sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz 2012

Por Pr. Nonato Souza
Estamos vivendo as últimas horas do ano de 2011 e adentrando 2012. Aos fiéis leitores deste humilde blog, Semeando Boas Novas desejo que o ano de 2012 seja agraciado pelo Senhor com uma vida cristã próspera e aproximada do Senhor cada momento.

Sei perfeitamente, que um novo ano sempre trás novas esperanças e boa vontade de continuar avançando sempre. Os dias passam numa rapidez fantástica e nessa correria normal do dia a dia, somos instados a planejar olhando com expectativas para o ano que estamos adentrando, desejando em nosso coração realizar algo mais para Deus e seu Reino aqui na terra.

É possível sim, com a bênção de Deus, planejamento e cuidado conquistarmos mais. O segredo é estarmos firmes no Senhor sem esmorecermos um só momento, mesmo quando por dificuldades (e elas virão em 2012), passarmos.

É bom que nos lembremos que há um Deus no céu, que domina sobre todo o Universo, o Seu braço forte e estendido cerca a todos os que lhe pertencem. Este é um dos motivos pelo qual estarei na virada, juntamente com minha família na Casa de Deus, na presença de Deus para que juntos possamos agradecer-Lhe pelo ano que se finda, onde fomos grandemente abençoados e rogar-Lhe ajuda do alto para 2012.

Sou agradecido ao Senhor Jesus Cristo, por todas as vitórias que tenho alcançado. Ele é o Senhor da minha vida, tudo o que sou (se é que sou) e tudo que tenho (se é que tenho) devo a Ele. Agradeço a minha querida família em especial a esposa Elinete Portela dos Santos, filhas Naete Portela dos Santos e Nádissa Portela dos Santos e genros Elias Jones e Jefferson Nunes. Vai também minha gratidão a Antonio Vieira dos Santos (meu pai), Delzuita Souza dos Santos (minha mãe) e todos os meus manos e manas.

Agradeço também o meu pastor presidente Orcival Pereira Xavier, companheiro sempre, pessoa que tem marcado o meu ministério nesses últimos anos. Manoel Pereira Xavier, meu coordenador. À igreja Assembleia de Deus de Brasília na QNO 06, rebanho que tenho a satisfação de pastorear. Vocês são bênçãos de Deus em minha vida.

Sou grato ao evangelista Ademar de Sena Sampaio, amigo e companheiro sempre presente nas minhas horas difíceis e de alegrias. O Senhor te recompense homem de Deus. A todos companheiros pelo grande apóio. O Senhor recompense a cada um. A todos desejo um

Feliz 2012!




sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Ouro, Incenso e Mirra

Por Wilma Rejane
A palavra Natal, significa nascimento, do latim: Natalis, no sentido de "ser posto no mundo". Muitas pessoas, foram postas no mundo. Apenas uma perpétuou seu nascimento, Jesus. Ele foi o bebê mais ilustre de toda face da terra, seu nascimento até dividiu a história: Antes de Cristo (a.c) e Depois de Cristo (d.c).

É bem verdade que muitos não descobriram ainda o real sentido da data e comemoram-na de forma consumista e desumana. Desumana porque: Papai Noel não veio para todos. Muitas crianças têm-no ainda como uma fábula bem distante de sua realidade. Enquanto muitas famílias banqueteam, outras não teem sequer um pedaço de pão. A dramaticidade do dia a dia, se torna mais latente. Poderíamos, então dizer que o Natal não é para todos? De forma alguma!

Natal, não se vive apenas em uma determinada época do ano, mas o ano inteiro. Ele, é Cristo Jesus, reinando no coração dos homens de bem. Homens, que são como aqueles reis magos que presentearam a Jesus. Reconhecendo-O como Rei dos reis. Que em suas ofertas revelaram o ato profético da ascensão do Salvador. Na representação do ouro, do incenso e da mirra, o nascimento, a morte e a ressureição de Cristo. A símbologia, profética, deve ser uma constante em nossas vidas. Devemos oferta-la diariamente aos nossos semelhantes. Sim, porque nestes elementos estão traduzidos o amor. Do homem para com Deus e de Deus para com o homem.

De que forma, poderemos ofertar a Cristo, ouro, incenso e mirra? Como ofertar ao mundo?

O ouro, traduz realeza e pureza:

"Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (Pe 2:9).

Ao anunciar a Salvação somos ouro. Ao reluzirmos, sendo luz para a escuridão, somos ouro. Somos, preciosos tesouro ao distribuir as riquezas escondidas em Cristo Jesus, de forma voluntária. Por amor. sem nada cobrar. É oferta de ouro.

O Incenso, representa o aroma agradável diante de Deus. Os vapores de incenso eram considerados símbolos de oração

"Suba a minha oração perante ti como incenso, e as minhas mãos levantadas sejam como o sacrifício da tarde".(Sl 141:2)

Mirra: Existe uma àrvore chamada mirra. Quando ferida (em seu tronco), ela produz uma substância perfumada. Representa a dor e o sofrimento, vividos por Jesus, na cruz.

"Mas Ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados" (Is 53:5).

A árvore, marcada pela dor, é a mesma que irá curar feridas. A substância, chamada mirra, serve de remédio para aliviar doentes. É como um bálsamo. Existem cristãos que podem ser comparados a esta mirra. Têm um perfume tão precioso, que se tornam alvos de "caçadores" impiedosos. São perseguidos e feridos. Ainda assim, e justamente nesta "raspagem de tronco", é que exalam o perfume de Cristo. Retribuem com amor, aos que lhes causam dor.

Natal é tempo de festa, de alegria, ofertemos ouro, incenso e mirra e louvemos a Jesus porque Ele É o Salvador.

Fonte: estudosgospel

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Conclusões que cheguei sobre alguns dos evangélicos.

Por Renato Vargens
Os últimos acontecimentos no meio evangélico brasileiro onde o evangelho de Cristo foi relativizado por alguns, me levaram as seguintes conclusões:

Infelizmente alguns dos evangélicos não querem mais as doutrinas da graça, preferem prosperidade a qualquer preço.

Infelizmente alguns dos evangélicos não não querem mais adorar a Deus, querem shows.

Infelizmente alguns dos evangélicos abandonaram as verdades do evangelho, preferem promessas!

Infelizmente alguns dos evangélicos não querem mais pregar sobre arrependimento, querem vitória a qualquer preço.

Infelizmente alguns dos evangélicos não querem mais viver uma vida de quebrantamento, querem determinar as bênçãos de Deus.

Infelizmente alguns dos evangélicos não querem mais as Escrituras Sagradas, preferem "o reteté de Jeová".

Infelizmente alguns dos evangélicos não querem mais pregar o evangelho, preferem um cristianismo "cabalistico" cheio de números.

Infelizmentealguns dos evangélicos não querem mais ser chamados de servos, preferem o titulo de apóstolo.

Infelizmente alguns dos evangélicos não querem mais viver uma vida simples, querem ser apóstolos.

Infelizmente alguns dos evangélicos não querem mais a mensagem libertadora da Cruz de Cristo, querem quebrar maldições hereditárias.

Infelizmente alguns dos evangélicos não querem mais a previdência divina, querem primicias.

Infelizmente alguns dos evangélicos não querem mais a graça, querem vender indulgências.

Infelizmente alguns dos evangélicos não querem mais servir a Deus como mordomos, querem fazer de Deus o seu gênio da lâmpada mágica.

Dias dificeis os nossos!

“E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (II Pedro 2 :3)

Pense nisso!

Fonte: renatovargens


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Cartas às Sete Igrejas da Ásia – Tiatira (Ap 2.12-17)

Por Pr. Nonato Souza
Tiatira (moderna Akhisar) era uma cidade rica e bem fortificada. Estava situada a cerca de 40 km ao sudeste de Pérgamo, numa estrada principal que ligava os vales dos rios Caicus e Hermus. Tinha excelente posição geográfica por ficar no caminho por onde viajava o correio imperial. Era por este caminho que se fazia todo o intercâmbio comercial entre Europa e Ásia. [1]

Era uma cidade da Lídia, perto da fronteira com a Mísia. Foi fundada por Seleuco I, um dos generais de Alexande, que dos seus quatro sucessores, herdou a maior área. “O reino de Seleuco estendia-se de Antioquia da Síria até o vale de Hermus onde suas fronteiras pressionaram fortemente as de Lisímaco, que retinha parte do velho litoral jônico da Ásia Menor”. [2]

Embora tivesse um centro comercial forte e próspero, estava aquém de Sardes e Pérgamo. Passou para o domínio romano em cerca de 190 a. C, depois que Roma toma Antioquia da Síria.

Tiatira ficava junto às maiores rotas, o que acabava por estimular o seu crescimento econômico. “Além disso, os artesãos locais produziam uma variedade de mercadoria, porquanto eram padeiros, pintores, curtidores, marinheiros, oleiros e obreiros em lã, linho e metal (principalmente cobre); e havia escravos revendedores”. [3] Os judeus eram atraídos a Tiatira por causa da prosperidade comercial da cidade. Na referida cidade havia um "centro industrial controlado por associações, isto é, uniões comerciais” [4].
Kistemaker [5] enfatiza que essas associações prestavam culto aos deuses pagãos Apolo e Artemis, e adoravam no santuário de Sabbathe. E que os cristãos como membros da associação eram obrigados a assistir a festa em honra dessas divindades, comer carnes em seus templos e transigir em promiscuidade sexual. Aborda ainda Kistemake que o não cumprimento de tais regras culminaria na expulsão da união comercial, falta de emprego e pobreza. Sendo assim, aqueles que recusassem honrar deuses pagãos, comer carnes sacrificadas e envolver-se em imoralidade sexual, comprometiam suas necessidades materiais. Eram considerados como proscritos da sociedade.

Observe que quando apóstolo Paulo escreve cartas à igreja de Corinto objetivando combater tais comportamentos, há uma conotação clara de que “as associações comerciais, com suas vidas sociais determinadas, seus rituais pagãos e seus banquetes periódicos eram um problema sério para o membro cristão, obrigado pela consciência a se abster da libertinagem do mundo em que vivia.” [6]

Estudiosos concordam em que esta é a mais extensa carta, sendo escrita a menos importante das sete cidades. A importância de Tiatira não era política nem religiosa, senão comercial. Lídia, uma vendedora de púrpura da cidade de Tiatira, que provavelmente representava sua corporação em Filipos (At 16.14), foi alcançada pelo Evangelho de Cristo através da pregação de Paulo.

A igreja de Tiatira está dentro de uma cultura que se comportava totalmente fora dos padrões estabelecidos pala Palavra de Deus. Sendo assim como se comportar diante de tal situação? Hernandes Dias [7] comenta sobre o problema em que viviam os crentes de Tiatira: “O que os cristãos deviam fazer nessas circunstâncias: transigir ou progredir? Manter a consciência pura ou entrar no esquema para não perder dinheiro? Ser santo ou ser esperto? Qual a posição do cristão: se sair do grêmio perde sua posição, reputação e lucro financeiro. Se permanece nessa festa nega a Jesus. Nessa situação Jezabel fingiu saber a solução. Disse ela: para vencer a Satanás é preciso conhecer as cousas profundas de Satanás. O ensino de Jezabel enfatiza que não se pode vencer o pecado sem conhecer profundamente o pecado pela experiência”.

A igreja em Tiatira, era uma igreja pequena. Historiadores dizem ter esta igreja desaparecido no fim de segundo século. Vamos ao comentário da carta à igreja de Tiatira.

“E ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao latão reluzente” (Ap 2.18).

Inicialmente, podemos observar que o autor da carta se identifica à igreja de Tiatira como sendo o Filho de Deus, que tem a mesma natureza do Pai. Eterno, divino e que tem os olhos como chama de fogo, portanto conhece a igreja profundamente.
Cremos que Jesus se apresenta assim, devido à prática de pecados grosseiros estarem sendo toleradas dentro da igreja. O seu olhar penetrante e perfeito vê tudo e todos, não permitido que ninguém e nada seja capaz de esconder-se. O Senhor é capaz de esquadrinhar mentes e corações (v. 23). Com olhos penetrantes, Ele é capaz de descobrir todo engano de hipocrisia. Paulo diz: “no dia em que Deus julgará o segredo dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho” (Rm 2.16; o grifo é meu). Os pés semelhantes a latão reluzente, fala de sua posição firme para julgar as obras da igreja de Tiatira e suas práticas, bem como a igreja atual.

