quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Cartas às Sete Igrejas da Ásia – Esmirna (Ap 2.8-11)

Por Nonato Souza
Fontes nos dão informações de ter sido Esmirna destruída por uma catástrofe por volta de 600 a.C., quando Alyattes, da Líbia, a destruiu deixando-a devastada por três séculos , sendo depois reconstruída como uma das cidades mais belas do mundo. Era uma cidade próspera, talvez a mais próspera da Ásia Menor. Estudiosos concordam que Esmirna (moderna Izmir) chegava a concorrer com Éfeso no comércio, cultura e influência romana. Desde 195 a. C., Esmirna venerava o espírito de Roma. Havia na cidade o templo de Tibério onde se assegurava essa tarefa histórica.

Não se conhece a história da chegada do cristianismo em Esmirna. Não temos nenhuma menção da referida igreja em nenhuma passagem do Novo Testamento, sabe-se que era uma comunidade cristã importante no segundo século. Estudiosos dão informações de que o evangelho chegou ali como resultado da atividade evangelística de Paulo na cidade de Éfeso. Judeus devotos, também, estiveram em Jerusalém por ocasião do Pentecostes (At 2.9), e alguns deles poderiam ter vindo de Esmirna e na volta levado o evangelho à sua cidade natal.

A firmeza dos cristãos de Esmirna os levou a resistir os turcos e foi uma das últimas a sucumbir ao Islã . “Essa resistência teve uma participação na história. A ação tardia dos remanescentes do Império no Oriente concedeu tempo à Europa para emergir da Idade Média e receber com mãos criativas os benefícios que trouxeram a renascença e o surgir do mundo moderno” .

Esmirna é conhecida como a igreja perseguida (100 a 312). Foi encorajada pelo Senhor Jesus a permanecer fiel apesar das perseguições. A igreja vivia em estado de pobreza abjeta, o que contrastava com a riqueza material da cidade, suas riquezas eram espirituais. O tema predominante da carta é a perseguição sofrida por estes santos.

“Isto diz o Primeiro e o Último, que foi morto e reviveu” (v. 8).
Jesus se identifica como “o primeiro e o Último” (1.17; 22.13), aquele que é igual ao Pai em poder e autoridade (Is 44.6) e, que é vencedor sobre a morte (Ap 1.18).

“Eu sei as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus e não o são, mas são a sinagoga de Satanás” (v. 9).
Jesus conhece as obras da igreja e de cada membro da mesma, além, de ter ciência da tribulação enfrentada pelos cristãos daquela igreja que eram perseguidos pelas autoridades romanas e também os judeus. A pobreza dos cristãos de Esmirna veio em razão da grande perseguição por eles sofrida. Os seus bens eram espoliados, destruídos e muitos deles eram encarcerados pelo imperador Domiciano (Hb 10.34). Foram capazes de suportar como verdadeiros heróis, por isso o texto enfatiza, “mas tu és rico”, um contraste com a igreja de Laodicéia que era “rica” em relação às riquezas materiais, mas inteiramente pobre quanto às riquezas espirituais (Ap 3.17).

A blasfêmia é uma ênfase aos judeus que eram ferrenhos inimigos dos cristãos e que, certamente se aliaram aos romanos para perseguí-los. Pode ser também que a blasfêmia dos judeus seja dirigida contra Cristo, quando acerca dele proferiam palavras insultuosas além de o rejeitarem como o seu Messias prometido.

Esses religiosos judeus perseguidores estavam desqualificados pelo Senhor Jesus, como verdadeiros judeus, seguidores de Deus, e foram caracterizados como “sinagoga de Satanás”, pois se tornaram acusadores, caluniadores. Esses judeus perseguidores estavam próximo da natureza de Satanás. “Isso reflete a profundidade de apostasia à qual essa congregação tinha afundado.”

“Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (v. 10).

Embora vivamos um cristianismo autêntico, vida de oração, dedicação a Deus, não estamos isentos do sofrimento, este às vezes é inevitável. Quando menos esperamos, ele chega. Jesus disse: “No mundo tereis aflições” (Jo 16.33). Àqueles crentes, Jesus lhes diz que alguns irão padecer perseguições. Satanás por meio de seus instrumentos lhes levaria à prisão, e a perseguição que iam sofrer duraria dez dias. Daquela prisão, onde passariam poucos dias, certamente eles seriam sentenciados para trabalhos forçados ou iriam ser deportados para a morte.

Os sofrimentos deste tempo presente finalmente redundarão em glória. Paulo expressa sobre isso dizendo: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8.18) e ainda: “... a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2Co 4.17).

Os habitantes de Esmirna eram fiéis a Roma, a igreja, porém, é chamada a ser fiel a Jesus. Policarpo, bispo daquela igreja, discípulo de João, morreu martirizado em 155 d. C. Algozes o apanharam e o arrastaram para a arena. De toda forma tentaram intimidá-lo com as feras, fogo, mas ele respondeu: “Eu sirvo a Jesus há 86 anos e Ele sempre me fez bem. Como posso blasfemar contra o meu Salvador e Senhor, que me salvou?”. Os seus inimigos o queimaram vivo em uma pira, enquanto ele orava e agradecia a Jesus o privilégio de morrer como mártir.

A fidelidade de cada crente até a morte lhe trará recompensa das mãos do Senhor. O Senhor espera da parte de cada crente fidelidade em toda sua vida. “Não venda o seu Senhor por dinheiro como Judas. Não troque o seu Senhor, por um prato de lentilha como Esaú. Não venda a sua consciência por uma barra de ouro como Acã. Seja fiel a Jesus, ainda que isso lhe custe seu namoro, seu emprego, seu sucesso, seu casamento, sua vida. Jesus diz que aqueles que são perseguidos por causa da justiça são bem-aventurados (Mt 5.10-12)” .

Jesus está dizendo ao fiel: “Dar-te-ei a coroa da vida”. Esta será a recompensa para os que são fiéis até a morte, que são fiéis até morrerem e que se separam de tudo neste mundo, por amor a Cristo.

“Quem tem ouvidos ouçam o que o espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano de segunda morte” (v. 11).

Essa é uma interjeição comum a todas as cartas e está relacionada com aqueles que têm dificuldade de obedecer a Deus e dar ouvidos à sua voz.

Observe que o texto sagrado diz, haverá a “segunda morte”. Essa é uma morte indescritivelmente pior que a primeira. Trata-se da “morte eterna”, separação eterna de Deus. Os santos não estão isentos de sofrer morte física nas mãos dos seus perseguidores, tais como os crentes de Esmirna. Estes porém, não sofrerão a morte eterna tal qual os homens descrentes que viveram sempre afastados de Deus. Estes serão lançados no Lago de Fogo (Ap 20.14) e sofrerão morte eterna ou seja, castigo que jamais terá fim. Que Deus tenha misericórdia de nós!

Bibliografia
Carson, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova. Vida Nova, São Paulo – SP
Lopes, Hernandes Dias. Apocalipse, o futuro chegou. Hagnos, São Paulo – SP
Tenney, Merrill C. Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã. Vl 02. Cultura Cristã, São Paulo - SP

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