quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A Santíssima Trindade na Bíblia

Por Pr. Nonato Souza
O estudo sistemático sobre tão importante doutrina é necessário na atualidade. Por se tratar de doutrina fundamental, precisamos ministrar com maior intensidade e mais freqüência, inclusive nos púlpitos de nossas igrejas, esta doutrina, pois se trata de assunto extremamente sério e de grande importância para o cristianismo. Mesmo sendo doutrina de difícil compreensão no que concerne à idéia de três pessoas e somente um Deus, fica fortemente evidenciado que se trata de uma das doutrinas importantes da fé cristã.
Por Trindade de Deus se entende que Deus é um só em seu ser e substância, dotado de três distintas pessoas, que nos são reveladas como Pai, Filho e Espírito Santo.
Reconhecemos que a palavra Trindade não aparece no texto bíblico. Todavia, existem provas abundantes dessa doutrina, quer por referência, quer por inferência, e são suficientes para convencer-nos de sua autenticidade.
A Doutrina da Trindade é um mistério divino que ultrapassa a nossa razão, mas pela fé sincera na Palavra de Deus apreendemos essa doutrina fundamental.
É preciso, entendermos três termos que são sempre mencionados quando nos deparamos com o estudo da Trindade: “Trindade”, “triunidade” e “triteísmo”. Trindade e triunidade dizem respeito ao mesmo assunto. Trindade significa um só Deus em sua tríplice manifestação pessoal, enquanto que triunidade trata do modo tríplice da existência de Deus. Sendo que a idéia básica é a mesma. Triteísmo significa a existência de três deuses, não tendo nada a ver com a Trindade, que afirma a existência de um único Deus.

A doutrina da Trindade no contexto histórico

Antes da Reforma. Como já enfatizamos acima as Escrituras não nos fornece uma doutrina completamente formulada sobre a Tindade, mas contém elementos à base dos quais a teologia tem edificado a doutrina. Há informações de ter sido Tertuliano (c. de 165 -220) o primeiro a utilizar a palavra. Embora tendo sido utilizada por Tertuliano, na ultima década do segundo século de nossa era, não encontrou lugar formal na teologia da Igreja senão já no quarto século. A necessidade de formular a doutrina foi deixada ao encargo da Igreja, e foi especialmente a sua fé na divindade de Cristo, e a necessidade de defendê-la, que pela primeira vez a compeliu a enfrentar o dever de formular uma doutrina completa da Trindade para sua regra de fé. Tertuliano e Orígenes (184 – 254) trabalharam na formulação da doutrina da Trindade, mas ambos subordinaram o Filho ao Pai; e o Espírito subordinado ao Filho.
Os arianos no quarto século negaram a divindade de Cristo e do Espírito Santo. Eles ensinavam que o Filho é a criatura do Pai, e o Espírito Santo é a primeira criatura do Filho. Os arianos diziam encontrar apoio nas Escrituras para seu ponto de vista nas passagens que pareciam apresentar o Filho como alguém inferior ao Pai (Mt 28.18;Mc 13.32; 1Co 15.28).
O monarquianismo dinâmico, foi exposto pela primeira vez por Teodoro de Bizâncio por volta do ano 210, pregava que Jesus era simplesmente homem que recebera poderes especiais do Espírito Santo em seu batismo, e que o Espírito Santo era uma influência divina. O monarquianismo modalista que no oriente tornou-se conhecido como sabelianismo, recebendo este nome por causa de Sabélio, considerava o Pai, o Filho e o Espírito Santo meramente como modos de manifestações assumidos pela Divindade para sua manifestação.
Sob a liderança de Atanásio a doutrina da Trindade foi proclamada como a fé da Igreja no Concílio de Nicéia (325 d. C.). Ali foi proclamado que o Filho é da mesma essência do Pai. Atanásio um dos principais opositores de Ário declarou em seu credo:

“Adoramos um Deus em Trindade e Trindade em unidade. Não confundimos as pessoas nem separamos a substancia. Pois a pessoa do Pai é uma, a do Filho outra e a do Espírito Santo, outra. Mas no Pai, no Filho e no Espírito Santo há uma divindade, glória igual e magestade co-eterna. Tal qual é o Pai, o mesmo são o Filho e o Espírito Santo. O Pai é incriado, o Filho incriado, o Espírito incriado. O Pai é imensurável, o Filho é imensurável, o Espírito Santo é imensurável. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno. E, não obstante, não há três eternos, mas sim um eterno. Da mesma forma não há três (seres) incriados, nem três imensuráveis, mas um incriado e um imensurável. Da mesma maneira o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente. No entanto não há três seres onipotentes, mas sim um onipotente. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, e o Espírito Santo é Deus. No entanto, não há três Deuses, mas um Deus. Assim o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, e o Espírito Santo é Senhor. Todavia não há três Senhores, mas um Senhor. Assim como a veracidade cristã nos obriga a confessar cada Pessoa individualmente como sendo Deus e Senhor, assim também ficamos privados de dizer que haja três Deuses ou Senhores. O Pai não foi feito de coisa alguma, nem criado, nem gerado. O Filho procede do Pai somente, não foi feito, nem criado, mas gerado. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procedente. Há, portanto, um Pai, não três Pais; um Filho, não três Filhos; um Espírito Santo, não três Espíritos Santos. E nesta Trindade não existe primeiro nem último; maior nem menor. Mas as três Pessoas co-eternas são iguais entre si mesmas; de sorte que por meio de todas, como acima foi dito, tanto a unidade na Trindade como a Trindade na unidade devem ser adoradas.”

