terça-feira, 9 de agosto de 2011

Cartas às Sete Igrejas da Ásia – Éfeso (Ap 2.1-7)

Por Pr. Nonato Souza
A carta enviada à igreja de Éfeso é a primeira das sete que foram enviadas às igrejas da Ásia Menor pelo Senhor Jesus Cristo, através das mãos de João, o evangelista. Esta era uma igreja autêntica, mas sem amor, “deixaste o teu primeiro amor” (Ap 2.4). Esta igreja era uma das mais próximas de Patmos, onde João recebeu as sete mensagens.

Éfeso era a principal cidade da província chamada Ásia, um centro comercial terrestre e marítimo que, ao lado de Alexandria e Antioquia da Síria, colocava-se como uma das três cidades mais influentes do lado oriental do Império Romano. Ali havia o templo de Ártemis, a deusa Diana (At 19.35), uma das sete maravilhas do mundo.

Naquele lugar Paulo enfrentou o centro ativo do ocultismo e magia negra, que chegava até fazer milagres extraordinários. Durante o seu prolongado ministério neste lugar, que durou três anos e meio, estabeleceu uma boa igreja e preveniu os crentes que os falsos mestres chegariam e tentariam afasta-los da fé. Conforme vemos na carta de Paulo aos efésios, os falsos mestres trouxeram sérios problemas, mas a igreja soube resistir-lhes. Algum tempo depois da morte de Paulo, João, o apóstolo, tornou-se líder respeitado desta congregação. Com a destruição de Jerusalém, em 70 d.C., Éfeso tornou-se uma das principais cidades cristãs.

As sete cartas nos falam das condições espirituais prevalecentes naquelas sete igrejas no tempo de João, e também caracterizam a igreja em todos os tempos. Éfeso significa “desejável”. Esta é a igreja do amor decadente, embora tenha sido bem formada doutrinariamente na Palavra de Deus. Todos os ensinos básicos lhes foram ministrados (At 20.27), toda a mensagem de Deus, seu plano e todo o seu propósito. Era uma igreja profundamente espiritual que veio a passar por momentos críticos, principalmente por abandonar o seu primeiro amor. Um cuidado que todo cristão deve ter.

“Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro” (Ap 2.1). Esta revelação de Cristo, tanto é um encorajamento como uma advertência. Ele tem na sua destra tanto as sete estrelas (os mensageiros da igreja) como os sete castiçais de ouro (as sete igrejas), indicando sua autoridade e poder sobre as igrejas e seus líderes. É o Senhor Jesus quem guarda a Igreja e a observa, ele anda por entre todas as suas igrejas, e não meramente entre algumas, observando se estão em boa condição espiritual. Esse poder que sustenta a igreja e seus líderes é também competente para remover quando Cristo não está satisfeito com a nossa condição e conduta diante dele, quando da parte de ambos não houver arrependimento. A igreja em Éfeso havia se tornado grande e orgulhosa, e a mensagem de Jesus vêm lhes lembrar que somente Ele (Jesus) é a cabeça da Igreja. (Ef 1.22,23), sendo Ele portanto, quem sustenta o corpo.

“Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e que pusestes à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos; e sofreste e tens paciência; e trabalhastes pelo meu nome e não te cansaste” (Ap 2.2,3). “Eu sei as tuas obras”. Esta é uma frase dita em todas as sete cartas. A cada igreja o Senhor diz solenemente: “Eu sei as tuas obras”. Ele é conhecedor da situação e estado espiritual de todos os membros e todas as igrejas na terra. A igreja de Éfeso era conhecida por sua obra e perseverança no trabalho e no serviço do Senhor, além, de ser perseverante em tempos de oposição, sofrimento e nas circunstâncias adversas sempre fieis a Cristo e à sua vocação. Era uma igreja capaz de suportar condições e testes difíceis, porém, jamais suportar ou tolerar homens que a todo custo queriam mudar a natureza moral da igreja associando-se ao pecado.
Permitir na igreja homens maus, hipócritas, amantes de si mesmos, descompromissados com o verdadeiro evangelho é deixar que os falsos mestres com suas mentiras e heresias de perdição destruam as bases doutrinárias da igreja trazendo prejuízos irreparáveis para o Reino dos Céus. A igreja de Éfeso pôs esses falsos mestres e falsos líderes à prova. Quanto àquelas igrejas que não tomam a mesma atitude da igreja de Éfeso e acolhem os falsos mestres e falsos líderes ao invés de os resistirem, com certeza sofrem censura da parte do Senhor por serem desleais à verdade e aos padrões da Palavra de Deus (Ap 2.14-16; 2.20). A posição da igreja de Éfeso, neste aspecto, é exemplo para a igreja dos dias atuais (2Jo v.10; Gl 1.8,9).

“Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor” (Ap 2.4). Depois de elogiar a igreja pelo seu trabalho, paciência e intolerância pelos pseudo-apóstolos ou falsos mestres, o Senhor refere-se a uma trágica e terrível deficiência da igreja de Éfeso – ela perdera o primeiro amor. O texto mostra que os crentes efésios tinham se divorciado do seu primeiro amor, o que significa que eles tinham deixado a dedicação que tinham por Cristo e sua Palavra. Orlando S. Boyer enumera quais os que tem deixado esfriar o primeiro amor. “1) Os que servem a Deus só exteriormente. O amor interior não pode esfriar sem a vida exterior ruir. 2) Os que não mais sentem temor, ao pecar em coisas consideradas insignificantes. O resultado, contudo dos pecados considerados sem importância, é a infelicidade. Lembremo-nos de Davi que apenas olhou para Batseba, de Acã, que somente tomou uma roupa e um pouco do despojo, etc. 3) Os que já perderam o primeiro amor e nada sentem ao ausentar-se dos cultos (Hb 10.25). 4) Os que voltam para a convivência dos companheiros de outrora quando ainda eram descrentes (1Co 15.33). 5) Os que não oram em secreto e descuidam-se do culto doméstico. 6) Os que não se esforçam para levar o próximo a Cristo. 7) Os que não se sacrificam em prol da causa de Cristo (Rm 12.1)”. (Espada Cortante Vol. 1 Pg. 173,174).

Isto nos mostra que não basta conhecer a doutrina correta obedecer alguns mandamentos e ir aos cultos na igreja, é preciso acima de tudo amor sincero a Jesus Cristo e a sua Palavra. O crente deve sempre servir a Cristo com aquele amor que tinha no início da vida cristã; o amor original, puro, fervoroso, alegre (Rm 12.11).

Com relação ao “primeiro amor”, a igreja de éfeso já não conservava aquele amor caloroso que caracterizava as primeiras experiências na vida cristã. Ela tinha deixado de lado o que verdadeiramente motivava a sua vida cristã. O crente deve sempre servir a Cristo com aquele amor que tinha no início da vida cristã, pois tudo o que fazemos para Deus, não passará de mero ativismo, se não for feito com amor e de coração. Jesus tinha uma coisa contra a igreja de Éfeso, ela tinha deixado o “primeiro amor”. O Senhor, pois, lhe exorta: “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do teu lugar o seu castiçal, se não te arrependeres” (Ap 2.5). Jesus exorta a igreja com uma tríplice ordem: “lembra-te”, “arrepende-te” e “pratica”. Esta deveria recordar-se do início de sua vida cristã, amor ardente entre eles, etc.

A situação da igreja de Éfeso era difícil, estava esta igreja numa situação de condenação, a menos que se arrependesse e voltasse imediatamente à prática das primeiras obras, obras essas, que a levou a ser uma igreja respeitada e vitoriosa. Os grandes feitos desta igreja realizados para Deus no passado não foram suficientes para torná-la brilhante no futuro. Faltou-lhe um amor ardente por Jesus que certamente a levaria a proclamar o evangelho de poder e sinais no futuro. É bom que entendamos que as lembranças devem nos levar a corrigir os erros passados. “Brevemente a ti virei e tirarei do teu lugar o seu castiçal, se não te arrependeres”. Aqui há uma advertência severa para a igreja. Cristo avisa que se porventura não houver arrependimento, um retorno ao primeiro amor, às práticas cristãs, seria removida do seu lugar, ou seja, perderia o seu direito de existir como igreja. Que tristeza! Um castiçal que era capaz de brilhar, resplandecer, agora apagado. Quantas igrejas há que outrora brilhantes agora estão apagadas pelo pecado e pela apatia espiritual. Este é um cuidado que precisamos ter atualmente.

“Tens, porém, isto: que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço” (Ap 2.6). Estes são descritos com adversários do autêntico Cristianismo. Eram provavelmente seguidores de Balaão que comiam do alimento sacrificado a ídolos e praticavam imoralidades sexual, levando o povo a práticas aberrantes e ainda proclamando que sua salvação não seria afetada (Ap 2.14,15). Ora, sabemos que o Novo Testamento abomina tais práticas e que os que assim procedem não chegarão ao céu (1Co 6.9,10).

“Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (v. 7). Essa é uma interjeição comum a todas as cartas e está relacionada com aqueles que tem dificuldade de obedecer a Deus e dar ouvidos à sua voz. “Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus”. Esta é uma das características do livro de apocalipse e significa vencermos as circunstância que estamos atravessando e permanecer constante na vitória sobre o pecado, o mundo e Satanás. A recompensa do vencedor será: “comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus” (Ap 2.7). Que o Senhor nos ajude!

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