“Eu conheço as tuas obras, e a tua caridade, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras” (v. 19).

Em outras cartas o Senhor Jesus enfatiza conhecer os feitos da igreja. Não será isso que Ele deseja ver em cada um de nós? Uma vida capaz de produzir fruto prático cada dia?

Jesus está familiarizado com os vários trabalhos realizados por aquela igreja. As obras de amor (gr. ágape) daqueles irmãos de Tiatira em prol do Reino de Deus e do seu próximo. Estamos nós fazendo como os irmãos de Tiatira? O serviço (gr. diakonia), realizado com amor genuíno era também presente naquela igreja. Fé (gr. pistis) é outra obra presente na vida daqueles abnegados irmãos. Eles demonstravam confiança plena em Deus e sua Palavra. A paciência (gr. hypomone) presente, mostra a capacidade que tinham esses crentes de suportar privações e provações em momentos difíceis com constância ou persistência. Apesar de todas essas qualidades, Gilberto [8] diz está aqui uma igreja profana. Sua decadência espiritual é patente nos versículos 20, 22 e 24.

A igreja de Tiatira era crescente em suas obras a Cristo, por isso recebe da parte do Senhor Jesus, palavras de louvor “as tuas últimas obras são mais do que as primeiras”, mesmo sendo tolerante com práticas contrárias ao ensino da Palavra. Wesley de Souza [9] diz que “existe, sim, enorme possibilidade de que uma igreja venha crescer sendo séria no amor, na fé, no serviço e na perseverança, enquanto se deixa seduzir e induzir ao desmoronamento da dignidade de sua vocação pelas escolhas enganosas que faz de um estilo de vida sem pureza e sem santidade”.

“Mas tenho contra ti o tolerares que Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensine e engane os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria” (v. 20).

De elogiada para censurada bruscamente. A pesada censura se deu devido sua tolerância por aceitar que uma auto-indicada profetiza fosse capaz de induzir os crentes ao pecado. É provável que este não seja o nome legítimo desta mulher. O nome Jezabel é tomado emprestado da famigerada esposa de Acabe, rei de Israel, que foi capaz de introduzir em Israel o culto a Baal (1Rs 16.31).

Se auto-intitulando profetiza, a tal mulher era detentora de forte influência dentro da igreja. Tida como mestra orientava a igreja com seus falsos ensinos a envolver-se em relações sexuais ilícitas nos templos pagãos bem como, a comer alimento oferecido a ídolos. Matthew Henry [10] diz sobre o trabalho daqueles que tentam seduzir o povo de Deus: “Esses perversos sedutores são comparados a Jezabel, e chamados pelo seu nome. Jezabel foi uma perseguidora dos profetas do Senhor, e uma grande patrocinadora dos idólatras e falsos profetas. Os pecados desses sedutores era que eles tentavam desviar os servos de Deus para a fornicação, e a sacrificarem aos ídolos; eles se autodenominavam profetas, e assim reivindicavam autoridade e consideração superiores pelos ministros da igreja.”

Jezabel estava conseguindo induzir o povo de Deus ao pecado. Ensinava abertamente que os pecados da carne podiam ser tolerados sem nenhum problema, o que levava os cristãos a uma vida de escravidão. Havia um mal instalado dentro da igreja de Tiatira, ela abrira suas portas para os falsos mestres induzires os crentes ao pecado, e isto, Jesus não podia mais suportar. A tolerância da igreja acerca dos falsos ensinos provocou a ira do Senhor.

Hernandes Dias [11] comenta: “Uma planta venenosa estava vicejando naquele precioso canteiro, chamado igreja de Tiatira. Naquele corpo saudável um câncer maligno começou a formar-se. Um inimigo estava encontrando guarida no meio da comunidade. Havia transigência moral dentro da igreja. Aqui não era o lobo que veio de fora, mas o lobo que estava enrustido dentro da igreja”.

A tolerância com o pecado traz grande prejuízo ao reino de Deus. Permitir que a libertinagem cresça dentro da igreja trazendo destruição e morte ao invés de purificá-la mediante a Palavra é querer macular a integralidade do evangelho do Reino. Não se pode permitir que a imoralidade e o desvio doutrinário se perpetuem dentro da igreja trazendo escândalo, destruição e morte. O prejuízo é enorme e indescritível.

Quando a igreja tolera de forma irresponsável o pecado, portas para o mal se abrem, gerando prejuízos irreparáveis. Observe o que diz Luis Wesley de Souza [12] em um comentário sobre a igreja de Tiatira: “Quando Jesus diz àquela igreja: “contra você tenho isso: você tolera a Jezabel, aquele mulher que se diz profetiza” (v. 20), ele não está sugerindo que Tiatira deveria desenvolver uma impaciente intolerância ou mesmo criar uma espécie de inquisição comunitária. Os líderes, de modo geral, estavam errados por não tomarem a iniciativa de advertir Jezabel e seus seguidores e, acima de tudo, por não exortá-los nem chamá-los ao arrependimento. Aqueles que estavam em posição e em condição de fazê-lo optaram por permitir que o mal se instalasse em etapas, sem nada fazer e sem medir as conseqüências de seus desdobramentos. Quando os líderes têm medo de dizer alguma coisa, geram a vulnerabilidade de que a igreja precisa para abraçar e cair em qualquer coisa”.

“Eu dei-lhes tempo para que arrependa-se da sua prostituição; e não se arrependeu” (v. 21).

Evidentemente uma advertência fora dada a esta Jezabel, ela, porém, não se arrependeu continuando nas mesmas práticas, andando no mesmo caminho. O Senhor passa a tratar com ela severamente. Deus sempre age pacientemente. Ele é o Deus das misericórdias que não tem prazer na morte de ninguém, mas quer que todos se arrependam e vivam (Ez 18.30-32). Como Jezabel rejeitou o conselho do Senhor, a sentença veio de forma terrível.

“Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras” (v. 22).

Ela seria colocada numa cama de dor. A punição seria com enfermidades e sofrimento. Adulterar aqui provavelmente se refira a adultério espiritual, o envolvimento com práticas ilícitas de imoralidade sexual e idolatria advinda do ensino pernicioso de Jezabel. Estes que assim se comportavam cairiam em grande tribulação, caso não se arrependesse dos seus pecados. Deus sempre trabalha objetivando o arrependimento daqueles que transgridem caso não se arrependam, o castigo virá com maior severidade.

“E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda as mentes e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras” (v. 23).

Filhos que seriam feridos de morte, provavelmente sejam os filhos espirituais de Jezabel, os que foram enganados por ela, fazendo concessões com o mundo pagão e suas práticas. Segue uma advertência para todas as igrejas da parte do Senhor, como o que “sonda mentes e corações”. O comentário bíblico Beacon [13] explica: “Mentes (palavra grega somente encontrada aqui no NT) literalmente significa “os rins”; isto é, “os movimentos da vontade e afeições”. Corações na psicologia hebraica referia-se especialmente aos pensamentos. O olhar do Onisciente penetra até o mais profundo do intelecto, emoções e vontade do homem”. Aquele que conhece todas as coisas, pois nada há no ser humano que possa está escondido aos olhos de Deus, dará a cada um segundo os seus feitos.

“Mas eu vos digo a vós e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não tem esta doutrina e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei. Mas o que tendes, retende-o até que eu venha” (vs. 24, 25).

Aqui segue uma palavra confortadora de Jesus aos que permaneceram fiéis e não aceitaram a doutrina de Jezabel, bem como seu estilo de vida, mas aderiram e permaneceram no ensino das Escrituras. Jezabel e seus seguidores acreditavam e também proclamavam que tinham conhecimento profundo dos segredos de Deus. Cristo, porém, revela que o conhecimento deles, eram na verdade, os segredos das profundezas de Satanás. A inspiração que Jezabel recebia não era de Deus, senão do inferno. Suas práticas não condizem com os ensinamentos da Palavra de Deus e nem conduziam as pessoas a uma vida pautada na Palavra de Deus, senão a práticas totalmente demoníacas.

Comentário bíblico Beacon [14] comenta sobre o assunto: “Esses falsos mestres entendiam que o homem espiritual deveria conhecer as coisas profundas de Satanás e que ele deveria tomar parte da voda pagã da comunidade. Duas das características mais salientes dessa vida pagã eram suas festas sacrificiais e suas práticas imorais. Muitos gnósticos de épocas posteriores afirmavam que, visto que toda matéria é má e somente o espírito é bom, não importa o que alguém faça com o seu corpo; sua alma continua pura.” Assim, acreditavam não haver nenhum problema em aceitar práticas pagãs, pois, a partir dai, eles teriam, pela experiência, conhecimento do mal.

Luis Wesley [15] explica: “Esse é o tipo de lógica que considera que, se queremos conhecer o inferno, temos de ir até ele e experimentá-lo no mais profundo. Ocorre que as únicas coisas profundas que a igreja deve querer conhecer para desenvolver o propósito da pureza e da santidade são as profundas coisas de Deus (1Co 2.9,19 e Ef 3.18). Se, por um lado, muitos caminhos de Deus são insondáveis (Rm 11.33-36), por outro lado, o que o Senhor revelou ou manifestou é absolutamente suficiente “para que sejamos cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef 3.19). O mistério cristão “que esteve oculto durante épocas e gerações” é este: “Cristo em vocês, a esperança da glória (Rm 1.26,27). Este profundo segredo revelado – Cristo em nós! – está à disposição da Igreja para que ela cresça e se desenvolva sem necessidade alguma de aprender e de experimentar os profundos segredos de Satanás (v. 24)”.

Não virá sobre os crentes nenhuma outra admoestação além da que já foi posta, Tão somente, mantenham-se firmes, afastando-se de toda perversidade moral que praticam, até a vinda do Senhor.

“E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhes darei poder sobre as nações” (v. 26).

O vencedor deve viver uma vida de pureza e santidade mesmo em um ambiente de impureza moral e idolatria, que são obras de Jezabel. Jesus Cristo promete que dará autoridade aos seus seguidores fiéis sobre as nações da terra.

“E com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vaso de oleiro; como também recebi de meu Pai. Dar-lhe-ei a estrela da manhã” (v. 27,28).

O termo “regerá” significa literalmente “pastorear pois o trabalho do pastor é cuidar das suas ovelhas. Os santos vão se assentar no trono e julgar o mundo (1Co 6.2). Quanto aos ímpios, no dia do juízo serão quebrados como um vaso de barro (Sl 2.8,9). Receberão a estrela da manhã. “Os salvos terão parte não apenas na autoridade de Cristo de governar o mundo, mas também na sua glória”.

Parte da igreja de Tiatira se envolveu com práticas pecaminosas condenadas por Cristo. A vida sem Deus leva o homem ao fracasso pleno e a distanciar-se de Deus cada momento. A existência da igreja objetiva a glorificação do Senhor, “e é aos olhos do Senhor e da sociedade que ela precisa apresentar-se pura e santa”. Que o Senhor tenha misericórdia de sua Igreja!