A divindade do Espírito Santo foi sustentada no Concílio de Constantinopla (381 d. C.), lá foi oficialmente declarado que o Filho é gerado pelo Pai, e que o Espírito procede do Pai e do Filho. Agostinho de Trindade foi quem melhor elaborou a doutrina no ocidente, eliminando todo elemento de subordinação.

Após a reforma. Após este período não houve maiores desenvolvimentos com relação à doutrina da Trindade. Discutiu-se, ainda bastante, a questão da subordinação do Filho e do Espírito Santo e do significado ou natureza da Trindade, modalista ou ontológica, ou seja se o Pai, o Filho e o Espírito Santo são apenas modos de uma única realidade divina de se manifestar ou se são três pessoas em Si.

A Doutrina da Trindade no Antigo Testamento

O Antigo Testamento enfatiza com clareza inquestionável, a unidade de Deus. Não contém, porém, plena revelação da existência da doutrina da Trindade. Mas contém indicações desta. Isto se dar pelo fato de Israel está plenamente cercado de tribos e nações que haviam se afastado do conhecimento original do Deus Todo-Poderoso para abraçar o politeísmo. Introduzir a Trindade de modo perceptível nessa conjuntura teria sido prematuro e confuso para o povo de Israel, uma nação incipiente. Como já enfatizamos acima, o Antigo Testamento nos dar indícios da natureza trina de Deus, mas eles são mais claros apenas à luz da revelação mais completa do Novo Testamento e esta revelação vai tendo maior clareza, na medida em que a obra redentora de Deus é revelada mais claramente, como na encarnação do Filho e no derramamento do Espírito.

Palavras plurais. No Antigo Testamento existem nomes plurais para Deus, que são usados para referir-se a Ele. Os nomes Elohim e Adonai são plurais. Elohim (plural) para Deus (Gn 1.1) quando se refere ao Deus verdadeiro, tem uma forma singular do verbo. A pluralidade do nome é justificada por alguns como “um plural de magestade”. Temos também verbos e pronomes no plural relativos à divindade: “façamos”, “nossa” (Gn 1.26); “nós” (Gn 3.22); “desçamos e confundamos” (Gn 11.7); “por nós” (Is 6.8). Esses termos usados no plural dão-nos uma indicação de pluralidade de pessoas na Deidade. Gênesis 1.1, onde o nome hebraico para Deus, Elohin, é plural, já mostra que essa unidade de Deus é composta.

O Anjo do Senhor. Esse anjo aparece inúmeras vezes em todo o Antigo Testamento. Apesar de essa designação poder se referir a qualquer um dos anjos de Deus (1Rs 19.7; cf, v. 5). Algumas vezes esse Anjo é chamado de Deus (Gn 31.11-13; Ex 3.2-6; Jz 13.21,22), embora seja distinto dele (Gn 16.7-13; 18.1-21; 19.1-28; Ml 3.1). Isso certamente aponta para distinções pessoais dentro da Deidade. Estudiosos são da opinião de que o “Anjo do Senhor” no Antigo Testamento é uma representação do Cristo pré-encarnado.

Distinção de pessoas. Algumas passagens do Antigo Testamento fazem distinção entre as pessoas que formam a Deidade. a) O Senhor é distinto do Senhor (Gn 19.24; Os 1.7). b) O Redentor (que deve ser divino) é distinto do Senhor (Is 59.20). c) O Espírito é distinto do Senhor (Is 48.16; 59.21; 63.9,10).

A Trindade no Novo Testamento

O Novo Testamento não contém uma declaração explicita da doutrina da Trindade de Deus, mas contém muitas evidências da mesma. É importante enfatizarmos aqui três pontos importantes com relação à doutrina da Trindade:

As evidências da unicidade na Trindade. Assim como o Antigo Testamento, o Novo Testamento nos revela a existência de apenas um Deus verdadeiro. O Pai o Filho e o Espírito Santo constituem um só Deus. O texto de Deuteronômio 6.4 nos trás essa revelação: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor”. O próprio Deus enfatiza que não há outro Deus além dele (Is 45.5).
Em toda a revelação do Novo Testamento, não vemos qualquer idéia de que haja três deuses. Textos bíblicos como 1Coríntios 8.4-6; Efésios 4.3-6; e Tiago 2.19 mostram com clareza de detalhes este assunto.
Sabe-se não ser fácil a compreensão de que há três pessoas distintas na Trindade, “cada uma contendo todo o ser de Deus em si, mesmo havendo somente um Deus e sendo Ele indivisível” (Wayne Grudem – Entenda a fé cristã, pg. 45).
Temos convicção que, enquanto neste mundo, nunca entenderemos plenamente esta tão importante doutrina, pois partes dela estão além da nossa compreensão. É parte das coisas encobertas, pertencentes ao Senhor nosso Seus (Dt 29.29).

