7.12-23).

É do conhecimento de muitos que os pecados da carne desonram a Deus e ferem sua santidade, pois, “provém da depravação moral do velho homem corrupto, estando em confronto direto com a conduta do novo homem” [4].

Com relação ao velho homem, somos advertidos pelo apóstolo Paulo a não darmos lugar ao diabo, pois através deste livre exercício de cometer pecados da carne, o cristão dar lugar às atividades de Satanás em sua vida, o que se constitui num grande risco de vir o crente a fracassar espiritualmente. Se o crente viver segundo a carne, certamente colocar-se-á em estado de escravidão, cumprindo em si a vontade de Satanás e não a vontade de Deus que é boa e perfeita.

Mas, como podemos vencer a carne? Temos na Palavra de Deus a resposta para vencermos as investidas deste feroz inimigo. Certamente uma vida na plenitude do Espírito é o caminho para vencermos as obras da carne (Gl 5.16,18).  Vamos recorrer mais uma vez a Bubeck [5] ele citas vários passos, vamos nos ater a apenas três:

1) Busque sempre uma posição de honestidade. Jamais podemos ser desonestos com as nossas fraquezas e pecados; não devemos escondê-los. É importante que estejamos conscientes de que eles existem, e vê-los da maneira que eles são. Deus está consciente das nossas depravações e pecados, Ele conhece todas as coisas;

2) O passo seguinte é a mortificação da carne (Gl 5.24; Rm 6.11). Os textos citados mostram com clareza que a natureza pecaminosa do crente foi crucificada com Cristo, para que o crente não precise mais ficar debaixo do seu controle. Precisamos vencer os pecados da carne, para isso é preciso morrer para o pecado (Gl 2.20);

3) Finalmente abordaremos o terceiro passo; um andar no Espírito (Gl 5.16-25). Não basta morrer para o pecado é preciso viver para Deus. Andar denota sempre uma ação contínua, e requer de nós muita atenção. O termo é usado metaforicamente para descrever todo um modo de viver dos crentes. Sendo o Espírito Santo, o diretor de nossas vidas, não cumpriremos os desejos de nossa natureza pecaminosa. Portanto, não deve o pecado reinar em nosso corpo mortal.

Devemos, portanto, entregar pela fé nossas vidas, completamente e sem reservas ao Espírito Santo, sendo transformados por sua graça para andarmos em novidade de vida (Rm 6.4). Que o Senhor nos ajude a sermos vencedores.

Notas:

[1] Bíblia de Estudo Pentecostal. Donald C. Stamps, pg. 1.711. CPAD.
[2] O Adversário. Mark I. Bubeck, pg. 27, Edições Vida Nova.
[3] Idem, pg. 29.
[4] Idem,
[5] Idem, 35,6,7,8

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