Notas bibliográficas

[1] Willian Barclay. Apocalipsis. pg. 118
[2]Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã. Vl. 05, pg. 953
[3] Comentário do Novo Testamento Apocalipse. Simon Kistemaker, pg. 184. Ed. Mundo Cristão.
[4] Idem
[5] Idem
[6] Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã. Vl. 05, pg. 954
[7] Apocalipse, o Futuro chegou. Hernandes Dias Lopes, pg. 102
[8] Daniel e Apocalipse. Antonio Gilberto, pg. 110, CPAD
[9] Uma Igreja Sem Propósito. Jorge Henrique Barros, pg. 80, Ed. Mundo Cristão
[10] Comentário Bíblico do Novo Testamento Atos a Apocalipse. Matthew Henry, pg. 968. CPAD.
[11] Apocalipse, o Futuro chegou. Hernandes Dias Lopes, pg. 105.
[12] Uma Igreja Sem Propósito. Jorge Henrique Barros, pg. 84, Ed. Mundo Cristão
[13] Comentário Bíblico Beacon Hebreus a Apocalipse, vl. 10, pg. 422. CPAD
[14] Idem, pg. 423
[15] Uma Igreja Sem Propósito. Jorge Henrique Barros, pg. 91,92, Ed. Mundo Cristão


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Use a Palavra na Criação de Filhos

Por Thabiti Anyabwile
Thaibiti Anyabwile – é o pastor da Primeira Igreja Batista, nas Ilhas Grand Cayman. Ele possui bacharelado e mestrado em psicologia obtidos na North Carolina State University. Serviu como pastor assistente na Capitol Hill Baptist Church, em Washington D.C. Thabiti tem sido convidado como preletor em diversas conferências e seminários nos Estados Unidos e em outros países, é autor de artigos teológicos e livros, um deles, "O que é um membro de Igreja Saudável?", está no prelo pela Editora Fiel. Ele e sua esposa, Kristie, têm três filhos.

Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes; para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhe observassem os mandamentos; e que não fossem, como seus pais, geração obstinada e rebelde, geração de coração inconstante, e cujo espírito não foi fiel a Deus (Salmos 78.5-8).

O Senhor Deus do céu proveu graciosamente sua Palavra (seu "testemunho" e "lei") como uma estratégia e conteúdo fundamental para a criação de filhos (v. 5). Ele "ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos". Vemos o mesmo propósito em Deuteronômio 6.

Por que Deus manda seu povo ensinar sua Palavra, em vez de alguma outra metodologia ou assunto, para instruir a descendência piedosa que ele promete (Ml 2.15)? Por que não vídeo games? Por que não escolas públicas ou particulares? Por que não a aplicação das últimas descobertas da psicologia, sociologia, teoria educacional ou auto-ajuda? Por que os pais não devem simplesmente delegar isso aos mais bem preparados, mais bem educados, mais bem vestidos e mais requintados?

Parece que Deus designa sua Palavra e, especificamente, a paternidade realizada sob a direção de sua Palavra para cumprirem vários objetivos:

1) Para que gerações de famílias – e não apenas indivíduos – conheçam seu testemunho e sua lei (v. 6). Deus tem uma visão de que nossas famílias conheçam e andem em sua Palavras, de geração em geração. Deus planejou a família como a única instituição que deve levar avante esse propósito que inclui múltiplas gerações. O único conjunto consistente de relacionamentos que alcança as gerações são os relacionamentos de avós-pais-filhos-netos. Timóteo é nosso exemplo: "Pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também, em ti... Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus" (2 Timóteo 1.5; 3.14-15).

2) Para que nossos filhos ponham sua confiança em Deus (v. 7a). Como pais cristãos, "temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis" (1 Tm 4.10). Não temos "maior alegria do que esta, a de ouvir que" nossos "filhos andam na verdade" (3 Jo 4). É a Palavra de Deus que pode tornar nossos filhos sábios para a salvação, por meio da fé em Jesus Cristo. As Escrituras dão testemunho de Cristo e nelas está a vida eterna. Se o alvo de nossa criação de filhos se conforma com o alvo de Deus para a nossa criação de filhos, então devemos usar a Palavra de Deus resoluta e fielmente para incentivar nossos filhos a colocarem sua esperança em Deus. As escolas ensinam nossos filhos a terem esperança na educação. Música e entretenimento ensinam nossos filhos a terem esperança na popularidade e serem "legais". Os gurus de auto-ajuda ensinam nossos filhos a terem esperança em si mesmos. Mas nós proclamamos: alguns confiam em carros, outros, em cavalos, nós, porém, confiamos em o nome do Senhor, nosso Deus! Isso é a chave da paternidade bíblica e da esperança de cada pai e mãe crente. Portanto, devemos ensinar aos nossos filhos a Palavra de Deus em e como nossa paternidade.

3) Para que nossos filhos não esqueçam as obras de Deus (v. 7b). Em Salmos 78.9-10, logo depois da grande afirmação do desejo de Deus nos versículos 5 a 8, a Palavra de Deus nos diz que os efraimitas "não guardaram a aliança de Deus, não quiseram andar na sua lei; esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes mostrara". Esquecer a Deus é a coisa mais perigosa na desobediência. Que obras grandiosas Deus havia realizado na criação e libertação! É uma coisa surpreendente que essa Realidade fosse esquecida! Mas nós esquecemos. Nossos filhos esquecem. Retemos coisas triviais (brincadeiras favoritas, listas de compras, etc.), enquanto temos pensamentos vagos sobre Deus. Nosso esquecimento é nossa reversão pecaminosa à bestialidade. Mas nossa lembrança é nosso esforço ativo em direção à piedade. Lembrar é uma obra capacitada e impulsionada pela graça de Deus, por meio de sua Palavra. Se nossos filhos devem lembrar-se de Deus, o que ele ordena e deseja, eles precisam manter os registros da obra e da pessoa de Deus gravados em sua mente. Portanto, devemos exercer a paternidade pelo ensino das Escrituras Sagradas aos nossos filhos, para que eles não esqueçam.

4) Para que nossos filhos guardem os mandamentos de Deus (v. 7c). A Bíblia mantém uma forte conexão entre o lembrar e o obedecer (ver, por exemplo, Dt 8.11-20). Não podemos obedecer o que esquecemos habitualmente. Há uma afirmação óbvia na psicologia organizacional que diz: "O que é medido é feito". Medir auxilia a lembrança, que, por sua vez, impele a realização. Os evangélicos ficam nervosos sempre que a obediência entra na discussão espiritual. Mas não devemos. Tão naturalmente quanto esperamos que nossos filhos nos obedecem, devemos esperar que obedeçam a Deus e exortá-los a isso – não por causa de justiça, mas por causa de amor. Três vezes o Senhor disse aos seus discípulos: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos" (Jo 14.15, 21, 23). A obediência é o fruto excelente de um raiz de amor. Havendo ensinado nossos filhos a colocarem sua confiança no Senhor, por meio da fé em Cristo, não ousamos torná-los pequenos antinomianos, negando o lugar do mandamento, da lei e da obediência em seguir o Salvador. Queremos que eles sejam santificados na verdade – a Palavra de Deus é a verdade. Queremos que eles sejam conformados, pela graça de Deus, mediante a fé, à semelhança do Salvador. Precisamente porque o Senhor Jesus Cristo é a nossa santidade (Hb 10.14), queremos que nossos filhos sigam a santidade por meio da fé e da obediência motivadas por graça.

5) Para que nossos filhos não sejam obstinados e rebeldes, e sim firmes e fiéis (v. 8). Oh! que vejamos nossos filhos andando na verdade, e nunca se desviem para a esquerda ou para a direita, nunca tenham um coração frio, nunca sejam tentados pelas canções sedutoras do mundo ou caiam no laço do Diabo! Oramos assim. Mas devemos, também, ensinar a Palavra de Deus com esta esperança e visão de firmeza e fidelidade. A exortação de Hebreus 3.12-14 se aplica muito bem à criação de filhos: "Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos". Substitua a palavra "irmãos" por "pais" ou substitua "mutuamente" por "filhos", e assim temos ordens para encorajar nossos filhos diariamente na Palavra de Deus.

Que o Senhor nos torne fiéis no ensino de sua Palavra aos filhos que ele confiou ao nosso cuidado. A Palavra de Deus não volta vazia. Creiamos nela e a usemos no criar os nossos filhos!

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Traduzido por: Wellington Ferreira

Copyright© Thabiti Anyabwile 2011
Copyright© Editora Fiel 2011

Traduzido do original em inglês: Use the Word in your Parenting – Extraído do Blog The Gospel Coalition.

Fonte: editorafiel

sábado, 3 de dezembro de 2011

Precisamos Novamente de Homens de Deus

Por A. W. Tozer
A igreja, neste momento, precisa de homens, o tipo certo de homens, homens ousados. Afirma-se que necessitamos de avivamento e de um novo movimento do Espírito; Deus, sabe que precisamos de ambas as coisas. Entretanto, Ele não haverá de avivar ratinhos. Não encherá coelhos com seu Espírito Santo.

A igreja suspira por homens que se consideram sacrificáveis na batalha da alma, homens que não podem ser amedrontados pelas ameaças de morte, porque já morreram para as seduções deste mundo. Tais homens estarão livres das compulsões que controlam os homens mais fracos. Não serão forçados a fazer as coisas pelo constrangimento das circunstâncias; sua única compulsão virá do íntimo e do alto.

Esse tipo de liberdade é necessária, se queremos ter novamente, em nossos púlpitos, pregadores cheios de poder, ao invés de mascotes. Esses homens livres servirão a Deus e à humanidade através de motivações elevadas demais, para serem compreendidas pelo grande número de religiosos que hoje entram e saem do santuário. Esse homens jamais tomarão decisões motivados pelo medo, não seguirão nenhum caminho impulsionados pelo desejo de agradar, não ministrarão por causa de condições financeiras, jamais realizarão qualquer ato religioso por simples costume; nem permitirão a si mesmos serem influenciados pelo amor à publicidade ou pelo desejo por boa reputação.

Muito do que a igreja faz em nossos dias, ela o faz porque tem medo de não fazê-lo. Associações de pastores atiram-se em projetos motivados apenas pelo temor de não se envolverem em tais projetos.

Sempre que o seu reconhecimento motivado pelo medo (do tipo que observa o que os outros dizem e fazem) os conduz a crer no que o mundo espera que eles façam, eles o farão na próxima segunda-feira pela manhã, com toda a espécie de zelo ostentoso e demonstração de piedade. A influência constrangedora da opinião pública é quem chama esses profetas, não a voz de Jeová.

A verdadeira igreja jamais sondou as expectativas públicas, antes de se atirar em suas iniciativas. Seus líderes ouviram da parte de Deus e avançaram totalmente independentes do apoio popular ou da falta deste apoio. Eles sabiam que era vontade de Deus e o fizeram, e o povo os seguiu (às vezes em triunfo, porém mais freqüentemente com insultos e perseguição pública); e a recompensa de tais líderes foi a satisfação de estarem certos em um mundo errado.

Outra característica do verdadeiro homem de Deus tem sido o amor. O homem livre, que aprendeu a ouvir a voz de Deus e ousou obedecê-la, sentiu o mesmo fardo moral que partiu os corações dos profetas do Antigo Testamento, esmagou a alma de nosso Senhor Jesus Cristo e arrancou abundantes lágrimas dos apóstolos.

O homem livre jamais foi um tirano religioso, nem procurou exercer senhorio sobre a herança pertencente a Deus. O medo e a falta de segurança pessoal têm levado os homens a esmagarem os seus semelhantes debaixo de seus pés. Esse tipo de homem tinha algum interesse a proteger, alguma posição a assegurar; portanto, exigiu submissão de seus seguidores como garantia de sua própria segurança. Mas o homem livre, jamais; ele nada tem a proteger, nenhuma ambição a perseguir, nenhum inimigo a temer. Por esse motivo, ele é alguém completamente descuidado a respeito de seu prestígio entre os homens. Se o seguirem, muito bem; caso não o sigam, ele nada perde que seja querido ao seu coração; mas, quer ele seja aceito, quer seja rejeitado, continuará amando seu povo com sincera devoção. E somente a morte pode silenciar sua terna intercessão por eles.

Sim, se o cristianismo evangélico tem de permanecer vivo, precisa novamente de homens, o tipo certo de homens. Deverá repudiar os fracotes que não ousam falar o que precisa ser externado; precisa buscar, em oração e muita humildade, o surgimento de homens feitos da mesma qualidade dos profetas e dos antigos mártires. Deus ouvirá os clamores de seu povo, assim como Ele ouviu os clamores de Israel no Egito. Haverá de enviar libertação, ao enviar libertadores. É assim que Ele age entre os homens.

E, quando vierem os libertadores... serão homens de Deus, homens de coragem. Terão Deus ao seu lado, porque serão cuidadosos em permanecer ao lado dEle; serão cooperadores com Cristo e instrumentos nas mãos do Espírito Santo...