Os papeis distinto na Trindade são evidenciados

Cada pessoa da Trindade é plenamente Deus. Vamos observar o assunto com maior evidência abaixo.

O Pai reconhecido como Deus. Essa é uma doutrina bem conhecida em todas as Escrituras. Há um Deus como Pai na revelação bíblica. No Antigo testamento essa revelação de Pai não era muito comum para Deus, principalmente para não confundir o Deus de Israel com os deuses do paganismo. No Novo Testamento o termo é bastante usado. Jesus emprega o termo cerca de 170 vezes. Deus é o “Pai das luzes” (Tg 1.17); o “Pai da glória” (Ef 1.17); o “Pai de todos” (Ef 4.6). O título é uma indicação de que Deus é a fonte de todas as coisas, ocupando por isto o primeiro lugar na Trindade. É importante observamos aqui as seguintes referências (Jo 6.27; 1Pe 1.2).

O Filho reconhecido como Deus. Jesus Cristo detém atributos naturais de divindade tais como: onisciência (Mt 9.4), onipotência (Mt 28.18), onipresença (Mt 28.20), imutabilidade (Hb 13.8), eternidade (Jo 1.1). Durante o seu ministério terreno realizou obras que somente Deus poderia fazer, como perdoar pecados (Mc 2.1-12), além disto, o Novo Testamento mostra ainda obras que somente Deus poderia fazer em Cristo, como ressuscitar os mortos (Jo 12.9), criar e sustentar todas as coisas (Cl 1.17:Jo 1.1,2), o julgamento do mundo (Jo 5.29,30; Mt 25.31,32), etc.

O Espírito Santo reconhecido como Deus. “Então disse Pedro: Ananias, porque encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo? Não mentiste aos homens, mas a Deus (grifo nosso)” (At 5.3,4). Neste relato bíblico vemos que, mesmo que o Espírito Santo tenha impulsionado Ananias e Safira a tomarem a decisão de vender sua propriedade e generosamente depositar aos pés dos discípulos, tal intento foi logo pervertido pela cobiça do casal, que tentou enganar os apóstolos. Quando assim procederam mentiram ao Espírito Santo e não aos homens, conforme o texto acima citado. Alem disso o Espírito Santo possui atributos que somente Deus possui, como onisciência (1Co 2.11), eternidade (Hb 9.14). Obras de Deus também são atribuídas ao Espírito Santo, tais como: a regeneração das pessoas (Jo 3.5,6,8), ressurreição (Rm 8.11). Títulos também são atribuídos ao Espírito Santo. Vejamos alguns: “Espírito do Pai” (Mt 10.20), “Espírito de Deus” (Rm 8.9), “Espírito de Cristo” (Rm 8.9), “Espírito da Glória” (1Pe 4.14), “Paracletos” (Jo 14.16,26; 15.26).

Evidências da Triunidade.

O Novo Testamento mostra com clareza de detalhes a doutrina da Trindade. Vejamos: O batismo de Jesus (Mt 3.16,17) A fórmula batismal (Mt 28.19). O outro Consolador (Jo 14.16). A distribuição dos dons espirituais (1Co 12.4-6). A benção apostólica (2Co 13.13) e a unidade da Igreja em Deus (Ef 4.4-6). São provas bíblicas irrefutáveis da Trindade.

Cada pessoa da Trindade é descrita na Bíblia como tendo os seguintes atributos:

Eternidade (Rm 16.26; Ap 22.13; Hb 9.14);
Santidade (Ap 4.8; At 3.14; 1Jo 2.20);
Onisciência (Jr 23.24; Ef 1.23; Sl 139.7);
Onipotência (Gn 17.1; Ap 1.8; Rm 5.5);
Onipresença (1Rs 8.27; Mt 18.20; 18.19,20; Sl 139.7-10);
Amor (1Jo 4.7-11; Jo 14.21; Rm 5.5);
Poder criador (Gn 1.1; Cl 1.16; Jó 26.13);
Imutabilidade (Sl 33.11;Hb 1.12; 13.8; At 5.3,4);
Bondade (Ex 34.6; At 10.38; Ne 9.20);
Poder de ressuscitar (1Co 6.14; Jo 2.19; 1Pe 3.19);
Poder de enviar (Jr 26.5; Mt 10.5; At 13.2);
Salvador (2Ts 2.13; Tt 3.4-6; 1Pe 1.2).


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