Fonte: editorafiel


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

“O Espírito do Senhor é sobre mim...”

Por Pr. Nonato Souza
Estando Jesus na sinagoga de Nazaré, foi-lhe dado o livro do profeta Isaias; e ao abrir o livro achou o lugar em que estava escrito: 

“O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a apregoar liberdade aos cativos e dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18,19).

Ninguém melhor que Jesus identificou-se de forma tão plena com o Espírito Santo. Ele deu lugar ao Espírito Santo não apenas como algo momentâneo, mas um relacionamento que Ele desfrutou durante toda sua vida e ministério. Podemos observar isso com clareza ao analisarmos os pontos abaixo.

Ele foi concebido pelo Espírito Santo.

Temos este fato confirmado em várias passagens da Escrituras: “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35; veja outras passagens: Mt 1.18,20). “Na concepção de Jesus, não foi chamado à vida um novo ser (como em todos os outros casos de nascimento humano), mas sim Alguém que existira eternamente e que, pela sua concepção, entrava agora numa relação vital com a natureza humana. Quando Cristo foi concebido, não se tratava da concepção de uma personalidade humana e sim de uma natureza humana. Só há uma personalidade em Jesus Cristo, a saber, o Eterno, que era e é o Filho de Deus” [1].

Ele foi ungido pelo Espírito Santo.

“Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (At 10.38). Todas as unções que estão mencionadas no Antigo Testamento, quer de profetas, sacerdotes ou de reis, tem o seu cumprimento nesta unção de Jesus Cristo, pois o mesmo, cumpriria a seu tempo os ofícios de profeta, sacerdote e rei.

Ele foi guiado pelo Espírito Santo.

“Então foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto,...” ( Mt 4.1 ). O fato de Jesus ter sido “impelido para o deserto” (impelido é termo usado pelo evangelista Marcos 1.12,13), pelo Espírito para ser tentado por Satanás, não significa que tenha sido abandonado ali, mas que, durante todo o tempo em que permaneceu ali foi guiado, ajudado a vencer as tentações pelo poder do Espírito. Depois a Bíblia diz que Ele: “no poder do Espírito regressou” (Lc 4.14). Durante todo o tempo de sua tentação Jesus foi assistido pelo Espírito Santo, e foi por meio do Espírito que a sua natureza humana venceu as tentações colocadas diante Dele.

Ele foi cheio do Espírito Santo.

“E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto” ( Lc 4.1 ). Foi por está cheio do Espírito santo que Jesus resistiu firmemente Satanás e saiu vencedor contra as tentações. Jesus foi preparado e equipado para a batalha. Matthew Henry [2] diz: “Ele estava cheio do Espírito Santo, que havia descido sobre Ele como uma pomba. O Senhor Jesus tinha agora medidas maiores de dons, graças e consolações do Espírito Santo do que antes”.

Realizou seu ministério no poder do Espírito Santo.

“O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a por em liberdade os oprimidos, anunciar o ano aceitável do Senhor” ( Lc 4.18,19 ).
Através do Espírito Santo, Jesus pregava com unção (Lc 4.18; 5.14,15), teve poder sobre os demônios ( Lc 11.20; Mc 5.7; At 10.38 ), sobre as enfermidades ( Mt 15.29-31 ), sobre a morte ( Lc 8.49-55; Jo 11.39-44 ), etc.

Ofereceu-se em sacrifício pelo Espírito Santo.

Ele foi capacitado pelo Espírito Santo para oferecer o sacrifício necessário pelos pecados. “Quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” ( Hb 9.14 ). Não era o bastante que Cristo morresse pelos nossos pecados, o seu sacrifício teria que ser perfeito, isso foi possível mediante o Espírito Santo

Foi ressuscitado pelo Espírito Santo.

“E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita” ( Rm 8.11 ). O texto sagrado diz que Ele foi ressuscitado dos mortos pelo Espírito Santo. Algumas vezes a ressurreição de Jesus é atribuída ao Pai (At 2.24), outras vezes é atribuída ao próprio Filho (Jo 10.17,18).

Deu mandamento aos apóstolos após ressuscitar por intermédio do Espírito Santo.

“Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de Ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera” ( At 1.1,2 ). É o mesmo Senhor que dar ordens pelo Espírito hoje à igreja, guiando e dirigindo em todos os empreendimentos. A igreja não depende da presença física do Senhor para ser guiada por Ele. Essa orientação é feita pelo Espírito Santo, que está presente (Jo 14.16).

Ele mesmo é o doador do Espírito à Igreja.

Cristo foi quem concedeu o Espírito Santo à Igreja. “De sorte que, exaltado pela destra de Deus e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis” ( At 2.33 ). Este foi o cumprimento da promessa feita a seus discípulos. “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai...” (Jo 15.26). Concluímos dizendo que o Espírito Santo que estava sobre Jesus, o assistiu durante todo o seu ministério terreno.


Notas Bibliográficas

[1] Fundamento da Teologia Pentecostal. Guy P. Duffield e Nathaniel M. Van Cleave vol. II. Pg. 7
[2] Comentário Bíblico Novo Testamento Mateus a João. Matthew Henry, pg. 545. CPAD

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Igreja Versus o Mundo

Por John MacArthur
Por que os evangélicos tentam cortejar desesperadamente o favor do mundo? As igrejas planejam seus cultos com o objetivo de agradar as pessoas que não freqüentam qualquer igreja. Artistas cristãs imitam todas os estilos efêmeros do mundo tanto na música como no entretenimento. Os pregadores estão horrorizados com o fato de que a ofensa do evangelho pode colocar alguém contra eles, por isso omitem deliberadamente partes da mensagem que o mundo não aprovara.

O evangelicalismo parece ter sido seqüestrado por legiões de porta-vozes carnais que estão fazendo o melhor que podem para convencer o mundo de que a igreja pode ser tão inclusiva, pluralista, mente aberta como as pessoas mais mundanas.

A busca pela aprovação do mundo é o mesmo que prostituição espiritual. De fato, essa foi exatamente a figura que o apóstolo Tiago usou para descrevê-la. Ele escreveu: "Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus" (Tiago 4.4).

Sempre existiu e existirá uma incompatibilidade fundamental entre a igreja e o mundo. O pensamento cristão não se harmoniza com todas as filosofias do mundo. A fé genuína em Cristo envolve uma negação de todos os valores mundanos. A verdade bíblica contradiz todas as religiões do mundo. O cristianismo é, por essa razão, oposto a quase tudo que este mundo admira.

Jesus disse aos seus discípulos: "Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia" (João 15.18-19).

Observe que nosso Senhor considerou uma realidade absoluta o fato de que o mundo desprezaria a igreja. Em vez de ensinar seus discípulos a tentarem conquistar o favor do mundo, por reformularem o evangelho, para que este se adequasse às preferências do mundo, Jesus advertiu expressamente que a busca pelos louvores do mundo é uma característica dos falsos profetas: "Ai de vós, quando todos vos louvarem! Porque assim procederam seus pais com os falsos profetas" (Lucas 6.26).

Depois, ele esclareceu: "O mundo... me odeia, porque eu dou testemunho a seu respeito de que as suas obras são más" (João 7.7). Em outras palavras, o desprezo do mundo para com o cristianismo origina-se de motivos morais, e não intelectuais: "O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras" (João 3.19-20). Essa é a razão por que, não importando quão profundamente diversa seja a opinião do mundo, a verdade cristã nunca será popular no mundo.

No entanto, em quase toda a era da história da igreja, tem havido pessoas na igreja que estão convencidas de que a melhor maneira de ganhar o mundo para Cristo é satisfazer os gostos do mundo. Essa maneira de agir sempre trouxe detrimento à mensagem do evangelho. As únicas épocas em que a igreja causou impacto significante no mundo foram aquelas em que o povo de Deus permaneceu firme, recusou comprometer-se e proclamou com ousadia a verdade, apesar da hostilidade do mundo. Quando os cristãos se esquivaram da tarefa de confrontar as ilusões mundanas populares com as verdades bíblicas impopulares, a igreja perdeu a sua influência e mesclou-se impotentemente com o mundo. Tanto a Escritura como a história atestam esse fato.

E a mensagem cristã não pode simplesmente ser mudada para se conformar com as vicissitudes das opiniões do mundo. A verdade bíblica é fixa e constante, não sujeita a mudança ou adaptação. Por outro lado, a opinião do mundo está em fluxo constante. As tendências e as filosofias que dominam o mundo mudam radicalmente, com regularidade, de geração a geração. A única coisa que permanece constante é o ódio do mundo para com Cristo e o seu evangelho.

Com toda a probabilidade, o mundo não adotará por muito tempo qualquer ideologia em voga neste ano. Se o padrão da história serve como indicador, quando os nossos netos se tornarem adultos, a opinião do mundo será dominada por um sistema completamente novo de crença e todo um novo sistema de valores. A geração de amanhã renunciará todas as modas e filosofias passageiras de hoje. Todavia, uma coisa se manterá inalterada: até que o Senhor volte e estabeleça seu reino na terra, qualquer ideologia que ganha popularidade no mundo será hostil à verdade bíblica, como o foram as suas antecessoras.

Traduzido por: Wellington Ferreira

Copyright © John MacArthur Jr

© Editora FIEL 2009.

Fonte: editorafiel

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Cruz e o Eu

Por Arthur W. Pink
Antes de abordarmos o tema deste versículo, desejamos fazer algumas considerações sobre os seus termos. “Se alguém” — o termo utilizado refere-se a todos os que desejam unir-se ao grupo dos seguidores de Cristo e alistar-se sob a bandeira dEle. “Se alguém quer” — o grego é muito enfático, significando não somente a anuência da vontade, mas também o propósito completo do coração, uma resolução determinada. “Vir após mim” — como um servo sujeito a seu Senhor, um aluno, ao seu Mestre, um soldado, ao seu Capitão. “Negue” — o vocábulo grego significa negue-se completamente. Negue-se a si mesmo — a sua natureza pecaminosa e corrupta. “Tome” — não quer dizer leve ou suporte passivamente, e sim assuma voluntariamente, adote ativamente. “A sua cruz” — que é desprezada pelo mundo, odiada pela carne, mas, apesar disso, é a marca distintiva de um verdadeiro crente. “E siga-me” — viva como Cristo viveu, para a glória de Deus.

O contexto imediato é ainda mais solene e impressionante. O Senhor Jesus acabara de anunciar aos seus apóstolos, pela primeira vez, a aproximação de sua morte de humilhação (v. 21). Pedro, admirado, disse-Lhe: “Tem compaixão de ti, Senhor” (v. 22). Estas palavras expressaram a política da mentalidade carnal. O caminho do mundo é a satisfação e a preservação do “eu”. “Poupa-te a ti mesmo” é a síntese da filosofia do mundo. Mas a doutrina de Cristo não é “salva-te a ti mesmo”, e sim sacrifica-te a ti mesmo. Cristo discerniu no conselho de Pedro uma tentação da parte de Satanás (v. 23) e, imediatamente, a repeliu. Jesus disse a Pedro não somente que Ele tinha de ir a Jerusalém e morrer ali, mas também que todos os que desejassem tornar-se seguidores dEle tinham de tomar a sua cruz (v. 24). Existia um imperativo tanto em um caso como no outro. Como instrumento de mediação, a cruz de Cristo permanece única; todavia, como um elemento de experiência, ela tem de ser compartilhada por todos os que entram na vida.

O que é um “cristão”? Alguém que possui membresia em uma igreja na terra? Não. Alguém que afirma um credo ortodoxo? Não. Alguém que adota certo modo de conduta? Não. Então, o que é um cristão? É alguém que renunciou o “eu” e recebeu a Cristo Jesus como Senhor (Cl 2.6). O verdadeiro cristão é alguém que tomou sobre si o jugo de Cristo e aprende dEle, que é “manso e humilde de coração” (Mt 11.29). O verdadeiro cristão é alguém que foi chamado à comunhão do Filho de Deus, “Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Co 1.9): comunhão em sua obediência e sofrimento agora; em sua recompensa e glória no futuro eterno. Não existe tal coisa como o pertencer a Cristo e viver para satisfazer o “eu”. Não se engane nesse ponto. “Qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo” (Lc 14.27) — disse o Senhor Jesus. E declarou novamente: “Aquele que [em vez de negar-se a si mesmo] me negar diante dos homens [e não para os homens — é a conduta, o andar que está em foco nestas palavras], também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mt 10.33).

A vida cristã tem início com um ato de auto-renúncia, sendo continuada por automortificação (Rm 8.13). A primeira pergunta de Saulo de Tarso, quando Cristo o deteve, foi esta: “Que farei, Senhor?” (At 22.10.) A vida cristã é comparada a uma corrida, e o atleta é chamado a desembaraçar-se “de todo peso e do pecado que tenazmente... assedia” (Hb 12.1) — ou seja, o pecado que está no amor ao “eu”, o desejo e a resolução de seguir nosso próprio caminho (Is 53.6). O grande e único alvo, objetivo e tarefa colocados diante do cristão é seguir a Cristo: seguir o exemplo que Ele nos deixou (1 Pe 2.21); e Ele não agradou a Si mesmo (Rm 15.3). Existem dificuldades no caminho, obstáculos na jornada, dos quais o principal é o “eu”. Portanto, ele tem de ser “negado”. Este é o primeiro passo em direção a seguir a Cristo.

O que significa negar completamente a si mesmo? Primeiramente, significa o completo repúdio de sua própria bondade: cessar de confiar em quaisquer de nossas obras para recomendar-nos a Deus. Significa uma aceitação irrestrita do veredicto divino de que todos os nossos melhores feitos são “como trapo da imundícia” (Is 64.6). Foi neste ponto que Israel falhou, “porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus” (Rm 10.3). Esta afirmativa deve ser contrastada com a declaração de Paulo: “E ser achado nele, não tendo justiça própria” (Fp 3.9).

Negar completamente a si mesmo significa renunciar de todo a sua própria sabedoria. Ninguém pode entrar no reino de Deus, se não se tornar como uma “criança” (Mt 18.3). “Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito!” (Is 5.21.) “Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1.22). Quando o Espírito Santo aplica o evangelho com poder em uma alma, Ele o faz “para destruir fortalezas, anulando... sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Co 10.4,5). Um lema sábio que todo cristão deve adotar é: “Não te estribes no teu próprio entendimento” (Pv 3.5).

Negar completamente a si mesmo significa renunciar suas próprias forças: não ter qualquer confiança na carne (Fp 3.3). Significa prostrar o coração à afirmativa de Cristo: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5). Foi neste ponto que Pedro falhou (Mt 26.33). “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Pv 16.18). Quão necessário é que estejamos sempre atentos! “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1 Co 10.12). O segredo do vigor espiritual se encontra em reconhecermos nossa fraqueza pessoal (ver Is 40.29; 2 Co 12.9). Sejamos, pois, fortes “na graça que está em Cristo Jesus” (2 Tm 2.1).

Negar completamente a si mesmo significa renunciar de todo a sua própria vontade. A linguagem de uma pessoa não-salva é: “Não queremos que este reine sobre nós” (Lc 19.14). A atitude de um verdadeiro cristão é: “Para mim, o viver é Cristo” (Fp 1.21) — honrar, agradar e servir a Ele. Renunciar a nossa própria vontade significa dar atenção à exortação de Filipenses 2.5: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”; e isto é definido nos versículos seguintes como auto-renúncia. Renunciar a nossa própria vontade é o reconhecimento prático de que não somos de nós mesmos e de que fomos “comprados por preço” (1 Co 6.20); é dizermos juntamente com Cristo:

“Não seja o que eu quero, e sim o que tu queres” (Mc 14.36).

Negar completamente a si mesmo significa renunciar as suas próprias concupiscências ou desejos carnais. “O ego de um homem é um pacote de ídolos” (Thomas Manton), e esses ídolos têm de ser repudiados. Os não-crentes amam a si mesmos (2 Tm 3.2 – ARC). Todavia, alguém que foi regenerado pelo Espírito diz, assim como Jó: “Sou indigno... Por isso, me abomino” (40.4; 42.6). A respeito dos não-crentes, a Bíblia afirma: “Todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus” (Fp 2.21). Mas, a respeito dos santos de Deus, está escrito: “Eles... mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (Ap 12.11). A graça de Deus está nos educando “para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente” (Tt 2.12).

Este negar a si mesmo que Cristo exige dos seus seguidores é total. Não há qualquer restrição, quaisquer exceções — “Nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (Rm 13.14). Este negar a si mesmo tem de ser contínuo e não ocasional — “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23). Tem de ser espontâneo, não forçado; realizado com alegria e não com relutância — “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens” (Cl 3.23). Oh! quão perversamente tem sido abaixado o padrão que Deus colocou diante de nós! Como este padrão condena a negligência, a satisfação carnal e a vida mundana de muitos que se declaram (inutilmente) “cristãos”!

“Tome a sua cruz.” Isto se refere à cruz não como um objeto de fé, e sim como uma experiência na alma. Os benefícios legais do Calvário são recebidos por meio de crer, quando a culpa do pecado é cancelada, mas as virtudes experimentais da cruz de Cristo são desfrutadas apenas quando somos conformados, de modo prático, “com ele na sua morte” (Fp 3.10). É somente quando aplicamos a cruz, diariamente, ao nosso viver e regulamos nosso comportamento pelos princípios dela, que a cruz se torna eficaz sobre o poder do pecado que habita em nós. Não pode haver ressurreição onde não há morte; não pode haver um andar prático, “em novidade de vida”, enquanto não levamos “no corpo o morrer de Jesus” (2 Co 4.10). A cruz é a insígnia, a evidência do discipulado cristão. É a cruz de Cristo e não o credo dEle que faz a distinção entre um verdadeiro seguidor de Cristo e os religiosos mundanos.

Ora, em o Novo Testamento a “cruz” representa realidades definidas. Primeiramente, a cruz expressa o ódio do mundo. O Filho de Deus não veio para julgar, e sim para salvar; não veio para castigar, e sim para redimir. Ele veio ao mundo “cheio de graça e de verdade”. O Filho de Deus sempre estava à disposição dos outros: ministrando aos necessitados, alimentando os famintos, curando os enfermos, libertando os possessos de espíritos malignos, ressuscitando mortos. Ele era cheio de compaixão — manso como um cordeiro, totalmente sem pecado. O Filho de Deus trouxe consigo boas-novas de grande alegria. Ele buscou os perdidos, pregou aos pobres, mas não desprezou os ricos; e perdoou pecadores. De que modo Cristo foi recebido? Que boas-vindas os homens Lhe ofereceram? Os homens O desprezaram e rejeitaram (Is 53.3). Ele disse: “Odiaram-me sem motivo” (Jo 15.25). Os homens sentiram sede do sangue de Jesus. Nenhuma morte comum lhes satisfaria. Exigiram que Jesus fosse crucificado. Por conseguinte, a cruz foi a manifestação do ódio inveterado do mundo para com o Cristo de Deus.

O mundo não se alterou, assim como o etíope ainda não mudou a sua pele e o leopardo, as suas manchas. O mundo e Cristo ainda estão em antagonismo. Por isso, a Bíblia afirma: “Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4). É impossível andarmos com Cristo e gozarmos de comunhão com Ele, enquanto não tivermos nos separado do mundo. Andar com Cristo envolve necessariamente compartilhar de sua humilhação — “Saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério” (Hb 13.13). Foi isso o que Moisés fez (ver Hb 11.24-26). Quanto mais intimamente eu estiver andando com Cristo, tanto mais incorretamente serei compreendido (1 Jo 3.2), tanto mais serei ridicularizado (Jó 12.4) e odiado pelo mundo (Jo 15.19). Não cometa erro neste ponto: é totalmente impossível ser amigo do mundo e andar com Cristo. Portanto, tomar a cruz significa que eu desprezo voluntariamente a amizade do mundo, recusando conformar-me com ele (Rm 12.2). Que me importa a carranca do mundo, se estou desfrutando do sorriso do Salvador?

Tomar a cruz significa uma vida de sujeição voluntária a Deus. No que concerne à atitude de homens ímpios, a morte de Cristo foi um assassinato. Mas, no que se refere à atitude do próprio Senhor Jesus, a sua morte foi um sacrifício espontâneo, uma oferta de Si mesmo a Deus. Foi também um ato de obediência a Deus. Ele mesmo disse: “Ninguém a tira de mim [a vida dEle]; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la” (Jo 10.18). E por que Ele a entregou espontaneamente? As próximas palavras do Senhor Jesus nos dizem: “Este mandato recebi de meu Pai”. A cruz foi a suprema demonstração da obediência de Cristo. Nisto, Ele é nosso exemplo. Citamos novamente Filipenses 2.5: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”. Nas palavras seguintes, vemos o Amado do Pai assumindo a forma de um servo e “tornando-se obediente até à morte e morte de cruz”.

Ora, a obediência de Cristo tem de ser a obediência do cristão — voluntária, alegre, irrestrita, contínua. Se esta obediência envolve vergonha e sofrimento, menosprezo e perdas, não devemos vacilar; pelo contrário, temos de fazer o nosso “rosto como um seixo” (Is 50.7). A cruz é mais do que um objeto da fé do cristão, é a insígnia do discipulado, o princípio pelo qual a vida do crente deve ser regulada. A cruz significa entrega e dedicação a Deus — “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1).

A cruz representa sofrimento e sacrifício vicários. Cristo entregou sua própria vida em favor de outros; e os seguidores dEle são chamados a fazerem espontaneamente o mesmo — “Devemos dar nossa vida pelos irmãos” (1 Jo 3.16). Esta é a lógica inevitável do Calvário. Somos chamados a seguir o exemplo de Cristo, à comunhão de seus sofrimentos, a sermos cooperadores em sua obra. Assim como Cristo “a si mesmo se esvaziou” (Fp 2.7), assim também devemos nos esvaziar. Cristo “não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20.28); temos de agir da mesma maneira. Assim como Cristo “não se agradou a si mesmo” (Rm 15.3), assim também não devemos agradar a nós mesmos. Como o Senhor Jesus sempre pensou nos outros, assim devemos nos lembrar “dos encarcerados, como se presos com eles; dos que sofrem maus tratos”, como se fôssemos nós mesmos os maltratados (Hb 13.3).

“Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 16.25). Palavras quase idênticas a estas se encontram também em Mateus 10. 39, Marcos 8.35, Lucas 9.24; 17.33, João 12.25. Esta repetição certamente é um argumento em favor da profunda importância de prestarmos atenção e atendermos às palavras de Cristo. Ele morreu para que vivêssemos (Jo 12.24); devemos agir de modo semelhante (Jo 12.25). Assim como Paulo, devemos ser capazes de afirmar: “Em nada considero a vida preciosa para mim mesmo” (At 20.24). A “vida” de satisfação do “eu” neste mundo é perdida na eternidade. A vida que sacrifica os interesses do “eu” e se rende a Cristo, essa vida será achada novamente e preservada em toda eternidade.

Um jovem que concluíra a universidade e tinha perspectivas brilhantes respondeu à chamada de Cristo para uma vida de serviço para Ele na Índia, entre as classes mais pobres. Seus amigos exclamaram: “Que tragédia! Uma vida desperdiçada!” Sim, foi uma vida “perdida” para este mundo, mas “achada” no mundo por vir.

Fonte: editorafiel

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Evangelização, uma prática para a Igreja atual?

Por Pr. Nonato Souza
Semear a semente da Palavra de Deus é responsabilidade de cada crente alcançado pela graça salvadora em Cristo Jesus. 

“Ide por todo mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15).

Vejo com bons olhos a necessidade de retorno à prática da evangelização. Entendo ser essa necessidade urgente. Retornar ao trabalho espiritual, outrora tão praticado pela igreja é algo primacial e coerente.

Focaremos, então, de forma específica, o assunto da evangelização como prática para a igreja atual.

Evangelho é boas novas do Senhor Jesus Cristo, perfeitamente compreensível por todos. Evangelismo é na verdade, a tarefa de testemunhar do Senhor Jesus àqueles que estão perdidos. É especificamente a Grande Comissão que foi entregue pelo Senhor Jesus aos seus discípulos (Mt 28.19,20).

Fazer discípulos, batizá-los e ensinar-lhes o que aprendemos do Senhor Jesus é o autêntico evangelismo, e, portanto, a responsabilidade de cada crente.

Existe, até certo ponto, um abandono desta atividade tão prima, na igreja atual por parte daqueles que a compõe. Há um estado de acomodação ao ambiente das quatro paredes e raramente nos aventuramos a uma saída para o campo evangelístico.

Outrora, estávamos acostumados ver aos finais de semanas, a leitura da lista de vários nomes dos novos convertidos que foram evangelizados e ganhos pela igreja durante a semana, para que pudéssemos discipular e integrá-los .

Nos dias atuais entra mês, sai mês, não vemos a menção sequer de alguém, que por ventura, tenha se decidido por Cristo.

Isto é tão sério, e não obstante à seriedade do fato, não nos incomodamos com esta situação. Para alguns, tudo normal.

Ah, meu Deus! Será que não é hora de voltar ao principio da evangelização, ao desejo profundo de ganhar almas? Não é o evangelismo um trabalho vital que o crente deve realizar? Se não há evangelização, então, há uma falha grave que precisa ser corrigida urgentemente, pois essa pratica é uma das mais profundas características do Cristianismo. Esse é sem dúvida um trabalho primacial e da maior importância para a Igreja do Senhor Jesus.

Não há tarefa mais importante destinada à Igreja do Senhor Jesus, que anunciar a salvação através de Cristo a toda humanidade. A Igreja primitiva se ocupou primacialmente desta tarefa. A evangelização foi de tal maneira desenvolvida pelos cristãos primitivos que, em aproximadamente dois anos, a Ásia Menor já havia sido alcançada.

Tendo sido o Senhor Jesus assunto ao céu, o mundo de então passou a se ressentir da necessidade de uma mensagem que comunicasse paz e felicidade à alma. O poder romano, a filosofia grega e a religiosidade judaica não conseguiam atender os reclamos daquela geração. Mas com a descida do Consolador, capacitando a Igreja a realizar eficazmente o trabalho evangelístico, essas reivindicações puderam ser satisfeitas.

Pedro se dedicou à evangelização dos judeus. Filipe foi a Samaria. O apóstolo Paulo, Barnabé, Silas e Timóteo e outros cooperadores, voltaram-se aos gentios. A Igreja através do Espírito Santo se envolveu integralmente com o trabalho de evangelização dos povos.

Nestes últimos dias, o Espírito Santo deseja usar todos os crentes para uma poderosa operação evangelística, porque a maior necessidade do mundo atual é ouvir a única mensagem que salva o pecador: o Evangelho de Cristo. E esta necessidade se torna mais premente se levarmos em conta que, face ao crescimento demográfico, o mundo encontra-se, hoje, menos evangelizado que nos dias de Paulo.

Não queremos dizer que este ou aquele método é o correto para se realizar o trabalho evangelístico. O importante é que o Espírito Santo glorifica a Cristo quando realizamos a obra de evangelização sob sua direção.

O trabalho evangelístico, efetivamente realizado pela igreja, precisa está bem definido. Além, do que, se deve entender que, em primeiro lugar, evangelizar não é uma opção; é uma obrigação (1Co 9.16).

A presença, inspiração e orientação do Espírito Santo tornará o trabalho realizado pelos cristãos, eficaz. Evangelizar sem a direção do Espírito Santo é trabalhar sem objetivos e incorrer em erros, além da ineficácia do trabalho. Atualmente os métodos de evangelismos têm sido aprimorados, e isso é bom, desde que não fujam aos princípios bíblicos que é sempre imutável e infalível.

“Mas os que andavam dispersos iam por toda a parte anunciando a Palavra” (At 8.4). “E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém!” (Mt 16.20).

A Palavra de Deus nos mostra o principio da evangelização efetivado na igreja, que infelizmente hoje se acha estagnado em grande parte das igrejas locais. Urge, pois, retornarmos imediatamente ao trabalho efetivo da evangelização, pois, esta é nossa principal tarefa nesta vida. A igreja deve empreender todo esforço possível no trabalho evangelístico, pois como enfatizou apóstolo Paulo, somos devedores. Você está disposto?

O olhar de Jesus

Por João Cruzué
É notável a diferença entre o olhar de Jesus e o olhar dos homens. Nascidos em pecado, estes habituam-se desde cedo ao pessimismo, ao desprezo e à desconfiança. Ajustam o foco sobre as fraquezas, defeitos, explorando detidamente o lado mesquinho e hipócrita das pessoas. Jesus Cristo, a expressão viva do amor de Deus, não segue este padrão, quando examinamos sua maneira de olhar nas páginas do Evangelho.

Por exemplo: Quando Jesus viu Simão Pedro pela primeira vez, não criticou suas fraquezas, nem profetizou que o negaria - embora soubesse de tudo isso. Em lugar de uma taquara (significado do nome Simão) Cristo viu uma rocha - Cefas. É assim que Deus nos vê. Quando nos aproximamos dele, não aponta o dedo para nossas fraquezas para que murchemos e desanimemos. O olhar de Jesus procura por aquilo que há de bom em nosso interior, ainda que seja uma partícula boa em um milhão de defeitos. Se você procurar por Ele, vai ser bem recebido.

Quando Jesus viu o baixinho Zaqueu no alto da figueira, não zombou dele perante a multidão. Poderia ter dito: Eis aí, o chefe dos coletores de impostos mais corrupto de Jericó. Não, ele não fez isto. Todos diriam assim, mas Jesus olhava com amor. Foi por isso que disse: Zaqueu, desce depressa, pois hoje vou jantar em tua casa". Apenas um olhar e algumas palavras foram suficientes para produzir a mudança mais inesperada na vida do chefe dos publicanos de Jericó.

Quando Jesus viu o coxo junto ao Tanque de Bestesda, ele não viu um aleijado. Ele viu um homem que depois de 38 anos doente ainda tinha esperança de ser curado. Todos viam um coxo maluco, mas Cristo enxergava um homem andando normalmente, levando embora um leito sobre as costas.Quando Jesus olhou para a mulher adúltera diante daquele grupo de apedrejadores, ele não viu uma prostituta, mas uma jovem que precisava apenas de uma oportunidade para se levantar e nunca mais pecar.

Quando Jesus mandou retirar a pedra do túmulo de Lázaro, ele não enxergava um cadáver mal-cheiroso, mas via um velho amigo caminhando diante de uma família de pessoas críticas.Jesus vê uma rocha onde todos veem uma taquara. Jesus vê um convertido sincero enquanto todos enxergam um fiscal corrupto sem possibilidades de recuperação. Jesus vê um homem correndo e saltando, enquanto os conhecidos enxergam um coxo inútil e teimoso. Jesus não atira pedras em quem está caído. Jesus enxerga vida, onde todos já desistiram ou taparam o nariz por causa do mau cheiro. Jesus Cristo não vira as costas para quem bate à sua porta.

Esta fixação em procurar os defeitos e descobrir os erros das pessoas para depois dizer para todo mundo; esta ânsia de difamar, de derribar para produzir no criticado um sentimento de pequenez, de frustração, de desânimo revela, na verdade, algo interessante sobre a pessoa do crítico. Mostra sua necessidade premente de manipular as faltas alheias para dispersar o foco sobre si mesmo. Usa a crítica como capa para cobrir a própria nudez. Era porisso que o diabo só enxergava maldade no caráter do patriarca Jó.

Em tempos em que é tão fácil descer a "lenha" na vida de nossos irmãos, não custa perguntar: de que maneira estamos vendo a vida deles. Se apenas conseguirmos enxergar defeitos, e nada mais que isto, temos um problema grave problema de miopia espiritual.

O olhar de Jesus é misericordioso, para aqueles que buscam seu socorro. Se nossas virtudes resumissem apenas a uma única gota d'água no fundo de um copo vazio, Ele volveria seus olhos para ela e nos diria: Me alegra que isto esteja em teu coração. Este é o olhar de Jesus.

Fonte: estudosgospel

sábado, 12 de novembro de 2011

O que representa beber o sangue de Cristo

Por Clériston Andrade
Jo 6:53-60 "Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida.Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e igualmente eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta por mim viverá. Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá eternamente. Estas coisas disse Jesus, quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum. Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir"

Esta passagem relata o momento em que na sinagoga (templo judeu) Jesus falava aos seus ouvintes da necessidade de comer da Sua carne e beber do Seu sangue. Este discurso, longe de parecer uma pregação pró-canibalismo, era, sobretudo, um chamado a viver a vida de Cristo.

Todas aquelas pessoas que ouviam Jesus conheciam muito bem os preceitos da Lei judaica. Todos sabiam os moldes em que se dava o sacrifício de animais para o perdão de pecados. No período vetero-testamentário, quando os homens pecavam, o sacerdote os representava diante de Deus sacrificando um cordeiro sem mancha e sem mácula para que aquele animal pagasse com a vida pelos pecados do povo.

Hoje sabemos que Cristo é o Cordeiro de Deus que foi dado em nosso lugar. Recebemos a salvação através do Seu sacrifício vicário e compreendemos que sem o Seu sangue derramado o nosso fim seria a perdição. Mas mesmo para os discípulos aquele discurso de Jesus pareceu-lhes "duro demais".

O que será que tornava este sermão duro demais? O que diferenciava o sacrifício de Cristo do sacrifício praticado no Velho Testamento? Voltemos então àquele período para entendermos a razão do susto dos discípulos.

No Antigo Testamento, havia uma proibição explícita quando aos animais. "Somente empenha-te em não comeres o sangue, pois o sangue é a vida; pelo que não comerás a vida com a carne." (Dt 12:23). Comer a carne era receber as benesses do sacrifício, mas beber o sangue era algo proibido, porque o "o sangue é a vida".

Quando Jesus fala àqueles homens advindos do judaísmo e, portanto, cientes de todas as regras da Lei, Ele os diz não só para comer da Sua carne, mas também para beber do Seu sangue. Era aí que o discurso começava a parecer "duro demais"!

Comer a carne significa participar do sacrifício de Jesus, Beber o sangue de Cristo significa beber da Sua vida, pois como está em Dt 12:23 "o sangue é a vida". Receber a benesse do sacrifício vicário de Jesus, ou seja, a salvação, todos queremos, beber da Sua vida, entretanto, poucos desejam.

Quando celebramos a ceia do Senhor, ordenança que nos foi deixada pelo próprio Cristo, nós simbolizamos através do vinho e do pão a carne e o sangue do Cordeiro de Deus. Mas muito mais que um simples memorial, ser participante da mesa de Cristo, requer de nós que sejamos participantes da Sua vida.

Mt 16: 24 diz: "Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me."

A cruz é o ponto central do cristianismo porque para ela convergem todas as coisas, ela é o centro da história, nela passado, presente e futuro se integram. Na cruz Cristo nos justifica, santifica e nos garante a vida eterna. A cruz representa o ápice da humilhação do Deus que se fez homem para morrer pelo pecador. Mas a cruz de cristo não é somente a cruz dele, ela é também a cruz do que o segue.

"... Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me." Disse Jesus. Se entendermos a vida cristã somente como a vida daqueles que crêem na cruz, nós estaremos a entendendo pela metade. Nós não somente cremos na cruz, mas fomos também crucificados nela.

Carregar a cruz é negar-se a si mesmo, é tornar-se discípulo que imita o Mestre e mais que isso, é ter a própria vida do mestre em si. Beber o sangue de Cristo representa beber da vida dele, viver a vida dele, andar como Ele andou.

"...Estou crucificado com Cristo." Sentencia o apóstolo Paulo em Gl 2:19. Não somente Ele morreu por mim, mas eu também morri para os meus próprios desejos e para a minha própria concupiscência.

"Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos." Completa Romanos 6:6.

A cruz é também o lugar de libertação. É sendo crucificado com Cristo que eu sou livre da escravidão do pecado, é morrendo o velho homem que um novo homem nasce recriado à semelhança de Cristo.

Na ocasião em que Jesus falou sobre a necessidade de comermos da Sua carne e bebermos do Seu sangue muitos se retiraram, foram embora. Estas pessoas consideraram "duro demais" o discurso de Cristo. Esta é a natureza humana, afeita somente ao que agrada, ao que não exige morte, renúncia e abnegação. Por isso essa velha natureza tem que ser cravada na cruz, por isso ela deve morrer.

Mas é preciso entender que a vida eterna é precedida pela morte, pela morte do "eu", pelo sacrifício do velho homem. "Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos." Diz Rm 6:8.

Isso não significa salvação por obras. Significa, sim, que a fé que imputa sobre mim a justiça de Cristo também opera em mim a vida de Jesus. Recebemos os méritos de Cristo, mas é preciso entender que Ele morreu a nossa morte para que vivamos a Sua vida.

A graça de Deus não é uma licença para o pecado e nem uma autorização para uma vida sem dedicação ao Reino. Paulo deixa isso claro neste mesmo cap. 6 de Romanos, quando nos versos de 1 à 4 fala: "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida."

Ser discípulo de Cristo implica numa vida de obediência a Ele, de observância e prática da Sua Palavra. "Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo." (Lc 14:33) e "...Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos." (Jó 8:31).

Como isso é possível sem a cruz? Não há hipótese de viver a vida de Cristo sem o sacrifício, a morte, da velha natureza terrivelmente inclinada ao pecado. Paulo tinha a verdadeira dimensão do que isso significa, sabendo ele que toda a glória deste mundo não pode ser comparada com aquilo que o Senhor reserva para aqueles que foram crucificados com Seu Filho: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo." (Gl 6:14).

O que parecia duto demais aos homens que ouviram o discurso de Jesus naquele dia, continua da mesma forma. O padrão não diminuiu. É preciso ser crucificado com Jesus, é necessário beber da vida de Cristo e andar como Ele andou.

"Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim." (Gl 2:19-20).

A vida cristã tem uma coroa de glória no fim da jornada, mas no trilhar da mesma há uma cruz que não pode ser abandonada no caminho. Que não nos esqueçamos disso!

Fonte: estudosgospel

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Quando os lobos atacam as ovelhas

Por Rev. Hernandes Dias Lopes
O apóstolo João, em sua segunda carta, versículos 7 a 11, fala acerca de três perigos que a igreja enfrenta em relação aos falsos mestres e enganadores, que como lobos, espreitam as ovelhas de Cristo. Os falsos mestres sempre existiram e sempre procuraram se infiltrar no meio do rebanho para atacar as ovelhas. Esses enganadores negam, por exemplo, as verdades essenciais da fé cristã, como a encarnação de Cristo e sua morte vicária na cruz. Eles têm o mesmo espírito do anticristo e vêm para preparar seu caminho (2Jo 7). Esses lobos nem sempre colocam as unhas de fora. Na maioria das vezes, travestem-se de ovelhas para entrar no aprisco e devorá-las. Que cautela a igreja precisa ter? Quais são os perigos que precisamos evitar para não sermos atacados por essa alcateia de lobos?

1. O perigo de tornar atrás (2 Jo 8). João alerta aos crentes para ficarem atentos a fim de não retrocederem e não perderem aquilo que foi realizado com esforço pelos verdadeiros obreiros de Deus. Quem retrocede na fé, quem escuta a voz dos falsos mestres e quem se afasta da igreja do Deus vivo para dar ouvidos às heresias perniciosas dos falsos mestres rifa sua própria alma no balcão do engano. O apóstolo João recomenda cautela, pois os falsos mestres não se apresentam como tal. Eles vêm com voz suave. São simpáticos, atraentes, bons comunicadores. Parecem sempre estar na frente, trazendo revelações novas e espetaculares. Mas, sorrateiramente ou mesmo explicitamente negam as verdades fundamentais da fé cristã e desconstroem os pilares do cristianismo. Seguir esses aventureiros é desviar-se da fé, é mergulhar na escuridão da mentira de Satanás e colocar os pés no caminho largo que conduz à perdição.

2. O perigo de ir além (2 Jo 9). Os falsos mestres sempre ficam aquém das Escrituras ou vão além delas. Eles ultrapassam a doutrina de Cristo. Não têm a Palavra de Deus como única regra de fé e prática. Acrescentam à Bíblia alguma nova revelação. Ao fazerem isso, negam a veracidade e a suficiência das Escrituras. Negam também a Pessoa e a obra perfeita e completa de Cristo. Negam a salvação pela graça e introduzem mentiras perniciosas, fazendo-as passar pela última verdade a que todos os homens devem se render. O apóstolo Paulo já havia alertado aos crentes da Galácia que ainda que um anjo de Deus viesse do céu para pregar outro evangelho, além daquele que foi pregado, deveria ser rejeitado veementemente. Só há um evangelho. Só há uma mensagem salvadora. Buscar outros caminhos, outras fontes e outras revelações é cair num abismo trevoso, é desviar-se da verdade, é apostatar-se da fé.

3. O perigo de ir junto (2 Jo 10,11). O apóstolo João é enfático em dizer que não podemos receber em nossa casa aqueles que trazem em sua bagagem a falsa doutrina, aqueles que negam nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo como nosso único e suficiente Salvador e Senhor. Não podemos dar as boas vindas a esses lobos travestidos de ovelhas, pois fazer isso é tornar-se cúmplice de suas obras más. Os falsos mestres são incansáveis em sua jornada de morte. Eles são itinerantes. Batem de porta em porta e buscam sempre uma oportunidade para enredar alguém com sua astúcia. A única forma de mantermos esses lobos fora do aprisco, longe das ovelhas e distante da nossa casa é firmarmo-nos na verdade. Sem o conhecimento das Escrituras, não teremos discernimento necessário para distinguir entre o lobo e a ovelha, entre a verdade e a mentira, entre o verdadeiro evangelho e o falso evangelho. Nesse tempo em que a sociedade organizada, por meio de suas mais respeitadas instituições, conspiram contra os valores espirituais e morais que devem reger a família. Nesse tempo em que florescem como cogumelo novas seitas bem como novas igrejas introduzindo novidades estranhas às Escrituras, arrebatando multidões aos seus redutos, precisamos nos acautelar e dar ouvidos à exortação do apóstolo João: Não torne atrás! Não vá além da doutrina! Não caminhe junto com os falsos mestres!

Fonte: Palavra da Verdade

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Cartas às Sete Igrejas da Ásia – Pérgamo (Ap 2.12-17)

Por Pr. Nonato Souza
Pérgamo (moderna Bergama) era conhecida como uma cidade da província romana da Ásia distava cerca de 30 quilômetros da costa do mar Egeu, perto do rio Caico que era navegável por pequenas embarcações.

A cidade era localizada numa elevação de cerca de mil pés, servindo como fortaleza que dominava a zona rural. Desfrutou durante longo tempo de proeminência até que os romanos a invadissem e fizeram dela uma capital. “A verdadeira história da cidade começou no século III a. C., sob a dinastia dos Átalos, quando se tornou a capital de um reino Helenístico de considerável importância. Átalo III entregou seu reino a Roma em testamento. Em 133 a.C., por ocasião de sua morte, ela tornou-se a província da Ásia.” [1].

A cidade de Pérgamo era conhecida como centro religioso onde estava presente templo a Zeus e Asclépio (deus da cura) dentre outros. Após os romanos conquistarem a cidade, o templo por estes construído foi mais tarde, dedicado ao imperador Augusto de Roma, onde foi introduzido o culto a César. Pérgamo se tornou o centro do culto ao imperador, rivalizando até com Esmirna e Éfeso.

Dentre os muitos deuses de Pérgamo se destacava Zeus cujo templo se erguia numa colina 250 metros acima do nível da cidade e Asclépio, o deus da cura. Esses deuses eram tidos como salvadores (gr. soter). Os cristãos não reconheciam esse ensino e por isso eram ridicularizados pelos romanos e judeus. “Eram culpados de infidelidade a Roma, escarnecidos, acusados de sedição, perseguidos e assassinados” [2].

Kistemaker diz que em Pérgamo os cristãos enfrentavam as pressões de uma sociedade pagã. Quando convidados para participar de alguma festa a uma divindade pagã e recusavam de participar da mesma, eram evitados, perdiam o seu emprego ou negócio. Para os crentes, porém, não havia nada acima do seu Senhor, nenhuma lei humana que esteja acima da lei de Deus e nenhuma doutrina que suplante o evangelho [3].

“Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios” (v. 12).

Aos cristãos que habitavam em Pérgamo, Cristo descreveu-se como aquele que tem “a espada aguda de dois fios”. Certamente, identificando-se assim, Jesus se coloca em prontidão para batalhar e julgar toda heresia instalada na igreja de Pérgamo. Haviam hereges naquela igreja e para estes, Jesus se apresenta como aquele que tem a espada, símbolo da autoridade divina (Gn 3.24; Js 5.13), e referência à Escritura Sagrada (Hb 4.12). A Igreja recebe aqui uma advertência forte acerca do perigo de deixar os ensinos apostólicos e enveredar-se para erros doutrinários e heresias de perdição.

Jesus, também pode está se identificando desta forma, porque em Pérgamo, o procônsul que ali residia mantinha o poder da espada para determinar se uma pessoa devia viver ou morrer. Identificando-se, assim, Jesus se revela como o que tem o poder definitivo sobre a vida e a morte.

“Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás” (v. 13).

O Senhor da igreja conhece as obras dos crentes, principalmente pelas circunstâncias do lugar onde estão habitando, assim elas se tornam bem mais conhecidas. Pérgamo, o lugar onde a igreja habitava era onde estava “o trono de Satanás”. O próprio Senhor reconhece isto. Estudiosos são da opinião de que essa expressão é uma referência ao altar de Zeus que era em si mesmo um símbolo da idolatria. Além de ser a cidade, o centro de culto a muitos deuses, se destacava principalmente pelo culto ao imperador que se tornou uma ameaça constante de aniquilação à existência da Igreja. Quando os crentes não aceitavam participar desses cultos eram tidos como traidores do Estado e consequentemente punidos severamente.

“e reténs o meu nome e não negastes a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita” (v. 13).

Mesmo habitando em lugar onde estava o “trono de Satanás”, os crentes residentes em Pérgamo, recusavam-se negar sua fé em Cristo. Quando as autoridades romanas bradavam: “César é Senhor”, eles respondiam veementemente: “Jesus é Senhor”. Firmeza e perseverança era a marca destes heróis cristãos.

Estes crentes viram ser ceifada a vida de uma fiel testemunha chamada Antipas entre eles. Não se sabe se Antipas era membro da igreja de Pérgamo ou se fora levado para ali como prisioneiro. Sabe-se que muitos prisioneiros eram trazidos de todas as partes da província de Pérgamo para serem julgados e condenados diante do procônsul da Ásia, que tinha o poder da vida e da morte.

“Mas umas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeço diante dos filhos de Israel para que comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem” (v. 14).

É interessante observar que a crítica de Cristo à igreja de Pérgamo destina-se a uma parte dos membros. Ali estavam alguns membros que conservavam o Seu nome e não negaram a fé (v. 13). Jesus, o Cabeça da Igreja tem, porém, algumas coisas contra aquela igreja local. “Tens lá os que seguem a doutrina de Balaão”.

O texto veterotestamentário informa que Balaão era filho de Beor (estrangeiro), alguém que não pertencia ao povo. Vivia em Petor, na Mesopotâmia (Nm 22.5). Era tido como profeta de Deus, porém, na prática era um agoureiro e encantador (Nm 23.7;24.1). Entre os midianitas acabou tornando-se um adivinho (Nm 31.8), um mágico que buscava apenas os seus interesses pessoais e com habilidade estava sempre a manipular o que era sagrado.

Balaque rei de Moabe contrata os préstimos de Balaão para amaldiçoar Israel. As palavras de Balaão ao amaldiçoar o povo de Deus, surtiram efeito contrário. Percebendo não ter condições de amaldiçoar o povo, contratou as jovens formosas de Moabe e Midiã para seduzirem os jovens de Israel, levando-os a cometer imoralidade sexual. O falso ensino de Balaão levou o povo a desviar-se dos caminhos do Senhor levando-os à prática da “prostituição com as filhas de Moabe”.

Vendido a Balaque, o falso profeta Balaão passou a ensiná-lo “a lançar tropeço diante dos filhos de Israel para que comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem” (Ap 2.14). Matthew Henry [4] enfatiza que alguns mestres da igreja de Pérgamo, ensinavam ser legítimo comer coisas sacrificadas a ídolos, e que a fornicação simples não era pecado. Ele faz algumas observações dignas de nota sobre o assunto:

1) A imundície do espírito e imundície da carne com freqüência andam juntas. Doutrinas corrompidas e a adoração corrompida com freqüência levam à conversa corrompida;
2) É bem legítimo associar o nome dos líderes de uma heresia aos que os seguem. É a forma mais rápida de identificá-los;
3) Continuar em comunhão com pessoas de princípios e práticas corrompidas é desagradável a Deus, atrai culpa e vergonha sobre toda a sociedade: eles se tornam participantes dos seus pecados. Embora a igreja, como tal, não tem poder para punir a pessoa dos homens, seja por heresia ou por imoralidade, com castigos corpóreos, ainda assim tem poder para excluí-los da sua comunhão; e, se não o fizer, Cristo, o cabeça e legislados da Igreja, vai está descontente com isso.

Balaão, então passou a ensinar Balaque a lançar “tropeço" (gr. scandalon) diante dos filhos de Israel. O termo está relacionado à armadilha, armada no caminho para seduzir Israel a cair no pecado. O povo de Deus foi enganado e caiu na armadilha. A consequência dessa armadilha foi a morte de cerca de 24 mil israelitas (Nm 25.9; 1Co 10.8).

Não resta dúvida, que alguns membros e mestres da igreja de Pérgamo, seguidores dos ensinos adotados por Balaão, os mais influentes, procuravam convencer os demais membros a aceitar os costumes pagãos para se livrarem das perseguições sofridas ao rejeitarem participar das celebrações pagãs do Estado. Certamente, esses mestres enfatizavam que aquilo que se faz com o corpo não afetará a alma, levando muitos a se afastarem da comunhão com o Senhor.

Muitos cristãos da igreja de Pérgamo haviam se deixado levar pelos ensinos heréticos de líderes ou cristão influentes para que agissem livremente com base em verdades reconhecidas de que os crentes não estão debaixo de nenhuma lei e que, portanto podem viver uma vida permissiva. O engano de Balaão estava sendo inserido dentro da igreja e minando a fé dos crentes, que se deixavam corromper sendo levados à adoração de ídolos e a prática da prostituição.

O erro de Balaão e Balaque parece ainda ameaçar a igreja atualmente. Estamos vendo uma busca constante dos evangélicos por fama. Estão buscando através da vocação religiosa caminhos que sejam mais curto para alcançar sucesso, glória pessoal, etc. Se deixam levar por uma motivação totalmente equivocada, onde a busca desenfreada por bens materiais é o que predomina o coração de muitos. Estão em busca de glória e louvor para si próprio. Estes que assim vivem “têm buscado sua própria projeção bem como das igrejas que comandam, construindo, assim, torres de Babel que dignificam o próprio nome de quem as constrói” [5].

“Assim, tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu aborreço” (v. 15).

Pesquisadores parecem indicar que os “nicolaítas” eram seguidores de Nicolau, o que fora escolhido para ser um dos diáconos da igreja (At 6.1-7). “Ao que tudo indica, Nicolau passou a elaborar, posteriormente, ensinamentos estranhos à fé cristã, procurando sincreticamente adaptar a doutrina dos apóstolos a práticas religiosas pagãs que incluíam, entre as suas cerimônias, a chamada prostituição sagrada” [6].

Esses seguidores de Nicolau, os nicolaítas, parecem ser pessoas que cometiam os mesmos pecados que os seguidores da doutrina de Balaão. Eles ensinavam os cristãos a se envolverem em imoralidades sexuais o que era proibido pela Palavra de Deus. Wander de Lara Proença diz sobre esses erros doutrinários: “Os principais erros da doutrina de Balaão e de Balaque significam, além de profanação da Palavra de Deus, seu uso indevido como magia e também a mistura do culto a ídolos com o culto ao Senhor. Pode-se entender magia como o esforço empreendido pelo ser humano de tentar constranger ou manipular os poderes divinos, a fim de servirem a interesses pessoais e utilitaristas” [7].

Os nicolaítas, que eram membros da igreja, são descritos no texto como aqueles que Cristo aborrece. E porque o texto dá ênfase a esse aborrecimento de Cristo? Certamente o fez porque esses cristãos fizeram concessões em sua vida de fé, para desfrutarem dos prazeres pecaminosos da sociedade.

Não temos o direito, como cristãos, de fazer concessões com as verdades do evangelho e doutrinas fundamentais da fé cristã, para simplesmente, satisfazer os nossos prazeres e deleites carnais. Aos tais que assim se comportam, estejam certos, Cristo não poderá tolerá-los.

Os evangélicos brasileiros, não obstante o seu crescimento nestas duas últimas décadas tem demonstrado muita fragilidade doutrinária em suas práticas devido à grande falta de embasamento bíblico e maturidade nas Escrituras Sagradas.

Os problemas mais frequentes notadamente observado tem sido a falta de formação daqueles que estão à frente de igrejas. Na maioria das vezes esses líderes são obreiros neófitos na fé, sem nenhuma formação teológica, que num piscar de olhos abrem igrejas, sem nenhum critério, e passam a ter seguidores, causando sérios transtornos à causa do Mestre.

Outro problema grave nas igrejas locais é o interesse pessoal em que estas tenham crescimento rápido e a qualquer custo. Para que isso aconteça, líderes deixam de ensinar a Palavra de Deus com aquele compromisso necessário e sério para adaptá-las aos interesses das pessoas, objetivando ver o crescimento astronômico do número de membro em suas congregações. Às apalpadelas vão empurrando com a barriga as coisas sem nenhum compromisso. A mensagem do evangelho é barateada e troca-se o direito da primogenitura pelos pratos de lentilhas (Gn 25.33,34). Eis um cuidado que precisamos ter.

O resultado desse comportamento é que não há mudança na vida das pessoas, pois não se cobra renúncia ao pecado e muito menos se exige compromisso com a Palavra de Deus. Prega-se um evangelho sem a cruz de Cristo, evangelho antropocêntrico, onde o homem é o centro de tudo e não Cristo.

Busca-se na atualidade um evangelho que proporcione às pessoas sucesso e prosperidade financeira. Um evangelho que não lhe custe nada, que não seja necessário renunciar nada ou abdicar de alguma coisa. Na verdade os que estão em busca deste evangelho, estão apenas querendo algo que lhes satisfaça e preencha o seu ego. Ora, esse não é o Evangelho de Cristo. O Evangelho Cristocêntrico, que segundo apóstolo Paulo é “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16), não busca interesses meramente pessoais, senão a glória de Deus sobre todas as coisas.

O que dissemos acima são erros cometidos na igreja dos dias atuais e que eram cometidos também na igreja de Pérgamo. Em muitos lugares o que se tem visto é um evangelho místico, sincrético, cheio de misturas e no mínimo estranho. “A Palavra de Deus tem se tornado, infelizmente, uma espécie de manual de rituais mágicos ou é utilizado como amuleto e fetiche” (Wander de Lara Proença). Precisamos parar com isso agora, ou estamos nós pensando que o Senhor Jesus, o dono da Igreja, irá tolerar por muito tempo essas coisas. Não será o tempo de buscar arrependimento?

“Arrepende-te, pois; quando não virei a ti e contra eles batalharei com a espada da minha boca” (v. 16).

O Senhor exorta aos que viviam em práticas pecaminosas a se arrependerem. Exorta também a igreja a tratar com aqueles que faziam concessões onde não deveria haver concessões.

A igreja não deve tolerar a prática do pecado de maneira permissiva entre os seus membros. Só o arrependimento poderá evita o julgamento já prestes a chegar. É dever de todos se arrependerem antes que venha o castigo de Deus. A advertência de Jesus é séria: “quando não virei a ti e contra eles batalharei com a espada da minha boca” (v. 16).

“Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe” (v. 17).

Todos atualmente são exortados a ouvir o que o Espírito diz às igrejas. Os vencedores serão recompensados. O texto acima mostra três pontos importantes: comer do maná escondido, uma pedra branca e um novo nome.

Hernandes Dias Lopes [8] comenta sobre “comer do maná escondido”. “No deserto Deus mandou o maná (Ex 16.11-15). Quando cessou, um vaso com maná foi guardado na arca e depositado no templo (Êx 16. 33,34; Hb 9.4). Com a destruição do templo, conta uma lenda que Jeremias escondeu o vaso com maná numa fenda do Monte Sinai. Os rabinos diziam que ao vir o Messias, o vaso com maná seria recuperado. Receber o maná escondido significa desfrutar das bênçãos da era messiânica. O maná escondido refere-se ao banquete permanente que teremos no céu”.

Sobre a “pedra branca”, Beacon [9] apresenta algumas sugestões. Destas apresentaremos duas que são mais aceitas: 1) Uma pedra branca usada pelos jurados, significando absolvição do réu; 2) Um bilhete de admissão para a festa celestial ou messiânica.

Ainda sobre o novo nome observa Matthew Henry [10]: “O novo nome é o nome de adoção; pessoas adotadas tomaram o nome da família em que foram adotadas. Ninguém pode compreender a evidência da adoção de um homem a não ser ele mesmo; ele não pode compreendê-la, sempre, mas se ele perseverar terá a evidência tanto do ser filho quanto da herança”.

Quero concluir este artigo dizendo que precisamos priorizar o ensino sistemático da Palavra de Deus nas igrejas, investir mais em ensino de formação teológica, cursos de curta duração objetivando dar maior formação tanto a membros como obreiros que exercem lideranças para termos um ministério pastoral forte e produtivo. Só conseguiremos ter igreja amadurecidas no quesito Palavra de Deus se investirmos nessa área, e eu entendo que ainda é tempo.

Fomos chamados e estamos sendo trabalhado por Deus com objetivo de crescermos espiritualmente (Ef 4.11-12). Os falsos mestres dentro da igreja de Pérgamo influenciaram muitos a aceitarem heresias nocivas e de perdição, o que trouxe grande prejuízo para o Reino de Deus. Não será a nossa satisfação pessoal, o viver segundo a nossa vontade que nos trará a felicidade e a mudança tão esperada agora. Precisamos buscar a Deus sobre todas as coisas e sua Palavra como fonte a saciar nossa sede e como pão capaz de alimentar a nossa fome. Ir em busca de cisternas rotas não trará a solução para a dor que aflinge nossa alma. Deus é a solução. Entenda, só Deus através da sua Palavra, é a solução! A Palavra ensinada com seriedade e compromisso eliminará muitos desses males existentes na igreja hodierna. Que o Senhor tenha misericórdia de nós!

Notas bibliográficas.

[1] Dicionário Bíblico Wycliffe, pg. 1511; CPAD
[2] Comentário do Novo Testamento – Apocalipse. Simon Kistemaker, pg. 172; Editora Cultura Cristã
[3] Idem
[4] Comentário Bíblico do Novo Testamento, Atos a Apocalipse. Matthew Henry, pg. 967. CPAD
[5] Uma Igreja Sem Propósitos. Jorge Henrique Barro, pg. 44. Editora Mundo Cristão.
[6] Idem, 59
[7] Idem, pg. 45
[8] Apocalipse, o futuro chegou. Hernandes Dias Lopes, pg.98. Hagnos.
[9] Comentário Bíblico Beacon, Hebreus a Apocalipse, pg. 419. CPAD.
[10] ] Comentário Bíblico do Novo Testamento, Atos a Apocalipse. Matthew Henry, pg. 967. CPAD.